sexta-feira, 13 de maio de 2016

Peste e CIG

O Presidente da República chamou «voz... quase aberrante» (audio) a Catarina Martins, em 11-5-2016. Vai também ser processado, por delito de opinião, pela Comissão para a Cidadania e Igualdade do Género («CIG»!...), tal como Pedro Arroja que classificou como «esganiçadas» as deputadas do Bloco de Esquerda, em 10-11-2015, no Porto Canal, tendo de responder em inquérito-crime por alegada «incitação á discriminação» sexual?... «Aberrante» não é muito mais politicamente incorreto do que «esganiçadas»?!...

A Comissão para a Cidadania e a Igualdade do Género (sic) está integrada na presidência do Conselho de Ministros, do Dr. António Costa. A composição da Secção das ONG do Conselho Consultivo da CIG é tão politicamente enviesada como a ideologia do género que agora lhe subjaz. A maioria das organizações que cuidam da cidadania e que trabalham na defesa das mulheres não faz parte, à exceção das inevitáveis Caritas e Oikos. Mas a representatividade dos organismos que pertencem a esta lista das ONG do Conselho Consultivo da CIG é ainda mais elucidativa: da Associação Cultural Moinho da Juventude (da Cova da Moura) ao Chapitô, passando pela Moura Salúquia (Associação de Mulheres do Concelho de Moura) até ao Dress for Success Lisboa.

* Imagem picada daqui.

domingo, 8 de maio de 2016

Eutanásia estatal

A poupança na limpeza dos aparelhos e condutas de ar condicionado dos hospitais, e a negligência dos procedimentos de segurança face aos doentes durante a limpeza, que provocam a transmissão de vírus e bactérias resistentes a doentes mais enfraquecidos, tornou-se uma forma estatal de eutanásia. Os doentes morrem, os hospitais não pagam indemnizações porque a prova do local do contágio é muito difícil e o Estado diminui a despesa com pensões... A morte rende.

Os (ir)responsáveis sabem muito bem o que se passa, mas impõem decisões que custam vidas.

É por causa de fenómenos como este que clamo que a corrupção mata. O adiamento da limpeza dos sistemas de ar condicionado dos hospitais, e a negligência nos cuidados com os doentes durante esses procedimentos, é um resultado da poupança na despesa da saúde, motivada pelo roubo do Estado, através de comissões nos contratos empolados e de obras e serviços redundantes.

Uma boa causa pública seria instar o Governo a cumprir com estes cuidados.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

O caso do Colégio Militar, o PS e a pedofilia

O que subjaz à polémica da intolerância do Colégio Militar face à homossexualidade (e heterossexualidade...) praticada intramuros é a atitude do PS perante a pedofilia. A  doença infantil do socialismo recidivou.

Num colégio interno militar, o que normalmente se procura prevenir, e reprimir, acima de tudo, não é a inclinação homossexual de qualquer criança, ou adolescente, por outras da mesma idade, mas o eventual abuso sexual de menores impúberes por alunos mais velhos pedófilos camuflados ou pessoal tarado indetetado. É isso que está em causa e que os militares e os demais cidadãos de bem não podem consentir. O Colégio Militar não pode degenerar numa Casa Pia II.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Eunucos

Em tempo de meditação, dou com dois versos de Ruy Cinatti (em 31-5-1974...):
«Porque há-de sempre haver uma "esquerda" festiva
A festejar uma "direita" moribunda?»
Em contraste com este povo dominado por «sucialeiros/maus pedreiros» e pela promiscuidade dos «meias-direitas» (idem), a direita brasileira combate para mudar o regime corrupto.

Por aqui, ribomba, num ambiente de ócio e de corrupção, o sacrifício ritual da eutanásia, do aborto, da adoção homossexual, do casamento homossexual, da ideologia do género Preparam-se causas novas, como a miscigenação das casas de banho públicas, a liberalização do plantio de drogas e a criação de clubes de consumo de estupefacientes - embora a louvada política liberalizadora, lançada em 2001, não tenha feito baixar o consumo e aumentem os casos de esquizofrenia... E, incorrigivelmente, na recidiva da doença infantil do socialismo, se volta a promover a pedofilia e se tolera o abuso sexual de crianças.

Mais além, determina-se, e manda-se publicar, que é obrigação da direita apoiar as políticas que são adversas aos seus valores, ao trabalho, à economia e ao futuro social do País.

Não existe outro caminho senão trabalhar patrioticamente pela mudança. Com quem queira. E, se não houver, mesmo sozinho.


* Imagem picada daqui.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Emaús



Passou o dia da Páscoa, mas não passa a Páscoa das nossas vidas. Em cada dia nos sentimos morrer; e em cada dia ressuscita o nosso ânimo. Vida e morte relacionadas com a fé. Desesperar é morrer. Viver é acreditar.

No caminho de Emaús, que é a nossa vida, Jesus acerca-se de nós e não O vemos. Vem de súbito, no meio da rotina sombria e do cansaço letárgico que nos enfraquece as horas, mas não O sentimos. E ainda lamentamos, «pobres de inteligência e lentos de espírito», que nos tenha abandonado. Não. Sob outra forma, Cristo acompanha-nos e, piedosamente, revela-Se. 

Ainda que o mundo, na escuridão, esteja à beira de mais um abismo, e a sociedade instável como um prato de comida prestes a tombar, enquanto os homens se queixam, no que se chamou Ocidente, dos próprios bezerros de ouro que adoram, Cristo continua a apontar-nos o caminho.

Não há, nem pode haver, descanso para a peregrinação da vida. E é neste ocaso social que devemos procurar os sinais de esperança. Para reviver.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Como está o inquérito no DCIAP sobre as PPP rodoviárias?

A notícia de hoje, 5-4-2016, sobre a conta Paulistinha - no âmbito do escândalo Panama Papers (na vertente portuguesa, 244 offshores e 34 beneficiários/donos portugueses, ou prête-nons) - de alegados subornos, no valor de 750.000 euros pagos pela construtora brasileira Odebrecht relativas ao negócio de edificação da barragem do Alto Sabor, durante o I Governo Sócrates, e já em investigação no processo Marquês, obriga a recordar o inquérito no DCIAP sobre a corrupção nas parcerias público-privadas rodoviárias no valor de milhares de milhōes de euros. Em que ponto está esse inquérito que incide sobre um dos motivos da crise financeira que afundou o País durante o socratismo e provocou tantas mortes (suicídios, cirurgias e tratamentos adiados por falta de dinheiro) dor e perda de bem-estar ao povo?

segunda-feira, 4 de abril de 2016

A queda de Sócrates

Depois de uma pausa por motivos académicos, é hora de voltar ao trabalho cívico.

O levantamento, em 3-3-2016, da vergonhosa censura sobre o grupo editorial do Correio da Manhã, Sábado e CMTV relativamente a notícias sobre José Sócrates do processo da Operação Marquês permitiu o conhecimento de factos gravíssimos do ex-primeiro-ministro no controlo dos média, nos negócios, na encomenda de produtos e na distribuição desbragada de dinheiro - ver CM, de 5-3-2016, 12-3-2016 e 19-3-2016. A revelação de conversas de José Sócrates põe em evidência o comportamento de personagens e factos escandalosos. Destaco frases destas conversas publicadas, sobre a Operação Marquês, entre Sócrates e outros envolvidos e nas inquirições do juiz Carlos Alexandre e do procurador Rosário Teixeira. Começo pela edição do CM, de 5-3-2016:
  1. «Ele que faça e faça rápido» - José Sócrates para Santos Silva sobre as obras no apartamento de Paris.
  2. «A minha motivação é simples. Tenho-me dedicado à leitura e à escrita e a minha ideia era ter uma casa de inverno para escrever e ler» - Sócrates para o juiz, em 23/24-11-2014, sobre o seu plano de comprar uma quinta em Tavira.
  3. «Se a condessa já chegou a Londres posso mandar a minha secretária passar os recibos?», Sócrates para Paulo Lalanda de Castro (o juiz Carlos Alexandre desconfia que «a condessa» significa a transferência de dinheiro para Sócrates da Octapharma, reembolsado por Santos Silva).
  4. "Olhe, meu caro, você precisa de um tipo que em qualquer circunstância não faça perguntas e obedeça. E olhe que não tem ninguém melhor em termos de currículo e de lealdade: é daqueles que sabem fazer as coisas.» - Sócrates para Proença de Carvalho, presidente da Global Notícias, a recomendar o seu amigo Afonso Camões (diretor da Lusa) para diretor do DN (em alternativa, recomendou o cronista Ferreira Fernandes) ou JN.
  5. «Uma declaração para a Lusa... para Pedro Morais Fonseca» (autor do livro sistémico «Blogues Proibidos») - Sócrates para Afonso Camões a pedir para fazer uma declaração e, alegadamente, a escolher um jornalista amigo para a editar.
  6. «Na segunda-feira as partes serão informadas» - o vice-presidente da ERC, o socialista Alberto Arons de Carvalho, alegadamente a informar Sócrates sobre o conteúdo dos processos que o envolviam.
  7. A «minha RTP» - Sócrates a queixar-se, em 16-4-2014, três anos depois da tomada de posse de Passos Coelho como primeiro-ministro, a Afonso Camões de que só tem aquela estação, quando a informação da RTP era dirigida por José Manuel Portugal, que havia sucedido ao amigo de Sócrates Paulo Ferreira, e o presidente era Alberto da Ponte
  8. «Traidor», «malandro» - Sócrates, em 5-6-2014, alegadamente, insulta Ricardo Salgado em telefonema ao ex-ministro Manuel Pinho e diz que tem pena de Morais Pires. Mas dois dias depois, informa Proença de Carvalho que mandou um abraço a Ricardo Salgado... Ao mesmo tempo, alegadamente, diz a Manuel Pinho que Balsemão e Belmiro são «mafiosos» e «pistoleiros».
  9. «Que sítio magnífico para se passar uns dias, mas certamente melhor ainda para se passarem dois anos» - escreve, em SMS, alegadamnente, João Constâncio, o célebre «filho do outro», em junho de 2014, a Sócrates que lhe havia emprestado a espantosa casa de Paris, na Avenue Président Wilson, do luxuoso 16e, por uns dias, alegadamente comprada em 2012 por José Sócrates, via Carlos Santos Silva.
  10. Entretanto, sempre segundo o CM, alegadamente, teria gasto, de uma vez, «4100 euros na Prada e 2700 na Ermenegildo Zegna» - lembra-lhe Dina, a gestora de conta na CGD - e em julho de 2014  pediu à secretária para lhe arranjar um apartamento no Pine Cliffs, do Algarve, durante uma semana ao «preço especial» de «632 euros por noite»...
  11. A alegada probreza de José Sócrates e a alegada fortuna da mãe são teses desmontadas pelos próprios: a mãe liga ao filho a dizer que está «depenadinha» («sem penas», diz) e pede ao filho um casaco de «1200 euros»...
  12. Quando as amigas lhe pedem dinheiro, Sócrates não regateia, diz, alegadamente, para não se preocuparem e dá até «um pouco mais». Por exemplo:
    1. A Célia, que parece funcionar como camela (honni soit...) da sua travessia no deserto, alegadamente envia dinheiro para os seus gastos e para lhe comprar «garrafas de vinho» a colocar num envelope... e Célia pergunta se quer «daquilo»...
    2. Sandra Santos (ex-mulher do primo Bernardo?) pede-lhe regularmente valores elevados: 5610, 9350, 3500 e 2500 euros.
    3. E Maria Rui, sua ex-assessora de imprensa, pede-lhe, alegadamente, cinco mil euros. Sócrates diz-lhe que «não lhe custa nada» (a ele...) e esta envia-lhe depois um SMS a dizer que a «massa já cá canta».
  13. João Perna, o motorista, desabafa,  alegadamente, com o filho que Sócrates «já deveria estar na choldra... se fôssemos nós» e que recebia «dinheiro escondido».
  14. Em conversa com o ex-ministro Teixeira dos Santos, Sócrates avisa que«é preciso é não esquecer os nomes» dos responsáveis da investigação...
A edição do CM, de 12-3-2016, traz mais revelações:

  1. Sócrates, alegadamente, usava diversos intermediários para lhe trazerem dinheiro vivo ou custearem as suas despesas: o seu motorista João Perna, o advogado Gonçalo Trindade, o socialista André Figueiredo.
  2. Sócrates perguntava ao celestial amigo Santos Silva: «Vem a chapa cinco? Chapa cinco ou chapa seis?». «Chapa cinco» significava, alegadamente, cinco mil euros. Chapa era um alternativas a «fotocópias», alegadamente outra palavra de código para dinheiro.
  3. O motorista João Perna queixa-se do tratamento alegadamente desumano de Sócrates para consigo: «este homem maltrata, maltrata, maltrata»...
  4. O esquema de Sócrates, alegadamente, funcionava (além de malas e de envelopes com dinheiro entregues pelo motorista e outros) com notas de 500 euros e o motorista queixa-se de que no cabeleireiro não trocariam a nota à mãe Adelaide onde esta queria ir arranjar o cabelo.
  5. E o motorista diz que Sócrates pagou uma conta de 1500 euros de telemóvel...
  6. Sócrates, alegadamente, pede ao vice-presidente de Angola, Manuel Vicente, pelo Grupo Lena, a quem confessa, segundo o CM, «dever atenções ao longo dos anos»...
  7. Sócrates, alegadamente, diz a Lalanda e Castro, da Octapharma, em 6-10-2014, que falou com a presidente Dilma sobre assunto da empresa e que... Lula disse que o assunto estava resolvido (Lula, outro que alega que não é nada dele mas de um amigo, não tinha qualquer função oficial desde 1-1-2011, quando deixou a presidência).
E no CM, de 19-3-2016, são revelados excertos dos interrogatórios do juiz Carlos Alexandre e do procurador Rosário Teixeira:
  1. O administrador do Grupo Lena, Joaquim Barroca, alegadamente, era usado como barriga de aluguer, mediante a disponibilização da sua conta na Suíça e de offshores em paraísos financeiros imunes para movimentos do testa-de-ferro de Sócrates, Carlos Santos Silva, o qual receberia 1% do volume de negócios do grupo.
  2. Armando Vara, incorrigível parceiro de Sócrates, também surge no processo, por causa de alegada intervenção em empréstimos para um projeto de construção, ao largo de Faro, no contexto algarvio, de uma ilha artificial pela Vale do Lobo e na compra pelo banco público de uma participação empreendimento de luxo Vale de Lobo. Vara foi confrontado com transferências de dinheiro de Diogo Gaspar Ferreira, «patrão da Vale de Lobo», para empresas offshores suas e da sua filha Bárbara, no Panamá, Seychelles e Ilhas Virgens Britânicas. Vara recusou isentar de responsabilidade a sua filha neste assunto, apesar da sugestão do juiz Carlos Alexandre.
  3. As buscas a casas do empresário luso-angolano Hélder Bataglia, recuado em Angola (para onde seguiu carta rogatória que as autoridades locais ainda não cumpriram) e protegido elsewhere, e que alegadamente se tem negado a colaborar com a justiça portuguesa sem contrapartida de imunidade total, apesar de alegadamente «suspeito de pagar luvas a José Sócrates e Armando Vara no âmbito do negócio do Vale do Lobo, em 2006, que contou com financiamento da caixa Geral de Depósitos», tendo os «cerca de 13 milhões de euros» passado alegadamente por «contas offshore de joaquim Barroca, do Grupo Lena» e terminado em contas do amigo Santos Silva e de Vara, que era administrador da Caixa nessa altura.
Sobressai das conversas a dissimulação dos protagonistas, frequentemente quebrada pela indiscrição dos serventes e beneficiários. Nas inquirições, merece realce a atrapalhação e amnésia dos envolvidos e a humanidade pedagógica do juiz Carlos Alexandre.

As revelações que entretanto têm sido feitas ainda enterram mais no pântano os envolvidos. Realce para o aborrecimento de um filho de ex-primeiro-ministro («o José Sócrates de Sócrates», na expressão de RAP, em 23-3-2016) em dormir num hotel em Paris, em vez de ir para o luxuoso apartamento do 16e na Avenue Président Wilson, cujas obras, supervisionadas pela ex-mulher Sofia Fava, estavam a demorar mais do que o previsto.

Outro facto que tem obrigado ao silêncio de Sócrates é a evolução da situação do ex-presidente Lula, seu homólogo na acumulação de riqueza durante funções públicas e vida de fausto e espavento após esse desempenho ou de Sarkozy - e agora a corrupção bilionária do círculo de Putin, exposta no Guardian, de 3-6-2016, numa torrente de revelações dos Panama Papers. Um padrão de abuso e fausto, alimentado pelas contas formalmente em nome de amigos homens de palha e protegido do público por muros, vidros escuros e editores de confiança.

As modernas sociedades, mais ou menos democráticas, têm duas perspetivas de avaliação dos políticos: a judicial, que cabe aos técnicos do direito, e a política, que cabe ao povo. A avaliação judicial tem os seus trâmites garantísticos, contraditório de provas mais ou menos fumegantes, expedientes dilatórios e recursos sucessivos, demorando décadas. Não é, no entanto, de prever, neste momento, a impunidade dos envolvidos, por mais ameaças que façam aos correlegionários no poder. Na avaliação política - apesar da proteção dos diretores de informação da RTP, SIC e TVI (com a notabilíssima exceção da CMTV) num Portugal ainda com paisagem mediática muito concentrada na televisão e as promessas partidárias e fraternais de apoio em troca de silêncio - Sócrates, tal como o seu alegado parceiro de negócios de Estado, Lula (Observador, de 3-4-2016), foram derrubados. Mas, como prevenia, Churchill, os políticos podem morrer várias vezes, é preciso manter a atenção democrática face à  corrupção tirânica.


* Ilustração picada daqui.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014), no âmbito da Operação Marquês, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
As outra entidades mencionadas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas de qualquer ilegalidade ou irregularidade nestes casos, ou quando na condição de arguidas, como no processo Marquês, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
 

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Corrupção, bancocracia e alheamento do povo


«That's the world, that's politics. That's how it works. It starts out with big promises and ends up with jackshit happening. But like the man said: "If voting changed anything, they'd make it illegal.»
Jane Bodine (Sandra Bullock) in
Green, David Gordon (realizador), e Straughan, Peter (argumento).(2015).
Our brand is crisis
.
O alheamento das novas gerações face à política tem como motivo principal a inconsequência do voto. A justificação de que os mais jovens não votam por idiossincracia egoísta e preguiçosa das suas coortes e por causa do sustento garantido pelos pais, que continua para lá do momento em que encontram um emprego geralmente mal pago, é uma ilusão autocomplacente dos políticos da corte.

O poder político foi capturado pela bancocracia - corrupção politico-bancária - que é consentida pelo povo carente de subsídios do Estado. Conhecendo a atividade deficitária do Estado, o povo conforma-se com o diktat bancário porque este financia subsídios, salários e pensões - para além da segurança, da saúde e educação, que já foram gratuitas (5.750 euros é quando custam as propinas do 1.º ano do mestrado em Gestão no público ICSTE!...).

Essa subserviência é também aceite, em Portugal, por este executivo do PS, sujeito ao acordo separado com as lideranças do Bloco e do PC, num novo paradigma a estudar pela ciência política, a que podemos chamar um Governo Telefónico: as decisões não são tomadas em conselho de ministros, mas através de consultas telefónicas de interlocutores do PS (Vieira da Silva e afins) com os seus parceiros do Bloco e do PC. Processos de decisão inconstitucionais, opacos, secretos e furtivos, que todavia, têm beneficiado da cumplicidade mediática e do sigilo comprometido da oposição bipartida. 

Como tenho realçado, a submissão do Estado ao diktat político-bancária não radica na ideologia nem na ciência económica. Não assenta na ideologia porque a direita conservadora ou a liberal sempre desconfiou dos bancos e a esquerda sempre os quis estatizados; e nem o socialismo atual, mais monetarista do que keynesiano o justifica. E não se fundamenta na ciência económica, a revisão da crise norte-americana de 1929 continua sem consenso: monetaristas alegam que foi a falta de liquidez que precipitou a crise enquando os austríacos insistem que foi o seu excesso. O helicopter money do quantitative easing parecer ter neutralizado as tensões económicas nos EUA e na Europa, face à produção asiática mais barata, mas as depreciações cambiais provocadas, primeiro no dólar e agora no euro, parecem ter tido maior efeito na economia.

A submissão do Estado ao dikat político-bancário baseia-se na corrupção: na troca de favores e rotação de agentes. Troca de favores com a injeção de dinheiro do Estado em bancos privados mediante troca de comissões e excedendo até o inside trading com a especulação bolsística, através de familiares, de amigos e de compinchas, propiciada por boatos oficiosos para gerar movimentos de pânico nos mercados ou efeitos de valorização de empresas premiadas com contratos. E rotação de agentes com a circulação de políticos, técnicos e gestores, entre a política e os bancos: quando no poder os agentes favorecem os bancos e quando deixam o executivo são recompensados com tachos faustosos para pagamento desses favores que prestaram em prejuízo volumoso do erário público.

O povo parece demasiado viciado no conforto para decidir o sacrifício de se libertar da dívida - mesmo que esse conforto seja decrescente, como é agora. Parece... Um vício só é quebrado pela abstinência, não pela redução de uso.

Não pode ser consentido o desvio de dinheiro do Estado para o socorro de bancos privados falidos pela avidez de administradores impunes por legislação protetora - 450 milhões de euros no BPP, mais 8,3 mil milhões no BPN, mais 9 mil milhões de euros no BES (só em 2015), mais 3 mil milhões no Banif, mais 90 milhões no Efisa. Nem a vigarice da entrada no capital do  empreendimento de luxo de Vale do Lobo e empréstimo (de 200 milhões?) para a ilha artificial Nautilus, que o conselho de administração (todo?) aprovou, ou a irresponsabilização dos seus administradores nas aventuras em Espanha (Banco Simeón, Luso Espanhol e Banco de Extremadura).

Socorro financeiro de milhares de milhões de euros, decididos do dia para a noite, nas costas do povo
, sob a alegação de urgência, sem que o Parlamento de pronuncie, e que descapitaliza o Estado e aumenta a carga fiscal, provocando a morte dos empresários que não conseguem solver dívidas e se penduram, dos velhos que falecem porque não têm dinheiro para aviar medicamentos, dos doentes que não são operados a tempo, a fome de crianças, ou o abandono de universidades por jovens. Quando os caçadores de taxas de juro mais altas, que saltitam para bancos de maior risco, sabem o desafio que jogam e, não devem ser financiados pelos demais.

Bancos falidos devem ser liquidados pelos tribunais
, como as demais empresas, sem que o tesouro público assuma os seus prejuízos, como não recebeu os seus lucros no tempos áureos.

O desvario da corrupção só não é maior porque a União Europeia impõe a sua tutela sobre o orçamento do país. Mas essa tutela externa ainda alheia mais os jovens adultos que percebem que a decisão política não depende do seu voto mas do Conselho Europeu, da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu (que aperta o Governo com a compra de mais ou menos obrigações portuguesas e deixa, ou não, subir as taxas de juro do país). Na União Europeia, o poder de Portugal está mais próximo de 1,5% do PIB da União do que dos 3,6 % dos votos (a UE tem agora 28 Estados), dos 2,1% do território e dos 2% da população. A circunstância do País ser melhor governado pelos estrangeiros, a partir de Frankfurt e Bruxelles, do que pelos nacionais, é ainda mais vergonhosa para nós.

Não é a fundação de um novo partido liberal que resolverá o imbroglio. O que pode resolver é continuar a luta de investigar e publicar, neste tempo de negro nublado, de guerra fria interna. Além da teimosia de ensinar e da coragem de tentar fazer. Sacrifício pelos outros. Dádiva. Manter a chama, apesar do vento e da escassez de parafina. Estar preparado. Mesmo sem saber se o nosso tempo de dirigir surge. Nem quando, nem se. Pronto!


Atualização: este poste foi atualizado às 8:02 de 15-2-2016.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

O amparo de Farinho




Revela Felícia Cabrita, no Sol, de 5-2-2016, que «Sócrates pagou a professor para 'ajudar' na tese e no livro». Um excerto:
«Domingos Farinho assumiu ao Sol ter recebido uma avença, paga por uma empresa de Carlos Santos Silva, para ajudar Sócrates na escrita da tese que esteve na base do livro. Mas, para o Ministério Público (MP), este professor catedrático e antigo assessor para a economia de Sócrates é o verdadeiro autor da obra.»
A reportagem concentra-se na autoria do livro «A confiança no mundo», de outubro de 2013. Mas o mais importante não é a autoria do livro, mas a autoria do mémoire de julho desse ano (tal como a sua licenciatura tirada na Farinha Amparo - como dizia Marcelo Rebelo de Sousa)muito provavelmente escrito em português e traduzido depois para francês por alguém que ainda não foi identificado. Quando surgir a acusação do processo Marquês, e a confirmar-se esse facto, é possível que seja extraída uma certidão para envio à Sciences-Po e às autoridades francesas para procederem em conformidade.


* Imagem picada daqui.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Efeitos colaterais da proteção de um ditador

O Prof. Rui Verde (CM, 2-2-2016) tem razäo sobre o fecho da Universidade Independente, em 2007, pelo ministro Mariano Gago, para abafar a licenciatura manhosa de José Sócrates - e jurificar o diploma falso do então primeiro-ministro - e ainda sobre a sua detençäo, oportunamente nas vésperas da amplificação do dossiê so re o curso no Público.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Figueiredo e Centeno

(Atualizado às 18:04 de )


O diretor de informação da TVI, Sérgio Figueiredo é íntimo amigo da família Centeno desde a universidade e a JCP.

Figueiredo está no epicentro do escândalo de notícias alarmantes, de «última hora», em rodapé, da TVI24 sobre o que o Estado preparava para o Banif (em 13-12-2015, domingo, à noite) -
«Banif: A TVI apurou que está tudo preparado para o fecho do banco»:
«A parte boa vai para a Caixa Geral de Depósitos»
«Vai haver perdas para os accionistas e depositantes acima dos 100.000 e muitos despedimentos».
«Banif poderá ser intervencionado esta semana».
- e da subsequente, em 20-12-2015, resolução (2,4 mil milhões de custo para os portugueses) e venda, alegadamente com desconto de 75%, por 150 milhões de euros ao Santander pelo Governo de António Costa.


Pós-Texto (15:01 de 2-2-2016): Figueiredo confirma
Um dia depois deste meu poste, Sérgio Figueiredo publicou, hoje, 2-2-2015, uma oportuna crónica no DN, intitulada «O meu amigo agora é ministro...», na qual admite:
«Mário Centeno foi meu colega de curso, vivemos momentos inesquecíveis nas lutas estudantis, dirigimos uma importante associação de estudantes. Conheço-o, portanto, há 30 anos. Uma vida que cimentou uma amizade que nunca esfriou e, acredito, continuará à prova de bala. Mesmo daquelas balas que, nas funções que agora exercemos, temos de trocar entre nós. Já não houve fogo amigo na resolução do Banif.»
Gestão proativa da informação para esvaziar o balão antes que expluda. Mas o balão já rebentou... Veremos se o sistema consegue abafar o estoiro.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Conexão GES-Sócrates nos negócios Vivo e Oi

O caso da venda da Vivo pela PT, e da compra da Oi, bateu finalmente à porta de Sócrates na Operação Marquês, segundo a SIC, de 26-1-2015. É a primeira vez que é feita a ligação através de alegados movimentos financeiros do GES, para o uomo di paglia Carlos Santos Silva, via Joaquim Barroca (do Grupo Lena). Veja-se o desenvolvimento no Observador, de 26-1-2016:
«É um novo dado que se junta ao rol de suspeitas do Ministério Público juntou sobre José Sócrates. Em causa estarão luvas recebidas pelo ex-primeiro-ministro do Grupo Espírito Santo (GES) por decisões políticas que terão favorecido os negócios do grupo de Ricardo Salgado. (...)
Em causa estará a forma com o Governo de José Sócrates se opôs à OPA da Sonae sobre a Portugal Telecom, em 2006. Segundo noticiou a SIC, Sócrates terá dado instruções à Caixa Geral de Depósitos (CGD), onde Armando Vara já era o vice-presidente do Conselho de Administração (CA), para votar em sede de CA e na Assembleia Geral da PT contra a proposta do grupo de Belmiro de Azevedo. Voto esse que iria de encontro aos interesses de Ricardo Salgado, não só porque o líder do GES era o adversário mais feroz da OPA da Soane, como era o acionista que tinha maior interesse em manter o seu poder e influência sobre a operadora de telecomunicações. Recorde-se que o GES chegou a ser o maior acionista português de referência da PT.
Além do voto contra da CGD, o governo de Sócrates tinha ainda uma bomba atómica que ameaçou utilizar: a golden-share – acções especiais que conferiam poderes de veto ao Estado. Poderes especiais esses que foram anulados mais tarde em virtude de não respeitarem as leis europeias do mercado livre e da concorrência.
De acordo com as suspeitas do procurador Rosário Teixeira, o GES terá pago ‘luvas’ que alegadamente terão sido servido como contrapartida pelas posições do Governo de Sócrates e da Caixa Geral de Depósitos.
 Segundo a notícia da SIC, terão sido detectados movimentos financeiros com origem no GES e que terão passado pelas contas de Joaquim Barroca, administrador do Grupo Lena e também arguido na Operação Marquês. Barroca, por seu lado, terá transferido os referidos montantes para as contas de Carlos Santos Silva. O que leva o MP a considerar que tais contrapartidas tinham como destinatário final José Sócrates.»
Os negócios da venda da Vivo e da compra da Oi, pela PT, com estranhíssimas peripécias foram os mais chorudos da era socratina, a juntar às PPP (a propósito: o inquérito avança ou está parado?). Mais relevantes do que o bloqueio da Caixa (na qual imperava Armando Vara) à OPA da Sonae sobre a PT, fevereiro de 2006. Recordo o que escrevi, neste blogue, em 22-7-2015:
«A fita do tempo denuncia uma relação, por mais que se reduza o momento a uma coincidência astrofísica:

  • Em 25 de junho de 2010, o então primeiro-ministro José Sócrates decide vetar (através da golden share do Estado) a venda por 7,15 mil milhões de euros** da participação de 30% da Portugal Telecom na brasileira Vivo à espanhola Telefónica. Sócrates justificou, num artigo no Público, de 1-7-2010, o seu veto ao negócio: «ao Estado Português não compete defender os interesses das empresas espanholas, nem interesses financeiros de curto prazo – mas sim os interesses estratégicos do País». Nesse artigo, invulgar para um chefe de Governo, Sócrates sinaliza que «esta proposta [da Telefónica] não convenceu o Estado, não convenceu o Governo».
  • O saldo de 350 milhões de euros, entre a proposta da Telefónica de 25 de junho de 2010 e a 28 de julho de 2010, convenceu o primeiro-ministro Sócrates.»

    A PT era na altura dominada por Ricardo Salgado, o amigo do «amigo que está[va] em Paris» (CM, de 21-10-2012), acionista principal, diretamente pelo Grupo Espírito Santo (10%), e indiretamente, pela Ongoing (outros 10%), que lhe pertencia pessoalmente (apesar de, formalmente, esta empresa de fachada, ser detida pelo financeiro Nuno Vasconcelos e Rafael Mora, da inteligência espanhola). Consta que o Conselho de Administração da PT chegou a reunir na sede do BES!...

    Sabe-se, desde 21-7-2015, que as autoridades judiciárias brasileiras enviaram uma carta rogatória ao Ministério Público português a pedir cooperação nos casos dos negócios de compra de venda da Vivo pela PT e compra da Oi pela PT, no âmbito do inquérito Lava-Jato ao ex-presidente Lula da Silva e outros. A Oi, uma agregação desconjuntada de operadoras regionais de telecomunicações, tem sido apresentada como uma invenção do presidente Lula e  da direção do Partido dos Trabalhadores, de Lula da Silva, para financiamento partidário e fornecimento de comissões aos envolvidos.


    Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014), no âmbito da Operação Marquês, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
    As outra entidades mencionadas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas de qualquer ilegalidade ou irregularidade neste caso, e quando na condição de arguidas, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

    quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

    A profana aliança de Portas com o PS




    Uma informação interessante, a confirmar:
    1. Antes da eleição parlamentar, de 4-10-2015, Paulo Portas combinou com António Costa um Governo PS-CDS. A condição era a vitória do PS e a soma de 116 deputados dos dois partidos. A justificação de Portas seria o sacrifício patriótico de poupar o País a um governo da frente de esquerda. 
    Porém, António Costa perdeu para Passos Coelho; e PS e CDS obtiveram apenas 104 deputados (86+18).

    Por isso, Portas suspende a sua liderança do CDS, em 28-12-2014. E colocou em seu lugar a obediente Assunção Cristas. Nuno Melo não seria um boneco, nem não quis arriscar ser um Ribeiro-e-Castro-II.

    Assunção Cristas começa a descolar de Passos Coelho. Passado o período de nojo de cerca de dois anos (a travessia do vale anterior foi de fevereiro de 2005 a abril de 2007), Portas voltará ao comando do CDS. E tentará reeditar um Governo PS-CDS. O calendário pode ser encurtado por causa da agitação do PC, após as suas derrotas para o inimigo Bloco, que poderá levar à queda rápida do Governo.

    Para tal, o MES PS, com as operações negras dos serviços de informação, prepara a defenestração de Passos, através do seu denegrimento pessoal. E o Grande Oriente Lusitano já começou o cerco para uma alternativa sistémica

    Importa perceber que, desde «O Independente» - que vivia da informação do gabinete de Cunha Rodrigues e do novo (nessa altura) namorado de Patrícia Cavaco Silva -, Paulo Portas é uma marioneta do Partido Socialista. Não é apenas um aliado: é um servente. Nesse papel, de embrulho, Portas foi obrigado a ir prestar vassalagem a Costa... na sede socialista do largo do Rato (não consigo redescobrir o linque - peço aos leitores que me ajudem).

    Neste momento, o principal objetivo desta aliança natural de Portas com o socialismo radical burguês é partir a espinha do poder judicial independente. Isso far-se-á através da pressão no Conselho Superior de Magistratura e decisões políticas do Tribunal Constitucional (como a oportunidade do acórdão n.º 3/2016, penalizador de Maria de Belém em véspera de eleição presidencial, redigido pelo conselheiro João Pedro Caupers, próximo do PS, e divulgado em 18-1-2015,  a sete dias da eleição presidencial); e do ensaio de reforma judicial de Francisca van Dunem: controlo político do Ministério Público pela ministra da Justiça, eliminação do DCIAP (ou sua fusão com o DIAP) e rotação de magistrados através do gerrymandering do novo mapa judiciário.

    segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

    We'll see...


    Marcelo Rebelo de Sousa ganhou a eleição presidencial de ontem, 24-1-2016, à primeira volta, com 52% de votos. Tem a responsabilidade de preservar o Estado da tentação intrusiva.

    A abstenção desceu 2% face à última eleição presidencial. Sampaio da Nóvoa - desmascarado pelo Prof. Pedro Cosme Vieira, que lhe analisou o currículo, com relevo para o Curso de Teatro (nem sequer era bachalerato) do Conservatório Nacional, puxado a licenciatura depois de pós-graduação (!?) e doutoramento na  socialista Universidade de Genève, ex-reitor de Universidade de Lisboa e imputado de plagiador pelo professor brasileiro Jean Lauand - ficou-se pelos 22%, contra 4% de Maria de Belém. Marisa Matias, do Bloco, subiu acima da fasquia dos 10%, enquanto o ex-padre Edgar Silva, pelo PC, não chegou sequer aos 4%... No resto, tenho muita pena da votação de Henrique Neto, um socialista íntegro, reduzido a 0,8%, em comparação com a votação tiririca de Tino de Rans com 3,2%, este acima dos 2,1% do prof. Paulo Morais.

    Consequência principal: o PC, apertado pela votação de Marisa Matias (10-4) que se segue ao resultado de 10-8 nas legislativas de outubro de 2015, para além da substituição da geração de 74 que teima não ceder o poder aos novos que eles mesmo cooptaram para representação mediática e responder às candidatas do Bloco «engraçadinhas» (mau perder sexista de Jerónimo), vai ter de se demarcar do Governo e voltar ao seu teatro de operações tradicional (a rua). Pode haver já chumbo do Orçamento pelo PC, ou não, porque ainda precisam de completar a sua agenda nos transportes e acordos laborais coletivos e na educação, mas, em qualquer caso, precisam de saltar da plataforma de apoio ao Governo.

    Consequência derivada: o MES PS radical, entalado entre a troika e a matilha do PC e do Bloco, está cercado e irá responder da forma negra habitual, tentando derrubar Passos Coelho e amparando-se na muleta Portas. Mas a degradação das contas públicas e das taxas de juro sentenciará, a przo, o destino do Governo.

    Tempos duros. How wonderful? We'll see...


    Atualização: este poste foi emendado às 22:09 de 27-1-2015.

    domingo, 24 de janeiro de 2016

    Balanço Do Portugal Profundo de 2015

    Apesar do atraso técnico, aqui fica o balanço da minha ação no blogue Do Portugal Profundo em 2016. Enumero as 25 batalhas do ano que passou e os resultados alcançados:
    1. Insistência na conclusão do inquérito, que se arrasta no DIAP desde fevereiro7março de 2012 (!), à utilização dos cartões de crédito do Tesouro (Visa-IGCP Charge Card) nos Governos Sócrates - empate (o antijogo continua...).
    2. Defesa dos magistrados e inspetores da Operação Marquês e do inquérito à falência do Banco Espírito Santo, à pressão política e da Maçonaria - vitória (até agora).
    3. A pista brasileira (negócios de venda da Vivo e compra da Oi) e a pista venezuelana a explorar no caso Sócrates - «Espírito Santo, Sócrates, Soares, Lula e Chávez, Lda.» - o jogo está ainda empatado.
    4. A pista financeira europeia socratina dos negócios da venda da Vivo e da compra da Oi - ao intervalo, ainda está 0-0 (convém que os árbitros se apressem a punir o financeiro, antes que o jogo seja decidido brevemente na secretaria corrupta).
    5. «António Costa e a cobertura descoberta», a luxuosa penthouse duplex de António Costa num prédio reconstruído pela imobiliária de Otília Violas, com projeto signé Carrilho da Graça, em 2009 (?), na Avenida da Liberdade em Lisboa - vitória tangencial, pois este caso travou o ataque pessoal do PS MES contra Passos Coelho (Caso Tecnoforma), tendo o PS arrepiado caminho da campanha negra que organizou para defenestrar Passos da presidência do Governo e do PSD.
    6. Interrogação sobre visita secreta de António Costa à China - ficou por responder.
    7. Denúncia da promiscuidade maçónica do Estado português em Macau (com aliança dos expatriados socialistas racistas, com o PSD relvista e até o CDS dos negócios) - apesar dos ataques dos esbirros, a posição de controlo da fação maçónica e continental ficou irremediavelmente comprometida, ainda mais com a vitória notabilíssima da lista do patriota independente José Maria Pereira Coutinho.
    8. Denúncia da pressão socialisto-maçónica para a libertação imediata de Sócrates - vitória temporária (falta a acusação).
    9. Em 5-6-2015, testemunha, no Palácio da Justiça, em Lisboa, no processo de Sócrates contra o Correio da Manhã, a propósito da sua licenciatura rocambolesca  - o Dr. João Araújo não quis aprofundar o tema, o que foi pena, pois teria algumas coisas a contar, para lá da conhecida intervenção do nègre professor catedrático de aluguer que lhe terá, alegadamente, escrito em português a torturante tese da Sciences-Po; em 10-12-2015, a procuradora Carla Lamego concluíu no processo administrativo de anulação da licenciatura de Sócrates na Universidade Independente que a licenciatura de Sócrates é ilegal, mas que o ministro Maria Gago juridificou as nulidades quando encerrou a universidade).
    10. Crítica sistemática da piratização do Estado: venda, em contraciclo, a pataco de empresas públicas - derrota.
    11. Exposição das manigâncias da fação laranja-torrada do PSD no caso dos «vistos gold» - o ministro Miguel Macedo (o «cavalo branco», nas escutas) e Marques Mendes (ainda pendente...) e crítica à defesa de Miguel Relvas no processo de anulação da sua licenciatura na Universidade Lusófona - temos vantagem no marcador, mas o jogo ainda não acabou.
    12. Denúncia da manobra António José Morais de sabotagem do processo Marquês - vitória (a manobra falhou).
    13. Análise do envolvimento de Armando Vara (n.º 2 da CGD) na alegada corrupção de Estado da Operação Marquês - o jogo continua (mas o reincidente Vara, perdeu a sua face oculta e está cada vez mais pálido).
    14. Denúncia da tomada do PS pela fação comunista revolucionária do MES, espelhado num Governo realmente capitaneado pelo sombrio José António Vieira da Silva - derrota (o PS foi sequestrado pela rede).
    15. Denúncia da nomeação, e do processo de seleção pela Cresap, do social-democrata relvista António Dieb para presidente da Agência para o Desenvolvimento e Coesão (ADC), que administra os cerca de 25 mil milhões de euros de fundos da União Europeia para Portugal.
    16. Trânsito do Prof. Luís Botelho Ribeiro, líder português da defesa da vida e da família e presidente do partido Portugal Pró-Vida/Cidadania e Democracia Cristã - no Céu, o meu irmão Luís, vela por nós (Ó morte, onde está agora a tua vitória?), hoje lembrei-me tanto dele (e honreio-o).
    17. Denúncia da cobardia e da tolerância cúmplice do Ocidente setentrional perante a violência do Islão (e a falácia do Islão moderado) - vamos de derrota em derrota, de invasão em invasão, de terrorismo frequente à guerra convencional, até ao previsível terceiro cerco de Viena...
    18. Reportagem sobre a misteriosa quinta, alegadamente de José Sócrates em Janas (Sintra) - não sei o resultado do jogo, que decorre á porta fechada.
    19. Denúncia do regresso de Sócrates, após ter saído da cadeia, como pré-candidato presidencial e notícia de mais um caso (o seu hôtel particulier na rua Abade de Faria, em Lisboa, de construção controversa) - vitória, pois Sócrates, a cerca de dois meses das eleições,.desistiu da candidatura, que preparava há muito.
    20. Denúncia das polémicas remunerações na CMLisboa - como presidente a tempo inteiro, apesar de auferir cerca de sete mil euros por mês pela sua participação no programa de debate Quadratura do Círculo, na SIC) - e deduções fiscais de António Costa, entre 2007 e 2013, que podem ter chegado ao valor de 455 mil euros - derrota (os média e os políticos, não pegaram no caso).
    21. Denúncia da tentativa de tomada do PSD por uma fação comprometida com o PS ferrista-socratino, apesar da PàF ter ganho as eleições de 4-10-2015 - vitória (Passos não cedeu).
    22. Aviso, em 25-10-2015, de que, apesar dos impotentes «sinais», o presidente Cavaco Silva iria nomear António Costa como primeiro-ministro, após a rejeição parlamentar do segundo Governo PSD-CDS, em vez de um governo de gestão liderado por Passos ou um governo de inciativa presidencial até à marcação de novas eleições, durante seis meses - confirmou-se e Costa tomou posse um mês depois.
    23. Combate pelo direito de cada criança a ter um pai e uma mãe (contra a adoção de crianças por casais homossexuais) - derrota pela maioria de esquerda  e deputados do género do PSD e do CDS (após uma anterior vitória, em 2013, com a exposição dos nomes dos deputados do PSD que haviam faltado extraordinariamente à sessão).
    24. Biografia alternativa da ministra Francisca van Dunem e contra-ataque sistémico - vitória temporária, pois atrasou o golpe sistémico contra o poder judicial independente, mas está em preparação na prancha maçónica.
    25. Indignação pela entrevista hagiográfica, e receção de monarca, de Sócrates na TVI de Sérgio Figueiredo. - derrota (Sérgio Figueiredo continuou o serviço sistémico encomendado, por quem realmente o pôs como diretor de informação do canal, ele que estava tão confortável e mal se mexia como presidente da Fundação da EDP).
    Além destas batalhas que travei, houve outras que, por eficácia, não interessa nomear e que tiveram resultados díspares. Estou muito preocupado com o futuro imediato do País.

    Não acredito na teoria da vacina: sem meios, e com os líderes mais ou menos comprometidos, não é possível explorar os factos da corrupção porque não são denunciados pelos governantes da direita no turno seguinte da alternância e não são publicados nas televisões (meio principal de informação dos eleitores). Os jovens e grande parte dos adultos não acreditam na eficácia do voto e as cliques sistémicas mantém-se no poder.

    Mais importante ainda: enquanto as trocas e baldrocas das «grandes linhas» (!) e do esboço» (!) do Orçamento, e a tenaz da União Europeia, e a degradação das contas públicas e das taxas de juro das obrigações do Estado não desagregam o subterrâneo governo de esquerda, continuará a festa. Depois, quando o calor apertar, virão os esbirros das operações negras, e os lacaios das operações suaves, impor um regime ainda mais autoritário do que o do socratismo. Não se desdenhe a capacidade coerciva do PS MES radical, legitimado pelo atestado de esquerda dos cúmplices Bloco de Esquerda e PC. Creio que desta vez, apesar da impopularidade da violência do poder, nessa circunstância, poderão matar.

    Mas nós, patriotas, custe mais do que nos tem custado, cá estaremos, como temos estado nesta dúzia de anos, prontos para o sacrifício, para defender Portugal.


    Atualização: emendado às 23:03, de 24-1-2015...



    Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades mencionadas nas notícias do média que comento não são suspeitas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade e gozam do direito à presunção de inocência até eventual sentença condenatória transitada em julgado.