quarta-feira, 23 de Julho de 2014

A queda dos irmãos siameses Salgado e Sócrates


«Seria um privilégio para o país poder ter o engenheiro António Guterres como Presidente da República».

A queda de Ricardo Salgado arrastou a queda do seu irmão siamês José Sócrates, o «amigo» de Paris (CM, 21-10-2012). Não é uma simples coincidência, António Costa trocar Sócrates por Guterres enquando candidato presidencial, na exata altura em que Ricardo Salgado perde o controlo do poder financeiro do BES e o GES se aproxima da falência. E note-se que a ligação de António Costa à família Espírito Santo é tão estreita que tem, na câmara municipal de Lisboa, o primo direito de Ricardo, o arq.º Manuel Salgado, como o todo poderoso vereador do urbanismo. Agora, Ricardo Salgado também já não lhe serve.

Sem o músculo financeiro de Salgado, o beirão Sócrates resistirá a aplicar a sua fortuna no serviço da sua clientela. Além de que a tralha socratina sabe que é Costa, se ganhar, quem pode distribuir a quinquilharia.

O impulso da campanha de António Costa, fornecido pelos média de confiança socialista (como Eduardo Cintra Torres apontou, em 20-7-2014, no caso da SIC) deu-lhe maior confiança. Por outro lado, e ainda que, no confuso organograma das informações, se mantenha o dr. Júlio Pereira como secretário-geral do Sistema de Informações da República Portuguesa (SIRP), deve atender-se à substituição do juiz Antero Luís (conterrâneo de Armando Vara) como secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, cargo que coordena todas as forças de segurança, pela procuradora-geral adjunta Maria Helena Pereira Loureiro Correia Fazenda (prestigiada pela Operação Noite Branca no Porto, em 2007, e que não creio ser familiar do dirigente do Bloco de Esquerda, Luis Emídio Lopes Mateus Fazenda). E, bem ou mal, perpassa a expetativa de perda do controlo absoluto dos serviços de informação pelos responsáveis do socratismo.

A quebra desta laica aliança, assente no apoio de António Costa à candidatura de José Sócrates à eleição presidencial inevitavelmente vai abrir a guerra entre os dois clãs - a não ser que a declaração de Costa de apoio a Guterres seja uma farsa (Costa veio defender, em 22-7-2014, a antecipação do calendário das eleições legislativas para Abril de 2015). Porém, Sócrates não admite traições como esta, muito menos ser ostracizado da política durante dez anos. Mesmo que agora, preventivamente, ande desenfiado, quiçá por causa das sequelas, na região norte da América do Sul, da queda do GES...


* Imagem composta a partir daqui e dali.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade nestes casos.

segunda-feira, 21 de Julho de 2014

Máquina de lavar BES-IGCP?



Se existiu uma gigantesca máquina de lavar dinheiro BES-IGCP durante o regime socratino, ela tem de ser investigada judicialmente sem demora.



* Imagem editada daqui, dali, dacoli e dacolá.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade.

sábado, 19 de Julho de 2014

O caso Lurdes Rodrigues e o efeito pedagógico-político da pena de prisão


ABC (julho de 2014). Porta de ferro. Ponte de Lima.

«Omnia tempus habent, et momentum suum cuique negotio sub caelo» (Ecl 3: 1).


Enquanto a ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, num processo cujos factos são cristalinos, goza com a acusação do Ministério Público (Expresso,17-7-2014) a si e outros co-réus, demonstrando uma vez mais o desprezo a que vota o Estado de direito, é indispensável ler o poste do José, na Porta da Loja, de 18-7-2014, «Prisão para Maria de Lurdes Rodrigues. Efectiva. Assim se fará Justiça».

terça-feira, 15 de Julho de 2014

A Operação Maria João Rodrigues

«No life, no life without a fall». 
                                                     Madrugada (1999). Salt.


Está em curso uma operação para colocar Maria João Rodrigues como comissária europeia. É uma operação montada por Durão Barroso com a colaboração da fação ferrosa do PS. Passos e Seguro são vistos neste filme, como os otários de serviço.

Um pouco de história recente - aquela que se vai agora apagando da net no disparatado «direito ao esquecimento», uma eutanásia seletiva de factos incómodos apesar do efeito Streisand, como dantes se queimavam os livros.

Maria João Rodrigues é filha de Joaquim Ângelo Caldeira Rodrigues, ligado aos movimentos comunistas no pós-II Guerra Mundial e depois militante do MDP, nomeado presidente da Câmara Municipal de Lisboa, cargo que desempenha entre agosto de 1974 a novembro de 1975. A filha sai mais à esquerda. No ISCTE, onde cursa Sociologia (what else?) era a controleira do MRPP. E no ISCTE, depois de doutoramento em Economia em Paris, se inscreve na fação ferrosa do socialismo (Ferro, Vieira da Silva, Pedroso). Com a vitória de Guterres em 1995 ascende a ministra da Qualificação e Emprego onde fica até 1997. Fica como consultora dos governos socialistas e é recuperada pelo seu ex-correlegionário para sua colaboradora na Comissão Europeia («conselheira especial») e se faz notar como «mãe da Estratégia de Lisboa» (sic!) apresentada no Conselho Europeu de março de 2000. Esta estratégia megalómana da presidência Guterres da União Europeia queria fazer da União, em dez anos, «a mais dinâmica e competitiva economia do mundo baseada no conhecimento», com «crescimento económico sustentado com mais e melhores empregos e maior coesão social», e redundou num fracasso gigantesco: crise económica, maior desemprego, estagnação da despesa em Investigação e Desenvolvimento (1,82% do PIB em 2000 e 1,9% em 2008), maior desagregação social.

Durão Barroso, de saída de Bruxelas,  consegue colocá-la em março de 2014 como número dois da lista de candidatos socialistas ao Parlamento Europeu, em aliança com a fação ferrosa do PS. Seguro não percebe a tramóia e aceita-a. O objetivo de Durão e de Ferro era dar-lhe visibilidade para a catapultar para comissária europeia. Durão quer manter um braço seu na nova comissão, uma forma de ainda exercer alguma influência política; e a fação ferrosa quer fazer de MJRodrigues a sua agente em Bruxelas.

Dirá o leitor, desconfiado, da conjetura, que é de esperar que o comissário português, que é indicado pelo Governo, pertença à sua área política - Portas, aliás, queria muito o lugar. E até consta que, antes da urgência Sócrates-Ricardo Salgado, esteve feito o acordo entre o PS e o PSD para despachar António Costa como comissário para Bruxelas, o que este teria aceite.

Todavia, se Passos quer pôr, Durão dispõe. Para conseguir a eleição do democrata-cristão Juncker como presidente da Comissão, acordou-se a paridade no órgão entre populares e socialistas e entre homens e mulheres. A Portugal, por manobra de Durão, parece que saíu esta fava: o lugar de comissário tem de caber a alguém socialista e mulher. No perfil indicado, só faltou pôr uma fotografia de mulher alta, cabelo maoísta e ar misógino...

Todavia, mesmo a fava se pode escolher. Não tem de ser uma maoísta, por dentro e por fora. No PS, há, por exemplo, Elisa Ferreira, que também tem experiência governativa e internacional de relevo; e no PSD, por exemplo, Isabel Mota.

A campanha que por aí vai na imprensa - de uma ponta à outra, onde chega a influência do socratismo e também a de Durão - até envergonha quem a faz, de tão explícita e destacada é... Não é necessário lincar as primeiras páginas e o charivari de entrevistas, op-eds e artigos a lembrar da urgente necessidade do Governo Português decidir rapidamente e por ela, a única candidata possível.

Não tem de ser assim. Passos não é parvo e Seguro tem de romper o compromisso com os ferrosos que o cercam e querem lugares, desde a presidência da Assembleia (para Ferro) e a comissaria europeia e agora a Rodrigues para comissária. E mesmo que Seguro não se liberte do poder socratino-ferroso, por que motivo Passos abdicaria de nomear alguém da sua confiança para comissário europeu?...

sábado, 12 de Julho de 2014

Necessidade de investigação judicial ao vórtice do Grupo Espírito Santo



À beira do perigo, como sempre. Perante o risco de nos transformarmos em estátuas de sal, como a mulher de Lot, por saudade de um tempo doce. Procurando seguir, analisando e revendo, na esperança de recriar um tempo novo, sem amargura.

O vórtice do Grupo Espírito Santo não é apenas uma questão de supervisão bancária, nem política, nem financeira (as largas dezenas de milhares de milhões de euros que a intervenção do Estado custará, em vez de o deixarem falir...), nem económica e nem social (o povo que paga as favas podres): é uma questão judicial. Muito para lá da alegada prática do crime de abuso de informação privilegiada na compra de ações da EDP e da EDP renováveis em 2008, que são arguidos Morais Pires e José Maria Ricciardi (e este também de manipulação de preços de mercado) e ainda do caso Monte Branco.

É fundamental que o Ministério Público português abra inquérito judicial aos seguintes sete factos:
  1. Venda de papel comercial (títulos de curto prazo) da Espírito Santo International aos balcões do BES, em Portugal, e no estrangeiro a investidores privados e institucionais em empresas do Espírito Santo Financial Group. Ao todo, esses empréstimos de curto prazo a taxas elevadas totalizam cerca de 6,039 mil milhões de euros (Negócios, de 10-7-2014). A Maria Teixeira Alves explica muito bem este imbroglio nacional e internacional no seu poste, de ontem, 11-7-2014, «Um efeito de dominó». Para onde foi esse dinheiro?
  2. A compra, em data recente, pela comissão executiva da PT de 897 milhões de euros de papel comercial da Rio Forte, uma das holdings do Grupo Espírito Santo, aparentemente sem que o conselho de administração da própria PT tivesse sabido da operação e veiculando-se que o grupo Espírito Santo (que é acionista da PT e indiretamente através da fachada ricardina da Ongoing) não tem dinheiro para a pagar. O Expresso, de 12-7-2014, para desvalorizar este contributo financeiro de 897 milhões de euros, noticia na primeira página que a «PT já investe na Espírito Santo International desde 2012» - o que apenas agrava a irresponsabilidade da administração da PT (ao mesmo tempo que entala Zeinal Bava, que agora, em 9-7-2014, jura nada saber da ajuda ao Grupo Espírito Santo). Não basta a investigação da CMVM, noticiada em 9-7-2014. Tem de haver investigação judicial. Para onde foi o dinheiro?
  3. A situação financeira, agravada pelo incumprimento do resgate de títulos de dívida, da Espírito Santo International, e ainda a situação financeira da Espírito Santo Financial Group, sempre que a legislação portuguesa, de acordo com o direito internacional privado, permite a jurisdição portuguesa. Ver ainda a análise, ainda que enviesada (e vinda de alguém que o Ministério Público pede mais de cinco anos de prisão, por alegada burla qualificada no BPP) de João Rendeiro «Os credores do Grupo Espírito Santo», de 29-6-2014  Um descalabro que contagia o sistema financeiro português, a bolsa portuguesa e o rating da República. Para onde foi o dinheiro?
  4. A operação de aumento de capital do BES em junho de 2014, no valor de 1045 milhões de euros. Para onde foi o dinheiro?
  5. A operação de empréstimo da Nomura para que a família Espírito Santo acorresse ao aumento de capital do BES e na qual a família terá entregado como colateral 5% do BES e que agora, face à queda das cotações, a Nomura terá executado, segundo o Expresso, de 11-7-2014. Uma notícia simpática do semanário de Francisco Balsemão e do mano Costa para conseguir simpatia popular para com os coitadinhos banqueiros da família (e amiga da deles), que empenhariam a jóia para salvar a honra. Mas como foi mesmo a operação? E para onde foi o dinheiro sobrante?
  6. Em 30-6-2014, o Negócios noticiou que o chefe da Casa Militar do Presidente angolano, o general Manuel Hélder Vieira Dias Júnior Kopelipa, era acionista, desde 2011 (pelo menos), ele próprio da Espírito Santo International (ESI), agora em situação de falência técnica. Constava também que Álvaro Sobrinho era o uomo di paglia de Kopelipa no BES e no BESA (Banco Espírito Santo de Angola). Note-se que Kopelipa detem 24% do BESA (através da sua empresa Portmill), além de uma participação no Banco BIG (7,9%), de Carlos Rodrigues, em Portugal e de outras empresas e propriedades no nosso país, para além, de, indiretamente, da gigante Prébuild (cuja operação colombiana é alegadamente dirigida por Pedro David, filho do eurodeputado Mário David, amigo e ex-assessor político de Durão Barroso). O BES tinha até agora 55,7% do BESA. O problema é que a falência da ESI, e a ruína do BES provocará a perda de valor das suas ações, o que necessariamente implicará uma resposta em Angola, com a nacionalização do BESA e a sua transformação em Banco de Fomento, e a evaporação da quota do BES no BESA. De modo que a ambição da administração Salgado, e as negociatas da venda de participações e papéis comerciais das holdings do Grupo, podem ter como consequência a perda do BESA, que representa um importante instrumento financeiro em Angolano na projeção do poder finaceiro e económico português. Por isso, importa investigar judsciailmente esses negócios de venda de ações e de papel comercial nos quais os angolanos podem ter sido vítimas. E finalmente perguntar: para onde foi o dinheiro?
  7. A venda de «várias centenas de milhões de euros» de papel comercial por empresa do Grupo Espírito Santo (Rio Forte?)  à Petróleos da Venezuela-PDVSA (que funciona como uma espécie de fundo soberano do país), segundo descobriu o Negócios, em 1-7-2014. O Público, no dia seguinte filtrou a informação da possível «reconversão da dívida em capital ou por novos investimentos que possibilitariam à petrolífera assumir uma participação relevante, ainda que inferior a 50%» (sic!).  Veja-se ainda a análise de Rodrigo Constantino, da brasileira Veja, em 3-7-2014. Qual foi o montante e qual a contrapartida? E quem foi o intermediário, o facilitador, o comissionista, que pôs em cheque o Estado português (e a ele próprio...) na venda de papel de uma empresa em pré-falência aos amigos da Venezuela? E para onde foi o dinheiro da comissão deste negócio?

É agora que os alguns documentos e registos informáticos ainda existem, e alguns fundos também, que o inquérito judicial tem de ser realizado. O Estado apresta-se para entrar num buraco muito maior do que o do BPN (8 mil milhões de euros) julgado já nos seus 2% do mercado too big to fail, quando mais o BES que tem próximo de 20%. Um buraco que resultou da promiscuidade político-financeira entre o socratismo e a família Espírito Santo, com Ricardo Salgado à cabeça. Era bom que o poder atual não se atolasse nesse pântano de acionistas e credores preferenciais e de pequenos investidores e depositantes preteridos. Era bom que a bancocracia fosse erradicada de vez, com banqueiros reduzidos à administração prudente das suas instituições e cumpridora escrupulosa da lei, afastados do financiamento dos políticos e da intervenção política, e políticos independentes dos banqueiros - sem «amigo» de Paris (CM, 21-10-2012) e terceiras pessoas devedoras. Mas não tenho nem uma ponta de esperança que seja possível agora.

Cá estarei também para, como tenho feito, e com mais informação, escrutinar a atuação do primeiro-ministro, Passos Coelho, da ministra das Finanças e do governador do Banco de Portugal, Carlos Costa (obrigado, para além da supervisão bancária, ao controlo da idoneidade dos membros dos órgãos de administração dos entidades financeiras), que parecem ter intervindo por reação.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade. E, mesmo quando arguidas, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

quinta-feira, 10 de Julho de 2014

#LuísMontez#AntónioCosta#JoséSócrates#RicardoSalgado

O Presidente Cavaco Silva brinda com a Rainha Letícia, de Espanha,
no almoço de Estado, em 7-7-2014 - excerto de foto, do DN, 8-7-2014


O apoio a António Costa de Luíz Montez, marido da filha Patrícia do Presidente Cavaco Silva, declarado à imprensa nono Mercado da Ribeira, de Lisboa, em 7-7-2014, numa sessão da candidatura do presidente da câmara da capital à liderança do Partido Socialista na eleição primária de 28-9-2014, confirma os factos que neste blogue se têm acumulado sobre a ligação do genro à fação socratina do PS.

Apontado como informador d' «O Independente», nos tempos do confronto entre esse semanário e Cavaco Silva, circula para os negócios dos espetáculos, enquanto soma dívidas de monta em empresas suas. Mas enquanto o sogro era referido pelo socratismo, depois da nacionalização BPN e sua tomada de controlo do BPN pela Caixa de Francisco Bandeira, no negócio de compra e venda fora de bolsa de ações da SLN (holding detentora do BPN), a filha, e o genro, foram poupadas, como nunca foi referida qualquer dívida do genro que eventualmente existisse nesse banco - por crédito aberto (quando alegadamente segundo informação filtrada pelo banco de um relatório interno existiriam «dívidas a bancos de mais de cinco milhões de euros» (poste de Maria Conceição Banza, de 16-1-2011 - http://mariaconceicaobanza.blogspot.pt/2011/01/familia-cavaco-silva-e-o-banco.html) - ou até noutro (BCP?).

Luís Montez foi envolvido naquilo que foi na quente temporada primavera-verão de 2009, o «plano governamental para controlo dos meios de comunicação social visando limitar as liberdades de expressão e informação a fim de condicionar a expressão eleitoral»,
segundo o despacho do corajoso procurador Dr. João Marques Vidal, coordenador do Departamento de Investigação e de Acção Penal (DIAP) de Aveiro, e extração de certidão para inquérito-crime autónomo, datado de 23-6-2009, publicado no semnário Sol, de 5-2-2010 (p. 5). Essa análise foi reforçada pelo juiz de instrução de Aveiro, Dr. António da Costa Gomes, publicado pelo Sol, de 5-2-2010, página 6, no despacho de autorização e validação das escutas, dos relatórios e despachos. Tal como tinha sido antes objecto da informação reflectida, no mesmo sentido, datada de 12-6-2009, do intrépido inspector Teófilo Santiago, da Polícia Judiciária de Aveiro, que coordenava a equipa policial do caso Face Oculta (ver p. 6 do Sol, de 5-2-2010).

De acordo com o Sol, de 5-2-2010, alegadamente como contrapartida da compra da TVI pela PT, Luís Montez, genro do Presidente, ficaria com as rádios do grupo Media Capital, o que seria «o preço da paz», pois, assim, Cavaco «cala-se logo, fica a cuidar dos netos»... Todavia, Cavaco roeu a corda, em 25-6-2009, quando esta já estava na máxima tensão e Sócrates nunca lhe perdoou a traição, repuxando, em 18-9-2009, como represália, um caso de 17 meses antes.

Em 26-7-2012, é noticiado que Luís Montez comprou em conjunto com outros, mais o patrocínio da PT e o crédito do grupo Espírito Santo, o Pavilhão Atlântico do Parque das Nações, em Lisboa (ver o meu poste «O preço do Pavilhão Atlântico», de 1-8-2012). Apesar da situação financeira muito preocupante, publicada pelo semanário O Crime, de 19-7-2012, citando relatório da empresa Informa D e B.

E em 13-9-2013, os jornalistas Luís Rosa e António Ribeiro Ferreira, no i, sobre a nova estrutura do grupo de média Controlinveste (TSF, DN, JN, O Jogo, Dinheiro Vivo, etc.) escrevem sobre o novo sócio do grupo: Luís Montez, dono de várias rádios e empresário de espectáculos, foi uma escolha do BES e do seu presidente Ricardo Salgado, a exemplo do que tinha acontecido na compra do Pavilhão Atlântico». Na Controlinveste, onde prepondera o angolano António Mosquito (27,5%) representando alegadamente interesses mais altos, Luís Montez passa a administrador e fica com 15% do capital. Mais uma vez, apesar da situação financeira anteriormente descrita com detalhe n' O Crime, de 19-7-2012, ninguém nos média portugueses (nem no blogue oficial das operações suaves do socratismo, adversários do Presidente) lhe perguntou de onde lhe veio o dinheiro para a compra.

Finalmente, em 7-7-2014, soltou-se a capa e tirou-se a venda. Montez, que se obriga a garantir «ninguém me faz a cabeça» (creio que fala de Sócrates...) e que disse «ao Expresso, em 2010» que votou em Costa para a Câmara de Lisboa, declara agora, segundo o i, de 7-7-2014, no comício de apoio ao candidato socialista, que António Costa, o aliado de Sócrates, «é um político da champions league e não da distrital» e que «temos homem para tomar conta disto»!... Professado independente - honny soit... -, puxaram-lhe a guita e, qual marioneta desarticulou-se.

Todos diferentes: todos iguais... E ligação transparente, como a água que quase tudo lava: #Genro Luís Montez#António Costa#José Sócrates (o «amigo» de Paris, de Ricardo Salgado, de quem este não se devia esquecer - CM, de 21-10-2012)#Grupo Espírito Santo. No meio dos hash (salvos sejam...) onde fica a tag de um Presidente debilitado?!


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade.

quarta-feira, 9 de Julho de 2014

O fogo do Espírito Santo

As últimas notíciass conhecidas sobre o incêndio do Grupo Espírito Santo fazem temer uma intervenção pública que poderá custar ao Estado mais do que a nationalização do Anglo-Irish Bank (52 mil milhões de euros) na Irlanda, que determinou o resgate financeiro deste país.

O que se veio a conhecer de mais relevante:
  1. Que a PT por decisão de Henrique Granadeiro (velho protegido de Ricardo Salgado), presidente da comissão executiva da PT, tinha emprestado 900 milhões de euros a empresas do grupo Espírito Santo, seu acionista. Agora, como o grupo não tem condição de pagar quer converter esse empréstimo em capital, quiçá de uma sociedade em pré-falência... Este empréstimo de alto risco levou à demissão dos administradores brasileiros da PT, em processo de fusão com brasileira Oi, na CorpoCo, e à reinvindicação dos brasileiros de que querem maior fatia da Corpco.
  2. A ESI do grupo Espírito Santo (sociedade do grupo, que está em falência técnica) apertada pelos credores que quiseram, sem sucesso, resgatar o papel comercial que lhe tinham comporado, previniu o mercado, ontem, dia 7-7-2014, de que não tinha condição de honrar os seus compromissos com os credores, nomeadamente aqueles que tinham subscrito papel comercial do grupo, e que iria entrar em reestruturação.
  3. Vítor Bento, da SIBS, ex-Unicre e conselheiro de Estado, foi designado em 5-7-2014,, após pressão do Banco de Portugal, e presume-se do Governo, novo CEO do BES; e como novo CFO, o presidente do Instituto de Gestão do Crédito Público (IGCP) que coloca e gere a dívida do Estado, João Moreira Rato.
  4. A nova administração do BES prepara-se para liquidar ativos, vender anéis, salvar os dedos (o próprio BES).
Como é evidente o Governo, o Banco de Portugal e a União Europeia/FMI, querem evitar a perda de confiança do mercado, e pretendem recuperar a reputação, que é o principal capital de qualquer entidade financeira. Não será fácil, pois as notícias inquietam quem tem títulos de investimento do grupo (papel comercial, obrigações, fundos de investimento) e depósitos. Os jornais noticiam um corropio de credores que procuram resgatar imediatamente os títulos e depósitos. Não se espere um bank run, porque este, na verdade, já começou, ainda que sem as cenas de bichas à porta e quebra de vidros.

Como aqui chegámos? Promiscuidade do Governo socratino, omissão do Banco de Portugal e silêncio do Presidente da República. Agora, far-se-á o que puder, como todas as cautelas, esperando que os credores do banco, do papel comercial aos fundos de investimento e aos depósitos, não resgatem o que é seu. Mas pode calharmos um segundo resgate excepcional para resolver a ruína que derivou da aliança maléfica entre o Estado-socratino e um banco de alguém que foi DDT (Dono Disto Tudo) e pode acabar como OMO (O Mais Obediente) da Carregueira.


Atualização: este poste foi emendado às 8:34 de 11-7-2014, para correção do socorro do BdP a holding da grupo Espírito Santo - é o que dá escrever sem linque imediato...

quinta-feira, 3 de Julho de 2014

Lendas e narrativas

José Sócrates prepara a sua lenda para a candidatura à presidência da República. Brevemente, numa revista social perto de si.

quarta-feira, 2 de Julho de 2014

Religar

Na hora em que o Padre Manuel Morujão S. J. termina, por limite de mandato, a sua função de secretário e porta-voz da Conferência Episcopal Portuguesa, para passar a outra função de responsabilidade na direção dos jesuítas em Braga, além de outras tarefas nacionais, para as quais rogamos a proteção divina, devo salientar o notabilíssimo serviço de Deus, da Igreja e do País, que desempenhou nestes anos duros de experimentalismo social e de bancocracia do poder, num contexto de crise económica dramática. Desejamos bom trabalho e a graça de Deus para o seu sucessor, o padre dehoniano Manuel Barbosa.

Vulgarmente, olha-se apenas para a cabeça das instituições, neste caso, para o presidente da conferência episcopal (D. Jorge Ortiga, D. Manuel Clemente), ignorando o trabalho preparatório, de organização, de sacrifício, que nem sempre é compreendido, e de harmonização, que lhe diariamente lhe subjaz e que o padre Manuel Morujão assumiu com coragem e determinação. A afirmação pública da Igreja portuguesa nestes anos deve muito ao seu espírito, à sua inteligência fulgurante e à excecional experiência nacional e internacional. Se a Pátria é ingrata, pela sua natureza, fica pelo menos o agradecimento deste rincão do Portugal profundo.

terça-feira, 1 de Julho de 2014

Redescobrir e potenciar o talento: a necessidade de uma reforma do futebol português



Ausente, mas sempre presente. Porque não fugimos de nós mesmos, na identidade orquídica gerada e criada, acumulando sonhos e dores, nem a nossa circunstância nos consente desistir. Somos - e vivemos no ser. Nessa Outra que nos consome. Jogamos, perdendo mais do que ganhando - ganhando quanto mais perdemos... -, sublimando mágoas, assumindo culpas e mantendo sonhos, apesar de tudo e do nada. A vida continua a sua roda. Mesmo que a ressaca nos encrave.

Caíu a seleção portuguesa na primeira fase do excecional Mundial do Brasil 2014. Perdeu como tinha de perder, por falta de «qualidade», à parte o colendo Ronaldo, por mais que o aborrecimento lusitano lhe degrade o valor nas alturas em que não consegue puxar a equipa até ao seu limiar celeste. Com o pior meio-campo dos últimos quarenta anos. Sem talentos como Alves, Oliveira, Jaime Pacheco, Sousa, Rui Costa, João Vieira Pinto ou Figo; e com trincos sem tranca, sem habilidade e nem força (e desperdiçando, quem os tinha, como William Carvalho). Sem avançados. E com defesas velhos e sem força. E guarda-redes banal. Espremidos por época exigente, com (sem...) motivação de fim de carreira, dirigidos por homem honesto mas receoso e preferindo os jogadores em quem confia há muito... e que o apoiam - mesmo que não dêem já rendimento suficiente (como assinala o Prof. Daniel Matos da Team of Future) -, esta seleção de Paulo Bento é apenas o resultado de uma política desportiva errada. Uma política que abdica da formação, preferindo contratar estrangeiros talentosos naquilo que talvez se possa chamar o «modelo Jorge Gomes», antigo olheiro do FCPorto e atual olheiro do Benfica, responsável pelas suas notabilíssimas contratações, mas de estrangeiros). Uma política que acontece num país que tinha valorizado a formação para o mundo e cujo modelo foi copiado há trinta anos. Precisamos de uma reforma do tipo daquela que os alemães decidiram depois do tricórnio do Sérgio Conceição, no Euro 2000, em Roterdão, ou desta que fizeram os belgas quando outra geração dourada se acabou ou daquela realizada pela geração Queiroz de treinadores/gestores e atletas no final dos anos 80 e anos 90. Todavia, apesar do atual modelo estar gasto, não creio que o presidente da Federação, Fernando Gomes, e muito menos os presidentes do grandes clubes, estejam disponíveis para a travessia do deserto de que o futebol português carece. O problema das reformas é que reformam estruturas e... gente.

quarta-feira, 25 de Junho de 2014

O pai Passos Coelho, o filho Carlos Costa e o Espírito Santo Ricciardi

Cravada a questão da necessidade de antecipar a eleição presidencial, é hora de reabordar a magna questão do regime - a decadência do grupo Espírito Santo (com perdão do linque). Na verdade, quase tudo quando queria dizer e ligar foi escrito pelo João Miguel Tavares na crónica «De BEStial e BESta», no Público, de 24-6-2014.

As múltiplas notícias-balão postas nos média pela central de comunicação de Ricardo e de Passos-Ricciardi parecem testar, junto da opinião publicada, a hipótese da atribuição transitória do poder de Ricardo Salgado ao seu amanuense Morais Pires (dourado agora, no jornal salgado da Ongoing, como muito independente do patrão) até serem criadas as condições para este ser entregue a José Maria Ricciardi. Ricciardi, um banqueiro que tratava por tu José Sócrates (quando este, após a saída do poder, o abordou porque queria cobrar a Ricardo Salgado que não se esquecesse do amigo que estava em Paris), primeiro-ministro de um país de engenheiros (até falsos) e de doutores, é agora amigo de Passos Coelho, como foi reclamado no decisivo sociograma de Pedro Santos Guerreiro, no Jornal de Negócios, de 8-11-2013 ( e foi seu «consultor» - Público, 16-4-2014?!...). Sócrates (e António Costa) com Ricardo e Passos com Ricciardi são duas faces da mesma moeda falsa que enterra o nosso tesouro no quintal dos abutres.

Num Estado sério, e com vergonha, jamais seria possível garantir que alguém arguido do crime de abuso de informação privilegiada - como Amílcar Morais Pires ou José Maria Ricciardi (este também arguido do crime de manipulação de preços de mercado) - pudesse obter um atestado de idoneidade para se manter como administrador bancário, quando mais de um banco com gravíssimas dificuldades de reputação, de solvência e de liquidez. Será que crível que Ricardo Salgado (comparado com o qual Jorge Jardim Gonçalves é um santo), José Maria Ricciardi e tutti quanti, têm tido um comportamento compatível com a «preservação da confiança do mercado» (um dos indicadores de idoneidade do Banco de Portugal para poder desempenhar funções de administração no sistema financeiro). Ou antes provocam a desconfiança do mercado e um ruído de bank run?...

Cessem as musas e os músicos as loas sobre Passos Coelho e a Carlos Costa.

O governador do Banco de Portugal, Carlos Costa fará o que o primeiro-ministro mandar, pois teme arcar com a responsabilidade da degradação do grupo financeiro que obrigue à intervenção do Estado. Não quer ficar chamuscado, nem muito embaraçado perante a União Europeia, mas não tem força para se opor a Passos, arrriscando ser um Constâncio II. E Cavaco Silva, na sua debilidade, ex-Presidente na prática que, a cada dia, que passa pretende aguentar uma dignidade política que já perdeu, amigo de Carlos Costa, quer apenas ajudar a família que lhe ajudou o genro, Luíz Montez (parceiro de Sócrates), nos negócios e na oferta do Pavilhão Atlântico.

Pedro Passos Coelho, fino e melífluo, trabalha na sombra e passar ao lado dos holofotes e das recriminações populares - que a imprensa está tomada pelo sistema promíscuo e não fará eco das misérias. Todavia, para demonstrar distância deste processo de sucessão, põe a circular o seu incómodo com a nomeação de Paulo Mota Pinto como chairman do BES - a qual lamento, pois o mais certo é ir-se queimar como Miguel Cadilhe no late BPN - enquanto abençoa uma lista de novos órgãos do banco, que tem uma administradora Ana Rita Barosa, ligada ao seu íntimo amigo Miguel Relvas?!... Por muito que faça constar o seu alheamento do processo e a recusa de envolver o Estado na resolução da crise no BES, tentando iludir os crentes, Passos Coelho, primeiro-ministro, é o pai desta mal enjorcada solução provisória que protege Ricardo e prepara o seu primo Ricciardi para lhe suceder. Uma solução que é um problema e que aproxima o Estado, em vergonhosa promiscuidade com a finança e em desprezo da nação, da nacionalização dos prejuízos do BES, numa operação BPN II com a dimensão do Anglo Irish. O problema é que o presidente angolano, dono da garantia de 5,7 mil milhões de euros e que, na prática, controla a dívida do BESA (na qual o grupo Espírito Santo tem 55%) não parece conformar-se com a entrega barata da filial angolana, deve estar ofendida com a campanha salgada contra o seu Sobrinho, e pretende para a filha uma solução do tipo Zon na administração do maior banco português. Em qualquer caso, não conta o Dr. Passos Coelho com a indulgência do setor patriótico no comprometimento do dinheiro do Estado na salvação do banco do amigo, em quem mal se fia. Se António Costa e José Sócrates tomarem conta do PS, Ricciardi virar-se-á nesse dia para os socialistas, como no passado.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade noutros casos além daqueles em que aqui foram efectivamente referidos como tal. E, mesmo quando arguidas, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

domingo, 22 de Junho de 2014

A mercearia do Expresso e a «saúde invejável» do Presidente Cavaco Silva

Na linha da teoria Isabel Braga do jornalismo português de que o-que-se-lê-nos-blogues-também-se-pode-ouvir-na-mercearia (em referência ao plágio do Público, de 26-8-2004, a este blogue, e ao saudoso Grande Loja do Queijo Limiano, assinalado por João Miranda no Blasfémias, «Anatomia de uma cópia») que, ao que parece, continua a vigorar no jornalismo português, o Expresso, de Ricardo Eu-Sou Controlado Costa, deu à estampa, na sua edição de sábado, 21-6-2014, com grande chamada na primeira página, um dossiê sobre a saúde do Presidente Cavaco Silva. Republico o fac-simile das notícias «E a saúde, como vai, senhor Presidente?», de Luísa Meireles (p. 10) e o artigo de opinião «As maleitas do Presidente» (p. 11). O jornal (p. 11) traz ainda reportagens sobre o tema, nos casos francês e norte-americano (que aqui foram tratados) e espanhol. Analise o leitor o que aqui publiquei nos postes «A renúncia do Prof. Cavaco Silva», de 12-6-2014, e «A doença do Presidente: especulação, verdade e mentira», de 14-6-2014.

O que avulta nesses textos do Expresso, além do plágio (por não referência da fonte original - este blogue)?
  1. O Expresso (E a saúde como vai, senhor Presidente») pediu os relatórios médicos sobre a doença do Presidente da República, mas a presidência recusou fornecê-los. Se nada tem de signicativo por que não os divulgam?...
  2. O médico do Presidente, Dr. Daniel de Matos, arriscou uma afirmação que o marcará, mantendo, alegadamente, o que segundo o jornal («As maleitas do Presidente») há um ano: «Cavaco Silva tem uma saúde invejável, no quadro dos seus 73 anos». Há piores, como diria o outro... Mas quem é que inveja, mesmo com 73 anos a patologia que provocará os sintomas que exibe o Presidente?!... Pensará o médico, certamente, que esta afirmação, a ter sido feita, não o compromete. Mas isso depende da evolução da doença que o Presidente esconde - e que daqui desejamos que não se agrave e o alivie - e que parece diminuir-lhe objetivamente a capacidade de exercício das competências que a Constituição lhe determina - como se tornou público e notório. Conseguirá justificar, então, o médico a afirmação que terá reproduzido agora sugerindo que o Presidente não padece de nenhuma doença grave, como se teme?...
  3. O mano Costa, que é diretor do jornal que já foi Expresso e é agora um conjunto de folhas de serviço, uma semana depois republica de novo coisas já velhas, mal cosidas de fontes proibidas como a deste campo patriótico onde nos fincamos, num artigo de opinião não assinado e que, por isso, lhe tem de ser referido, «As maleitas do Presidente». Num ataque q.b. para condicionar a opinião do Presidente (há-de estranhar-se a falta de reação da casa civil de Belém...), mas para não o tombar da cadeira, refere as tremuras na mão direita que aqui provei, mais a «rigidez» do Presidente, que também aqui mencionei. Junta a diabetes (!?...) ao conjunto de doenças possíveis que fazem tremer, em repouso, a mão direita do Presidente e lhe provocam a rigidez, dos movimentos e a inexpressão da face, diluindo o efeito das doenças incapacitantes. Ricardo quer o Presidente ainda mais temeroso, mas não pretende antecipar o debate das presidenciais que António deseja apenas para depois da sua eleição como primeiro ministro em junho de 2015, porque a sua aliança com o candidato presidencial Sócrates é a sua principal vulnerabilidade. Isto se António José Seguro preferir não combater com as armas disponíveis, enquanto ainda é tempo...
  4. Em qualquer caso, goste-se ou não, a ventoinha do Expresso, espalhou o assunto e o tema tabu passou a público. Podem os zelotas assobiar para o ar, como fazem perante a degradação do poder presidencial e da sua imagem, mas o assunto tem de ser resolvido. E a publicação do relatório médico circunstanciado mais exigido, com apelo a uma junta médica para avaliar da coindição para desempenhar o cargo. Porque em cada ato ou intervenção pública do Presidente, o tema não poderá ser disfarçado e em cada decisão que tome será mais escrutinada a eventual fuga a enfrentar os problemas pelo transtorno que a ansiedade lhe provoca na condição atual.




E a saúde como vai, senhor Presidente?, Expresso, 21-6-2014, p. 10 - 1


E a saúde como vai, senhor Presidente?, Expresso, 21-6-2014, p. 10 - 2



E a saúde como vai, senhor Presidente?, Expresso, 21-6-2014, p. 10 - 3



As maleitas do Presidente, Expresso, 21-6-2014, p. 11

quinta-feira, 19 de Junho de 2014

Junta médica para avaliação da saúde do Presidente da República

A recusa da emissão de um exame médico detalhado sobre a saúde do Presidente da República de Portugal, tratando como assunto privado a saúde do Presidente Cavaco Silva, mesmo após o episódio do seu desfalecimento no 10 de junho de 2014, justifica a necessidade de recorrer a uma junta médica  para que esta o possa fazer e divulgar ao povo.

Essa junta médica deve integrar também especialistas em neurologia para que se possa avaliar da capacidade física e psicológica do Presidente Cavaco Silva em cumprir as suas obrigações, enfrentando situações de stress como as que decorrem inevitavelmente da sua função e das competências que lhe estão cometidas no art. 120.º e 133.º a 137.º da Constituição.

É patético que seja utilizado um professor de direito, como Marcelo Rebelo de Sousa, para numa espécie de nota oficiosa da saúde do Presidente da República, em 15-6-2014, no seu programa «Comentários» na TVI, explicar a sua condição médica técnica, com «nervo parassimpático» à mistura e empenhando na prática a sua reputação, atestando que o Presidente não padece de nenhuma «doença grave». Ora, «doença grave» tem um significado determinado, como é o caso das «Doenças graves e invalidantes do sistema nervoso central e periférico» que constituem, à face da lei portuguesa, uma «doença incapacitante» e a possibilidade de que isso efetivamente exista deveria acautelar a explicação médica do jurista-comentador.

Mais cedo do que mais tarde, terá de ser divulgado um exame médico detalhado sobre a saúde do Presidente. A saúde do Chefe de Estado não é um assunto privado.

Essa junta médica pode muito bem concluir que, apesar da condição neurológica patente na tremura em repouso da sua mão direita, e da condição física evidenciada, o Prof. Cavaco Silva mantém capacidade para aguentar o desafio da Presidência. Em qualquer caso, é melhor que esse exame médico detalhado seja divulgado mais cedo, até porque poderá surgir um episódio semelhante que envergonhe quem agora o embarga ou desmente.

Neste blogue - onde procuro servir a Pátria -, e para os portugueses, o que preocupa não é a tremura da mão, em si, mas do pulso do Presidente. O que preocupa não é apenas a saúde do Presidente, que humanamente desejamos se restabeleça ou controle: é também a saúde do País e o regular funcionamento das instituções, como a presidência da República. O que preocupa não é a divulgação aqui de um excerto de um video sobre a tremura do Presidente: é a tremura dos serviços da presidência e a sua incompetência na rédea livre para a captação de imagens pela RTP com ângulos comprometedores, a tolerância da realização manhosa (uma operação socratina de intimidação a abrir o segundo mandato - quem foi o realizador?) e a colocação em linha desse video (da tomada de posse do II Governo Sócrates, em 26-10-2009), na página oficial da presidência!... O que preocupa não é conhecimento da doença: é o condicionamento implícito que sobre esse segredo foi, e ainda é, exercido. O que preocupa não é o efeito da verdade: é a consequência da mentira de Estado (por palavras e omissões).

sábado, 14 de Junho de 2014

A doença do Presidente da República: especulação, verdade e mentira



O desfalecimento do Presidente da República, Prof. Cavaco Silva, na cerimónia militar do 10 de junho de 2014, na Guarda, acumulado sobre os rumores que há muito circulam sobre o seu estado de saúde justificam a divulgação de um exame médico detalhado sobre a sua atual condição. Não basta a referência vaga à «reação vagal», pelo major-general médico José Duarte, e da justificação do mesmo oficial da Força Aérea, apesar das imagens, de este «nunca tendo perdido a consciência». Muito menos a menção genérica «senti uma indisposição», na nota divulgada pela Presidência da República, nesse dia.

Foi interrompido em direto o silêncio, que vigorava há anos, sobre o assunto, e que, creio facilitou muito - a par dos negócios do genro Luís Montez com o poder (que um socratino terá classificado despudoradamente, no tórrido dia 24-6-2014, como «o preço da paz» - Sol, de 5-6-210) - o condicionamento da ação do Presidente pelo primeiro-ministro José Sócrates e também por Passos Coelho.

Recorde-se que na cobertura da tomada de posse, em 26-10-2009, do XVIII Governo Constitucional, o segundo de José Sócrates,  a RTP, como salientou o Prof. Eduardo Ferraz da Rosa, no Jornal «A União», de Angra do Heroísmo, em 29-10-2009, republicado no poste «A mão do Presidente», de 19-11-2009, no seu blogue «Os sinais da escrita», que transcrevo, pôs em evidência focal a tremura da mão direita do presidente, em grande plano e com ângulo lateral - conforme poderá ser confirmado facilmente com o arquivo de imagens desse dia.



Aliás, já num excerto da transmissão da RTP-1 da cerimónia de tomada de posse do segundo Governo Sócrates, em 26-10-2009, guardada pelo blogue Margens de Verdade, no discurso do Presidente, é possível ver que a a estação pública captou imagens sobre o lado direito do presidente (por exemplo, aos 7:18 e aos 15:23) que lhe expuseram a tremura.

Veja-se a propósito o video abaixo com um excerto dessa cerimónia de tomada de posse do segundo Governo Sócrates, em 26-10-2014 do original que colhi no sítio da Presidência da República(!...). Aqui se percebe a tremura da sua mão direita sobre o parlatório e quando sentado a sua mão direita a tremer, ainda que subjugada pela mão esquerda (uma tática habitual do Presidente, que também usa a mão esquerda para saudar o público nos eventos em que comparece).




Não de pode omitir o que aconteceu perante o País em 10 de junho de 2014. E goste-se, ou não, a questão política da renúncia do Presidente está colocada.

A falta de informação detalhada sobre a saúde do Presidente motiva a especulação sobre a doença que provocou o episódio do 10-6-2014: «Parkinson» ou «Esclerose Lateral Amiotrófica» ou «Epilepsia», como admitiu o António Cerveira Pinto, nesse dia, ou «Alzheimer» como Leonilde Santos em 11-6-2014 às 6:15, citada pelo Notícias Online, de 13-6-2014, diz que Cavaco Silva sofre «há vários anos» (e que há muito se murmura).




Como lidar com a doença do Presidente da República?
  1. Dizer a verdade.
    Nos EUA, há muito, que o povo é informado oficialmente do estado de saúde do Presidente, sendo divulgado o seu exame médico - veja-se, por exemplo, o boletim do médico do Presidente, de 12-6-2014. Ou o caso de Ronald Reagan.
  2. Mentir («por palavras, atos e omissões»).
    O caso Pompidou: o povo francês só soube que o presidente padecia de cancro do sangue depois da sua morte. Até lá a informação oficial era de que sofria de «gripes repetidas» e «crises de hemorróidas»...
    O caso Mitterrand: os franceses só conhecem a verdade sobre a saúde do Presidente, quando após a sua morte, o seu médico oficial da presidência Claude Gubler, publica o livro «Le grand secret», em 1996, na qual explica a mentira de Estado publicada regularmente nos boletins de saúde, afinal falsos.
    Após a sua eleição como Presidente, Jacques Chirac remete a sua saúde ao silêncio (e à mentira por omissão), com a fórmula de que «dará toda a informação significativa sobre o seu estado de saúde». Mais tarde, veiculou-se que o presidente padeceria de Alzheimer.
Não creio que o Dr. Daniel de Matos, médico oficial do Presidente da República, venha a assinar qualquer boletim de saúde falso - por palavras ou por omissões -, indicando uma saúde que o presidente Cavaco Silva não tem. Mas o médico também não tem autonomia para divulgar informação sobre a doença (ou as doenças) do Presidente sem que o este o determine.

Todavia, a mentira de Estado ou o embargo informativo apenas agravam a especulação. E diminuem - ainda mais... - o poder do Presidente.

Outra coisa é o povo. O povo é o supremo detentor da soberania, para lá dos jogos palacianos de chantagem - a grande coação. O povo não admite tabus. O povo quer saber a verdade sobre a saúde do Presidente. E não se contentará com a descrição do sintoma, ou do episódio - que mais cedo ou mais tarde a presidência terá de soltar - porque saber da doença. O povo português tem direito a conhecer toda a verdade, e em detalhe, sobre a saúde do Presidente da República.


Pós-Texto: A respeito do episódio do desfalecimento do Presidente da República, e da manifestação dos sindicalistas comunistas, tive referência de uma excelente crónica da deputada socialista regional dos Açores e ex-secretária regional da Educação e Cultura, Cláudia Cardoso, no Diário Insular, de 13-6-2014, «O desmaio». Houvesse mais sentido humano e de Estado de natureza semelhante, a convivência seria outra e o país estaria diferente...

quinta-feira, 12 de Junho de 2014

A renúncia do Prof. Cavaco Silva


Cavaco Silva desfalece na cerimónia militar do 10-6-2014

O desfalecimento do Presidente da República na cerimónia militar do 10 de junho de 2014 abre necessariamente o processo da sua substituição.

O simbolismo do dia e da cerimónia é terrível. E obriga a assumir o que tem sido tabu. Perante as forças militares em parada, o desfalecimento do Presidente, que ocorre após um evidente desnorte de consciência, num discurso perturbado pelos protestos de um grupo organizado de sindicalistas comunistas, é um facto incontornável. Agravado porque, quem formalmente o substituíu nos momentos em que não teve acordo de si, a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, ignorando que, naquele momento de turbação, era ela própria a presidente de facto e a comandante suprema das forças em parada, se entreteve, sem decoro, nem gravidade de Estado, em risinhos, num gozo que deve ter confrangido os militares que se perfilavam perante si e mereciam outro respeito e seriedade.

Claro que os protestos na «cerimónia militar comemorativa do Dia de Portugal», na Guarda, foi obra do PC. Claro que foi andada executar ao comunista Mário Nogueira, que envergonhou os professores que se deixam representar pela comunista Fenprof, pelo secretário-geral do PC, Jerónimo de Sousa. Claro que os média estavam prevenidos para que as câmaras captassem imediatamente o protesto ruidoso dos sindicalistas comunistas (um câmara até já se tinha empoleirado minutos antes na precária estrutura de sustentação do outdoor...), que o realizador da RTP parecia estar feito com a cena (inusitadamente, manteve uma janela aberta no écran com os protestos enquanto o Presidente fazia o discurso...). Claro que os comunistas não respeitam as forças armadas a não ser as internacionalistas do tempo do tenente José Manuel Miguel Judas, não se envergonham de vexar a cerimónia «militar» e os militares em parada, mesmo perante o pedido do general CEMGFA Pina Monteiro («tenham respeito por Portugal e pelas Forças Armadas»), nem se embaraçam de desejar a morte ao Presidente (para poderem almoçar...), horas antes de esse detestável Presidente pespegar uma comenda de mérito literário, científico e artístico, no agradecido pai. E claro que também os socratinos não o respeitam, como se pode ver no Aspirina B, onde pontifica a constitucionalista Isabel Moreira, com o seu colega Valupi - agora com o defensivo diminutivo Val, ou Jalupi como um insider denunciou na fervilhante caixa de comentários do Corta-Fitas, quando o ex-colaborador do Simplex, filtrou numa série de postes, em maio/junho de 2010, a ordem de batalha das operações suaves do socratismo) - a chamar ao Presidente da República,  em 10-6-2014, «O presidente cabrão» (sic)...

Pode o Prof. Cavaco Silva, à beira dos 76 anos, durar na Presidência até janeiro de 2016, recusando renunciar ao mandato nos termos do art. 131.º da Constituição - e não seguir os exemplos do Papa Bento XVI (11-2-2013), do rei Alberto da Bélgica (3-7-2014) e do rei D. Juan Carlos de Espanha (2-7-2014) - mas é, perante o povo, doravante, um homem fisicamente diminuído, e debilitado pela doença, para além de ser há muito politicamente inócuo e cúmplice, por inação, de um sistema ruinoso para a Pátria, defraudando o seu próprio eleitorado. Porque não podemos ignorar que não é apenas a esquerda que está danada com o Presidente; nós, neste setor patriótico, sentimo-nos justamente enganados pela colaboração de Cavaco Silva com o socratismo e com o sistema e enjoados com a grã-cruz atribuída pelo Presidente a Zeinal Bava, envolvido na conspiração de controlo dos meios de comunicação independentes (TVI, CM, Público) nas vésperas das eleições legislativas de 2009 - um negócio de tomada da TVI pela PT do subchefe Bava que o próprio Presidente, em 25-6-2009, criticou duramente por falta de «transparência» e de «ética»... Tal como não deixamos passar a impiedosa omissão de auxílio, pela Câmara Corporativa, a tanto jornalista, muitos deles de alinhamento socialista, ignorados , que acabam de ser maciçamente despedidos pela Controlinveste controlada pelo socratino genro, Luís Montez,  confesso apoiante de António Costa.

Para grandes males, grandes remédios. A debilidade eleitoral, evidente nas sondagens, é tamanha que reclama que a batalha se trave já. Qual é a batalha? Impedir o regresso do socratismo ao poder no ticket Costa (primeiro-ministro) e Sócrates (presidente da República, à Putin). Num quadro de enfraquecimento da União Europeia - agora em processo de refluxo para as nacionalidades face ao máximo federalismo político -, de empobrecimento do povo e de cobrança financeira (Ricardo Salgado quer ser defendido por quem ajudou), será possível a Sócrates instalar em Portugal um regime putínico.

Insisto: quem controla, como Sócrates e a sua rede, os média (e os serviços de informação) ganha. Seguro não dispõe de meios equivalentes. Por exemplo, agora, que o edifício da sede do jornal, em Lisboa, está coincidentemente desembargado, até o Correio da Manhã está alinhado com António Sócrates Costa e Ricardo Salgado (apesar da Newshold, de Sobrinho, ser acionista da Cofina)... António Talvez-o-teu-irmão-seja-altura-de procurar-o-Guerra Costa, cujo papel abominável na canelada sobre o processo Casa Pia, tem sido convenientemente omitido pelos média e pelos opinadores sistémicos.

O facto do desfalecimento presidencial, e da questão da sua renúncia, obriga à apresentação, mais cedo do que a tática oportunista socratina desejaria, das candidaturas presidenciais. Se abrirmos essa possibilidade - como devemos -, Sócrates não pode esconder-se atrás de António Costa, cavalgando a onda do seu previsível triunfo no PS  e tem de vir a jogo mais cedo, entalando o próprio Costa e enterrando-se a si próprio na memória mais fresca da falência das famílias. Se, pelo contrário, tentarmos defender o desconjuntado quadrado cavaquista, adiando a discussão da eleição presidencial para depois de as legislativas acontecerem, o destino de médio-prazo do País será funesto.