domingo, 19 de janeiro de 2014

Coadoção e adoção por casais homossexuais: democracia versus escol relativista




Ontem, 17-1-2014, foi aprovado no Parlamento o Projeto de Resolução n.º 857/XII/3.ª do PPD/PSD que «propõe a realização de um referendo sobre a possibilidade de coadoção pelo cônjuge ou unido de facto do mesmo sexo e sobre a possibilidade de adoção por casais do mesmo sexo, casados ou unidos de facto». A favor votaram os deputados do PSD, imposta a disciplina de voto; o CDS PP absteve, além de dois deputados do PS; e contra votaram os demais deputados do PS, PCP e os deputados do BE e PEV. Comento e depois destaco as posições do PSD e do CDS-PP.

O resultado constitui uma extraordinária vitória sobre o relativismo e sobre a promiscuidade da direita liberal. A viragem, a contragosto, da direção do PSD e da sua direção parlamentar relativamente à sua atitude face à co-adoção foi determinada pelo combate cultural movido pelo setor patriótico cristão. Após a denúncia da manobra das faltas e das abstenções na votação em plenário, em 17-5-2013, do projeto de Lei n.º 278/XII do PS, que aqui fizemos e da indignação popular relativamente a esse resultado, a direção de Passos Coelho compreendeu que tinha alienado a sua base eleitoral. E, atenta ao contexto francês e espanhol, preocupada com a previsão do veredicto das eleições europeias, sujeita à pressão popular, a direção de Passos decidiu conceder o referendo sobre o assunto. Aqui, e por aí, na rede resiliente que tecemos, orgulhamo-nos do trabalho feito que contribuíu para este resultado.

Pode agora, vir a pressão sobre o receoso presidente da República, que, incomodado como está por não poder continuar o aggiornamento esquerdista, até a pode aceitar por cinismo político... Pode até vingar num Tribunal Constitucional dominado pela esquerda o argumento da engenharia social relativista, e da ideologia do género, de que é inadmissível que se votem duas matérias diferentes (?!...) no mesmo referendo (ainda que em perguntas separadas...) - ou outra justificação qualquer. Mas ninguém nos rouba esta vitória temporária - ainda que venha a ser desvirtuada pelo tacticismo político que usa destruir o respeito devido  pacta sunt servanda.

A tática do relativismo moral mudou, nos EUA (veja-se o caso da California) e pelo mundo ocidentalizado fora: como o favor popular recuou da agenda relativista radical e as sondagens e os referendos começaram a dar-lhe resultados negativos, neste momento os relativistas recorrem aos tribunais para que estes bloqueiem a vontade maioritária do povo. Portanto, também agora, em Portugal, se quer prestidigitar na secretaria o que o povo deseja decidir no campo. Claro que o recurso aos tribunais é uma tática temporária, pois não há condição política para suportar uma vontade popular consistente e duradoura. Mas, enquanto podem, forçam antidemocraticamente uma agenda radical relativista, cada vez mais desligada dos valores humanos constitutivos da sociedade.

O argumento de não se votam os direitos de minorias, baseado na suspeita antidemocrática de que a maioria não respeita a minoria, parece só valer quando a vontade da maioria não é concordante com a minoria progressista iluminada. Nessa interpretação, uma teoria elitista próxima da doutrina salazarista do «escol», em certas matérias escolhidas pelo escol, só esse escol as pode decidir.

O escol é cooptado pelos próprios, independentemente do valor académico, profissional ou simples valor. Nessa hermenêutica elitista - antidemocrática, insisto - o povo é burro, atrasado e mau. Em oposição à massa fedorenta do povo, os donos da política, o escol é ilustrado, progressista e solidário, o único grupo habilitado a entender e deliberar sobre matérias complexas como a adoção de crianças por casais homossexuais. Compreendem que o escol tem de ser ratificado pelo povo em eleições de menu fechado, mas também sabem por experiência de promiscuidade dos poderes democráticos de controlo, como os média tradicionais, que os representantes não têm de indicar os valores fundamentais que defendem, por exemplo: casamento homossexual, adoção e coadoção de crianças por casais homossexuais, aborto livre, liberalização de drogas, criação artifical de embriões exclusivamente para experimentação científica e produção de tecidos e de órgãos, eutanásia.

Assumem que o escol eleito não tem de servir o povo, mas apenas a sua consciência - e um ou outro interesse, cuja avença o povo não tem de o direito de conhecer... Mas o escol, representativo de si próprio, não é obrigado a informar o povo de quais os valores que defende, para além de ter a liberdade de esconder dos eleitores as suas convicções e, inclusivamente, a sua decisão (ou abstenção), que justificam como facto da vida privada ou consciência iluminada. Sem vergonha da contradição intrínseca, os defensores desta doutrina antidemocrática do escol justificam como moralmente irrepreensível que o candidato A do Partido X, eleito pelo povo numa lista partidária para representar os valores do programa ideológico do partido sem revelar os verdadeiros valores em que acredita e que pratica, logo que eleito passe a defender, de forma mais ou menos camuflada, os valores opostos, aliás identitários do partido Y. Ora, isso está até para além da interpretação setecentista da democracia representativa do discurso de Edmund Burke aos eleitores de Bristol, de 3-11-1774.

A posição do PSD
Como se sabe, não tenha a mínima ilusão sobre Pedro Passos Coelho, os seus negócios de Estado, a sua costela melífluo-cínica de beijos a criancinhas entremeados de roubos de chupa-chupas e a sua crosta tardo-liberal mal sarada. Não confio. E admito que na sombra do bastidor se fundam as lâmpadas que acenderam na ribalta, através de justificações tecnicalistas, e depois se procure demonstrar ao povo de que se fez tudo o que era possível para que o desiderato fosse outro. Isto é, a aprovação do referendo pode ter, em si, já a pista da sua recusa.

Porém, se as manobras de bastidor tiverem êxito, não será fácil convencer o povo de que não o deixam pronunciar por um arranjinho político feito nas suas costas por representantes que lhe ignoram a vontade e a eleição. Ou Paula Teixeira da Cruz, mais Teresa Leal Coelho (ex-administradora SAD do Benfica no tempo de Vale e Azevedo e ex-CCB), mais Francisca Almeida e Carina João Oliveira (atual presidente do PSD de... Fátima!... com uma no cravo e agora outra na ferradura) tão modernas, tão eme-dê-emes, tão ingénuas em busca daquilo que um amigo meu chama o atestado de bom comportamento esquerdista, mais o novo Paulo Rangel tão avesso à decisão da «turba popular» (16-1-2014) não se dão conta que o povo os elegeu, num menu peixe-ou-carne em que não pode escolher entre bife ou galinha, apesar de tudo num programa ideológico respeitador da categoria política da doutrina social da Igreja e não num programa socialista?!... Se a sua convição íntima os propele na direção de outros valores, não estarão no partido errado: no PSD de Sá Carneiro em vez do PS de Sócrates?...

A posição do CDS
O CDS de Paulo Portas, como tenho salientado, é um partido contraditório entre os valores que representa e os interesses que, na hora crítica, defende. O CDS de Portas, e da sua camarilha, não é um partido «democrata-cristão» como ainda afirma no ponto 1 do seu programa: é um partido liberal na economia e ainda mais liberal nos costumes. A abstenção na proposta de referendo sobre coadoção e adoção por casais homossexuais é mais um episódio de promiscuidade ideológica, coerente aliás, com a promiscuidade política, coerente aliás com toda a incoerência moral.

Admito que Portas possa chegar ao porto de abrigo de comissário europeu no outono de 2014. Os líderes da União Europeia não aceitam que Passos siga o exemplo de Durão, em 2004. Aliás, a birra de Portas com Passos pode ter tido como motivo o desejo do líder dos centristas ficar com o lugar de comissário e o entendimento entre os dois pode ter tido esse preço. Espero que depois de Portas abandonar o partido à sorte seguinte, Nuno Melo ou Filipe Anacoreta Correia possam resolver a contradição ideológica do CDS, ainda que isso implique uma transferência (outra...) para o Partido Socialista dos relativistas morais radicais que agora mandam no partido.


* Imagem picada daqui.

20 comentários:

Rui Moringa disse...

Enquanto forem precisos Dois para fazer Um estas formas hediondas de pressão sobre a sociedade que estes abjetas querem impor devem ser censuradas e refutadas, recusadas.
Será que queremos uma sociedade reproduzida por clonagens e cheia de clones?
Eu recuso.

Anónimo disse...

A revolução conservadora começou em 1979 com Margareth Tatcher. Depois, veio o maior Presidente dos EUA, desde Abraham Lincoln, chamado Ronald Reagan. Depois, veio João Paulo II.

Antes, estava na Casa Branca, Jimmy Carter, o Ocidente estava decadente e sem uma clara orientação moral.

Na Grã-Bretanha, Nigel Farage é quase tão popular como David Cameron. Em França, a extrema direita ultrapassou a direita tradicional da inconsistencia e da negociata.

Por cá, o caminho será o mesmo. Dá nojo, ver a Moreira, androgina, a botar discurso nas tv's. Dá vómito, ouvir o papá, colaborador de Salazar, a defender o Estado social.

O lixo dirigirá Portugal até um dia. Não se queixem, depois!

Anónimo disse...

Este referendo é a maior falcatrua que o PSD cometeu na Assembleia da Republica. Podemos estar contra a coadoção, seja porque a Igreja quer ou porque não percebemos o que está em causa, mas jamais um partido político pode patrocinar o que aconteceu na AR.
Mais um "cavaco" para a fogueira do descrédito dos partidos.
Quanto à posição do Dr Abc nada de admirar pois o homem vive ainda na idade da pedra...

Anónimo disse...

Porque será que a chamada Esquerda das fractruras, também chamada de Esquerda dos paneleitores, tem medo do voto popular? Porque será que os portugueses não podem decidir sobre se os gays ou paneleitores podem ou não adoptar crianças, que têm direito a ter um Pai e uma Mãe?

Este é um sinal claro de decadência do chamado Ocidente, que quer procriar através de um Pai e de um Pai, ou de uma Mãe e de outra Mãe. A Natureza encarregar-se-á de esventrar os que querem a fractura. Darwin explicou bem isso.

Anónimo disse...

Tudo isto está programado:
A destruição da Família natural é só um dos pontos dum Programa muito mais vasto.

Pobres dos seres humanos que tenham a desdita de serem criados nesses ambientes aberrantes e contra-natura.

Quem viver dentro de vinte anos verá uma geração de incapazes que se vão cortar mutuamente aos bocados e se virarão para os mais velhos com a mesma faca.

Mas eles não são os culpados.
Os culpados são os energúmenos que apoiados em teorias anti-natura e inconfessáveis interesses, fazem caminho numa Sociedade delirante, corrupta e sem rumo.

Anónimo disse...

Prof. Caldeira,

O que trará ao seu "sítio", alguns parecidos "gays"? É perturbante, gostar de ir a sítios para os quais não se é convidado. Sabe-se que eles se sentem perdidos, pois, a seguir à cu-adopção, só lhes resta a eutanásia. Depois, talvez a relação com animais ou com extraterrestres, será a sua próxima fronteira, sempre à espera de ser modernaço.

António Lopes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

http://economico.sapo.pt/noticias/paula-teixeira-da-cruz-recusa-agitacao-no-psd_185484.html

Paula Teixeira da Cruz falava aos jornalistas à margem de uma cerimónia de assinatura de protocolos entre o Ministério da Justiça e diversas instituições visando a ocupação laboral de reclusos durante e após o cumprimento da pena.

Anónimo disse...

Sou contra a co-adopção por ser um sério estudioso no assunto da "Nova Ordem Mundial tecnocrática ocidental". Escrevo muitas vezes no fórum antinovaordemundial dando a minha opinião e salientando os meus pontos de vista e admito que às vezes digo alguns disparates. Penso que a esquerda portuguesa segue a cartilha dos progressistas tecnocráticos que querem fazer do ocidente tão corrupto que cheire mal para depois eles resolverem os "males que nós causamos", mesmo recorrendo à força, eles usam o aparelho de estado para causar essas mudanças de maneira sorrateira para que ninguém se aperceba e para que depois se façam de vítimas ao mesmo tempo que assumem as mudanças que fizeram mas sem salientar que as fizeram, duvidam disso? Assistam aos prós e contras e interpretem bem quando eles falam da "lei diversificada que ninguém diversificou" e do "estado laico que é contra a religião da maioria dos portugueses". Escrevo não na esperança de mudar o curso dos acontecimentos, mas para que um dia quando o pior acontecer, as pessoas vejam que enquanto o mal se proliferava nem toda a gente estava a dormir. O PSD fez a escolha certa, fez a escolha mais democrática possível, agora o povo tem de se informar e decidir o que fazer da sua cultura, entregá-la a futuros ditadores para que estes doutrinem as futuras gerações no âmbito da ditadura do estado tecnocrático ou decidir que nós povo português declaramos guerra em nome das nossas convicções históricas, nacionais, culturais e religiosas. Numa democracia o povo não tem só o direito de dirigir a cultura do país como tem o dever de a proteger, lembrem-se que a guerra política começa na cultura("não há nada que apareça na política de um país que não surja primeiro na cultura"); o Partido Social Democrata apesar das suas desavenças nesta questão deu-nos o direito de decidir o que nós queremos e a quem nós apoiamos, os ditadores tecnocratas da esquerda ou a democracia liberal-conservadora da direita, que infelizmente não tem tido canais de expressão nas eleições?... a escolha começa por cada um de nós. Assinado: Lino Miguel Rocha Falcão.

Anónimo disse...

Um Governo, uma maioria, um CHERNE, não falta mais nada.

lidiasantos almeida sousa disse...

Só o Professor me pode confirmar se é verdade o que disem no Caramulo, terra onde o ALFORRECA viveu a sua infância e parte da Adolescência. O Rapasola inscreveu-se na Juventude Comunista e fes uma série de disparates incluindo ocupar uma espécie de palheiro para faser a a sede do partido,perante a oposição das entidades deitou fogo ao palheiro. o Pai que era PSD obrigou-o a inscrever-se na Juventude do PSD. Isto que eu escrevi foi-me relatado por pessoa nativa dessa terra e com a garantia que era verdade. mas como não gosto de acreditar sem ter a certesa pergunto-lhe se isto tem algum fundo de verdade. Contudo os olhares e entendimentos que ele tem com o comuna Jerónimo, por veses verifico que há ali grandes cumplicidades. Como não gosto de pecar, e não percebo nada de máquinas partidárias, nem nunca fui associada de partidos, clubes etc. Espero que o Senhor me ajude para desmentir a antiga visinha do Caramulo do Alforreca. O Golpe baixo no Marcelo foi digno de MESTRE nota-se ali a mão de Relvas que está na sombra a ganhar milhões para recuperar os perdidos quando do divorcio, porque a mulher foi espertissima e sacou-lhe tudo o que estava em off shors, Mas foi a Angola anda era ministro com o da ponte faser a negociata da controlinveste e comprou um t6 num condominio fechado em Belém em nome da amante,que custou mais de um milhão de Euros, agora mulher e grávida. Parte deste assunto foi tratado aqui na Torre, pois o Angolano Mosquito está ligado à Neshwold dona do Sol e do I. o genro MonteS que ficou com 15% para abarbatar a TSF também por aqui andou e por tal sinal é muito simpático

Anónimo disse...

Portugal está minado pela paneleiragem. É a mão do diabo.Deus nos ajude.

Anónimo disse...

E dizem que até os há no atual governo...

Anónimo disse...

O Montes está na Rua Viriato 25.

Anónimo disse...

Por exemplo, o Paulo e o Adolfo.

Lura do Grilo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Lura do Grilo disse...

A criança é vista como descartável: abortável para aliviar o fardo de quem as gera e mercadoria para alimentar o ego ferido de casais homossexuais sedentos de reconhecimento social pela imitação famílias que sempre desprezaram.

Esta adopção violaria o príncipio de confiança das crianças em ser criada com um pai e uma mãe.

Anónimo disse...

Anónimo de 19 de Janeiro de 2014 às 18:13 é isto que pretende para Portugal??

http://www.theguardian.com/world/2014/jan/20/nigel-farage-women-sacrifice-family-succeed-finance-ukip

Anónimo disse...

21 de Janeiro de 2014 às 10:08,

Eu não quero, nem deixo de querer, até porque não sou britânico.

O que alerto é para o seguinte: o lixo que tem dirigido a chamada "Direita democrática" é de tal forma nauseabundo, que as pessoas já não se revêem na gentalha que se deixa ficar ao abrigo chamada "Direita democrática", que no fundo vai para o poder para traficar.

Basta ver a corrupção que existe por essa Europa fora, desde Rajoy até Sarkozy, todos a cheirarem a dinheiro por todos os poros. Se a chamada "Direita democrática" não se limpar bem os Farage as Marine Le Pen vão fustigar a Europa. Com toda a certeza.

Aliás, há jornais influentes que já falam no "Tea Party" na Europa!

Anónimo disse...

http://economico.sapo.pt/noticias/pj-faz-buscas-a-20-colegios-do-grupo-gps_185567.html

A Polícia Judiciária está a efectuar cerca de duas dezenas de buscas em vários colégios privados do grupo GPS, disse à Lusa fonte ligada ao processo.

Além da sede do grupo no Louriçal estão também a ser investigados os colégios de Mafra e das Caldas da Rainha deste grupo que detém 24 colégios dos quais 13 são financiados pelo Ministério da Educação. O conselho de administração do grupo GPS é presidido por António Jorge Calvete, que foi deputado socialista de 1999 a 2002, eleito pelo círculo de Leiria, tem tido entre os seus colaboradores vários ex-governantes socialistas como e do PSD. Entre os colaboradores e funcionários figuram o ex-secretário de Estado Adjunto e da Administração Educativa, José Canavarro, na tutela de Maria de Lurdes Rodrigues e Paulo Pereira Coelho, ex-secretário de Estado Adjunto da Administração Interna. Além destes também os directores regionais de Educação de Lisboa e do Centro, respectivamente José Almeida e Linhares de Castro têm ligações ao grupo.

Nos últimos dois anos os colégios GPS receberam do Estado um total de 81 milhões de euros.