terça-feira, 14 de janeiro de 2014

A fabulosa efabulação de José Sócrates


 


Nem queria voltar ao tema do comentário de José Sócrates, em 5-1-2014, na RTP-1, com a sua efabulação do jogo Portugal-Coreia do Norte, no Mundial de 1966. A efabulação é um desvio psicológico de misturar «elementos reais e fictícios», que parece recividar com frequência no ex-primeiro-ministro (cf. José da Porta da Loja).

No poste que escrevi aqui, em 7-1-2014, «Eusébio, Soares e Sócrates» - com base nas fontes indicadas, com relevo maior para Tó Zé Silva, que creio ter sido, na noite de segunda-feira, o autor da descoberta, imediatamente amplificada de que o dia 23 de julho de 1966, data da tarde desse jogo, era... um sábado - forneci-lhe uma saída para a efabulação detetada: Sócrates «ia brincar para o recreio da escola ao fim de semana» e «a "explosão de alegria na escola» foi um modo de falar sobre o contentamento dos seus amigos que tinham levado um rádio de propósito para ouvir o jogo... enquanto brincavam».

Porém, em vez de ficar com a dúvida razoável gritada pela trupe patética do eu-até-não-tenho-nada-a-ver-com-Sócrates-mas, este, como analisa o José da Porta da Loja, jamais resiste à tentação do desmentido fulminante. Mesmo que face a «uma invenção de uma memória necessariamente falsa, sem a noção assumida que o poderá ser». E espalha-se: não se conforma em encostar para golo, tem de tentar fintar o guarda-redes... A emenda desarticula a eufonia do soneto sistémico. Conta novo conto e cose-se em novo ponto de agulha incerta. Tenho, então, por isso, de voltar ao caso.

Recordo o que disse José Sócrates, em 5-1-2013, sobre esse jogo glorioso com a Coreia do Norte no Campeonato do Mundo de Futebol de 1966, no estádio de Wembley, em Londres:
«Lembro-me que saí de casa com Portugal a perder 3-0 e fui ouvindo nas ruas da Covilhã, enquanto ia para a escola, gritos de alegria através das janelas (...) pelos golos de Portugal. E cheguei à escola já Portugal ganhava e foi uma explosão de alegria na escola.» (Transcrição minha).
João Figueira que andava na mesma escola de Sócrates, na Covilhã, referiu no seu mural de Facebook, logo na madrugada de 6-1-2014, e ao CM, de 8-1-2014, que nessa altura a escola estava em férias. Para além de Sócrates ter dito que ia para a escola primária num sábado à tarde. Em vez de dizer que ia brincar para o recreio da escola, como diria se desse outro modo fosse.

Mas, depois da trupe paleo e neosocratina vir relhar o terreno, lá surgiu o confirmativo desmentido oficioso. Jorge, irmão de Luís, veio servir o patrão. No DN, de 9-1-2014, diz, em entrevista oportuna a João Céu e Silva, o mano Jorge, com uma memória ainda mais prodigiosa que a do seu camarada ex-primeiro-ministro:
«Nós morávamos no centro histórico da Covilhã e a escola ficava a muito poucas centenas de metros das nossas casas. Por isso, fosse em que dia fosse, houvesse aulas ou não, estivéssemos de férias ou não, fazíamos de um dos pátios da escola o nosso lugar de encontro habitual. Éramos um grupo de miúdos muito unido e íamos frequentemente para lá jogar à bola, ao berlinde e fazer travessuras. Quanto a ele, recordo-me bem de já lá estar com outros colegas quando eu cheguei após o jogo acabar.
- Já estava ou poderia já estar?
- Podia, não! Já estava, posso dizê-lo com toda a certeza porque tínhamos combinado antes do jogo entre nós esse encontro, e essas pessoas [os colegas] que lá estavam com ele a festejar eram também dos meus amigos mais próximos».
Portanto, vamos lá  reconstituir os factos e os ditos desse sábado, 23 de julho de 1966 (o jogo Portugal-Coreia do Norte começou às 15 horas GMT):
  1. Se Sócrates saíu - como diz que saíu - de casa com o resultado em 0-3, isso aconteceu entre as 15:25 e as 15:26. É que às 15:27, Eusébio reduziu para 1-3...
  2. Porém, quando Sócrates chegou - como diz que chegou - ao pátio da escola (que Jorge Patrão identifica como o Externato do professor Cerdeira) «já Portugal ganhava». Ora, como Eusébio marcou o quarto do seu poker, aos 14 minutos da segunda parte do jogo, após o canónico intervalo de 15 minutos, então, Sócrates só chegou ao externato depois das 16:14. O que perfaz, pelo menos, 49 minutos - como também deduz, na Pantominocracia, outro Pantomineiro Mor. 
  3. Diz o seu amigo Jorge Patrão: «Nós morávamos no centro histórico da Covilhã e a escola ficava a muito poucas centenas de metros das nossas casas». Então, o rapaz Sócrates, de oito anos, terá demorado, pelo menos, 49 minutos a fazer «poucas centenas de metros». 
  4. Claro que Jorge pode dizer que ele é que morava a poucas centenas de metros do Externato, que o seu futuro patrão morava muito longe, a mais de três quilómetros... Mas um servo não costuma usar o plural majestático.
  5. Poderá ainda argumentar-se que as «poucas centenas» eram... trinta, o que corresponde a um passo razoável para um petiz ansioso por ir comemorar a reviravolta... Mas essa explicação também seria demais. 
  6. Outra justificação defensiva é de que Sócrates se tenha detido pelo caminho a apreciar «os gritos de alegria através das janelas» - que diz ter ouvido - e que outro José também realça (para lá de estranhar o «tempo de caminho»).
  7. Já a «explosão de alegria na escola» também não é uma personificação pirotécnica da escola. Jorge recorda-se de o patrão «lá estar com outros colegas (...) a festejar». Deviam ser muitos, porque, se fossem poucos não se poderia falar de «explosão de alegria na escola». Para mim, a «explosão» deve ter sido ao quinto golo de José Augusto, cerca das 16:35 (aos 80 minutos de jogo)... Com certeza que um dos miúdos da escola primária levou um rádio para ouvirem enquanto jogavam. Jorge conta que só chegou no fim, pois ficou em casa a assistir ao jogo. Mas os outros colegas, como José Sócrates não. Foram, como iam sempre, para o pátio do externato, jogar à bola, sem qualquer oposição do liberal dono do espaço, enquanto ouviam o relato no aparelho bifado por algum dos petizes. Deve ter sido assim, tal e qual. E «ali mesmo», como relembrava o Anastácio do «Leão da Estrela» sobre a sua fantástica caçada à «onça» na «bacia do Limpopo»...

Atualização: este poste foi emendado às 11:14 e 12:00 de 14-1-2014.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): É desnecessário lembrar que a efabulação não é crime. Indesculpável é dar crédito político a quem a faz com frequência.

20 comentários:

Anónimo disse...

Aqui está um assunto muito importante para o povo.
Este sítio, apêndice do jornal Correio da Manhã na sanha contra o Sócrates, está de parabéns porque os temas aflorados são de relevância capital.
Porém, o caso dos "roubos" da laranjada no BPN, as ações da SLN bem compradas e melhor vendidas pela família do homem mais sério do mundo, a recente entrada do laranja Arnaut na Goldman Sachs, do Vítor no FMI, isto é coisas e loisas relacionadas com "homens" do partido do Dr ABC e que prejudicaram ou vão prejudicar o Zé Povinho, não são trazidas aqui pelo dono desta casa.
Por quê?
Alguém sabe?

Anónimo disse...

Quinto golo de José Augusto de penalty?
Isso é mentira, Dr ABC!...

Anónimo disse...

Ferozes que nem libelinhas, os socretinos.

A mentira repetida à milésima, torna-se verdade, como dizia o Ministro da Propaganda, Sargeta Santos Silva, perdão, Josef Goebbels.

Só que a mentira quando não se é poder, é terrível. Mas, quem só sabe mentir, não consegue sair dela, até porque tem um processo mental de transformar a verdade na mentira, e até se confunde, mas sempre com o intuito de confundir, os outros.

Sócrates terá o seu futuro como consultor de plasma, de intermediário dos asfalteiros para o carroceiro Maduro, de parceiro de negócios com o Dirceu e afins.

Sócrates poderá ser uma espécie de Coordenador internacional dos Vigaristas Internacionais Unidos (VIU). Que é como quem diz, foi Você que VIU a vigarice internacional? Sim, fomos nós os portugueses.

Tem um futuro perene.

Anónimo disse...

Ehehehe.
Os lacaios do socialismo corrupto estão loucos com as saudades dos cargos políticos que os ajudavam a encobrir todas as mentiras e vigarices.
Fora dos órgãos de poder, todas as aldrabices se tornam evidentes e cobrem-se de ridículo.
Percebe-se que a legião de aspirantes ao devorismo é numerosa,pois os "amigos" do Vigarista despontam que nem cogumelos a tentar justificar a patranha do chefe corrupto.

Antonio Cristovao disse...

Imaginação delirante não merecia tanta prosa,até porque-vendo a amostra os fé-seiros já sabem que o que diz o ex 1ºministro de Portugal, são só verdades, na continuação das patranhas verdadeiras que foi usando no periodo anterior.

Anónimo disse...

Sócrates sempre foi especialista em marcar penalties de cabeça e golos com a "mão" (de Deus ou do diabo, tanto faz) e os comentadores do clube dele virão sempre dizer que não houve ilegalidade alguma. E para a história o que conta é o resultado: baixámos de divisão na Liga Europa e não tarda só jogamos em campo pelado de pé descalço e com bola de trapos.

Anónimo disse...

Isso, se não acabar a jogar no recreio da escola, à tarde, com os compinchas de há 50 anos atrás!...

Anónimo disse...

A mim não me faz diferença que ele minta, porque há muitos anos que não sou capaz de ouvir tal criatura.
É uma repulsa natural, mesmo ainda do tempo em que esse miserável era apenas secretário de estado ou Ministro...

Anónimo disse...

http://dinheirodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=209546

Pais do Amaral estuda possível entrada na corrida à privatização da TAP

O empresário português Miguel Pais do Amaral poderá, em conjunto com outros empresários nacionais e estrangeiros, avançar para a privatização da TAP, revela a edição desta quarta-feira do Diário Económico.

Anónimo disse...

Ah Balbino, Balbino, que paixão desastrada tu havias de ter pelo Sócrates. Só pensas nele, só falas nele, só gritas por ele, já ninguém te pode aturar, e o tipo continua a ignorar-te, não te liga nenhuma. Estimo as nelhoras.

Anónimo disse...

O DR Balbino, pela calada da noite, corrigiu a mentira do quinto golo do José Augusto de PENALTY.
Quanto ao resto tudo na mesma. Espera as notícias do CM ou de algum Zé relacionadas com o Sócrates para depois, e aqui, fazer o seu arrazoado.
Nada de diferente!... sempre a mesma inacreditável sanha.

Carlos Sério disse...

Meu caro, não perca tempo com isto.
Debruce-se antes nas palavras do Papa Francisco, na "economia que mata" e nos agentes que desgraçam Portugal agora.

Anónimo disse...

Eh, eh, agora é-se criticado por se corrigir imprecisões. Se não se corrige, está-se a ser falso. Sócretinos.

Do Sócrates, infelizmente, não há nada para corrigir. A compulsividade é terrível. É incorrígivel. A trapaça está-lhe no DNA.

Esquecer o quê? Um vigarista que nos deixou dívidas por gerações? NUNCA.

Anónimo disse...

O lodo.

http://diariodigital.sapo.pt/news.asp?id_news=679635

Manuel Alegre desistiu hoje do processo por difamação contra o general Fernando Paula Vicente, após receber um pedido de desculpas, mas o tenente-coronel Brandão Ferreira quis ser julgado por imputar traição à pátria ao histórico socialista.

Neste julgamento, Mário Soares, Ramalho Eanes, Jorge Sampaio, António Arnauth e Alberto martins, entre outros, vão depor a favor de Manuel Alegre, enquanto o general Alpoim Calvão, o general Lemos Ferreira e outros militares estão arrolados como testemunhas de Brandão Ferreira.

Anónimo disse...

Concordo com o sr Carlos Sério. Para quê perder tempo com quem nos levou à bancarrota resultante de crimes de corrupção e abuso de poder?
Ainda que passados 3 anos e uma gigantesca operação de branqueamento,se preparem para regressar ao mesmo poder, para quê estar a perder tempo?
Devemos é bater nos agentes que agora nos desgraçam, do género dos que estão a recuperar a economia destruída pelo psicopata e seu bando devorista.

Anónimo disse...

Os Sérios em coligação com a Grande Irmandade, voltarão ao poder. Sabemos. Mas, agora, o socialismo na gaveta, não terá graveto, pois os fundos comunitários secaram e o crédito bancário internacional, também. Como é que o socialismo vai governar sem a distribuição de dinheiro? Veja-se o Hollande, que diz que "abandonou o socialismo, para abraçar a social democracia".

Todos ladrões, todos iguais.

Anónimo disse...

Diz o anónimo de 15 de Janeiro de 2014 às 00:20

"É uma repulsa natural" digo eu, olhe que não, olhe que não...

Bandarra disse...

O garotio não apedreja árvore que não dá fruto!
Afastados do pote, vêm apedrejar dentro da casa dos outros! Temem chegar tarde ao lambedouro das migas!

Whore Ant disse...

Sócrates é uma gota de água. O tema do dia são as habilitações "académicas" da mulherzinha do Crato: mais uma que grimpou pela escada fácil dos amigos do Maoismo

Anónimo disse...

A escumalha xuxa nunca mais morre ?
Não tem quem enfie uns balázios nessa corja ?
Sangue ..precisa-se ..com urgência.
Só sangue lavará a nossa alma.