domingo, 19 de junho de 2016

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A trampa



Stephen King sobre o candidato Donald Trump à presidência dos EUA, na Rolling Stone, de 13-6-2016:
«I think that he's sort of the last stand of a sort of American male who feels like women have gotten out of their place and they're letting in all these people that have the wrong skin colors. He speaks to those people.»

Trump não é popular apenas por causa do racismo, do peso do white man's burden, e da da subsidio-dependência do welfare e da corrupção do sistema político, mas por causa da revolução ilimitada dos costumes que a maioria dos americanos rejeita, apesar de pressionada pelos média. Trump que conviveu com o sistema corrupto e que até é próximo das posições liberais nos costumes dos Democratas norte-americanos.

Trump é principalmente a consequência nefasta do delírio ideológico da esquerda marxista norte-americana que protege o islamismo (doutrina desumana que trata as mulheres como animais e os outros não-crentes no Islão como alvos), enquanto promove os clubes de consumo de droga, a utilização do estilete sobre o crânio de bebés no late-term abortion e, as barrigas de aluguer e a utilização cruzada de balneários escolares por homens que se digam mulheres e vice-versa. E da corrupção política e promiscuidade dos princípios dos moderados que representam um sistema degenerado e endogâmico.

Trump, que apela ao racismo branco - aliás como Bernie Sanders! -, cresce porque não há alternativa razoável dentro da direita norte-americana, e porque a esquerda perdeu o contacto com a realidade social.

A tolerância de Obama e de Hillary Clinton com o abuso violento do Islão, externo e interno, - veja-se a transformação do ataque terrorista islâmico,de ontem, 12-6-2015, de um filiado no ISIS contra um clube gay em Orlando num ato de homofobia sem ligação ao Islão e ao Estado Islâmico - fomenta a popularidade de Trump e pode colocar os EUA num isolacionismo perigoso.

O que se passa nos EUA, onde os extremos se tocam - direita radical contra esquerda radical -, perante o vórtice do centro político passivo e entretido na corrupção, também se verifica no Brasil, na França, na Áustria, na Espanha e na Grã-Bretanha. Racismo, xenofobia e segregação, de um lado, e fronteiras abertas, multiculturalismo acrítico e revolução dos costumes, do outro.

É preciso criar rapidamente uma alternativa moderada: conservadora nos costumes, favorável ao trabalho e contra a corrupção de Estado. De outro modo, o centro será engolido pelo delírio da atração dos extremos. A guerra.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A degenerescência de PSD e CDS

Pelos idos de 1982, creio, Miguel Esteves Cardoso fez uma crítica televisiva do filme «Eu te amo», de Arnaldo Jabor, que estreava em Lisboa, no cinema Condes, agora ocupado pelo Hard Rock Café. No seu estilo desassombrado, Miguel contava que havia saído do cinema ao intervalo. Que havia virado a esquina e entrara no Olympia. E justificava: era mais barato e... melhor!...

O problema de PSD e CDS, nesta altura, é que reduziram a diferença face ao PS - ainda por cima nesta direção comunista, do velho MES leninista e revolucionário - à questão do dinheiro (a economia...e... e...!...). Uma espécie de direita dos interesses, desumana, em que o principal fator de distinção ideológica - a moral - é não apenas subalternizado, mas... apagado! Parafraseando o Miguel Morgado, que referia uma citação atribuída a Marx (mas Grouxo!), PSD e CDS dizem aos portugueses: se não gostam dos princípios que são enunciados nos programas dos nossos partidos, então... nós arranjamos outros!...

Nesse sentido degenerescente, por que motivo hão-de os católicos portugueses (81% da população, segundo os Censos de 2011) votar, ou apoiar, o PSD ou o CDS, se o PS é «the real thing»: aborto livre, gratuito e com prémio financeiro, liberalização das drogas, casamento homossexual, adoção de crianças por casais homossexuais (e não casais), mudança de sexo aos 16 anos, balneários mistos, barrigas de aluguer?!...

domingo, 5 de junho de 2016

A unidade ideológica do governo da Frente Popular de António Costa

“Não se pode dizer que, no essencial, o PS divirja do Bloco e do PCP”.


Ainda do delfim de António Costa, para compreender o contexto ideológico marxista, anticatólico, é útil ler:
  • Religião e Moral na Organização Curricular do Ensino Básico: breve comentário. Revista da Faculdade de Direito de Lisboa, vol. XLIII, n.º 2 (2002). Este foi o assunto da sua primeira obra publicada.
  • O princípio republicano. Revista da Faculdade de Direito de Lisboa, vol. XLVIII, n.º 1 e 2 (2007), pp. 165-270.

terça-feira, 31 de maio de 2016

O Governo do socialismo de rosto desumano

A perspetiva sobre o Governo é enviesada pela memória do velho PS. Porém, este PS já não é socialista: tornou-se comunista. Costa, Vieira da Silva, Pedroso e Ferro, não tentam sequer reviver a aliança socialista-comunista de Allende, mas aplicar insidiosamente a ditadura marxista de Chávez. Um socialismo de rosto desumano.

O ataque do governo catolicofóbico de Afonso António Costa à «padralhada» enquadra-se nessa revolução de valores, deixando para outras núpcias coloridas a batalha final da estatização da economia. A prioridade é a revolução cultural do País: casamento homossexual, a adoção de crianças por casais homossexuais, as barrigas de aluguer, a eutanásia, a mudança física de sexo para menores.

Paralelamente, esta tríplice aliança comunista acantona a Igreja nos templos, através da vozearia mediática do politicamente correto, e tenta manter o controlo das suas instituições de projeção de poder cultural, como a Universidade Católica e a Rádio Renascença, curiosamente poupadas à sanha persecutória do socialismo radical. E, para ser absolutamente claro, de nada adianta à Igreja manter a Católica e a Renascença, se, em vez de projetarem, de forma inequívoca a mensagem do Evangelho e a sua consequência, estas instituições continuarem a servir, de modo objetivamente cúmplice e sob a desculpa da neutralidade, a política contrária e a privilegiar os adversários dos valores cristãos e os seus aliados. É tempo de combate!

Nesta campanha persecutória deste Governo anticatólico, primeiro atacam-se os colégios, depois as creches, a seguir os hospitais e os lares. Os alvos últimos não são os colégios privados, mas os colégios católicos, tal como não são todas as religiões que se combatem, mas a Igreja Católica. Veja-se o caso da mesquita da Mouraria, em que a CMLisboa, contra a vontade dos locais e dos proprietários, vai aplicar milhões de euros na expropriação e construção de um novo templo de um culto que desumaniza as mulheres e promove a guerra contra os que os não-islâmicos.

Como diz um amigo meu, o poder político em Portugal está tomado por um coligação de três partidos comunistas. Ao Bloco de Esquerda trotskista e ao PC estalinista, juntou-se este PS gramsciano.

Um PS que pretende mudar a política externa do País, apostando na aliança com as forças radicais de esquerda que promovem a dissolução da União Europeia e no enfraquecimento da aliança atlântica. Atente-se na moção de António Costa «Cumprir a alternativa, consolidar a esperança» ao Congresso do PS, de 3 a 5-6-2016, coordenada, na sombra, por Paulo Pedroso. Relativamente à União Europeia, ressalta «uma nova atitude de Portugal na Europa», com a «construção» de outras «alianças estratégicas» e (apesar de desmentido) o «confronto» (em vez da atitude de bom-aluno). E neste realinhamento internacional do País para o leste, não é por acaso que a Nato não é referida, enquanto a ONU, a CPLP, a Conferência do Clima, os países africanos e Timor, são mencionados (pp. 21-22).

A direita que se mantenha no business-as-usual que a revolução da esquerda radical prossegue a sua marcha para submeter Portugal a um regime marxista autoritário. Conforme se pode verificar no quadro abaixo dos residentes em Portugal com 15 ou mais anos, colhido dos Censos 2011, aí se compreende a fantástica aritmética leninista615.332 (7%) sem religião (ateus, agnósticos, céticos e livres-pensadores) a mandarem em 7.281.887 (81%) católicos.



Censos 2011. Residentes em Portugal com 15 ou mais anos.
Católicos vs. Sem religião.
(Clique na imagem para aumentar).


Censos 2011. Residentes em Portugal com 15 ou mais anos,
por religião.
(Clique na imagem para aumentar).




domingo, 29 de maio de 2016

A realização da agenda socialista-revolucionária do governo Costa



«Et ses mains ourdiraient les entrailles du prêtre,
Au défaut d'un cordon pour étrangler les rois.» 
Diderot, Denis (1875). Les Éleuthéromanes. P. 96


Insidiosamente, o governo Costa, suportado pela aliança PS-Bloco-PC, vai realizando a sua agenda extremista:
  1. Imposição à sociedade dos seus costumes radicais: depois do casamento homossexual, a adoção de crianças por casais homossexuais e as barrigas de aluguer. A seguir, a eutanásia e a mudança (física!...) de sexo para menores.
  2. Ataque à «padralhada» com o fim da subvenção dos colégios católicos - depois dos corte nos ATL. Logo mais, as creches dos centros católicos e os lares das misericórdias. O que se pretende não é deixar de financiar os ricos (os colégios privados e mais caros continuarão a funcionar...), mas afastar os pobres e a classe média do ensino católico, mais aplicado e disciplinado. A revolução, de novo. Na falta de cordão, estrangulá-los à mão. Como enquadra a Helena Matos, neste 29-5-2016: «Os padres, primeiro». As exceções são Universidade Católica e a Renascença...
  3. Cerco chavista das empresas, dificultando as suas condições para pagar salários.
  4. Aumento da subsidio-dependência, com o agravamento do desemprego para os 12,4%, a  descida das exportações, a diminuição do investimento e a estagnação do crescimento económico. Utilização da tropa-de-choque dos estivadores para ganhos do PC noutras negociações laborais com o PS (quais?).
  5. Domínio político das 500 maiores empresas do País, mediante a designação, para cada uma, de um controleiro vieira-da-silva. Uma via rosa para uma bolsa partidária de grandes contribuintes.
  6. Perseguição da magistratura independente, através dos serviços com difusão através dos média estatais: o caso da reportagem vergonhosa que intentou manchar indiretamente a honra do juiz Carlos Alexandre, imputando favorecimento (!...) na concessão rápida de um empréstimo de 4 mil euros pelo Cofre da Previdência dos Funcionários Públicos, apesar do pedido legal e regular do juiz!... Para macular a imagem da justiça, a divulgação de videos privados, em festa durante a hora de almoço, de funcionários de tribunais centrais, logo comentados pelos advogados do engenheiro falso... Entretanto, Fernanda Câncio, usualmente violenta na prosa, aflita com a possibilidade de ser acusada pelo Ministério Público, veio dizer, de fininho, que nada sabia do luxo de que ela própria beneficiou - espalhando-se nas justificações emaranhadas (e mal amanhadas) sobre a sua alegada tentativa para que o seu alegado namorado comprasse um apartamento de 2,2 milhões de euros em Lisboa... Entretanto, em 17-5-2016, saíu a condenação, por difamação, do tenente-coronel Brandão Ferreira pelo desembargador Antero Luís - diretor do SIS entre 2005 e 2011, conterrâneo de Armando Vara da face oculta - e pelo desembargador João Abrunhosa de  Carvalho, a pagar uma indemnização de 25 mil euros a Manuel Alegre (e 1.800 euros ao Estado), do Tribunal da Relação de Lisboa (após absolvição na primeira instância), por aquele o ter classificado como traidor à Pátria pelo seu comportamento aos microfones da Rádio Argel durante a Guerra do Ultramar. Valorizaram a reputação do pretenso ofendido sobre a liberdade de expressão!...
  7. Cortina de fumo atgravés do caso oportuno do espião português que gostava do frio (da URSS) para disfarçar o confessado, em tribunal, gravíssimo atropelo da Constituição pelos serviços de Informação do socialista Júlio Pereira na obtenção ilegal de registos das operadoras telefónicas - através de «protocoloos formalizados» e «não formalizados» (sic!...). Objetivo: justificar implicitamente a entorse ao Estado de direito.
Para tanto, o Governo ainda conta com a cumplicidade da direção do PSD no delírio dos maus costumes e uma apatia da oposição de direita relativamente às políticas governativas. Quem tem o poder, jamais deve abdicar da possibilidade de o manter: «Il potere logora... chi non ce l'ha», lá dizia o outro.

O combate político é muito difícil neste ambiente sediço e sobre terreno lamacento. A alternativa há-de construir-se fora do sistema podre, com reafirmação dos valores humanos e a junção de boas vontades destemidas.


* Imagem picada daqui.

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Peste e CIG

O Presidente da República chamou «voz... quase aberrante» (audio) a Catarina Martins, em 11-5-2016. Vai também ser processado, por delito de opinião, pela Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género («CIG»!...), tal como Pedro Arroja que classificou como «esganiçadas» as deputadas do Bloco de Esquerda, em 10-11-2015, no Porto Canal, tendo de responder em inquérito-crime por alegada «incitação á discriminação» sexual?... «Aberrante» não é muito mais politicamente incorreto do que «esganiçadas»?!...

A Comissão para a Cidadania e a Igualdade do Género (sic) está integrada na presidência do Conselho de Ministros, do Dr. António Costa. A composição da Secção das ONG do Conselho Consultivo da CIG é tão politicamente enviesada como a ideologia do género que agora lhe subjaz. A maioria das organizações que cuidam da cidadania e que trabalham na defesa das mulheres não faz parte, à exceção das inevitáveis Caritas e Oikos. Mas a representatividade dos organismos que pertencem a esta lista das ONG do Conselho Consultivo da CIG é ainda mais elucidativa: da Associação Cultural Moinho da Juventude (da Cova da Moura) ao Chapitô, passando pela Moura Salúquia (Associação de Mulheres do Concelho de Moura) até ao Dress for Success Lisboa.

* Imagem picada daqui.

domingo, 8 de maio de 2016

Eutanásia estatal

A poupança na limpeza dos aparelhos e condutas de ar condicionado dos hospitais, e a negligência dos procedimentos de segurança face aos doentes durante a limpeza, que provocam a transmissão de vírus e bactérias resistentes a doentes mais enfraquecidos, tornou-se uma forma estatal de eutanásia. Os doentes morrem, os hospitais não pagam indemnizações porque a prova do local do contágio é muito difícil e o Estado diminui a despesa com pensões... A morte rende.

Os (ir)responsáveis sabem muito bem o que se passa, mas impõem decisões que custam vidas.

É por causa de fenómenos como este que clamo que a corrupção mata. O adiamento da limpeza dos sistemas de ar condicionado dos hospitais, e a negligência nos cuidados com os doentes durante esses procedimentos, é um resultado da poupança na despesa da saúde, motivada pelo roubo do Estado, através de comissões nos contratos empolados e de obras e serviços redundantes.

Uma boa causa pública seria instar o Governo a cumprir com estes cuidados.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O caso do Colégio Militar, o PS e a pedofilia

O que subjaz à polémica da intolerância do Colégio Militar face à homossexualidade (e heterossexualidade...) praticada intramuros é a atitude do PS perante a pedofilia. A  doença infantil do socialismo recidivou.

Num colégio interno militar, o que normalmente se procura prevenir, e reprimir, acima de tudo, não é a inclinação homossexual de qualquer criança, ou adolescente, por outras da mesma idade, mas o eventual abuso sexual de menores impúberes por alunos mais velhos pedófilos camuflados ou pessoal tarado indetetado. É isso que está em causa e que os militares e os demais cidadãos de bem não podem consentir. O Colégio Militar não pode degenerar numa Casa Pia II.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Eunucos

Em tempo de meditação, dou com dois versos de Ruy Cinatti (em 31-5-1974...):
«Porque há-de sempre haver uma "esquerda" festiva
A festejar uma "direita" moribunda?»
Em contraste com este povo dominado por «sucialeiros/maus pedreiros» e pela promiscuidade dos «meias-direitas» (idem), a direita brasileira combate para mudar o regime corrupto.

Por aqui, ribomba, num ambiente de ócio e de corrupção, o sacrifício ritual da eutanásia, do aborto, da adoção homossexual, do casamento homossexual, da ideologia do género Preparam-se causas novas, como a miscigenação das casas de banho públicas, a liberalização do plantio de drogas e a criação de clubes de consumo de estupefacientes - embora a louvada política liberalizadora, lançada em 2001, não tenha feito baixar o consumo e aumentem os casos de esquizofrenia... E, incorrigivelmente, na recidiva da doença infantil do socialismo, se volta a promover a pedofilia e se tolera o abuso sexual de crianças.

Mais além, determina-se, e manda-se publicar, que é obrigação da direita apoiar as políticas que são adversas aos seus valores, ao trabalho, à economia e ao futuro social do País.

Não existe outro caminho senão trabalhar patrioticamente pela mudança. Com quem queira. E, se não houver, mesmo sozinho.


* Imagem picada daqui.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Emaús



Passou o dia da Páscoa, mas não passa a Páscoa das nossas vidas. Em cada dia nos sentimos morrer; e em cada dia ressuscita o nosso ânimo. Vida e morte relacionadas com a fé. Desesperar é morrer. Viver é acreditar.

No caminho de Emaús, que é a nossa vida, Jesus acerca-se de nós e não O vemos. Vem de súbito, no meio da rotina sombria e do cansaço letárgico que nos enfraquece as horas, mas não O sentimos. E ainda lamentamos, «pobres de inteligência e lentos de espírito», que nos tenha abandonado. Não. Sob outra forma, Cristo acompanha-nos e, piedosamente, revela-Se. 

Ainda que o mundo, na escuridão, esteja à beira de mais um abismo, e a sociedade instável como um prato de comida prestes a tombar, enquanto os homens se queixam, no que se chamou Ocidente, dos próprios bezerros de ouro que adoram, Cristo continua a apontar-nos o caminho.

Não há, nem pode haver, descanso para a peregrinação da vida. E é neste ocaso social que devemos procurar os sinais de esperança. Para reviver.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Como está o inquérito no DCIAP sobre as PPP rodoviárias?

A notícia de hoje, 5-4-2016, sobre a conta Paulistinha - no âmbito do escândalo Panama Papers (na vertente portuguesa, 244 offshores e 34 beneficiários/donos portugueses, ou prête-nons) - de alegados subornos, no valor de 750.000 euros pagos pela construtora brasileira Odebrecht relativas ao negócio de edificação da barragem do Alto Sabor, durante o I Governo Sócrates, e já em investigação no processo Marquês, obriga a recordar o inquérito no DCIAP sobre a corrupção nas parcerias público-privadas rodoviárias no valor de milhares de milhōes de euros. Em que ponto está esse inquérito que incide sobre um dos motivos da crise financeira que afundou o País durante o socratismo e provocou tantas mortes (suicídios, cirurgias e tratamentos adiados por falta de dinheiro) dor e perda de bem-estar ao povo?

segunda-feira, 4 de abril de 2016

A queda de Sócrates

Depois de uma pausa por motivos académicos, é hora de voltar ao trabalho cívico.

O levantamento, em 3-3-2016, da vergonhosa censura sobre o grupo editorial do Correio da Manhã, Sábado e CMTV relativamente a notícias sobre José Sócrates do processo da Operação Marquês permitiu o conhecimento de factos gravíssimos do ex-primeiro-ministro no controlo dos média, nos negócios, na encomenda de produtos e na distribuição desbragada de dinheiro - ver CM, de 5-3-2016, 12-3-2016 e 19-3-2016. A revelação de conversas de José Sócrates põe em evidência o comportamento de personagens e factos escandalosos. Destaco frases destas conversas publicadas, sobre a Operação Marquês, entre Sócrates e outros envolvidos e nas inquirições do juiz Carlos Alexandre e do procurador Rosário Teixeira. Começo pela edição do CM, de 5-3-2016:
  1. «Ele que faça e faça rápido» - José Sócrates para Santos Silva sobre as obras no apartamento de Paris.
  2. «A minha motivação é simples. Tenho-me dedicado à leitura e à escrita e a minha ideia era ter uma casa de inverno para escrever e ler» - Sócrates para o juiz, em 23/24-11-2014, sobre o seu plano de comprar uma quinta em Tavira.
  3. «Se a condessa já chegou a Londres posso mandar a minha secretária passar os recibos?», Sócrates para Paulo Lalanda de Castro (o juiz Carlos Alexandre desconfia que «a condessa» significa a transferência de dinheiro para Sócrates da Octapharma, reembolsado por Santos Silva).
  4. "Olhe, meu caro, você precisa de um tipo que em qualquer circunstância não faça perguntas e obedeça. E olhe que não tem ninguém melhor em termos de currículo e de lealdade: é daqueles que sabem fazer as coisas.» - Sócrates para Proença de Carvalho, presidente da Global Notícias, a recomendar o seu amigo Afonso Camões (diretor da Lusa) para diretor do DN (em alternativa, recomendou o cronista Ferreira Fernandes) ou JN.
  5. «Uma declaração para a Lusa... para Pedro Morais Fonseca» (autor do livro sistémico «Blogues Proibidos») - Sócrates para Afonso Camões a pedir para fazer uma declaração e, alegadamente, a escolher um jornalista amigo para a editar.
  6. «Na segunda-feira as partes serão informadas» - o vice-presidente da ERC, o socialista Alberto Arons de Carvalho, alegadamente a informar Sócrates sobre o conteúdo dos processos que o envolviam.
  7. A «minha RTP» - Sócrates a queixar-se, em 16-4-2014, três anos depois da tomada de posse de Passos Coelho como primeiro-ministro, a Afonso Camões de que só tem aquela estação, quando a informação da RTP era dirigida por José Manuel Portugal, que havia sucedido ao amigo de Sócrates Paulo Ferreira, e o presidente era Alberto da Ponte
  8. «Traidor», «malandro» - Sócrates, em 5-6-2014, alegadamente, insulta Ricardo Salgado em telefonema ao ex-ministro Manuel Pinho e diz que tem pena de Morais Pires. Mas dois dias depois, informa Proença de Carvalho que mandou um abraço a Ricardo Salgado... Ao mesmo tempo, alegadamente, diz a Manuel Pinho que Balsemão e Belmiro são «mafiosos» e «pistoleiros».
  9. «Que sítio magnífico para se passar uns dias, mas certamente melhor ainda para se passarem dois anos» - escreve, em SMS, alegadamnente, João Constâncio, o célebre «filho do outro», em junho de 2014, a Sócrates que lhe havia emprestado a espantosa casa de Paris, na Avenue Président Wilson, do luxuoso 16e, por uns dias, alegadamente comprada em 2012 por José Sócrates, via Carlos Santos Silva.
  10. Entretanto, sempre segundo o CM, alegadamente, teria gasto, de uma vez, «4100 euros na Prada e 2700 na Ermenegildo Zegna» - lembra-lhe Dina, a gestora de conta na CGD - e em julho de 2014  pediu à secretária para lhe arranjar um apartamento no Pine Cliffs, do Algarve, durante uma semana ao «preço especial» de «632 euros por noite»...
  11. A alegada probreza de José Sócrates e a alegada fortuna da mãe são teses desmontadas pelos próprios: a mãe liga ao filho a dizer que está «depenadinha» («sem penas», diz) e pede ao filho um casaco de «1200 euros»...
  12. Quando as amigas lhe pedem dinheiro, Sócrates não regateia, diz, alegadamente, para não se preocuparem e dá até «um pouco mais». Por exemplo:
    1. A Célia, que parece funcionar como camela (honni soit...) da sua travessia no deserto, alegadamente envia dinheiro para os seus gastos e para lhe comprar «garrafas de vinho» a colocar num envelope... e Célia pergunta se quer «daquilo»...
    2. Sandra Santos (ex-mulher do primo Bernardo?) pede-lhe regularmente valores elevados: 5610, 9350, 3500 e 2500 euros.
    3. E Maria Rui, sua ex-assessora de imprensa, pede-lhe, alegadamente, cinco mil euros. Sócrates diz-lhe que «não lhe custa nada» (a ele...) e esta envia-lhe depois um SMS a dizer que a «massa já cá canta».
  13. João Perna, o motorista, desabafa,  alegadamente, com o filho que Sócrates «já deveria estar na choldra... se fôssemos nós» e que recebia «dinheiro escondido».
  14. Em conversa com o ex-ministro Teixeira dos Santos, Sócrates avisa que«é preciso é não esquecer os nomes» dos responsáveis da investigação...
A edição do CM, de 12-3-2016, traz mais revelações:

  1. Sócrates, alegadamente, usava diversos intermediários para lhe trazerem dinheiro vivo ou custearem as suas despesas: o seu motorista João Perna, o advogado Gonçalo Trindade, o socialista André Figueiredo.
  2. Sócrates perguntava ao celestial amigo Santos Silva: «Vem a chapa cinco? Chapa cinco ou chapa seis?». «Chapa cinco» significava, alegadamente, cinco mil euros. Chapa era um alternativas a «fotocópias», alegadamente outra palavra de código para dinheiro.
  3. O motorista João Perna queixa-se do tratamento alegadamente desumano de Sócrates para consigo: «este homem maltrata, maltrata, maltrata»...
  4. O esquema de Sócrates, alegadamente, funcionava (além de malas e de envelopes com dinheiro entregues pelo motorista e outros) com notas de 500 euros e o motorista queixa-se de que no cabeleireiro não trocariam a nota à mãe Adelaide onde esta queria ir arranjar o cabelo.
  5. E o motorista diz que Sócrates pagou uma conta de 1500 euros de telemóvel...
  6. Sócrates, alegadamente, pede ao vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, pelo Grupo Lena, a quem confessa, segundo o CM, «dever atenções ao longo dos anos»...
  7. Sócrates, alegadamente, diz a Lalanda e Castro, da Octapharma, em 6-10-2014, que falou com a presidente Dilma sobre assunto da empresa e que... Lula disse que o assunto estava resolvido (Lula, outro que alega que não é nada dele mas de um amigo, não tinha qualquer função oficial desde 1-1-2011, quando deixou a presidência).
E no CM, de 19-3-2016, são revelados excertos dos interrogatórios do juiz Carlos Alexandre e do procurador Rosário Teixeira:
  1. O administrador do Grupo Lena, Joaquim Barroca, alegadamente, era usado como barriga de aluguer, mediante a disponibilização da sua conta na Suíça e de offshores em paraísos financeiros imunes para movimentos do testa-de-ferro de Sócrates, Carlos Santos Silva, o qual receberia 1% do volume de negócios do grupo.
  2. Armando Vara, incorrigível parceiro de Sócrates, também surge no processo, por causa de alegada intervenção em empréstimos para um projeto de construção, ao largo de Faro, no contexto algarvio, de uma ilha artificial pela Vale do Lobo e na compra pelo banco público de uma participação empreendimento de luxo Vale de Lobo. Vara foi confrontado com transferências de dinheiro de Diogo Gaspar Ferreira, «patrão da Vale de Lobo», para empresas offshores suas e da sua filha Bárbara, no Panamá, Seychelles e Ilhas Virgens Britânicas. Vara recusou isentar de responsabilidade a sua filha neste assunto, apesar da sugestão do juiz Carlos Alexandre.
  3. As buscas a casas do empresário luso-angolano Hélder Bataglia, recuado em Angola (para onde seguiu carta rogatória que as autoridades locais ainda não cumpriram) e protegido elsewhere, e que alegadamente se tem negado a colaborar com a justiça portuguesa sem contrapartida de imunidade total, apesar de alegadamente «suspeito de pagar luvas a José Sócrates e Armando Vara no âmbito do negócio do Vale do Lobo, em 2006, que contou com financiamento da caixa Geral de Depósitos», tendo os «cerca de 13 milhões de euros» passado alegadamente por «contas offshore de joaquim Barroca, do Grupo Lena» e terminado em contas do amigo Santos Silva e de Vara, que era administrador da Caixa nessa altura.
Sobressai das conversas a dissimulação dos protagonistas, frequentemente quebrada pela indiscrição dos serventes e beneficiários. Nas inquirições, merece realce a atrapalhação e amnésia dos envolvidos e a humanidade pedagógica do juiz Carlos Alexandre.

As revelações que entretanto têm sido feitas ainda enterram mais no pântano os envolvidos. Realce para o aborrecimento de um filho de ex-primeiro-ministro («o José Sócrates de Sócrates», na expressão de RAP, em 23-3-2016) em dormir num hotel em Paris, em vez de ir para o luxuoso apartamento do 16e na Avenue Président Wilson, cujas obras, supervisionadas pela ex-mulher Sofia Fava, estavam a demorar mais do que o previsto.

Outro facto que tem obrigado ao silêncio de Sócrates é a evolução da situação do ex-presidente Lula, seu homólogo na acumulação de riqueza durante funções públicas e vida de fausto e espavento após esse desempenho ou de Sarkozy - e agora a corrupção bilionária do círculo de Putin, exposta no Guardian, de 3-6-2016, numa torrente de revelações dos Panama Papers. Um padrão de abuso e fausto, alimentado pelas contas formalmente em nome de amigos homens de palha e protegido do público por muros, vidros escuros e editores de confiança.

As modernas sociedades, mais ou menos democráticas, têm duas perspetivas de avaliação dos políticos: a judicial, que cabe aos técnicos do direito, e a política, que cabe ao povo. A avaliação judicial tem os seus trâmites garantísticos, contraditório de provas mais ou menos fumegantes, expedientes dilatórios e recursos sucessivos, demorando décadas. Não é, no entanto, de prever, neste momento, a impunidade dos envolvidos, por mais ameaças que façam aos correlegionários no poder. Na avaliação política - apesar da proteção dos diretores de informação da RTP, SIC e TVI (com a notabilíssima exceção da CMTV) num Portugal ainda com paisagem mediática muito concentrada na televisão e as promessas partidárias e fraternais de apoio em troca de silêncio - Sócrates, tal como o seu alegado parceiro de negócios de Estado, Lula (Observador, de 3-4-2016), foram derrubados. Mas, como prevenia, Churchill, os políticos podem morrer várias vezes, é preciso manter a atenção democrática face à  corrupção tirânica.


* Ilustração picada daqui.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014), no âmbito da Operação Marquês, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
As outra entidades mencionadas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas de qualquer ilegalidade ou irregularidade nestes casos, ou quando na condição de arguidas, como no processo Marquês, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Corrupção, bancocracia e alheamento do povo


«That's the world, that's politics. That's how it works. It starts out with big promises and ends up with jackshit happening. But like the man said: "If voting changed anything, they'd make it illegal.»
Jane Bodine (Sandra Bullock) in
Green, David Gordon (realizador), e Straughan, Peter (argumento).(2015).
Our brand is crisis
.
O alheamento das novas gerações face à política tem como motivo principal a inconsequência do voto. A justificação de que os mais jovens não votam por idiossincracia egoísta e preguiçosa das suas coortes e por causa do sustento garantido pelos pais, que continua para lá do momento em que encontram um emprego geralmente mal pago, é uma ilusão autocomplacente dos políticos da corte.

O poder político foi capturado pela bancocracia - corrupção politico-bancária - que é consentida pelo povo carente de subsídios do Estado. Conhecendo a atividade deficitária do Estado, o povo conforma-se com o diktat bancário porque este financia subsídios, salários e pensões - para além da segurança, da saúde e educação, que já foram gratuitas (5.750 euros é quando custam as propinas do 1.º ano do mestrado em Gestão no público ICSTE!...).

Essa subserviência é também aceite, em Portugal, por este executivo do PS, sujeito ao acordo separado com as lideranças do Bloco e do PC, num novo paradigma a estudar pela ciência política, a que podemos chamar um Governo Telefónico: as decisões não são tomadas em conselho de ministros, mas através de consultas telefónicas de interlocutores do PS (Vieira da Silva e afins) com os seus parceiros do Bloco e do PC. Processos de decisão inconstitucionais, opacos, secretos e furtivos, que todavia, têm beneficiado da cumplicidade mediática e do sigilo comprometido da oposição bipartida. 

Como tenho realçado, a submissão do Estado ao diktat político-bancária não radica na ideologia nem na ciência económica. Não assenta na ideologia porque a direita conservadora ou a liberal sempre desconfiou dos bancos e a esquerda sempre os quis estatizados; e nem o socialismo atual, mais monetarista do que keynesiano o justifica. E não se fundamenta na ciência económica, a revisão da crise norte-americana de 1929 continua sem consenso: monetaristas alegam que foi a falta de liquidez que precipitou a crise enquando os austríacos insistem que foi o seu excesso. O helicopter money do quantitative easing parecer ter neutralizado as tensões económicas nos EUA e na Europa, face à produção asiática mais barata, mas as depreciações cambiais provocadas, primeiro no dólar e agora no euro, parecem ter tido maior efeito na economia.

A submissão do Estado ao dikat político-bancário baseia-se na corrupção: na troca de favores e rotação de agentes. Troca de favores com a injeção de dinheiro do Estado em bancos privados mediante troca de comissões e excedendo até o inside trading com a especulação bolsística, através de familiares, de amigos e de compinchas, propiciada por boatos oficiosos para gerar movimentos de pânico nos mercados ou efeitos de valorização de empresas premiadas com contratos. E rotação de agentes com a circulação de políticos, técnicos e gestores, entre a política e os bancos: quando no poder os agentes favorecem os bancos e quando deixam o executivo são recompensados com tachos faustosos para pagamento desses favores que prestaram em prejuízo volumoso do erário público.

O povo parece demasiado viciado no conforto para decidir o sacrifício de se libertar da dívida - mesmo que esse conforto seja decrescente, como é agora. Parece... Um vício só é quebrado pela abstinência, não pela redução de uso.

Não pode ser consentido o desvio de dinheiro do Estado para o socorro de bancos privados falidos pela avidez de administradores impunes por legislação protetora - 450 milhões de euros no BPP, mais 8,3 mil milhões no BPN, mais 9 mil milhões de euros no BES (só em 2015), mais 3 mil milhões no Banif, mais 90 milhões no Efisa. Nem a vigarice da entrada no capital do  empreendimento de luxo de Vale do Lobo e empréstimo (de 200 milhões?) para a ilha artificial Nautilus, que o conselho de administração (todo?) aprovou, ou a irresponsabilização dos seus administradores nas aventuras em Espanha (Banco Simeón, Luso Espanhol e Banco de Extremadura).

Socorro financeiro de milhares de milhões de euros, decididos do dia para a noite, nas costas do povo
, sob a alegação de urgência, sem que o Parlamento de pronuncie, e que descapitaliza o Estado e aumenta a carga fiscal, provocando a morte dos empresários que não conseguem solver dívidas e se penduram, dos velhos que falecem porque não têm dinheiro para aviar medicamentos, dos doentes que não são operados a tempo, a fome de crianças, ou o abandono de universidades por jovens. Quando os caçadores de taxas de juro mais altas, que saltitam para bancos de maior risco, sabem o desafio que jogam e, não devem ser financiados pelos demais.

Bancos falidos devem ser liquidados pelos tribunais
, como as demais empresas, sem que o tesouro público assuma os seus prejuízos, como não recebeu os seus lucros no tempos áureos.

O desvario da corrupção só não é maior porque a União Europeia impõe a sua tutela sobre o orçamento do país. Mas essa tutela externa ainda alheia mais os jovens adultos que percebem que a decisão política não depende do seu voto mas do Conselho Europeu, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (que aperta o Governo com a compra de mais ou menos obrigações portuguesas e deixa, ou não, subir as taxas de juro do país). Na União Europeia, o poder de Portugal está mais próximo de 1,5% do PIB da União do que dos 3,6 % dos votos (a UE tem agora 28 Estados), dos 2,1% do território e dos 2% da população. A circunstância do País ser melhor governado pelos estrangeiros, a partir de Frankfurt e Bruxelles, do que pelos nacionais, é ainda mais vergonhosa para nós.

Não é a fundação de um novo partido liberal que resolverá o imbroglio. O que pode resolver é continuar a luta de investigar e publicar, neste tempo de negro nublado, de guerra fria interna. Além da teimosia de ensinar e da coragem de tentar fazer. Sacrifício pelos outros. Dádiva. Manter a chama, apesar do vento e da escassez de parafina. Estar preparado. Mesmo sem saber se o nosso tempo de dirigir surge. Nem quando, nem se. Pronto!


Atualização: este poste foi atualizado às 8:02 de 15-2-2016.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O amparo de Farinho




Revela Felícia Cabrita, no Sol, de 5-2-2016, que «Sócrates pagou a professor para 'ajudar' na tese e no livro». Um excerto:
«Domingos Farinho assumiu ao Sol ter recebido uma avença, paga por uma empresa de Carlos Santos Silva, para ajudar Sócrates na escrita da tese que esteve na base do livro. Mas, para o Ministério Público (MP), este professor catedrático e antigo assessor para a economia de Sócrates é o verdadeiro autor da obra.»
A reportagem concentra-se na autoria do livro «A confiança no mundo», de outubro de 2013. Mas o mais importante não é a autoria do livro, mas a autoria do mémoire de julho desse ano (tal como a sua licenciatura tirada na Farinha Amparo - como dizia Marcelo Rebelo de Sousa)muito provavelmente escrito em português e traduzido depois para francês por alguém que ainda não foi identificado. Quando surgir a acusação do processo Marquês, e a confirmar-se esse facto, é possível que seja extraída uma certidão para envio à Sciences-Po e às autoridades francesas para procederem em conformidade.


* Imagem picada daqui.