domingo, 8 de janeiro de 2017

A doença infantil do socialismo

«(...) Existem todos os motivos para acreditar que o movimento comunista internacional se curará rapidamente e por completo da doença infantil do comunismo "de esquerda"».
Lenine, Vladimir Ilitch Ulianov (1920). Esquerdismo: a doença infantil do comunismo.

Morreu Mário Soares. Que Deus seja misericordioso com ele. É nossa obrigação solicitar piedade mesmo para quem foi um dos piores portugueses de sempre.

Em coma profundo desde 26 de dezembro, foi-lhe prolongada artificialmente a vida, à maneira dos congelados líderes soviéticos de antigamente, e declarado oficialmente morto, ontem, 7-1-2016, passados os festejos da passagem do ano e regressada de férias a nomenclatura do regime. A exceção foi António Costa, apanhado em visita de Estado à Índia quando mandaram desligar a máquina...

Lastima-se o povo de quem quer ser bom, morre. Esta é a hora dos elogios, de exéquias de três dias, de santificação laica, do brilho. Mas há um outro Soares: o sombrio. Para aquém do sobrevivente político (92 anos), do advogado dos processos políticos, do conspirador, do preso político, do desterrado, do organizador da esquerda socialista, do tribuno, do chefe partidário, do governante e do presidente, que as luzes da imprensa portuguesa domesticada pelo poder da esquerda, por patrões amamentados pelo Governo e pelo enviesamento ideológico dos jornalistas louvam (com exceção do CM), é desse outro Soares, que vou esboçar um retrato incompleto.

Quem foi Mário Soares?

Soares foi o jovem comunista influenciado pelo seu professor Álvaro Cunhal, antes de se ter ligado ao grupo republicanos históricos. Foi o aluno mediano de Ciências Histórico-Filosóficas e de Direito. O advogado, mais mediático que jurista. O pseudo-denunciador internacional do abuso sexual de meninas nos chamados ballets rose, quanto o whistleblower foi o advogado Joaquim Pires de Lima. O pelintra humanitário com a juventude, mesmo antes da revolução. O manifestante na visita de Marcelo Caetano a Londres, em julho de 1973, - perguntei em 1987, no ISCSP, ao embaixador Gonçalo Caldeira Coelho se era verdade o episódio de pisar a bandeira mas ele, que apresentou credenciaisem novembro desse ano, não confirmou... O maçon de rito francês, de cujos contactos beneficiou antes e depois do 25 de abril. O abonado de Bullosa, em Paris, para compor o salário de professor universitário ocasional. O manobrador de 1974-1975 com aliança ao PC e logo ao MDLP. O aliado do patriarca D. António Ribeiro (e de D. José Saramago) no cerco do Patriarcado e na Rádio Renascença, mas responsável pela tutela maçónica do País, que dura até hoje. O dirigente que tutelava o financiamento partidário do PS pela CIA, através do canal dos sindicatos alemães (ver reportagem «Dinheiro secreto americano para os socialistas em Portugal»,do canal holandês Nederland 2, de 13-5-2013), e das malas de dinheiro de que se encarregava Rui Mateus (o autor do desaparecido «Contos proibidos: memória de um PS desconhecido», de 1996). O grande obreiro, junta da «descolonização exemplar», ou «milagre», responsável último, por ação política e omissão humana, pelo genocídio que ocorreu em Timor, em Angola, em Moçambique, na Guiné, feito contra populações metropolitanas e gente que tinha servido Portugal, e não mereciam a sua traição. O colega de Almeida Santos, quais Bucha e Estica, na dupla que saldou o Portugal universal. O adversário de Francisco Sá Carneiro que difamou sobre dinheiros e mulher. O aliado ateu da Igreja progressista pré e pós-revolucão. O compincha de Frank Carlucci. O homem dos americanos em Lisboa, numa escolha mais influenciada pela conduta mútua do que por realismo político. O amparo de um jovem universitário em ascensão. O chefe que não podia desconhecer a entrega das G3, por ordem de Eanes, ao operacional Edmundo Pedro (o dos eletrodomésticos). O secretário-geral do PS que dirigia o partido como um «Tigre», furioso e brutal com os subordinados. O louvado grande defensor das liberdades, mas perseguidor de jornalistas através de esbirros, como Joaquim Vieira. O democrata que, para espanto de um presente nessa reunião, que me contou, defendeu em Conselho de Ministros, a tortura contra os membros das FP-25 de Abril, e mais tarde se mexeu para libertar Otelo. O máximo crítico do caso de abuso sexual de crianças da Casa Pia. O parceiro de Jaime Gama. O amigo do mestre Lagoa Henriques. O recrutador de ex-MES e protetor do ferrismo. O marxista, amigo de sempre de banqueiros e de grandes empresários, como Bullosa, Melos, Espírito Santo, Jardim Gonçalves, Ilídio Pinho, Manuel Violas, Dias da Cunha, O padrinho que destinava afilhados para gerir possessões, os sobrinhos da extraordinária mulher, Bernardino Gomes na Fundação Luso-Americana, ou mesmo sem título, como a do comandante Gomes Mota no ISCTE. O abrigo de intelectuais, como João Carlos Espada, Carlos Gaspar, Viriato Soromenho Marques, Boaventura Sousa Santos, Vasco Pulido Valente. O polvo cujos tentáculos chegaram ao sindicalismo comunista, angariando comunistas como Judas ou Carvalho da Silva (o ex-Lula da política portuguesa). O líder que desprezara Constâncio, Guterres e Sampaio, e se tornou pai adotivo de José Sócrates e louvaminhas do socratismo, prática de corrupção de Estado, modelo de um califa político-económico que sonhou ser. O inimigo de Cavaco Silva, de origem humilde e que desdenhou até este se erguer a rival, antes de este ceder ao medo e optar pelo descanso. O abrigo, com Almeida Santos, de juízes e procuradores, de Cunha Rodrigues, a Rodrigues Maximiano, a Cândida Almeida, a Maria José Morgado, a Pinto Monteiro, prevenindo a ameaça da independência do poder judicial face ao poder político corrupto que tinha derrubado a primeira república italiana. O desculpador da corrupção político do seu regime no continente e em Macau, entendo a corrupção como fenómeno política normal e as comissões como contrapartida adequada às decisões políticas que avantajam pessoas e grupos. O político que vivia na penúria antes do 25 de abril e no fausto depois, com a justificação dos extraordinários lucros do Colégio Moderno (!?...). O sócio de Robert Maxwell no projeto de um grupo mediático internacional e o abafador do caso do fax de Macau. O cabecilha que deixava cair os servidores entalados, como os sacrificados da Emaudio e Melancia, em Macau. O camarada de Mitterrand, de Andrés Pérez, de Craxi, de Arafat. O soba europeu aliado de Savimbi e beneficiário do seu apoio, rijo como o diamante e claro como o marfim. O presidente que recolheu para o cofre-forte da fundação do pai, nas Cortes, em Leiria, os magníficos presentes que recebeu pela função que ocupava, ao contrário de Eanes que os deixou para o Museu da Presidência. O amigo-inimigo de Zenha, de Alegre, de Passos. O tirano que gostava de humilhar servidores e embaraçar vassalagens, como quando envergonhou Álvaro Santos Pereira, em crónica no DN, em 30-7-2013. O titereiro que, quando era preciso, relembrava favores antigos e manipulava como marionetas a pessoas como Rui Machete, Pacheco Pereira, António Barreto, Guilherme de Oliveira Martins, Paulo Portas, até Adriano Moreira... O maior peso pesado da tara perdida no jogo abusador da política, em que se cooptam obcecados para (des)equilibrar a ideologia e se corrompem princípios morais para a satisfação sádica de poder sobre os mais frágeis.

Da doença infantil do esquerdismo, que Lenine glosou, se curou rapidamente o comunismo pragmático. Contudo, ainda que Mário Soares tenha falecido, não creio que, no médio-prazo, o Partido Socialista se livre da promiscuidade da sua doença infantil.

sábado, 31 de dezembro de 2016

Lily

No ano triste que ora termina para dar lugar ao novo de combate, lembro a minha aluna Liliana Costa, que faleceu há meses após longa e corajosa luta contra o cancro.
A Liliaana nunca desaminou. Aliás, falava desassombradamente da doença, que a flagelou durante anos e anos, e mantinha uma excecional confiança na cura. Lamentava a burocracia hospitalar e a rigidez dos médicos portugueses face às modernas terapias genéticas que lhe prolongaram a vida à custa de tratamentos dispendiosos na Alemanha que conseguia realizar com recurso à caridade comunitária. Mas apresentava uma esfusiante alegria de viver, que certamente sentia e que comunicava aos outros. A doença aprofundou-lhe a bondade que era natural e desenvolveu-lhe o entusiasmo que partilhava com o marido Mário. Procurava ainda aconselhar, sugerir médicos e serviços, e encorajar outros que passavam pela mesma aflição. Pelo exemplo que dava, convidei-a a fazer uma conferência com o tema «A vida como um projeto», em meados de 2015, na qual deslumbrou os presentes com a sua perseverança e vontade de viver. No cantinho do céu onde Nosso Senhor a acolheu, estará a velar por nós, feliz do serviço que prestou no mundo e agora a rir-se embaraçada do desajeitado texto do professor. Deus a tenha no seu descanso.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A oposição dos políticos à sociedade civil

O Prof. Pedro Arroja denunciou, no Porto Canal, em 26-5-2015, o eurodeputado Paulo Rangel, diretor da sociedade de advogados Cuatrecasas no Porto desde 2012 (e sócio desde 2007), que assessorava o Governo Passos Coelho no Hospital de São João, por esta sociedade ter feito um parecer jurídico que dificultou o andamento da obra de construção naquele serviço de saúde da Ala Pediátrica  pela «Associação Um Lugar para o Joãozinho». Esta associação foi fundada, e é presidida, pelo Prof. Pedro Arroja para realizar, mediante contributos da sociedade civil, e depois doar ao Estado, esta obra de cinco andares, no valor de 20 milhões de euros que substitui instalações precárias, onde atualmente as crianças são tratadas e internadas. Pedro Arroja informou que já tinha angariado um milhão de euros e conseguido financiamento bancário para a obra.

Pedro Arroja insurgiu-se ainda contra a «promiscuidade entre política e negócios»: Paulo Rangel eurodeputado-advogado de negócios que, como político, andaria «certamente, a angariar clientes para a sua sociedade de advogados, clientes sobretudo do Estado».

Explicou, nesta crónica no Porto Canal, o Prof. Pedro Arroja que «a política meteu-se no meio», com um parecer jurídico da Cuatrecasas do Porto que, na sua opinião, é uma «palhaçada jurídica», um «documento político», no qual a «associação não pode dar a obra» ao Estado - apenas dar o dinheiro... -, cedendo o hospital o espaço, podendo processar a associação e as construtoras que a edificam e «rapinar» a obra, expulsando a associação. 

O receio dos políticos da cidade, segundo Pedro Arroja, é de que autorizar a sociedade civil a construir uma obra que caberia ao Estado realizar com prioridade, «faz os políticos parecer mal» perante os cidadãos, que diriam «os políticos não fazem nada»... Por isso, os políticos «se opõem a ela». O professor indignou-se com o desdém e as manobras de oposição de «politiqueiros de segunda categoria» e «juristas de vão de escada». Desafiou Paulo Rangel a debater publicamente o diferendo, coisa que o então eurodeputado-advogado de negócios não aceitou.

Entretanto, Paulo Rangel terá deixado esta sociedade de advogados, em junho de 2016. Paulo Rangel apresentou queixa-crime contra Pedro Arroja, tal como a sociedade de advogados Cuatrecasas, por este comentário televisivo. Pedro Arroja conta o caso no poste «Politiqueiro», em 19-12-2016, no seu Portugal Contemporâneo. Não conheço os fundamentos da queixa-crime, que devem todavia ser muito graves para merecer um processo de desejada pena por difamação agravada («prisão até dois anos»!...).  Sei, por experiência própria, que a bofetada do poder (SLAPP) é violenta em Portugal, país em que a mudança na jurisprudência da medieval ofensa da honra e consideração para a moderna proteção do direito de liberdade de informação e de opinião (necessidade de prova pelo queixoso da actual malice do alegado difamador) vai ao passo do caracol político - nos EUA, se cada cidadão que chamou corrupta a Hillary Clinton fosse preso, mais de metade da população seria arrecada nas masmorras... O objetivo das queixas por difamação dos poderosos é mais a cenografia da indignação, o protesto de inocência e a pedagogia da violência, com o uso dos tribunais como uma courela em cuja lama, despesa e maçada, enterram súbditos. Um sinal da degenerescência do sistema político em cujo pântano nos atolamos, enquanto outros engordam.

Analisando, contudo, o que o Prof. Pedro Arroja disse devo escrever o seguinte sobre eventuais motivos invocados. Não sei se os escritórios da Cuatrecasas no Porto funcionam num vão de escada: mas parece que, de escada em escada, vão... Por outro lado, e com o respeito oitocentista, creio que o Dr. Paulo Rangel é realmente um político de segunda categoria, pois ficou em segundo lugar na eleição pela liderança do PSD ganha por Pedro Passos Coelho, em 27-3-2010. É o sufixo «eiro» (de «politiqueiro») e o incomodou? Ferreiro se diz do escritor...

E o projeto embargado na teia de interesses políticos de controlo elitista da cidade do Porto, onde, afinal, todos os políticos se entendem, numa megacoligação de partidos, de fações e de altas individualidades. Menos com a sociedade civil de que vivem e que protestam representar.


Conheço muito bem as manobras dos políticos quando alguém da sociedade civil procura fazer obra. Em Alcobaça, lancei em 2011 a ideia da edificação em Alcobaça de uma estátua a São Bernardo, oferecendo para tanto economias que tínhamos obtido na direção da Academia de Cultura, que também criei. A ideia foi aceite pela Câmara Municipal, pois a Alcobaça moderna é o resultado da decisão de São Bernardo de fundar um mosteiro na atual cidade. Como exceção, o vereador comunista que indicou outro destino para uma verba que não pertencia ao seu partido, mas que não admiti, pois nunca me arrogara pronunciar sobre o destino das receitas do seu partido. Porém, pedi apoio a amigos e empresas e, em vez de um contributo monetário, a Academia decidiu oferecer a estátua, contando com esta ajuda da sociedade civil. Entornou-se o caldo da sopa azeda: o poder político não gosta que a sociedade civil faça obra, pois teme que na demonstração de eficácia o embaracem perante os cidadão, demonstrando a sua incapacidade; e, quanto mais fraco é esse poder e mais dependente a comunidade, pior. Dar dinheiro ainda se aceita, mas fazer obra é que não!... Ainda mais sendo a estátua entregue pronta, com iluminação e tudo. O projeto foi sujeito a variados argumentos, problemas e obstáculos, que a imaginação política é fértil na manha. Mesmo assim, com quase infinita paciência, três anos e meio depois, conseguimos autorização in extremis para colocar a estátua. Por vontade minha, nem sequer, na face posterior do plinto, consta o meu nome no rol de obreiros e apoios. Ficou a estátua despejada numa zona distante do Mosteiro, que o santo mandou construir e cuja Ordem o ergueu para vir a ser roubado e vandalizado pelo Estado, que o usurpou, confiscou (e confisca !), imagens e objetos litúrgicos, dificulta ou proíbe o culto católico (apesar do que estabelece, acima de qualquer lei ou regulamento, a antiga e... a nova Concordata...),  dele fez estrebaria para anúncios de cerveja, usa para provocações sobre a «passarinha» da rainha, mantém uma banca de comércio na igreja, e quer dele fazer um hotel de luxo para ricos, ele que foi albergue gratuito de pobres e de peregrinos...




A sensibilidade de Paulo Rangel parece ter dias. Faz queixa-crime neste caso. Mas não consta que tenha justificado semelhante desagravo o o poste do Jumento, (formalmente da autoria de Victor Sancho e alegadamente da autoria do ex-assessor de Sócrates, dedicado à intelligenceRui Paulo Figueiredo) de 3-4-2016, sobre «Paulo Rangel, esganiçado», aludir a «rapazes casadoiros», a aconselhar Pedro Arroja a «pedir Paulo Rangel em namoro», e a lamentar que não exista nenhuma «comissão de proteção da igualdade dos rapazes».

Note-se que José Sócrates era useiro e vezeiro na utilização de blogueiros para ataque aos adversários: segundo o CM, de 23-10-2016, terá alegadamente pago 426 mil euros, mediante homens de palha (sociedade RMF, de Rui Mão de Ferro, amigo do amigo Carlos Manuel Santos Silva), ao socialista António Peixoto, entre 2005 e 2015, pela coordenação, sob o pseudónimo Miguel Abrantes, do cadavre exquis da Câmara Corporativa, entretanto auto-enterrado. Alegadamente, esses pagamentos ao nègre de serviço (um hábito do ex-primeiro-ministro presidiário) eram realizados  através do seu filho António Mega Peixoto, assessor do atual presidente da CMLIsboa, o socratino Fernando Medina (alegadamente. também grande colaborador da central de informações, e operações suaves, Câmara Corporativa).


Limitação de responsabilidade (disclaimer). As entidades mencionadas nas notícias dos média que comento não são, que eu saiba, suspeitos ou arguidos de qualquer ilegalidade ou irregularidade, fora dos casos públicos e notórios - e mesmo assim gozando da presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Ensino da sexualidade no pré-escolar e do aborto às crianças do 5. ano de escolaridade

Ministério da Educação (Direção-Geral de Educação) e Direção-Geral de Saúde
(outubro de 2016). Referencial de educação para a saúde.
 Com o apoio do Serviço de Intervenção nso Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD).


A introdução do ensino da educação sexual no pré-escolar, para crianças dos 3 aos 6 anos de idade, e do aborto voluntário ao 5. ano de escolaridade (crianças de 10 anos de idade), através do «Referencial de Educação para a Saúde», da PES(te)-Promoção e Educação para a Saúde, demonstra a sanha desavergonhada da esquerda radical que nos desgoverna. Leia-se o poste do professor Ramiro Marques sobre o assunto no seu ProfBlogue, de 5-12-2016.

Atente-se neste excerto, da página 69, deste Referencial (na linha do famoso kit gay do governo Dilma):
«Nos vários ambientes que a escola proporciona os alunos experimentam a sua sexualidade, quer seja nas suas brincadeiras, no estudo e nos namoros, mas também na relação com os docentes e trabalhadores da escola. Ela está presente nas conversas, nos jogos, nas quezílias, mas também nos conhecimentos científicos. A educação para a sexualidade para ter os resultados desejáveis terá de dirigir-se à escola como um todo, penetrar em todos os seus ambientes, envolver todos os seus membros, aproveitar todos os momentos para, através de acontecimentos emocionais estruturados, construir modelos que promovam os valores e os direitos sexuais, sobre os quais os jovens possam desenvolver a sua própria identidade e o respeito para com os outros.» (Realce meu).
No tema «Educação para os afetos e a sexualidade», deste Referencial , sub-tema 6 «Reconhecer os direitos sexuais e reprodutivos como componente dos Direitos Humanos» (p. 78), surge o objetivo de «Conhecer os serviços e recursos, em matéria de saúde sexual e reprodutiva, disponíveis na comunidade» logo para os alunos do 3. ciclo do ensino básico (a partir dos 12 anos de idade). Essa disponibilidade engloba também, além de outros contracetivos abortistas: o fornecimento gratuito  de pílula do dia seguinte e de fármacos abortistas nos centros de saúde (do tipo extremamente seguro de se-a menina-tiver-uma-grande-hemorragia-vá-ao-hospital...) e ao aborto cirúrgico.

Perante a cumplicidade do PSD e do CDS, mais ou menos evidente, com uma nuancezinha de tonalidade perante a economia socialista que nos devora, a coligação comunista, com a colaboração dita progressista, vai impondo os seus paradigmas repugnantes da ideologia do género e do aborto, não só aos adultos, através dos média e da polícia do pensamento, mas também aos jovens e ainda aos adolescentes até chegar às crianças dos três aos seis anos! Por trás do eufemismo de «direitos sexuais e reprodutivos», está como na  a «visão holística» (p. 6 deste Referencial) o totalitarismo do politicamente correto da negação da biologia, da destruição da família e da função do pai e da mãe, do aborto, do eugenismo e da eutanásia. Caos e morte.

É por causa disto que importa reerguer e projetar valores. Sem vergonha, nem trégua.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

O mésico Ferro Rodrigues condecorado com... a Ordem da Liberdade!...

(Em atualização).



O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa condecorou Eduardo Ferro Rodrigues, atual presidente da Assembleia da República, que nunca abjurou o comunismo do seu Movimento da Esquerda Socialista (MES), com a grã-cruz da Ordem da... Liberdade!... Parodicamente, fê-lo no dia 24 de novembro de 2016, assinalando o outro 24 de novembro de 1975 quando todos os sonhos de instauração da ditadura do proletariado com a esperada vitória do golpe militar comunista eram possíveis

Os vencidos do 25 de novembro de 1975 (o MES) são os vencedores de 2016... Não é a ironia da história, é a reciclagem do passado. Uma canelada no povo.

Eduardo Ferro Rodrigues pontificava  na Comissão Política Nacional do MES e era o número dois por Lisboa às eleições para a Assembleia Constituinte (ver abaixo) que, aliás, desprezavam («O poder revolucionário legitima-se a si próprio» - slogan do MES, na 1.ª página do n.º 1 do seu jornal Poder Popular, em 3-4-1975 - ver infra).



Poder Popular - órgão do MES, n.º 1, 3-4-1975, 1.ª página


Poder Popular (órgão do MES), n.º 1, 3-4-1975, 1.ª página - detalhe



Poder Popular (órgão do MES), n.º 1, 3-4-1975, 1.ª página - detalhe (slogan)


Poder Popular (órgão do MES), n.º 1, 3-4-1975, p. 3 - detalhe

 

Poder Popular (órgão do MES), n.º 1, 3-4-1975, p. 3 - detalhe (slogan)



Poder Popular (órgão do MES), n.º 1, 3-4-1975, p. 3, detalhe -  

anúncio do tempo de antena do MES na RTP
(em 5-4-1975, das 20:45 às 20:55)




Poder Popular (órgão do MES), n.º 1, 3-4-1975, p. 3, detalhe -
preâmbulo dos estatutos do MES



Poder Popular (órgão do MES), n.º 1, 3-4-1975, p. 4 -
 lista de candidatos do MES à Assembleia Constituinte
(Ferro Rodrigues é o segundo da lista por Lisboa)




Poder Popular (órgão do MES), n.º 1, 3-4-1975, p. 4, detalhe -
 lista de candidatos do MES à Assembleia Constituinte
(Ferro Rodrigues é o segundo da lista por Lisboa)






Limitação de responsabilidade (disclaimer): Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues foi referido, segundo o CM de 10-11-2003, no processo de abuso sexual de menores da Casa Pia por "3 jovens" vítimas - a Lusa de 20-12-2007 indica "duas" vítimas que o mencionaram "como estando envolvido em abusos sexuais ou presente em casas onde estes aconteceram". Em 5-1-2004, o CM noticiou:

«Ferro Rodrigues, segundo a TVI, não foi acusado no âmbito do processo Casa Pia por os alegados crimes de abuso sexual terem prescrito. De acordo com a estação televisiva, no processo vêm referidas duas situações que originaram arquivamentos: falta de indícios e prescrição dos factos, tendo o líder do PS sido incluído nesta última».
Eduardo Ferro Rodrigues negou esses abusos sexuais sobre menores e essa alegação. Não foi acusado pelo Ministério Público, nem sequer constituído arguido. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A duplicidade da esquerda e a neutralidade da direita

A propósito da morte do genocida Fidel Castro, recomendo a leitura dos «Obituários à moda do jornalista tuga», pelo JCD, no Blasfémias, de 26-11-2016.

A esquerda revolucionária não abdica da divisão do mundo entre bons (os deles) e maus (os outros), ainda que os bons sejam ditadores totalitários e genocidas.

A direita dos interesses acompanhou os louvores da esquerda utópica à morte do ditador cubano sanguinário. Não por convicção, nem sequer pela habitual submissão ideológica: apenas por causa dos negócios. Sem valores, sem norte, sem uma política de reforma fiscal e de responsabilização social que aumentem o emprego, nada pode construir-se. Um bocadinho menos do mesmo - do relativismo e do assistencialismo -, com um bocadinho mais de rigor financeiro, não convence ninguém. Confrontados com esse bocadinho a menos de desconstrução social e o bocadinho a mais de rigor orçamental, os eleitores preferem «the real thing»: o socialismo, utópico, radical, desumano. Agora, não importam as lamúrias: quando se entrega o poder, o poder, a prata e a quinquilharia dos tachos, fica dos outros...


quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Comparação de salários do Estado em Portugal e nos EUA

Salários anuais do Estado em Portugal e nos EUA:
  • Presidente do conselho de administração da Caixa Geral de Depósitos: 423 mil euros (o atual presidente, António Domingues, ainda acumula este salário, em 2016, com a reforma antecipada de administrador do BPI).
  • Salário do Presidente da República Portuguesa: 95.392 euros em 2016 (calculado com base no salário do presidente da Assembleia da República, que ganha 80% do valor do Presidente da República), a que acrescem 38.972 euros de despesas de representação. 
  • Chair of the Board of Governors of the Federal Reserve Bank dos EUA, Janet Yellen: 199.700 USD no ano de 2015 (o que perfaz 188.077 euros, ao câmbio de 22-11-2016). 
  • Salário do Presidente dos EUA: 400.000 USD (376.620 euros, ao câmbio de 22-11-2016). Somam-se 50 mil dólares anuais de despesas de representação (47.090, ao câmbio de 22-11-2016)
O presidente da Caixa Geral de Depósitos não é equivalente ao de presidente do Banco da Reserva Federal norte-americana. Mas trata-se de um banco público e com bastante menor responsabilidade.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Sistema

Como é que a coligação socialista-radical-comunista ainda mantém como presidente da Agência para o Desenvolvimento e Coesão (ADC),  que coordena os fundos europeus (cerca de 25 mil milhões de euros, o mestre relvista António Dieb?!...

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

It's au revoir


Na partida de Leonard Cohen, o trovador pessimista, mas defensor da vida, refiro um pré-epitáfio, escrito por Jonathon van Maren, no LifeSiteNews, de 21-10-2016, que revisita a sua poesia politicamente incorreta.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

O pão e o suor

Da segunda leitura da missa deste domingo, 13-11-2016, uma citação oportuna e esclarecedora acerca da posicão cristã sobre o trabalho:
«Quem não quer trabalhar, também não deve comer». 
Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses, 3: 10.

domingo, 13 de novembro de 2016

Trupe

«The uncomfortable truth about Christian support for Trump», de Jonathon van Maren, no LifeSiteNews, de 28-9-2016. Uma explicação por que os cristãos norte-americanos não deviam votar em Trump (desde logo, nas eleições primários do Partido Republicano) - para além de jamais poderem votar em Hillary Clinton (aborto, eutanásia, casamento homossexual e adoção de crianças por casais homossexuais, drogas, perseguição dos cristãos). 

Votar no relativismo totalitário e na corrupção não é uma fatalidade inexorável. Constitui uma resignação da luta.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Tramp

Donald Trump venceu as eleições presidenciais dos EUA que ontem, 9-11-2016, terminaram.

Não tenho a mínima expetativa na sua presidência: nem na política interna, nem na política externa. Acho que vai ser um segundo Berlusconi: um fiasco político. Na política interna, julgo que vai ser incoerente com as promessas, seja na relação com os interesses financeiros, que têm os povos aprisionados, seja nos costumes (aborto, eutanásia, drogas, etc.). Na política externa, nem sei se evitará as trágicas tentações de grandeza de nation-building, que deslumbraram os antecessores, e tenderá a acabar rendido à realpolitik que enjoa as novas gerações.

Escrevi, ex-ante dos resultados, sobre o caso Trump e já tinha antecipado este desfecho. Talvez com Sanders, que a corrupção do establishment derrotou, fosse diferente - e até confesso que, à parte o socialismo politicamente correto, até hoje dominante nas elites norte-americanas, me agradava a sua plataforma de saúde e educação gratuitas e a vontade de pôr ordem na finança... Se fosse americano, pelas razões que exponho neste poste, não votaria nem em Trump nem em Clinton: tenho um princípio simples primordial: não voto em ladrões.

Porém, contra os média e o wishful thinking, o magnata imobiliário ganhou. Apesar do seu caráter de vilão (uma vantagem em tempos de reality show, como há pouco ouvi na CNN), da xenofobia antilatino-americana, do sexismo, das fraudes e negócios manhosos, da gabarolice, do discurso incoerente que agrada a cada freguês de momento, do desconhecimento da política internacional e da desconfiança que o povo tem por ele.

Motivos, entre outros, da vitória do antipolítico Trump e da derrota da que chamava «crooked Hillary»:
  1. Bradley effect e a distinção entre a resposta ao entrevistador/empresa de pesquisas de opinião e o voto (secreto).
  2. Corrupção política de Hillary Clinton - pay to play (concedendo favores do Departamento de Estado em troca de pagamentos milionários de discursos ao marido e de donativos para a sua Fundação) desmascarado pelas revelações publicadas diariamente pelo Wikileaks, de Julian Assange (a vingança serve-se fria...) e provavelmente fornecidas pelos serviços de informação russos.
  3. Contradição entre a posição esquerdista de Hillary e a sua fortuna: os Clinton saíram da Casa Branca, em 2001, falidos pelos custos jurídicos e de indemnização do caso Paula Jones (etc.) e acumulam uma fortuna de 230 milhões de dólares (dados de 2014), fora a controversa Fundação Clinton, que usam para fins particulares.
  4. Diferença entre público e povo.
  5. Raiva dos «forgotten men and women» com um poder política que os ignora: os que ficaram do lado errado da revolução tecnológica e perderam os empregos, as casas e o rendimento
  6. Perda da influência dos média tradicionais, descarados no seu viés esquerdista mas detidos por grupos capitalistas que os usam para conseguir benefícios do poder político dependente.
  7. Crescimento da importância dos novos média: os jornais digitais (v.g., Breitbart), os fora (e.g., Reddit), redes sociais (Facebook e, especialmente, Twitter, apesar da censura).
  8. Contraste entre Wall Street e Main Street.
  9. Estagnação dos rendimentos das famílias norte-americanas de 1999 a 2016 (-2,4% do que em 1999!).
  10. Medo do terrorismo islâmico e revolta perante a proteção internacional do Islão pelo presidente Obama.
  11. Xenofobia face ao fluxo migratório descontrolado.
  12. Vontade de isolamento defronte ao internacionalismo bélico anterior: invasão do Iraque por Bush e intervenções na Líbia (Obama/Hillary) e na Síria (Obama, depois de ter praticamente abandonado o Iraque).
  13. Por último, mas não menos importante, o cartão vermelho do povo à continuação do delírio neomarxista do totalitarismo do politicamente correto e da desconstrução social. A ideia de que na política só interessa economia é uma ingenuidade.
As revoluções políticas surgem por causa do desprezo dos governantes pelo povo e pela falta de bom senso em realizar as reformas que reequilibrem os Estados. Como no Brexit, podem as comadres opinadoras queixar-se da presumida ignorância do povo do Brexit e do crescimento da extrema-direita: mais valia olharem para o umbigo e extraírem com pinças fundas a porcaria da corrupção acumulada, acordando dos delírios químicos que impõem.

O que se vai passando no Ocidente sugere a necessidade urgente de recuperação dos valores morais de sempre e de responsabilidade laboral e económica dos cidadãos. Sem medo. Nem comodidade. Para evitar que a guerra externa, se tranforme na guerra civil; e a conduta burguesa nos leve à miséria.


Atualização: este poste foi atualizado e emendado às 16:25 de 9-11-2016.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

O Don Profano

«(...) Sendo o título seu, poderá cuidar que a obra é sua. Há livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.»


Sérgio Figueiredo, diretor da TVI, deve muito a José Sócrates - e provavelmente jamais lhe pagará. Mas a concessão de uma longa e patética entrevista, de 26-10-2016, ao Marquês arguido a (des)propósito do seu segundo enfarinhado livro, «O Dom Casmurro Don Profano - considerações sobre carisma», é um favor vergonhoso.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014), no âmbito da Operação Marquês, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Afirmação e informação


Novidades velhas, em dia de Pão por Deus (que sempre sucede a qualquer Noite das Bruxas) e de Fiéis... Defuntos:
  • o povo português continua obnibulado, numa falsa sensação de segurança financeira do Estado socialista em falência e na continuação discreta do socratismo corrupto;
  • António Guterres foi eleito secretário-geral da ONU, onde irá pregar, além dos cravos desbotados, a paz e a concórdia contra o diabólico Islão radical, o que parece ser motivo de orgulho geral;
  • a CIA (com Kerry) apoiou o golpe de Estado borregado dos militares turcos, que Obama boicotou depois;
  • a administração Obama tenta recuperar, com ataques aéreos, spotters das forças especiais, armas, orientação ao exército iraquiano e aliança tática com os xiitas (e Irão!...), no norte do Iraque o terreno que abandonou,  - enquanto, na Síria, suportam os sunitas da ex-Al-Qaeda (contra Bashar Al-Assad, que mal por mal protegia os cristãos, e permanecem (quase) neutros face às forças do Estado Islâmico da Síria e do Levante (EISL) a quem consentiram (comos os aliados europeus), antes da vinda dos russos, que operassem as refinarias e vendessem petróleo para a Turquia através de longas filas de camiões-tanque que aviões da I Guerra Mundial podiam travar...
  • a Líbia continua o desastre criado pela nation-building falhada de Hillary Clinton - substituindo um ditador pelo caos de guerra civil e o crescimento do islamismo radical;
  • a Europa continua a tratar a invasão demográfica islâmica, que levará, mais tarde, à desgraça da guerra interna e ao horror da eufemisticamente chamada "limpeza étnica", como um problema de relações públicas que procura conter... abrindo as portas, ignorando a subida da extrema-direita; 
  • Trump (outro Berlusconi, mas ainda mais cata-vento) parece ir ganhar a eleição presidencial norte-americana, com a ajuda do FSB, mas principalmente em resultado da negligência do establishment político-económico e dos média engajados que apostaram no apoio a Hillary, mesmo sabendo do risco de exposição da corrupção endémica da família Clinton;
  • e a Igreja Católica continua a ser batida pelos ventos agrestes do politicamente correto, tentando manter-se como eixo da roda de um mundo politicamente (in)correto e moralmente perdido, que, todavia, caminha para o precipício da Guerra e dos cavaleiros que a acompanham.
Não foi inútil este hiato de reflexão. Serviu para compreender melhor o tempo. Nada de novo. Tudo velho. E podre.

O que fazer? Afirmação (do Bem e dos valores) e informação (do Mal e dos cacos...).


Atualização: este poste foi emendado às 11:49 de 2-11-2016.

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

A história da Carochinha e do João Ratão



Face às denúncias públicas e concretas do juiz Carlos Alexandre, em entrevista à SIC, em 8-9-2015 (convenientemente editada e, apesar de realizada há muito, difundida apenas nas vésperas da presumida data de acusação de José Sócrates pelo Ministério Público) e ao Expresso, em 25-9-2016, a história da carochinha publicada no Observador (!?...), «Documentos confidencias das 'secretas' portuguesas aparecem em África», de 21-9-2016, é tudo quando o socratino secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), Júlio Alberto Carneiro Pereira, e a malta sis-témica conseguem produzir?!...

Já não me ria tanto desde o caso dos espiões russos no IRN!...


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades mencionadas nas referências e notícias dos média, que comento, não são, que se saiba, suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade neste caso, gozando sempre do direito constitucional à presunção de inocência até eventual sentença condenatória transitada em julgado.