O Vaticano vê-se, trinta nos depois do escândalo do Banco Ambrosiano, em 1982, envolvido novamente num escândalo de dinheiro e de poder - Vatileaks -, relacionado principalmente com a administração do Istituto per le Opere di Religione - IOR (ver também TG3, de 26-5-2012) e do Estado do Vaticano. Como se não fosse suficiente a fustigação mediática pelos casos de pedofilia no clero e em instituições da Igreja - e a preferência nesses casos incorrigíveis pelo perdão interno em vez da denúncia judicial -, começaram, em janeiro de 2012, a aparecer na imprensa cartas que haviam sido enviadas ao Papa Bento XVI, num escândalo que se agravou com a recente publicação, em meados deste maio de 2012, do livro de Gianluizi Nuzzi, Sua Santità - Le carte segrette de Benedetto XVI, Chiarelettere. A detenção do corvo, o próprio mordomo do papa, Paoletto, a quem se imputa a violação e subtração de correspondência papal, que passaria em sua casa pelo scanner e forneceria depois à imprensa, não resolveu o problema que parece ter maior dimensão e outros envolvidos, numa luta de poder e de sombras, em que o grupo perdedor, desobediente e desesperado, antepondo a sua conveniência ao interesse da instituição, filtra documentos e queixas para os media. Bento XVI reprendeu essa Babel, neste domingo, 27-5-2012:
Atualização: este poste foi atualizado às 10:03 e 11:58 de 29-5-2012.
«A narração do Pentecostes nos Atos dos Apóstolos, que ouvimos na primeira leitura (cf. At 2, 1-11), contém no fundo um dos últimos frescos que encontramos no início do Antigo Testamento: a antiga história da construção da Torre de Babel (cf. Gen 11,1-9). Mas o que é Babel? É a descrição de um reino no qual os homens concentraram tanto poder que pensaram não dever fazer mais referência a um Deus longínquo e ser tão fortes que podiam construir um caminho para o céu para abrir as portas e pôr-se no lugar de Deus. Mas mesmo nesta situação verifica-se alguma coisa estranha e singular. Enquanto os homens estavam a trabalhar juntos para construir a torre, de repente deram-se conta de que estavam a construir uns contra os outros. Enquanto tentavam ser como Deus, corriam o perigo de já nem ser homens, porque tinham perdido um elemento fundamental do ser pessoa humana: a capacidade de concordarem, de se compreenderem e de trabalharem em conjunto. (...) Mas não nos apercebemos que estamos revivendo a mesma experiência de Babel.» (Tradução minha do original italiano).
Solenidade do Pentecostes, Homilia do Panto Padre Bento XVI, Basílica Vaticana, domingo, 27 de maio de 2012.
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