sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Cinzas


«Then loudly cried the bold Sir Bedivere:
'Ah! my Lord Arthur, whither shall I go?
Where shall I hide my forehead and my eyes?
For now I see the true old times are dead,
When every morning brought a noble chance,
And every chance brought out a noble knight.
Such times have been not since the light that led
The holy Elders with the gift of myrrh.
But now the whole Round Table is dissolved
Which was an image of the mighty world,
And I, the last, go forth companionless,
And the days darken round me, and the years,
Among new men, strange faces, other minds.'» 
Tennyson, Alfred (1859-1885). Idylls of the King. vol. The passing of Arthur.

Fez em 30 de agosto o décimo aniversário deste blogue. Passou-me a data, como passa o tempo. Não passaram os companheiros de combate, os comentadores e os leitores. Não passaram os motivos, que continuam atuais. Não passaram os objetivos, que permanecem sempre. Não passou o diagnóstico, mesmo se, com poucos meios, vamos errando, e corrigindo, no processo iterativo da receita, cuja descoberta não é, por si só, suficiente para a cura. Não passaram os adversários, de natureza quase igual os recentes e mais ou menos entocados na penumbra os mais antigos, mas todos coercivos na resposta desenfreada ao avanço tecnológico democrático. Não passou o trabalho nem a luta, ainda que sem confiança numa vitória breve e com consciência da necessidade de reformular a tática política para converter as descrentes gerações mais novas para o imperativo do combate. Passamos, além de todas as ilusões decadentes de glória, apenas nós: linho sequioso em pasto árido, em cinza o que foi chama. E, todavia, profundo - quanto Portugal é! -, ainda arde o rastilho que nos consome, enquanto não inflama de novo os corações justos. Obrigado, porém, a outro ritmo.

Mas se tudo passa, mesmo quando parece que fica, de que importa contar os números (postes, visitas, comentários, linques, feeds), assinalar as batalhas, queixar das perseguições, pesar os sucessos? Tudo isto é o lastro de uma barca humilde, bolinando, frágil e teimosa, contra o vento acre que lhe amargura a história e sujeita afinal ao destino, e ao passo, que Deus comanda.

17 comentários:

JPA disse...

Professor ABC;

Que Deus o ajude nesta Luta.
Os primeiros 10 anos já foram, Parabéns. Cá estaremos para os próximos.

Abraço
JPA

Jose' Salcedo disse...

Sinceros parabéns pelo papel importante que tem cumprido em sociedade, através da desmonstração de um sentido apurado de responsabilidade em cidadania. Bem haja.

Luis Moreira disse...

Parabéns e um abraço forte. É uma luta desigual mas que vale a pena.Cá continuarei ao seu lado ampliando no Banda Larga o que escreve.

Anónimo disse...

Senhor Prof. Caldeira,

Sinceros parabéns pelo exemplo de cidadania.

José Moringa

Anónimo disse...

A luta continua
A vitória é certa

Joaquim Carlos disse...

A vitória está toda contida na nobreza do combate. O teu, o nosso combate. Deus te abençoe e dê coragem de persistir para além de todas as pestíferas persistências adversas.

Grande Abraço, António.

Anónimo disse...

Parabéns Professor ABC.

Não está só.

Conte connosco.

O CAMINHO É EM FRENTE disse...

POR MUITO DIFÍCIL QUE SEJA HÁ QUE CONTINUAR...

Anónimo disse...

Meu caro Senhor,
Lembre-se, diariamente, que está 10 anos mais velho. Escrevo-lhe isto porque se nota nos seus posts.
Têm menos testoterona.
Abraço, pelo seu trabalho passado que foi notável.

Anónimo disse...

Caro amigo,
Pois então, parabéns ao DPP. Que, afinal, talvez não faça apenas dez anos; tem os mesmos anos que a luta da verdade e da nobreza contra a ignominia: tem a idade da humanidade.
Abç.

Anónimo disse...

António, muitos parabéns por nos ter dado nestes dez corajosos anos tanto do seu saber, do seu tempo, da sua enorme coragem, da sua incansável luta contra os inimigos de Portugal, do seu enraízado portuguesismo e do seu inabalável patriotismo. Que venham muitos mais como estes, é o que os seus muitos leitores e admiradores lhe desejam.

Saberá que todos os que o lêem estão consigo nesta tremenda luta desigual mas, não duvide, da qual sairá (saíremos) vencedor. O poder instalado aparenta ter muita força sòmente porque está protegido por seitas poderosas, porém ele não é invencível. E tem pés de barro.
Dos fracos não reza a História. Prossiga a sua nobre e corajosa luta em prol da salvação de Portugal e dos portugueses. A Vitória será tanto sua como nossa, os que não desistiremos de desmascarar os espíritos do mal que tanto sofrimento têm provocado a este bom Povo.

Passar por este mundo e deixar uma marca indelével de bem-fazer é obrigação de qualquer ser humano èticamente são e moralmente superior. Só assim se irá "da Lei da morte libertando". E o António sabe perfeitamente que é assim que será lembrado pelas gerações vindouras e pela nossa História.
Bem haja por todo o bem que tem feito a Portugal e aos portugueses através da sua patriótica escrita. Pode ter a certeza que não terá sido em vão.
Maria

António Balbino Caldeira disse...

Por lapso, ao ler os comentários, creio ter apagado um. Não é a primeira vez que acontece. Efeitos do toque no screen... A minha desculpa. E a minha gratidão a todos.

alopes disse...

Bem haja!10 anos úteis!Que não esmoreça!

Anónimo disse...

Caro Professor ABC, parabéns pelo trabalho valioso que partilha connosco. Gere um blog que é autêntico serviço público, a favor de Portugal e dos portugueses.

Bem haja

Anónimo disse...

Neste dia que é, maioritariamente, de elogios, merecidos diga-se, tive a necessidade de vir aqui escrever estas linhas para lhe dizer, para além da admiração pela sua coragem, que deixei de ser leitor assiduo porque me causa estranheza ler aqui os "fatos" escritos para os "espetadores" e assim o "ato" da leitura deixou de ser agradável para passar a ser uma má experiência. E encarei esse baixar de braços na luta pela preservação da língua portuguesa como uma cedência precisamente "aqueles poderes" que pretendem formatar a mente e o pensamento, aniquilando precisamente algo de genuíno que é (ainda) o património linguístico, caminhando outrossim na direcção da simplificação facilitista, "higiénica" e asséptica, desrespeitando a herança cultural.
Foi uma desilusão.

Anónimo disse...

Se o problema fosse só a língua. Portugal pode estar à beira de perder a sua identidade própria, e a independência formal. Portugal não conseguiu encontrar um caminho de sobrevivência, para além do fim do império colonial. Há dias, Lobo Xavier descaiu-se, ao dizer que "a Europa tem que nos recompensar pela perda do império colonial". A ser assim, estamos perante estarolas inconscientes e ingénuos, mas apesar de tudo admiradores do vil metal. O fim já não tem recuo.

lidiasantos almeida sousa disse...

Muitos parabéns pela longevidade
"A ironia é a expressão mais perpétua do Pensamento".
"Quem disser que pode odiar alguém a vida inteira é porque mente".
"É pensando nos homens que eu perdoo aos tigres as garras que dilaceram"