terça-feira, 31 de março de 2020

quarta-feira, 25 de março de 2020

Evitar a catástrofe provocada pelo pânico do Coronavirus

De um amigo meu, do outro lado do Atlântico que nos une, nesta língua que é também a nossa Pátria, um artigo corajoso que aponta uma estratégia alternativa ao pânico eleitoral da pandemia do vírus coroa (coronavirus) que vai provocar uma depressão mundial catastrófica:  “Coronavirus: é preciso repensar a estratégia!”, por Marx Gabriel, em 24-3-2020.

sexta-feira, 20 de março de 2020

O vírus da coroa e o sacrifício do povo



O Presidente da República Marcelo Rebelo de Sousa determinou, em 18 de março, o estado de emergência através do Decreto n. 14-A/2020. Hoje, 20 de março, o Governo de António Costa aprova o decreto n. 2-A/2020 que, por birra e já não por prioridade fiscal, permite quase tudo o que o Presidente queria limitar. Nesta luta de galos para provar quem é o dono da coroa, o sacrifício do povo ao vírus pouco importa...


* Imagem picada daqui.

domingo, 15 de março de 2020

A negligência do Estado na pandemia do coronavírus

Em Portugal, o Governo socialista de António Costa corre atrás do prejuízo na pandemia do coronavírus: no fornecimento aos serviços de saúde de kits de análise do contágio, no apetrechamento atempado dos hospitais com ventiladores (quantos ventiladores funcionais têm os hospitais portugueses?, quantos, e quando, foram comprados após o surgimento da doença na China? quantas camas dedicadas existem?), no adiamento do fecho de fronteiras, nas medidas risíveis de apoio financeiro às empresas para suspensão de atividade e sobrevivência face à crise económica, e na informação verdadeira do povo. Tudo a concorrer para o alastramento da doença. O drama da escolha de quem fica com o ventilador, e quem morre, também nos aflige, como em Itália.

O cálculo dos ganhos políticos imediatos sobrepõe-se à proteção do povo. Como em Espanha, onde o governo socialista de Pedro Sanchez, que fez campanha contra a discriminação salarial feminina, mobilizou a população a participar nas manifestações do Dia da Mulher neste 8 de março!... A ironia desta negligência é que a sua mulher, Begoña Gomez, que participou, com oito ministros, na manifestação multitudinária de Madrid foi contagiada com o vírus...

Todavia, as manifestações fenestrais de Itália, Espanha e Portugal (#somostodossocialistas), na linha das táticas de diversão pseudo-instantâneas (“a theme, a song, some visuals”) habituais do poder embaraçado, para abafar o impacto político da negligência dos governos no combate à pandemia do coronavírus, não apagam as mortes provocadas.

quarta-feira, 11 de março de 2020

A necessidade democrática de proteção da liberdade de expressão

Recomendo a entrevista de Edward Snowden, de 17-9-2019, sobre a liberdade de informação, a democracia e a privacidade dos cidadão - e o seu livro “Vigilância Massiva: registo permanente”, de 2019. E ainda a Freedom of the Press Foundation. A liberdade não tem cor.

quarta-feira, 4 de março de 2020

A multazita de Sócrates

Vamos lá ler esta notícia de 29-2-2029, “Operação Marquês: Juiz Ivo Rosa aumenta crimes de Sócrates de 33 para 40” ao contrário.

Na acusação do Ministério Público, além dos crimes de corrupção, Sócrates era acusado de três crimes continuados de fraude fiscal, entre 2006 e 2015, por alegadamente não ter declarado no IRS 34,5 milhões alegadamente recebidos do BES, Lena e Vale de Lobo, que os investigadores conseguiram rastear.

A imprensa rejubila com o aumento do número de crimes fiscais de 3 para 10. Porém, enquanto no crime continuado vale a última data, nesta formulação do juiz Ivo Rosa, depois aplicada a prescrição aos crimes mais antigos, fica muito pouco. Como se vai alegar do debate instrutório que não foi feita prova absoluta dos crimes de corrupção, noves fora...nada!... Quero dizer, uma multazita...

sábado, 29 de fevereiro de 2020

A fiabilidade do sorteio de processos no TCIC

Passado ano e meio da barraca eletrónica no sorteio do juiz de instrução no TCIC do processo Marquês, o então vice-presidente do Conselho Superior de Magistratura e atual secretário de Estado da Justiça, Mário Belo Morgado, cuidou do sistema de distribuição de processos e nunca mais houve erros embaraçantes, pois não? 

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Tancos (10)

A fita do tempo da demissão do ministro da Defesa José Azeredo Lopes, em 12 de outubro de 2018.










Azeredo Lopes fica! Nesse sentido, o Ministério da Defesa divulga a agenda do ministro para os próximos dias: «visita o Regimento de Infantaria de Vila Real e à Escola de Serviços do do Exército, na Póvoa de Varzim». É sexta-feira, e Azeredo Lopes, vai passar o fim de semana a casa, no Porto, e como habitualmente marca eventos justificativos a norte.

Contudo, meia-hora depois da divulgação da sua agenda para os dias seguintes, é noticiada a demissão do ministro. A agência Lusa divulga a apressada, e mal escrita, carta de demissão de Azeredo Lopes a António Costa.

Como explicar este volte-face? Horas antes, da tomada de posse da nova procuradora-geral, nesse dia 12-10-2018, o Presidente havia almoçado com Joana Marques Vidal, no palácio de Belém, num encontro fora de agenda e não noticiado. O almoço, a convite do Presidente, terá decorrido na parte privada do palácio.

Hipótese: o que a procuradora-geral cessante Joana Marques Vidal terá dito a Marcelo Rebelo de Sousa terá levado o Presidente a informar o primeiro-ministro António Costa de que Azeredo Lopes teria de ser demitido imediatamente. E foi. Apesar do non-denial denial da carta de demissão.


Limiitação de responsabilidade (
disclaimer): As entidades mencionadas nos postes das notícias que comento, não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade no processo de furto e recuperação do armamento dos paióis de Tancos. E quando na situação de arguidas, como José Alberto de Azeredo Ferreira Lopes, gozam do direito à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

Legalizada a eutanásia em Portugal

A legalização da eutanásia foi ontem, 20-2-2020, aprovada na Assembleia da República, 152 anos depois de Portugal ter sido o primeiro país do mundo a abolir a pena de morte para civi. A esquerda, com a louvável exceção do PC (ainda que compensada com a posição do satélite PEV), votou a favor,  da Iniciativa Liberal. No PSD: 12 deputados votaram a favor da eutanásia (entre os quais, o seu presidente e três vice-presidentes); 2 abstiveram-se; e 6 deputados faltaram à votação (o que tem o mesmo efeito).

Para registo dos eleitores, e segundo notícia da Lusa, da tarde de 20-2-2020, eis os nomes dos deputados do PSD que votaram a favor da legalização da eutanásia, se abstiveram ou faltaram à votação:

Rui Rio
Sofia Matos
André Coelho Lima
Isabel Meirelles
Maló de Abreu
Catarina Rocha Ferreira
Hugo Carvalho
Lina Lopes
Adão Silva
Cristóvão Norte
Duarte Marques
Rui Silva
Pedro Pinto
Ana Miguel Santos
Margarida Balseiro Lopes
Duarte Pacheco
Pedro Roque.
Emília Cerqueira
Mónica Quintela
Pedro Rodrigues.

Verificadas os resultados das votações dos vários projetos de lei, se estes 20 deputados do PSD tivessem votado contra, a eutanásia seria aprovada na mesma (no projeto de lei do PS, o resultado seria de 117 votos a favor e 106 votos contra). Mas o que esse comportamento demonstra é uma contradição entre a vontade dos representantes e a dos eleitores,

Veja-se a notícia da Lusa, de 20-2-2020, sobre o comportamento dos deputados do PSD na votação.
Doze deputados do PSD votaram a favor da eutanásia e dois abstiveram-se 
Mário Cruz - Lusa
20.02.2020 19h18
Numa votação a que faltaram seis parlamentares sociais-democratas.
Doze deputados do PSD votaram esta quinta-feira a favor de alguns projetos de despenalização da eutanásia, o dobro do número registado há dois anos, e outros dois abstiveram-se.
Votaram a favor de todos os projetos o presidente e líder parlamentar Rui Rio, a candidata a líder da JSD Sofia Matos, os vice-presidentes André Coelho Lima e Isabel Meirelles, bem como os deputados Maló de Abreu, Catarina Rocha Ferreira, Hugo Carvalho e Lina Lopes.
O primeiro vice-presidente da bancada, Adão Silva, votou favoravelmente o projeto do PS e absteve-se nos restantes, enquanto Cristóvão Norte votou 'sim' nos do BE e Iniciativa Liberal e absteve-se nos outros. Duarte Marques votou a favor do projeto do PAN, da Iniciativa Liberal e do BE, abstendo-se nos restantes, enquanto Rui Silva votou sim nos do PS e BE e absteve-se nos outros.
Os deputados Pedro Pinto e Ana Miguel Santos abstiveram-se em todos os cinco projetos.
Faltaram à votação, na bancada do PSD, seis dos 79 parlamentares: Margarida Balseiro Lopes, Duarte Pacheco, Pedro Roque, Emília Cerqueira, Mónica Quintela e Pedro Rodrigues.
Há dois anos, numa votação sobre o mesmo tema, tinha havido seis votos favoráveis na bancada do PSD e duas abstenções. Em ambos os casos houve liberdade de voto na bancada, mas desta vez o presidente Rui Rio - favorável à despenalização - é deputado.
A Assembleia da República aprovou hoje na generalidade os cinco projetos para despenalização da morte medicamente assistida.
O projeto do PS foi o mais votado, com 127 votos, 10 abstenções e 86 votos contra, sendo o do BE o segundo mais votado, com 124 deputados a favor, 14 abstenções e 85 contra. O diploma do PAN foi aprovado com 121 votos, 16 abstenções e 86 votos contra. O projeto do PEV recolheu 114 votos, 23 abstenções e 86 votos contra, enquanto o diploma da Iniciativa Liberal recolheu 114 votos favoráveis, 23 abstenções e 85 contra.
A votação nominal, um a um, demorou 30 minutos, a exemplo do que aconteceu na votação de 2018.
Estiveram presentes 222 dos 230 deputados.“
Os eleitores devem fixar estes nomes de deputados do PSD.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

As consequências sociais da eutanásia

Sobre a eutanásia recomendo a leitura da reportagem do Guardian, de 18-1-2019, «Death on demand: has the euthanasia gone too far", referido pela crónica de Helena Garrido, no Observador, de 17-2-2020 (leitura paga).

Além do crescimento acelerado da eutanásia na Bélgica e Holanda, apenas mitigado no último ano com o receio dos médicos por causa de processos relativos a escândalos (de adolescentes, um idoso que mudou de opinião face a declaração escrita e que foi morto com a justificação de que a sua vontade atual de não morrer não valia porque foi considerado demente, etc.), importa aos deputados atender às consequências familiares e sociais da eutanásia que esse artigo evidencia.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O eufemismo mentiroso do 'suicídio assistido'

O «suicídio assistido» mais não é do que a colaboração voluntária do médico, do familiar ou de outra pessoa, no suicídio de alguém.

Assemelha-se o eufemismo mentiroso do 'suicídio assistido' ao de alguém vai buscar uma corda à pessoa que se quer enforcar: não se trata de assistir ao suicídio, como aconteceria se alguém ficasse a assistir à preparação do auto-enforcamento e à sua realização, sem a deter. Trata-se de colaborar na preparação e realização do suicídio.

Pode dizer que a palavra assistido é usada no sentido de prestar assistência e não de presenciar. Mas a escolha da palavra não é inocente: trata-se de aligeirar a colaboração médica, familiar ou de outra pessoa, no suicídio de alguém com uma palavra suave, diminuindo o seu caráter chocante. Um comportamento desonesto habitual na propaganda de tipo leninista: interrupção voluntária da gravidez (será que a gravidez continua depois da pausa?...) para designar aborto, apropriação de fundos para significar roubo de bancos, coletivação para representar o roubo de terras, justiciamento para classificar o assassínio de dissidentes, etc., etc.

 Nenhuma eutanásia é boa, qualquer que seja a sua forma:
  1. Ativa;
  2. Passiva;
  3. Indireta;
  4. De duplo efeito;
  5. Voluntária;
  6. Involuntária;
  7. Não-voluntária;
  8. 'Terapêutica';
  9. Eugénica;
  10. Económica;
  11. Suicídio assistido;
  12. Libertadora;
  13. Eliminadora.

A pergunta da petição pública para o referendo sobre a legalização da eutanásia

A pergunta da petição pública para o referendo sobre a legalização da eutanásia (o abaixo assinado eletrónico está disponível no sítio da Federação Portuguesa pela Vida, em alternativa o impresso do pedido de referendo pode ser descarregado também ali) não deveria ser «Concorda que matar outra pessoa a seu pedido ou ajudá-la a suicidar-se deve continuar a ser punível pela lei penal em quaisquer circunstâncias?».

Cada vez que aceitamos a linguagem relativista estamos desde logo a conceder a derrota dos nossos valores. «Suicídio assistido» é um eufemismo desonesto. A pergunta deve ser: «Concorda que matar outra pessoa a seu pedido ou ajudá-la a matar-se deve continuar a ser punível pela lei penal em quaisquer circunstâncias?»

De qualquer modo, recomendo a assinatura da petição pública para um referendo sobre a legalização da eutanásia. O abaixo assinado eletrónico está disponível no sítio da Federação Portuguesa pela Vida, em alternativa o impresso do pedido de referendo pode ser descarregado também ali).

domingo, 16 de fevereiro de 2020

Tancos (9)



Cenas dos novos/velhos capítulos sobre o caso de furto e recuperação do armamento dos paióis de Tancos:
  1. Segundo a SIC Notícias, de 27-1-2020, o juiz Carlos Alexandre do Tribunal Central de Investigação Criminal (TCIC) formulou, para resposta por escrito, cumprindo a restrição do Conselho de Estado, 100 questões ao primeiro-ministro António Costa sobre o conhecimento, autorização e supervisão, seu e do Governo à investigação paralela, e ilegal, da Polícia Judiciária Militar (PJM) ao furto, em 28-6-2017, do armamento (rockets, explosivos, granadas e munições) dos paióis de Tancos e à encenação do seu achamento, em 18-10-2017, na Chamusca. Note-se que António Costa foi arrolado como testemunha pelo ex-ministro da Defesa, e professor de Direito, José Azeredo Lopes, arguido no processo. O processo tem 23 arguidos, que com os seus advogados têm conhecimento das diligências processuais, para além do TCIC e do Ministério Público.
  2. O primeiro-ministro António Costa ordenou a divulgação no sítio da presidência do Conselho de Ministros, do fac-simile do seu testemunho por escrito, em 4-2-2020, às questões do juiz Carlos Alexandre, com a seguinte justificação:
    «Tendo sido postas a circular versões parciais do depoimento do primeiro-ministro como testemunha arrolada pelo professor doutor José Alberto Azeredo Lopes no chamado 'Caso de Tancos', entendeu o primeiro-ministro dever proceder à divulgação pública integral das respostas a todas as questões que lhe foram colocadas e que constam do depoimento já entregue ao Tribunal Central de Instrução Criminal, às 16h22 horas, do dia 4 de fevereiro de 2020».
  3. O desconhecimento e alheamento manifestados pelo primeiro-ministro nas suas respostas sobre a investigação paralela da PJM e a recuperação do armamento são absurdos: ofendem a sua inteligência e ridicularizam a do povo.
  4. Consta que o advogado Manuel Magalhães e Silva, ex-secretário da Justiça do governo de Macau e consultor do Presidente  da República Jorge Sampaio, atual membro do Conselho Superior do Ministério Público e, possivelmente futuro membro do Conselho Superior de Magistratura, é o proença-de-carvalho de António Costa. Terá assessorado o primeiro-ministro neste assunto?
  5. Face à existência do segredo de justiça no processo, o juiz Carlos Alexandre comunicou ao Ministério Público que se pronunciasse sobre a eventual violação do segredo de justiça da testemunha António Costa.
  6. A procuradora do processo de Tancos no Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) despachou que não tinha competência para se pronunciar sobre a eventual violação do segredo de justiça, atendendo ao caso de a testemunha António Costa beneficiar do foro privilegiado (o Supremo Tribunal de Justiça) de primeiro-ministro - recorde-se o caso de José Sócrates no processo Face Oculta. 
  7. Terá a procuradora do processo sentido pressão dos superiores hierárquicos, o coordenador do DCIAP Albano Pinto e a procuradora-geral Lucília Gago, que antes, alegadamente, já se haviam oposto a que o primeiro-ministro António Costa fosse ouvido nesse inquérito?
  8. Face à resposta da procuradora, o juiz Carlos Alexandre despachou o assunto para o Supremo Tribunal (Observador, de 14-2-2020, citando a SIC Notícias).
  9. E parece que «os serviços» (sic) do Ministério Público no Supremo Tribunal de Justiça controlados pela procuradora-geral adjunta Maria José Morgado terão prontamente decidido... «a consequência natural da análise dos factos que vai ser feita»... (Exclusivo de Luís Rosa, no Observador, de 14-2-2020). Note-se que a procuradora-geral adjunta Maria José Morgado não se jubilou, como Luís Rosa noticiara em 13-12-2018, e terá pedido para continuar em atividade, sendo colocada, pelo Conselho Superior de Magistratura, no Supremo Tribunal de Justiça
  10. E qual é essa prévia «consequência natural da análise dos factos que vai ser feita» pelo Ministério Público de Maria José Morgado no Supremo Tribunal? O arquivamento. Luís Rosa, do Observador, de 14-2-2020, relata detalhadamente o sopro anónimo do Ministério Público no Supremo Tribunal:
    «Ora no caso das respostas de António Costa, o que está em causa é a divulgação de uma peça processual — o ofício das respostas posteriormente enviadas ao Tribunal Central de Instrução Criminal. E é aqui que pode entrar o crime de desobediência simples ou qualificada.
    Contudo, a investigação deste crime pressupõe responder à seguinte pergunta: foi o primeiro-ministro advertido pelo juiz Carlos Alexandre de que a publicidade das suas respostas estava-lhe vedada e que a respetiva violação poderia configurar um crime de desobediência? É o que costuma acontecer a jornalistas quando consultam os autos de inquéritos criminais já depois do segredo de justiça ter cessado.
    A resposta é simples: não. Ou seja, apesar de ser proibido divulgar peças processuais sem a expressa autorização judicial, o crime só se consuma se o visado em questão for informado disso mesmo. E basta consultar o despacho que o juiz Carlos Alexandre emitiu a 24 de janeiro de 2020, que o Observador consultou, para constatar que não foi feita nenhuma advertência nesses termos ao primeiro-ministro.
    Por outro lado, e de acordo com diversas fontes judiciais, a jurisprudência é unânime ao assegurar que quem não foi advertido para os riscos criminais de publicitar peças processuais não pode ser acusado de tal crime por falta de dolo e consciência sobre a prática do mesmo.
    A conclusão da não consumação dos crimes de violação de segredo de justiça e desobediência é óbvia: os autos deverão ser arquivados sem sequer António Costa ser chamado a prestar esclarecimentos enquanto arguido.»
  11. António Costa tem mais sorte do que eu: em 27 de Outubro de 2004, fui objeto de busca domiciliária noturna, e a minha mãe outra, por procurador do Ministério Público e Polícia Judiciária, por suspeita de desobediência simples de um despacho judicial, que não se me aplicava e que só vim a conhecer no dia da sentença que me absolveu, por ter publicado a acusação do processo de abuso sexual de crianças da Casa Pia (suprimindo sempre o nome das vítimas cuja divulgação o dito despacho pretendia acautelar)... Como é diferente a justiça neste caso. 
    1. A analogia entre o jurista experiente, ex-ministro da Justiça e atual primeiro-ministro, António Costa e um jornalista ignorante do direito é embaraçosa, para ele e o Ministério Público. As vestes que os sumo-sacerdotes socialistas comentaristas não rasgariam se um simples juiz advertisse o primeiro-ministro jurista das suas obrigações processuais!... Como é evidente, António Costa não foi advertido pelo juiz porque não precisava de ser.
    2. António Costa reincide no desprezo do processo penal: em 17-10-2003, a SIC noticiou o conteúdo de conversas telefónicas, em 21-5-2003, entre o então António Costa e Paulo Pedroso (cf. Público, de 17-10-2003) que viria a ser detido nesse dia por indícios de abuso sexual de menores (veio a ser acusado e que depois escapou à pronúncia por decisão da juíza de instrução Ana de Barros Queiroz Teixeira e Silva) nas quais Costa aparece a dizer: «pá, talvez o teu irmão seja altura de procurar o Guerra»!... João Guerra era o procurador titular do processo Casa Pia. 
  12. Contudo, ato de divulgação da peça do processo de Tancos foi realizado apenas por António Costa? Foi o primeiro-ministro quem scaneou o seu testemunho? Foi o primeiro-ministro que o carregou na página da Presidência do Conselho de Ministros? É que os funcionários do seu gabinete, ou outros, intervenientes eventuais não têm foro privilegiado e quem tenha participado não pode escudar-se na ordem recebida do primeiro-ministro para o cometimento de eventuais atos ilegais.

* Imagem picada daqui.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades mencionadas nos postes das notícias que comento, não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade no processo de furto e recuperação do armamento dos paióis de Tancos. E quando na situação de arguidas gozam do direito à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

sábado, 15 de fevereiro de 2020

Eutanásia: licença para matar

Em 29-5-2018, o Parlamento chumbou a legalização da eutanásia por 5 votos. No próximo dia 20 de fevereiro, a eutanásia vai ser novamente votada na Assembleia da República. O debate será rápido e a votação imediata. Parece que vai ser aprovada: CDS, Chega e PC votam contra, o PSD divide-se; e PS, Bloco, PAN e Iniciativa Liberal (?!...) votam a favor.

Já a iniciativa popular que propõe um referendo será chumbada. O regime da democracia indireta não quer o povo a votar nem em questões de vida ou de morte. A favor do referendo está o Chega, o CDS diz que a vida não se referenda (então, o povo não tem direito de reverter a barbárie?!...) e no PS Rui Rio, que é a favor da eutanásia, está constrangido a apoiar o referendo. E o Presidente da República tentará que passe tempo entre fiscalização da constitucionalidade e veto político, para evitar perder votos à esquerda e à direita, nomeadamente com o reforço do seu anunciado adversário na próxima eleição presidencial, de janeiro de 2021, André Ventura.

O referendo pode ser pedido por iniciativa popular (com 60 mil assinaturas), mas a proposta precisa de ser aprovada por maioria dos deputados; e se o referendo for consentido pelos representantes... do povo, para que o resultado seja vinculativo terão de participar mais de 50% dos eleitores. O Parlamento tem desprezado outras iniciativas populares de referendo, entregues com as necessárias assinaturas, adiando a votação das propostas e aprovando previamente leis que formalmente tornam esses pedidos obsoletos. O processo está viciado pela democracia indireta e desprezo da vontade dos cidadãos.

Contudo, a eutanásia não é a autorização para morrer, mas a licença para matar . Quem os velhos, os débeis e os psicologicamente transtornados. Depois, há-de avançar-se mais no progresso para abismo: eutanásia de menores, como na Bélgica e Holanda (a partir dos 12 anos, e a partir dos 16 sem necessidade de autorização dos pais...), a seguir eutanásia de deficientes (na linha do programa nazista Aktion  T4).  Cultura da morte: eugenismo, aborto seletivo, liberalização das drogas, eutanásia.

O socialismo eutanasia a vontade, convencendo os cidadãos outrora livres a obedecer ao seu (deles) desígnio dissolução. É hora de recuperar.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2020

Tancos (8)

O mais estranho do caso de furto do armamento dos paióis de Tancos é não ter havido, que se saiba, inquérito ordenado pelo Conselho Superior de Magistratura ao alegado facto de o juiz Ivo Rosa ter «negado vigilâncias e escutas a suspeitos que o MP tinha pedido» (DN, 26-9-2019), cerca de três meses antes do furto.

A informação das polícias e do Ministério Público (MP) era de que se preparava o roubo de armamento de paióis militares e que, por isso, deveriam ser feitas escutas aos suspeitos. Com as escutas aos suspeitos não se preveniria o furto, a comoção nacional, o embaraço internacional, e todos os problemas decorrentes do furto posterior?!... É que se os rockets, os explosivos e as granadas, furtados tivessem sido encaminhados para grupos terroristas e utilizados, poderiam provocar milhares de mortos?!...

O armamento furtado dos paióis de Tancos, em 27-6-2017, cuja lista, fornecida às forças antiterroristas espanholas por Portugal, foi filtrada pelos serviços secretos de nuestros hermanos para o jornal El Español, que a publicou em 2-7-2017, tinha uma capacidade letal tremenda:



Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades mencionadas nos postes das notícias que comento, não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade no processo de Tancos.