terça-feira, 1 de setembro de 2015

A misteriosa quinta da estrada de Janas (Sintra)

«Caíu o anjo, e ficou simplesmente o homem». 
Camilo Castelo Branco (1866). A queda dum anjo. Conclusão.

O mistério de uma quinta e a queda de dois anjos.


ABC (10-4-2005). Pórtico principal da Quinta dos Muros Altos. Janas, Sintra.


ABC (11-9-2005). Paisagem da Quinta dos Muros Altos. Janas, Sintra.
À esquerda, em baixo, vê-se o muro amarelo da quinta; ao longe o Palácio da Pena.


ABC (10-4-2005). Cruzamento da estrada de Janas. Sintra.


Vista de satélite da Quinta dos Muros Altos, Janas, Sintra - Google Earth, 2015.
Colori a área da quinta, cerca de 3 hectares, a rosa.


Acesso à Quinta dos Muros Altos. Estrada de Janas, Sintra.
Google Street View (jan/2010)
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A quinta situa-se por trás da vivenda designada Casa da Fonte.
A seta rosa, que coloquei, indica o acesso ao portão principal da quinta.


Em abril e setembro de 2005, investiguei o caso da Quinta dos Muros Altos, em Janas, Sintra, que uma fonte reputada me havia dito pertencer ao então primeiro-ministro José Sócrates.

Recordo que esta Quinta dos Muros Altos, situada a cerca de duzentos metros da estrada de Janas, em Sintra, havia sido objeto de uma reportagem de O Independente, em 9 de dezembro de 1994, «Investigação sobre as fabulosas casas de Duarte Lima - Casa cheia», sobre o surpreendente património do então todo-poderoso líder parlamentar social-democrata, reproduzida no blogue Rio das Maçãs, de Pedro Macieira (18-5-2014).



Desenho do pórtico principal-norte da Quinta dos Muros Altos, Janas, Sintra
Imagem reproduzida no blogue Rio das Maçãs, 18-5-2014
.
O pórtico construído, como se pode ver nas fotos que disparei, foi algo
 menos espampanante: não tem as janelas (!?...) previstas, é de cor
amarela clara e as colunas e bases de pedra da estrutura foram
substituídas por relevo pintado a branco.


Tratava-se, então, de uma quinta que, alegadamente, Duarte Lima havia agregado através da compra de seis parcelas, com a área de 30.900 m2. A quinta estava em nome de uma sobrinha do parlamentar advogado, Alda, e o procurador era o seu adjunto, Vítor Fonseca, cuja mãe era formalmente dona (e senhoria) de metade do seu enorme e luxuoso apartamento de cobertura da Avenida João XXI, em Lisboa. Como desculpa, Duarte Lima recuperou para a ribalta jurídica a figura do contrato de mandato, que alegadamente sua sobrinha teria de um empresário identificado como sendo das relações do deputado. Na queda destoutro morgado de Agra de Freimas, a elitista Lisboa não lhe perdoou, tal como não havia feito a sua némesis, o vice-presidente da bancada parlamentar do PSD, José pacheco Pereira. E o jornalista Batista Bastos denunciou-lhe, então, um faustoso nível de vida, aparentamente incompatível com o salário de deputado, numa sulfurosa crónica, no Público, onde descrevia uma lauta refeição solitária deste, ensopada em Barca Velha. Em maio de 2008, conciliação feita, o mesmo Duarte Lima apresentou um livro de crónicas de Batista Bastos que o identificou como «grande amigo» e um «homem que sabe discernir e divide o vago do que é significativo»...

Neste linque  é explicado caso da quinta, apontada em Nafarros:
«Entre 1993 e 1994, Lima comprou seis terrenos em Nafarros, Sintra, juntando-os numa única propriedade de três hectares. As escrituras foram feitas em nome de Alda Lima de Deus, uma sobrinha (que também não falou ao Expresso) sem rendimentos. As escrituras referiam 31 mil contos, mas, segundo uma investigação do jornal "O Independente", na altura terão sido gastos 141.500 contos com as compras. Quer Alda quer os vendedores tinham como procurador Vítor Fonseca, o homem de confiança do advogado. O arquiteto que desenhou os muros da quinta admitiu que foi Lima quem o contratou. O então deputado argumentou que a sobrinha representava um empresário do norte, que também não quis falar com o Expresso.» 
O assunto desembocou num processo judicial, arquivado em 1997. Duarte Lima foi forçado a demitir-se, mas o caso foi coberto com a patine do tempo que o arquiteto de renome pretendia simular na quinta, mediante um muro irregular e mal rebocado, de cor ocre. Apesar da marca de era no frontispício do pórtico principal ostentar a data da fortuna: 1994...

Em abril de 2005, fui investigar a informação, que me havia sido fornecida por uma fonte muito credível, sobre a dita quinta que José Sócrates havia alegadamente comprado ao seu amigo Duarte Lima.


ABC (10-4-2005). Detalhe do pórtico principal da Quinta dos Muros Altos. Janas, Sintra.

ABC (10-4-2005). Detalhe do frontispício do pórtico principal da Quinta dos Muros Altos.
Janas, Sintra.

Sem grande dificuldade, lá consegui identificar a Quinta dos Muros Altos (ou Quinta de Janas). Uma propriedade bucólica, assente num num planalto com o Castelo dos Mouros e a silhueta do palácio da Pena em pano de fundo. Três hectares de configuração irregular, cercados por um extenso muro de cerca de 2,5 metros de altura, alteado por um rede de galinheiro de um metro, convenientemente esticada, grampeada abaixo do cimo e defendida por um espesso corta-vento e hera, defendidos ainda por uma barreira de cedros interna. Cuidados invulgares para prevenir a vista para dentro do espaço, numa área de paisagem mal protegida, antes do aparecimento do Google Earth que tornou mais fácil aos serviços das câmaras municipais a identificação de construções clandestinas.


Dirigi-me, pelo acesso lateral oeste de uma casa designada por casa da Fonte, à entrada principal (norte) da quinta, um imponente pórtico, de estilo novecentista. O portão, verde, estava cerrado e a estrada de macadame sem rastos recentes e com erva alta. O aspeto que dava é de que o portão, e a porta lateral, não tinham sido abertos nos últimos meses. Note-se que José Sócrates anunciou a sua candidatura à liderança do PS, em 15 de julho de 2004, classificando o secretário-geral cessante Ferro Rodrigues como «um exemplo» e declarando: «aquilo que me anima é a vontade de servir Portugal».

Enquanto circundava a quinta pelo lado leste, com a câmara fotográfica mal disfarçada, cruzou-se comigo um carro, cujos ocupantes se riram, deixando pressentir que tinha acertado no alvo, que confirmei novamente com a fonte.

ABC (setembro de 2005). Pórtico secundário da Quinta dos Muros Altos. Janas, Sintra.


ABC (10-4-2005). Detalhe do muro da Quinta dos Muros Altos. Janas, Sintra.


Jamais iria entrar na propriedade, apenas tentar descobrir o que, se algo, de ilícito ali acontecia. Intrigado, procurei espreitar para saber se já se tinha iniciado a construção da casa, embora a fonte da informação me tivesse assegurado que tinha havido apenas obras de irrigação há largos meses. Era uma tarefa quase impossível, pois a quinta estava cerrada - e ainda não havia drones.

Todavia, no portão secundário (leste), descomunal face à estrada de macadame que bordejava o lado este da quinta, encontrei entre uns caniços, uma velha mesa metálica alta com tampo de tabopan. Experimentei a resistência do tampo da mesa, que estava húmido e meio descolado, e achei que serviria de suporte precário. Pus a câmara a tiracolo, encostei a mesa ao muro, e saltei para a rede de vedação, apoiando os pés no rebordo inclinado do muro. Puxei da máquina fotográfica, enquanto me segurava à rede com a mão esquerda e preparava-me para nesta posição desconfortável fotografar para o interior com o braço alçado, mesmo sem conseguir ver. Porém, num momento do diabo - e de Deus... -, antes que fizesse qualquer fotografia do interior (ou do céu...) o telemóvel, que tinha no bolso das calças, começou a tocar, interrompendo a placidez do local. Um cão começou a ladrar, parecendo do lado de dentro, e sem saber se havia lá gente ou não, temi alertar alguém da minha tentativa de espreitadela. Não conseguia desligar o telemóvel. Pulei apressado para cima da mesa, mas o tampo cedeu imediatamente. Aterrei com uma perna de cada lado da estrutura de metal da mesa, a dois dedos de perder a capacidade de mais descendência...

Perguntei depois na vizinhança a quem pertencia a quinta e disseram-me que lhes parecia ainda ser do Dr. Duarte Lima, mas que estaria à venda. Indicaram-me o intermediário, da zona, e telefonei-lhe, demostrando o meu  interesse. Confirmou-me que a quinta tinha sido «desse senhor» que indicara (o Dr. Duarte Lima), mas que agora pertencia a outra pessoa que não identificou. Não mencionei o nome de José Sócrates. Ajustámos um encontro para um sábado de manhã, mas decidi não comparecer: não me pareceu que confessasse que a quinta era propriedade do primeiro-ministro...

Tal como costumo, como não pude obter prova de que a quinta pertencia a José Sócrates e como a fonte não conseguisse obrter mais informação do que aquela que me havia dado, nada publiquei. Em 28 e 29 de janeiro de 2009, ainda publiquei fotos da quinta neste blogue, para ver se obtinha mais informação, mas nada surgiu. Nessa altura, forneci a informação a um jornalista. Apurou que a quinta havia sido de Duarte Lima, obteve até uma planta de localização, com a identificação das parcelas, mas foi impossível determinar o proprietário. Ficou o caso pendente.

Soube, agora, em 10-6-2015, pela revista Sábado, que o procurador Rosário Teixeira confrontou, no interrogatório de 27 de maio de 2015, José Sócrates com a alegada compra e propriedade, através de uma empresa offshore, da Quinta dos Muros Altos, em Janas, Sintra. Segundo o resumo do Observador, de 10-6-2015, sobre a transcrição do interrotório publicada pela revista, Sócrates negou não ser «íntimo» do seu amigo Duarte Lima e recusou qualquer ligação com a dita quinta ou offshore. Segundo o Observador, a Sábado, de 10-6-2015, explicava que o Ministério Público acredita que a quinta pertence mesmo a José Sócrates. Muito embora tenha alegadamente circulado, a propriedade da offshore dona da quinta, do seu primo José Paulo Bernardo Pinto de Sousa, aka «o Gordo» do processo Freeport - que parece ter sido seu operacional desde que José Sócrates assomou com «hiperbólico estrondo», tal como outro morgado da província, ao palácio de São Bento, como deputado do grupo da Cova da Beira (e depois ministro) -, ao construtor José Guilherme (o consulente do amigo mútuo Ricardo Salgado), a Joaquim Barroca Rodrigues (do grupo Lena)...

Não há bem que sempre dure. A hermética Quinta dos Muros Altos, em Janas, origem de dupla face, parece estar amaldiçoada: os seus alegados donos verdadeiros, Calistos deslumbrados por riqueza súbita, fausto desmedido e sucesso temporário, não chegam a fruir do seu sossego, da sua paisagem e do seu estatuto, «entre as aves e flores de Sintra»... Que adianta ao homem possuir o mundo inteiro, se vier a perder a sua alma? Como (de)terminava o narrador A.M.C., no «Mistério da estrada de Sintra» (1870), «o ser humano só pode ter a felicidade no dever cumprido».


Atualização: este poste foi emendado às 15:47 de 2-9-2015 (a data da 1.ª foto).

Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014) no âmbito da Operação Marquês, recluso detido preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora sob o n.º 44, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória, e não é, que se saiba, arguido no caso da Quinta dos Muros Altos, em janas, Sintra.
Domingos Duarte Lima, condenado, em 28-11-2014, pelo tribunal da 
7.ª Vara Criminal de Lisboa, a 10 anos de prisão efetiva no processo Homeland/BPN, pelos crimes de burla qualificada e branqueamento de capitais, em 28-11-2014, acusado pelo Ministério Público brasileiro pelo alegado homicídio de Rosalina Ribeiro, e arguido do caso de alegado desvio de dinheiro da herança do empresário Lúcio Tomé Féteira, pelos quais goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória, não é arguido ou suspeito de irregularidade ou ilegalidade no caso da Quinta dos Muros Altos, em Janas, Sintra ou noutros factos e alegações mencionadas nos casos mediáticos que comento.
As dermais entidades mencionadas neste poste, objeto das notícias dos média, que comento, não são arguidas ou suspeitas de qualquer ilegalidade ou irregularidade nestes casos.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Sócrates depois da cadeia de Évora

Quando. A questão é quando. Não se.

José Sócrates parecia esperar a libertação, através do recurso pendente, e por isso recusou a anilha na perna em 8-6-2015. Arriscou e... perdeu. E teve de amargar mais três meses de cadeia. Agora, neste início de setembro, inventará um pretexto qualquer para aceitar a perneira. Está preso há nove meses e é muito duro aguentar o craving numa cela. Vai sair a tempo de atrapalhar, como pretende, a campanha eleitoral de António Costa, saqueando-lhe o palco.

Eu, que compreendo a manutenção da posição do Ministério Público, preferia - já que não é possível prolongar a detenção preventiva até à sentença... - que José Sócrates ficasse em prisão domiciliária, em vez do grilhão da perneira: as TV teriam oportunidades de diretos e de reportagens frequentes à porta da nova casa, como o seu «amigo» Ricardo Salgado, ilustrados com a polícia de guarda, a registar quem entra e quem sai. Julgo até que é mais seguro para prevenir uma escapada do que correr, depois do alarme, atrás de alguém que cortou o grilhão. E não se despreze o perigo de fuga, atendendo ao seu caráter e ao precedente da sua amiga Fatinha Felgueiras (na sequência do chamado processo do saco azul): eu creio que Sócrates jamais cumprirá a pena de prisão, se a tal vier a ser condenado e ainda poderá dar entrevistas à distância nos meios favorecidos, como a sua ex-sócia, a partir do Rio, ou como o ex-primeiro-ministro Bettino Craxi, de Hammamet.

Sócrates não vai desperdiçar a oportunidade de sair da cadeia. Além de, cá fora, estar à vontade para consumir o que lhe agrade, o epicurista Sócrates - que não lida com cabras mas vende cabritos -, confinado ainda na tórrida Évora a uma cela asfixiante, à dieta forçada e ao fato de treino, vai poder receber toda a fauna do seu costume, dos fiéis caninos aos répteis esquivos, dos teimosos burros aos disponíveis camelos.

Sócrates precisa da liberdade para comandar a sua legião, estabelecendo em casa um quartel-general com ligação a oficiais de inteligência e de operações e a jornalistas de bolso. A sua estratégia compreende o ataque violento ao poder judicial (procuradores e juízes) e o restabelecimento do seu domínio sobre o Partido Socialista. Para tanto usará um feixe de ações táticas interligadas sobre a magistratura e os adversários no PS. Porque quer resolver politicamente o processo judicial e porque precisa de obter a imunidade de facto para recuperar o poder político-económico.

O primeiro objetivo do ex-primeiro-ministro é dissolver os seus processos judiciais com o ácido mediático e despedaçar as resistências judiciais com o apredejamento técnico-político pelas maçonarias. Assim, irá dirigir, a partir do seu coito, uma campanha insidiosa contra o juiz Carlos Alexandre, a procuradora-geral Joana Marques Vidal e os procuradores e polícias do processo. E poderá candidatar-se à eleição presidencial de janeiro de 2015 para, como se de uma imunidade judicial se tratasse, se montar no argumento da legitimidade democrática (mesmo que tenha um resultado inferior a 20%...) para invalidar os processos.

O segundo objetivo de Sócrates é vingar-se do abandono de António Costa, seu ex-número dois e a quem ofereceu a vitória, através de dinheiro e de votos, nas primárias socialistas de setembro de 2014. Costa é a pedra broeira que está no meio do seu caminho, a impedir-lhe retomar o controlo do PS. Notem-se as manobras preparatórias: o ataque biológico através do enxame composto pelos vetores habituais Rui Paulo Figueiredo, José Lello e José Junqueiro, no Público, de 22-8-2015; e a intoxicação química na Câmara Corporativa, de 24-8-2015 (citando um artigo de opinião de Manuel Carvalho, também do Público, em 23-8-2015). Nada de novo debaixo do sol flamejante.

É. Quanto mais Sócrates aquece, menos força tem o PS...


Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014) no âmbito da Operação Marquês, recluso detido preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora sob o n.º 44, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Cenários das legislativas de 2015


(Clique na imagem para aumentar).



Atualização: este poste foi emendado às 16:20 de 24-8-2015.

terça-feira, 18 de agosto de 2015

A tempestade perfeita do vaixiá Costa

Embora seja preferível a continuação da detenção, a previsível libertação - com perneira eletrónica... -, em 9 de setembro, de José Sócrates da cadeia de Évora após cerca de nove meses e meio de prisão preventiva, a menos de um mês das eleições legislativas de 5 de outubro de 2015, vai formar uma tempestade perfeita... Sócrates não vai fazer pagar ao mercador António Costa a traição deste: vai fazê-lo pagar a hesitação...

«È ancora stimato un principe, quando si comporta da vero amico e da vero nemico, cioè quando senza alcuno rispetto si scopre in favore di qualcuno contro qualcun altro. Questa decisione sarà sempre più utile che restare neutrale, perché, se due potenti tuoi vicini vengono alle mani, o sono di qualità che, vincendo uno di quelli, tu abbia a temere il vincitore, o no. In ambedue i casi ti sarà sempre più utile lo scoprirti e fare buona guerra. Nel primo caso, se non ti scopri, sarai sempre preda di chi vince, con piacere e soddisfazione di colui che è stato vinto, e non hai ragione né cosa alcuna che ti difenda né che ti dia protezione. Chi vince non vuole amici sospetti e che non lo aiutino nelle avversità. Chi perde non ti riceve, poiché tu non hai voluto correre la sua fortuna con le armi in mano.
(...) E li principi mal resoluti per fuggire e' presenti periculi, seguono el più delle volte quella via neutrale, e il più delle volte rovinano.»  
Machiavelli, Niccolò 1532 (escrito em 1513). Il Principe, Firenzi. Cap. XXI (tradução brasileira). (Realce meu).


Atualização: Este poste foi emendado às 0:33 de 21-8-2015.

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Filho de Júlio Pereira critica os «envelopes» de Sócrates


O candidato pelo círculo de Fora da Europa do PS às eleições legislativas, de outubro de 2015, e líder do partido em Macau, Tiago Pereira, filho do secretário-geral do SIRP (Sistema de Informações da República Portuguesa), Júlio Pereira, criticou, forte (agora...) e feio (habitual!) José Sócrates, no telejornal da TDM -Televisão de Macau, em 7-8-2015. O ex-primeiro-ministro que entronizou o seu pai como chefe das secretas, onde ainda se mantém - malgré tout!... - devido ao receio do primeiro-ministro Passos Coelho.

O meu amigo Vitório Rosário Cardoso, noticiou o facto e partilhou o video com a transcrição de um excerto signficativo do diálogo de Tiago Pereira com o surpreendido apresentador socialista da TDM:
«Candidato PS - As atitudes que nós conhecemos que o Eng. José Sócrates cometeu - vindo de um ex-Primeiro-Ministro -, são atitudes que não nos dignificam, a nós todos.
Jornalista - Que atitudes, exatamente, está a referir-se?
C - Ao movimento com quantias avultadas, em envelopes.
J - Mas isto está provado?
C - Algumas estarão, de facto, comprovadas porque, da parte da defesa, pelos vistos, já houve alguma confirmação... Já houve confirmação. São atitudes que não dignificam os portugueses em geral e se calhar... Se calhar... Ou com toda a certeza, os socialistas em particular.»

Desnorteado perante golpes sobre o moribundo Sócrates e contragolpes de envolvidos ainda não aprisionados, o costismo caminha para a Prayopavesa (eutanasia hindu).

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

A tolerância cúmplice da violência do Islão




Recomendo a franca e corajosa crónica «A cotovelada islâmica», de Maria João João Marques, no Observador, de 12-8-2015, referente às alegadas duas cotoveladas no nariz que o sheik David Munir da Mesquita Central de Lisboa, terá dado a sua esposa, em 4-8-2015.

A principal causa da tolerância da violência do Islão é o seu branqueamento pela esquerda burguesa anticatólica e a cobardia dos instalados no mundo externo ao cinturão muçulmano. Tolerância da violência pessoal e social, com destaque para o tratamento desumano das mulheres, dos crentes de outras religiões e dos não crentes. E tolerância da violência geopolítica, com a expansão sempre através da guerra (as «bloody borders», que Samuel Huntington cunhou, em 1993, no seu Clash of Civilizations).

Uma violência intrínseca, a carecer, em qualquer caso, de uma reforma que exceda a desmontagem dos conceitos, desde a jîhad ao paraíso das 72 virgens de olhos negros (ou «uvas brancas»...) que aguardam o shahid (mártir) que mate pela fé. O conceito islâmico da shuhada é inspirado no conceito do mártirio dos cristãos (sacrifício em nome da fé), mas este não alcança o paraíso pelo suicídio nem pela morte dos outros... Mas o conceito de «Islão moderado» é um oxímoro.

Ao contrário do Cristianismo, com o Novo Testamento, no Islamismo, a violência matricial do Corão (que surgiu em 632 d.C...) foi agravada nos Ditos (Hadith) posteriormente atribuídos ao profeta e é radicalizada no fundamentalismo bárbaro de hoje. Remeto para o meu poste de 2014 «À espera dos bárbaros». Uma violência que não se detém na recuperação dos lugares santos (como as Cruzadas), mas que é o processo padrão de conquista universal e de instauração global do califado totalitário.

Na denúncia da violência do Islão merece o maior relevo o Papa Bento XVI, com o seu discurso «Fé, razão e universidade: recordações e reflexões», de 12-9-2006, na Universidade de Regensburg, no qual citou o imperador bizantino Manuel II Paleólogo (1391):
«Mostra-me também o que trouxe de novo Maomé, e encontrarás apenas coisas más e desumanas tais como a sua norma de propagar, através da espada, a fé que pregava».
A resignação com a violência do Islão, como se o multiculturalismo não tivesse de respeitar a dignidade humana, constitui uma cumplicidade criminosa.

segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Ó Ricardo Salgado, quanto do teu sal são lágrimas socialistas!


Mário Soares visitou Ricardo Salgado em sua casa, onde está detido preventivamente - conta o Sol, de 7-8-2015. Soares deve temer que Salgado, o banqueiro dos socialistas, desobedeça à sua ordem, no ionline, de 6-10-2014, quando este andava a gotejar, para jornais estrangeiros (como o Wall Street Journal, de 4-9-2014), notícias comprometedoras sobre o regime: «Ricardo Salgado, de quem sou amigo, está calado e muito bem»...


* Imagem picada daqui.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): Ricardo do Espírito Santo Silva Salgado, indiciado, em 24-7-2015, por «burla qualificada, falsificação de documentos, falsificação informática, branqueamento, fraude fiscal qualificada e corrupção no sector privado»,  objeto das notícas dos média, que comento, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O Luís Botelho Ribeiro vive!


O Luís Botelho Ribeiro faleceu, no primeiro de agosto de 2015.

Dizem que parte cedo quem Deus quer mais. O Luís transitou, aos 47 anos, para outro estado de graça. Mas permanece entre nós. O meu professor Adriano Moreira afirmava que os cemitérios estão cheios de gente insubstituível... Todavia, não creio que o Luís seja substituível. Nestes anos de miséria moral, o Luís é um dos portugueses de maior valor.

O Luís é meu Amigo. Todo o homem, mesmo o ateu, não acredita que no último suspiro se acaba a vida. Se nós, cristãos e crentes de outras religiões, entendemos que a vida não termina, mas apenas recomeça na morada celeste, noto que os ateus e agnósticos também ficam  com os seus mortos como companheiros das suas jornadas, não apenas como memória terna, mas como presença imanente. Como sentia o poeta colombiano Antonio Muñoz Feijoo (1851-1890): «muertos que en el mundo viven»... Por isso, o Luís vive!

Moral, cristão, crente, cidadão, patriota, professor, reto, corajoso, indobrável, humano, bom e humilde. Podia continuar a desfilar adjetivos pelo seu epitáfio que não lhe configurava a grandeza. É muito maior quem é humilde. O Luís tinha um modo nortenho, rijo e ao mesmo tempo carinhoso, de ser. Vivia como quem depura a alma do pecado e aperfeiçoa a moral como sentido de pensamento e de ação. Sabendo que nessa simplicidade radical se alcançam os consequentes feitos.

Professor na Universidade do Minho, na Guimarães núcleo geo-histórico do País, doutorado em Engenharia Eletrotécnica, escritor, músico e político. 

Político no sentido de dedicado à coisa pública. Mas homem de um só rosto e de uma fé, que não era da corte dos palácios sujos. Campeão da luta a favor da vida, e por isso contra o aborto e a eutanásia, fundou, em 2009, o partido Portugal Pro Vida, que está em mudança para Cidadania e Democracia Cristã. E foi precandidato à Presidência da República em 2010. Militou há muito tempo no PSD, mas afastou-se, com repulsa das práticas caciquistas. Manteve-se independente dos jogos de representação da causa da vida, em que PSD e CDS instrumentalizam um representante, mais ou menos dócil, da causa para mostrar ao eleitorado que são antiaborto, enquanto negam a adoção de medidas a favor da vida e da família. Porém, apoiava as várias iniciativas, mesmo se lhe aborrecia a natureza promíscua de algumas com o poder político.

Conheci o Luís durante a luta contra a rede de abusos sexuais de crianças da Casa Pia, que também lhe horrorizava. Sempre me apoiou nesse combate. Depois, enquanto professor de Engenharia, foi um suporte essencial do desmascarar da licenciatura manhosa do então primeiro-ministro Sócrates, na identificação das cadeiras que lhe faltavam (oito!) para concluir regularmente a licenciatura em Engenharia da Universidade Independente. E colaborou comigo na tentativa, discreta mas ativa, de mudança da Igreja em Portugal, que ficou a meio, na habitual conformação com o poder político de turno, mesmo maçónico e corrupto.

Tivemos longas conversas sobre a melhor forma de exercer a política em Portugal e seguimos caminhos diferentes, embora irmanados dos mesmos princípios e dirigidos aos mesmos fins.

Eu acreditava que o único caminho viável era a luta dentro dos partidos; e daí eu ter tentado fazê-lo dentro do PSD (onde não tive qualquer cargo e não fui candidato a nada) até ter concluído que era não era possível a transformação - e saí. Para além de tentar a via organizativa do Movimento para a Democracia Direta, para a mudança dos partidos que teve consequência mitigada em eleições primárias no PSD e PS, e o Luís até me convidou para explicar a ideia, com a qual concordava, da democracia direta no Centro Académico Vimaranense, em novembro de 2007. O Luís cria que a luta dentro dos partidos - tinha tentando no PSD também, em Paredes - não teria resultado neste ambiente maçónico putrefacto do pântano político do Portugal atual e tentou a via da criação de um novo partido. Todavia, foi bloqueado pelo filtro dos média e também - importa dizê-lo - pela falta de apoio da Igreja. Nem o meu caminho resultou, nem o dele. Contudo, continuámos a tentar a luta pelos meios disponíveis, e mantê-la-emos, em espírito e verdade, nesta vida, enquanto Deus quiser, e na outra, cuidando.

Atingido pela leucemia, contra a qual lutou com coragem e sacrifício cristão, ainda a semana passada me telefonou. Perguntei-lhe pela oportunidade do transplante, mas senti-o muito frágil e contou-me que a doença tinha tido um retrocesso. Porém, acrescentou com piedade, que seria como Deus quisesse, corajoso face à morte, como sempre foi face à vida. Convidou-me para encabeçar a lista de Leiria do PPV/CDC às próximas eleições legislativas de outubro de 2015. Expliquei-lhe o que já lhe tinha repetido. Disse-me que não era um pedido o que me fazia, mas um imperativo moral a que eu devia atender. Que não aceitava já um «não» e que refletisse durante durante dois dias. Reflexão que aceitei fazer, ainda que soubesse que não podia aceitar. Já não pude dizer-lhe que não porque não tinha coragem para tanto. Então, ficou, entre nós, a mesma comunhão que sempre tivemos. Até sempre, Irmão!

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Nicolau Santos: «Eu convidava Ricardo Salgado para a minha mesa»

Expresso Diário, n.º 310, de 18-7-2015

Um leitor atento avisou-me que o diretor-adjunto do Expresso, Nicolau Santos, publicou no Expresso Diário, em 18-7-2015, sexta-feira, uma crónica intitulada «Eu convidava Ricardo Salgado para a minha mesa», mas que horas depois se esvaneceu do sítio. A crónica era relacionada com um talheraço (uma palavra, que cunho, a partir da palavra castelhana cacerolazo) no restaurante Panorama, no Guincho, que teria forçado o banqueiro a abandonar o local, um alegado incidente referido, sem data, pela jornalista Margarida Bon de Sousa, no ionline, de 13-7-2015.

Clicando no url aparece a mensagem: «Página não encontrada». No Facebook (aqui e ali) e no Google só ficou o rasto do título. Desapareceu!... Foi o facto de Ricardo Salgado ter sido convocado para ir depor no DCIAP, na segunda-feira, dia 20-7-2015, ou apenas mais um artur-batista-da-silva que se lhe deu?...


Pós-texto (14:02 de 31-7-2015): um comentador indica-me que a crónica voltou a estar em linha. Parece que sim, embora protegida por uma paywall. Doze dias depois.


Atualização: este poste foi emendado às 22:03, de 1-8-2015.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

As trocas-baldrocas de Dieb, Cresap e Governo, na escolha do presidente da ADC



Conforme se preanunciou, em 13-7-2015, o sociólogo Dr. António Dieb, que liderava a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo, foi nomeado pelo Governo como novo presidente do Conselho Diretivo da Agência para o Desenvolvimento e Coesão (ADC), que coordena os fundos europeus, e tomou posse do cargo hoje, 29-7-2015. Publico o despacho de nomeação, assinado pelo ministro Miguel Poiares Maduro.

Trata-se de uma nomeação governamental que não é embaraçante porque é... vergonhosa. Vergonhosa para a Comissão de Recrutamento e Selecção para a Administração Pública (CRESAP), vergonhosa para o Governo e, eventualmente, vergonhosa para o próprio.

Vergonhosa para a CRESAP, organismo da administração pública encabeçado pelo Prof. João Bilhim,  porque foi aviltante (ver Público, de 24-7-2015) o processo de escolha dos três candidatos submetidos ao executivo para escolha do presidente da ADC. Um processo em que o cinzel da organização ajeita a pedra bruta, de acordo com as medidas do esquadro e o compasso, na linha das diretrizes do Governo, e que é revelador da verdadeira natureza e do efetivo funcionamento deste órgão. Uma comissão criada com objetivos bem definidos na lei, mas que não evita a imagem de que serve, em última instância, para hissopar (?) os candidatos escolhidos pelo Governo para os cargos que o poder entenda como seus. Neste caso, merece contestação a seleção pela CRESAP, nomeadamente na pontuação atribuída, a cada um dos elementos da short list, para lá dos candidatos que ficaram de fora,

Vergonhosa para o Governo, face aos curricula dos candidatos apresentados pela CRESAP em comparação com o currículo do Dr. António Dieb: o da Dra. Maria Rosa Sá e o do Prof. Norberto Pires. Uma escolha provavelmente a cargo do marcoantonio-relvista secretário de Estado Manuel Castro Almeida. Mas que constitui um (em)baraço para o académico que é o Prof. Doutor Miguel Poiares Maduro. Porque é o ministro Poiares Maduro - que creio ser, endocrinamente, um homem honesto - que assina o despacho de nomeação - e que sabe, na sua consciência, quem nomeou, quem excluíu, porquê e para quê. Mesmo de partida do Governo e da política, para onde veio com vontade de isenção, mas que depressa foi engolfado pela máquina sistémica do poder negro marcoantonico-relvico.

E, eventualmente, vergonhosa para o próprio Dr. António Dieb, pelas trocas-baldrocas dos seus currículos ter de ser exposta na polémica da sua nomeação para presidente da ADC.

Explico.

Os curricula do Dr. António Dieb parecem ter uma geometria variável, num vai-vem sem coerência cronológica:
  1. No currículo que apresentou ao concurso para presidente da ADC, em maio de 2015, o dr. António Dieb refere (p. 14) possuir, para além da licenciatura em Sociologia, poela Universidade de Évora, uma «Pós-Graduação» na mesma universidade, que designou como «Curso de Especialização em Gestão de Recursos Humanos» e também «Curso de Especialização no âmbito do Mestrado em Gestão, na área de especialização Recursos Humanos, tendo obtido a classificação de 15 valores» e com «Data de conclusão: Julho 2009 (5 anos)». O quê?
  2. O Dr. António Dieb, em 16-7-2015, no Despacho n.º 8098-B/2015, refere possuir o «Curso de Mestrado/Especialização em Gestão de Recursos Humanos (2009)». Parecem dois cursos, mas será apenas um - a parte curricular do mestrado em Gestão com especialização em Recursos Humanos. Se fornecem dois diplomas (sic) é lá com a UÉvora, embora não lembre ao diabo, certificar uma especialização quando as cadeiras que a constituem fazem parte do próprio plano de estudos do mestrado, sem a qual estar concluída (esta ou outra especialização) a parte curricular fica incompleta.
  3. O Dr. Dieb apresentava-se no seu currículo, em 31-10-2014, com o «Curso de Mestrado em Gestão de Recursos Humanos, pela Universidade de Évora». A alínea a do n.º 1 do Decreto-Lei n.º 115/2013, de 7 de Agosto,  esclarece que «curso de mestrado» é um «curso de especialização, constituído por um conjunto organizado de unidades curriculares, denominado curso de mestrado, a que corresponde um mínimo de 50% do total dos créditos do ciclo de estudos». Ou seja, o Dr. Dieb terá apenas a parte curricular do mestrado, pois não terá apresentado dissertação, e não possui por isso o Mestrado, não é mestre.
  4. em 19-12-2014, no currículo sumário (p. 27) - ver fac-simile abaixo - na apresentação dos Programas Operacionais do Portugal 2020 , o Dr. António Dieb se dizia «Mestre em Recursos Humanos» - o que veio a perceber-se não ser verdade.


  5. Porém, em 17-12-2012, no Despacho n.º 2776/2012, em que foi nomeado presidente, em regime de substituição da Comissão de Coordenação Regional do Alentejo, o Dr. Dieb surge com «Curso de mestrado em Gestão, especialização em Recursos Humanos (conclusão componente letiva), pela Universidade de Évora». O que condiz com as habilitações que obteve e é rigoroso, pese se o decreto-lei é equívoco entre «curso de mestrado» e «mestrado»... Não indica, contudo, a data em que concluíu essa parte curricular do mestrado.
  6. E em 1-12-2014, no Despacho n.º 15009/2014, que o nomeou presidente da CCRAlentejo por um mandato de cinco anos, aparece com um «Curso de Pós-Graduação em Gestão de Recursos Humanos pela Universidade de Évora», datado de 2009. Porque desceu o Dr. António Dieb da designação «curso de mestrado em Gestão, com Especialização em Recursos Humanos», que mencionou em 17-12-2012 (e 31-10-2014 - «Curso de Mestrado em Gestão de Recursos Humanos», para a designação «Pós-Graduação em Gestão de Recursos Humanos», em 1-12-2014? 

A gestão dos fundos europeus do Portugal 2020 (o acordo de parceria entre Portugal e a União Europeia sobre a utilização dos fundos comunitários) correspondentes a cerca de 25 mil milhões de euros que o País receberá até ao ano 2020, devia estar confiada a quem possua o currículo científico, técnico e a experiência de gestão, adequados e evidencie a capacidade de resistir a pressões dos grupos de interesse enrolados no poder político, de modo a beneficiar exclusivamente o povo e a incrementar o progresso do país.

Do setor patriótico não se espere nenhuma bênção de comportamentos impróprios pelo Governo, muito menos a manutenção do sistema negro de distribuição de fundos comunitários pelas larvas do poder. Não confundimos o inimigo, mas na nossa trincheira não admitimos o mesmo que combatemos.


Limitação de respoonsabilidade (disclaimer): as entidades mencionadas nas notícias dos média, que comento, não são arguidas ou suspeitas do cometimento de qualquer ilegalidade oui irregularidade neste caso.

terça-feira, 28 de julho de 2015

O poleiro de Vieira da Silva

à saída do restaurante «O Poleiro», em Lisboa, 14-9-2012 (CM, 18-9-2012).


Repuxando uma fotografia inolvidável para completar a explicação de que costismo e socratismo são la stessa cosa: o registo de uma reunião discreta do estado-maior de Sócrates, em 14 de setembro de 2012, na véspera da manifestação contra a troika cuja vinda o socratismo provocou.

Se Costa queria cortar realmente com Sócrates, Vieira da Silva, estratego e organizador do socratismo, da sua política despesista, do seu controlo do aparelho de Estado e do seu poder negro totalitário, seria ostracizado. Mas a manutenção de Vieira da Silva no poleiro confirma que costismo e socratismo são la stessa cosa.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Crime e castigo

Estes dois postes do José da Porta da Loja - «A bataglia de Ricardo Salgado pela honra perdida» e «Os sindicalistas PS(P)» - merecem amplificação e comentário.

É evidente a campanha orquestrada para atacar o juiz Carlos Alexandre por ter decretado prisão domiciliária a Ricardo Salgado em vez de... perneira eletrónica. A velha tática da fulanização, de redução do inimigo a um só indivíduo, para derrotar a causa. Todavia, o juiz Carlos Alexandre não tem culpa neste cartório. Portanto, a orquestra deve procurar outro bombo.

O ataque imediato, ancorado nos sindicalistas policiais de coro, de que o juiz compromete a segurança da população de Cascais, e desperdiça dinheiro público, ao mandar vigiar a casa de Ricardo Salgado e controlar as suas visitas, acaba por embaraçar a polícia. É que nunca ouvi os mesmos sindicalistas a insurgirem-se contra a vigilância permanente das casas de Nafarros e do Vau (para lá do apartamento de Lisboa) do ex-presidente Mário Soares. Sem falar nos serviços gratificados (contratação de polícias para serviços privados) que esses não parece prejudicarem a alocação de agentes à segurança de todos...

Afinal, revelou Mariana Oliveira no Público, de ontem, 26-7-2015, que o Ministério Público apenas pediu a proibição de Ricardo Salgado se ausentar do país e o contacto com outros arguidos. Constrangido pela discordância do Ministério Público e pela interpretação que um tribunal superior fizesse dessa divergência, na iminência de um habeas corpus que libertasse Salgado até desta prisão domiciliária e perante informação de venda e de transferência de património para o Brasil que pode indiciar perigo de fuga de Ricardo Salgado, que também possui nacionalidade de um país que não extradita nacionais (o Brasil), eventualmente até perante alguma justificação cardíaca (pacemaker?) do banqueiro de 71 anos que impedisse a aplicação de perneira eletrónica, o juiz de instrução Carlos Alexandre decide-se pela prisão domiciliária com vigilância da polícia e controlo das visitas. Salgado está preso.

Poderia o juiz ter decretado prisão preventiva a Ricardo Salgado? Poderia, sob risco de a sua decisão ser revogada por tribunal superior. Todavia, penso que no atual clima de alarme social, seria difícil ao tribunal superior mandar libertar Salgado da prisão preventiva, com perigo de fuga para o Brasil.

Em qualquer caso, é uma pena esta segunda decisão do Ministério Público de não pedir a prisão preventiva de Ricardo Salgado. O que menos precisamos é que o Ministério Público fique numa posição frágil perante o público, entendido pelos socratinos como tendo dois pesos e duas medidas. Ainda que Ricardo Salgado seja desde sempre o banqueiro dos socialistas e partner de Sócrates em vivos negócios lúlicos. Não pode perpassar a ideia de que o Ministério Público português teme a queda do regime se Ricardo Salgado for posto na prisão-prisão e decidir abrir a boca sobre financiamentos e negócios de Estado. E não interessa que eu e o setor patriótico pense que não é assim; o que interessa neste momento para a eficácia da justiça é o que o público pensa.

A cisão entre o Ministério Público e a magistratura, neste caso, é muito perigosa.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): Ricardo do Espírito Santo Silva Salgado, indiciado, em 24-7-2015, por «burla qualificada, falsificação de documentos, falsificação informática, branqueamento, fraude fiscal qualificada e corrupção no sector privado», e os demais arguidos nestes processos, objeto das níticas dos média, que comento, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014) no âmbito da Operação Marquês, recluso detido preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora sob o n.º 44, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória, e não é arguido ou suspeito de ilegalidade ou irregularidade neste caso.

sábado, 25 de julho de 2015

O caso de Ricardo Salgado perante a justiça

Ontem, 24-7-2015, Ricardo Salgado esteve a ser inquirido durante 12 horas, novamente, pelo juiz Carlos Alexandre, na sequência de pedido do procurador Rosário Teixeira para agravamento das meninas de coação, no âmbito da investigação judicial, através de cinco inquéritos autónomos e 73 inquéritos ao «Universo Espírito Santo», relativas à suspeita dos «crimes de falsificação, falsificação informática, burla qualificada, abuso de confiança, fraude fiscal, corrupção no sector privado e branqueamento de capitais». Foi-lhe aplicada, entre outras obrigações ainda não conhecidas, a obrigação de permanência na sua habitação, e constituídos arguidos seis indivíduos. O motivo consta ter sido a Polícia Judiciária ter descoberto, na sede da Essegur, empresa de segurança do grupo Espírito Santo, «inúmeros documentos e centenas de quadros»: Lembre-se que as autoridades judiciais já haviam determinado o arresto dos bens do líder do Grupo Espírito Santo e apreendido aqueles que conseguiram encontrar.

Com toda a humildade e no desconhecimento dos factos já apurados, digo que, tendo em conta os indícios publicados, a amplidão do seu poder, o mal qua causou ao País, o terramoto financeiro que originou com custos ainda por calcular em toda a sua dimensão nacional e internacional, e o seu envolvimento em grandes negócios escandalosos de Estado, esperava que fosse pedida, e decretada, a prisão preventiva. A prisão preventiva não é uma pena, mas uma medida de coação, e isso não é bem percebido pelo povo. Mas esta medida de coação é muito leve em face da gravidade dos atos indiciados - isso o povo vê e ouve, e a justiça não pode ignorar. Não se pode comparar o roubo de cêntimos com o desvio de milhares de milhões que tem a consequência de um efetivo genocídio (suicídios de insolventes da classe média, morte de doentes por cirurgias adiadas e falta de dinheiro para comprar fármacos e ir a consultas médicas, abortos por falta de condições financeiras), além de famílias destroçadas, fome, abandono de instrução, pobreza, perda de bem-estar, emigração.

Não sou jurista, mas não ignoro o constrangimento da tecnicalidade corrupta da lei, que ata as mãos dos magistrados., e que o José da Porta da Loja costuma explicar. Além disso, não conheço a tática processual, que parece estar a resultar no caso de Joaquim Barroca Rodrigues (do grupo Lena) e, talvez, de Carlos Santos Silva. Admito que Ricardo Salgado colabore nas questões que lhe são formuladas de modo a evitar a prisão preventiva. Mas Ricardo Salgado parece ter a atitude de need-to-know-basis em vez de full disclosure que deveria apresentar, por exemplo, na revelação dos negócios de venda da Vivo e de compra da Oi, o esclarecimento da sua operação Ongoing, e a santificação de denaro sporco através de títulos especulativos de dívida pública do IGCP.

Mais ainda, entendo que é necessário a aplicação, em Portugal, da política carcerária brasileira para os poderosos da operação Lava Jato (como Marcelo Odebrecht), igualitária face aos demais detidos. O povo não compreende os privilégios que são concedidos, a Sócrates na cadeia de Évora, como máximo exemplo de desigualdade e interferência,  na prisão face aos outros detidos naquela e noutras prisões portuguesas. Só o rigor das condições de detenção leva os poderosos envolvidos a cantar como canários, a exemplo do método usado no maxiprocesso da Máfia italiana.


* Imagem picada daqui.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): Ricardo do Espírito Santo Silva Salgado, e os demais arguidos nestes processos, objeto das níticas dos média, que comento, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

A troika socialista




Os culpados da austeridade que o povo sofreu no estômago é esta troika socialista: o carrasco Sócrates, o arquiteto do cadafalso Vieira da Silva e o esbirro Teixeira dos Santos. Não a outra, constituída por necessidade dessa bancarrota do Estado que provocaram: Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o FMI. Foram eles que deixaram o país na falência, como protetorado dos credores, e arruinaram as famílias portuguesas.

No entanto, tiveram sortes diversas: Sócrates recolheu ao calabouço de Évora, Teixeira dos Santos abrigou-se na universidade, mas Vieira da Silva é candidato a deputado pelo PS por Santarém... como cabeça de lista!...

Enquanto isso, Ferro espreita a oportunidade de ser candidato presidencial (ou em alternativa presidente da Assembleia da República) do costa-socratismo, danado com o lançamento de Maria de Belém pela fação segurista. A escolha dos cabeças de lista às eleições legislativas de 4 de outubro de 2015 permite perceber a definição do desejado governo. A fação ferrosa pretende colocar: Margarida Marques (mulher de Porfírio Silva, este o veículo de Paulo Pedroso para a entrada no PS) como ministra da Educação, expondo-a como cabeça de lista, por Leiria; Ana Catarina Mendes (mulher de Paulo Pedroso), cabeça de lista por Setúbal, como ministra da Segurança Social; e Vieira da Silva na Economia, se o não puder ser das Finanças...

Como diria Clausewitz (Von Kriege, Cap. I, § 24), o costismo é a continuação do socratismo por outros meios, mais subtis. La stessa cosa.



* Imagem editada daqui, dali e dacolá.