segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A marosca fiscal

O Governo arriscou, com o pacote fiscal anunciado em 7-9-2012, numa presumida iliteracia fiscal e numa presumida dificuldade de cálculo aritmético dos portugueses. E saíu-se mal: os portugueses sabem fazer contas e as primeiras que fazem é ao seu rendimento. Escrevo antes dos telejornais das 13 deste dia 10-9-2012 e, muito provavelmente, virá neles um alvoroço de desmentido governamental da marosca que engenhou. Mas a marosca foi feita e o povo não esquecerá. Se a marosca tiver de ser disfarçada, será compensada por outra via.

«Governo procura evitar aumento da retenção de IRS para funcionários públicos», título do Jornal de Negócios, em 10-9-2012 (sublinhado meu). O título podia ser: «Governo procura evitar aumento do IRS para funcionários públicos. Mas não é esse o título: está lá a palavra «retenção»... O que significa que o Governo pode diminuir a retenção mensal, passando o impacto para a liquidação anual, recebendo os contribuintes a fatura deste pacote, aquando do acerto anual do IRS.

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho declarou, em 7-9-2012, na comunicação ao País do novo pacote fiscal :
«A subida de sete pontos na contribuição dos trabalhadores será igualmente aplicável aos funcionários públicos e substitui o corte de um dos subsídios decidido há um ano. O subsídio reposto será distribuído pelos doze meses de salários para acudir mais rapidamente às necessidades de gestão do orçamento familiar dos que auferem estes rendimentos. Neste sentido, o rendimento mensal disponível dos trabalhadores do setor público não será, por isso, alterado relativamente a este ano.» (Transcrição manual minha da p. 12 do pdf manhoso - nunca tinha visto coisa assim, mas não há problema, seus marotos, copiou-se à unha...).

Todavia, o «rendimento mensal disponível dos trabalhadores do setor público» é mesmo alterado, pois como se empola artificialmente o rendimento bruto (que se lhes tira através do aumento equivalente da contribuição para a Caixa Geral de Aposentações), aumenta o IRS, em termos absolutos e relativos com a subida de escalão. Ora, como diz nos tribunais, o Governo sabia e não podia deixar de saber, porque o estudou, que esse empolamento artificial tinha o efeito redução no rendimento até um salário adicional de desconto pelo IRS e aumento correspondente da receita fiscal (apesar do desprezo dos mercados - a taxa de taxa de juro das obrigações do Estado português a dez anos abriu a 8,46% , nesta manhã de 10-9-2012). Assim, a justificação do primeiro-ministro «o rendimento mensal disponível dos trabalhadores do setor público não será, por isso, alterado relativamente a este ano» (de 2013) é moralmente inaceitável. E

O Negócios havia prevenido, logo em 8-9-2012, que, com o novo pacote fiscal, anunciado em 7-9-2012, os empregados do setor privado podiam perder até dois salários e os funcionários públicos até três, devido à incidência do IRS sobre o salário bruto. No caso dos funcionários públicos, o aperto é agravado pela esperteza saloia do empolamento artificial do rendimento bruto em 7%, através da distribuição de um dos subsídios na folha salarial mensal, uma quantia que o trabalhador não aufere por lhe ser retirada através da equivalente subida da contribuição para a Segurança Social, aumentando-lhe o IRS, em termos absolutos e em termos relativos pela subida de escalão. Isto sem contar com o novo aumento de impostos decorrente da anunciada revisão dos escalões do IRS.

Face à vergonha de ter sido apanhado com as calças na mão na borrada do toma-lá-dá-cá do empolamento artificial dos salários dos funcionários públicos para lhes cobrar mais IRS, é provável que o Governo recue. Como recuou na reforma draconiana das freguesias. Ou cederá na prevista entrega da taxa (140 milhões de euros/ano) aos privados que irão receber a concessão da RTP, enquanto se prepara o público para a concessão a sociedades europeias... de empresários luandenses, conforme se percebe da notícia exposta, em 8-9-2012, no relvado do novo i).

Um Governo fraco faz dos portugueses ainda mais fracos. Apesar de cinco trimestres de amargura, gostava de lhe dar a este o benefício da dúvida e acreditar na possibilidade real de inversão da política extorsionista dos cidadãos para proteção maçónica dos políticos promíscuos e dos magnates da finança e das grandes construtoras. Não posso. Nem devo. Do Portugal Profundo, onde me finco, não há dois pesos para as mesmas medidas.


Atualização: este poste foi emendado às 13:30 de 10-9-2012.

21 comentários:

André Freitas disse...

Neste texto a iliteracia é mais linguística. Sim, "iliteracia".

António Balbino Caldeira disse...

Tem razão e agradeço-lhe o reparo. Já afugentei esta gralha. Outras poisarão... E que ninguém diga que as gralhas não lhe pousam no campo. Apesar dos espantalhos.

Anónimo disse...

O autor do "plano" nem portuguÊs é, deve ser alemão ou dinamarques, e foi coadjuvado pelo M inistro Gaspar.

É a vida, de quem não tem o destino nas suas mãos, e o entregou aos credores internacionais.

O povo quer é uma boa futebolada!

Paulo Sérgio Vieira disse...

Está-se a esquecer que com o aumento do rendimento mensal, todos os funcionários públicos e das empresas públicas, vêem o seu rendimento diminuir face aos cortes no rendimento que com toda a certeza continuará a vigorar para o ano que vem.
Assim, quando nos rendimentos do ano passado esses cortes (3,5% a 10%) só se verificam no ordenado mensal, sendo que os subsídios eram tratados à parte e sofriam o mesmo corte que o vencimento mensal, para o ano ao acrescentar a parcela de um subsidio ao vencimento a taxa a aplicar para o cálculo da redução será maior do que se o subsídio fosse calculado à parte, pelo que será ainda pior do que o que eles estão a dizer.

Anónimo disse...

O Coelho e atrasado das Finanlas devem de ser maçons!

Anónimo disse...

Este Passos Coelho é um cretino: afinal, anunciando a medida que depois falsou de patriótica, mais não disse oh estúpidos, se não vai pela razão pois então vai pelo coração!, enfim até a pátria invocou em vão, uma besta!

Anónimo disse...

Porque não te calas Ruben?Não vês a figura triste que fazes a defender a tralha maçónico-bancócrótica deste Governo?

Frederico Gastão disse...

Estou de acordo com o que diz António. Mas as grandes construtoras não estão um bocado à rasca com a crise, pois as obras públicas estão praticamente paradas?

Anónimo disse...

Dantes havia o Herbácio que devia estar a estudar em vez de governar.A lista aumentou entretanto.Com o Passado que não devia inalar Gaspar antes de falar.Mas também com o Gaspar,o mais incompetente de todos,não sabe contar só sabe extorcionar.Olho da rua com todos e rápidamente.Não os conheço de lado nenhum e não quero ser confundido com eles.Quanto aos Costas no Seguro cá estamos nós para dar cabo deles em 6 meses como fizemos em seis anos ao Sócretino.

Bmonteiro disse...

«Um Governo fraco faz dos portugueses ainda mais fracos»
E a manter a famigerada Taxa Audio, o proxeneta Borges & Cia, acaba por levar-me a ir ter com o PCP.
Disse.

Ratazanas disse...

"Quanto aos Costas no Seguro cá estamos nós para dar cabo deles em 6 meses como fizemos em seis anos ao Sócretino"

Ehehehe!
Estes tipos disfarçam mal,mas esta tem piada.
Deste cabo do Sócretino em seis anos...
Coitado,lá anda ele multimilionário em Paris.
Nós que demos cabo dele,ainda podemos dar cabo do Seguro e de mais uns socialistas.
Aposto que eles devem estar desesperados.
Ahahahaha!

Anónimo disse...

As Construtoras podem estar falidas, mas o que ganharam durante décadas, com a explosão falsa do imobiliário e as obras públicas, enfardaram biliões de euros, que parcialmente estão em Off-shores. Que pena que eu tenho das construtoras. Deviam FALIR todas. Vão fazer obras para África e para o raio que os parta. Foi o gangue da construção, com o patrocínio da Banca e o conluio das Camaras Municipais que arruinou o que restava de Portuga. Quem não conhece um Presidente da Camara, também conhecido por "10%", ou por "requadinho"? Vão a Matosinhos ou ao Algarve, entre outros. Ou a Braga.

RATO DOS ESGOTOS DO BOIS disse...

ANDA POR CÁ UM RATO TUGA QUE SE JULGA MUITO ESPERTO PORQUE COME BRIOCHES A TODA A HORA.COITADO...PARECE QUE OS MELHORES AMIGOS DELE QUE ESTÃO NO GOVERNO VÃO EM BREVE PELO ESGOTO ABAIXO E DEPOIS LÁ SE VÃO OS BRIOCHES E OS OFFSHORES PORQUE OS PATRIOTAS QUE VIRÃO A SEGUIR O VÃO MANDAR LIMPAR AS FOSSAS DE VALE DE JUDEUS.NÃO ESCAPAS,RATAZANA PANASCA,NÃO ESCAPAS!

Anónimo disse...

Não gastem mais saliva.

A coisa já estoirou, apesar de nos continuarem a tentar enganar!

Srs, agora desenrasquem-se como puderem, o povo está só e humilhado..

Flo disse...


Privatizar como na argentina


http://www.youtube.com/watch?v=QYp3-RV9Ias&feature=youtu.be

Flo disse...


Os fortes também têm medo dos fracos.
Os fracos sendo honestos, justos, unidos e agindo com inteligência podem vencer, como por exemplo Mahatma Gandhi, infelizmente foi assassinado, mas há tanta gente que se suicida, poderá aparecer alguém que arrisque morrer por motivos nobres.

já muitos fortes caírem primeiro que os fracos.
A força da razão é muito grande e vence muitas vezes.
Considero que não estamos acabados e muito se pode fazer se nos empenharmos a favor do bem comum..

Anónimo disse...

Quem se recordar dos adjectivos que se liam neste blogue contra o governo anterior e ler este texto, ao fim leia ainda que

não há dois pesos para as mesmas medidas

Não pode deixar de dar uma estrondosa gargalhada. Afinal os cínicos são mais que o que nos querem fazer crer.

Os portugueses sabem fazer contas? Mal, mas conseguiram fazer sobre os novos roubos. Por isso que não admira que alguns se lembrem e se riam desta anedota, que. Aliás, tira as dúvidas sobre se os cínicos são realmente só os políticos.

Joana disse...

Pobre Flo...

Onde estão esses fracos que "sendo honestos, justos, unidos e agindo com inteligência podem vencer"? Olha à tua volta. Onde está o Mahatma? Os tempos são outros e a conjuntura diferente. o que aqui há são só covardes. "Unidos"! Pelos sindicatos que fazem só montam greves em nome dos que mais ganham? Acorda!!!

Anónimo disse...

Podem vencer,podem,se à frente aparecer o exército.
Ahaha!
Caso tal não suceda e apenas ficarmos dependentes desses justos e honestos,chegará primeiro o Apocalipse previsto na Bíblia.
Basta ver como os criminosos políticos se passeiam em carros de luxo,como se mantêm usufruindo de cargos pagos a peso de ouro,como se perpetuam as Fundações,os institutos e todos os carcinomas económicos que alimentam os sindicatos do crime.Como se comporta esta Justiça ardilosa dos Pintos Monteiros e Cândidas,colaboradores e lugares-tenetes da máfia nacional.
Perguntem ao sr Passos Coelho como ficam as PPP's,enquanto o homem vai esbulhando os miseráveis.

Levemos então duas ou três cadeiras e reunamos os justos que querem combater esta miséria moral.
Ahaha

Arménio disse...

Ahahah!
Mais um com tripas de rato no lugar da mioleira. O exército?! Boa, ainda nem percebeu que as FA estão minadas de generais-trolhas a granel para meia dúzia de subalternos e soldados como np restante país. Ainda não percebeu que o 25 de abril de que a corrupção se aproveitou foi resultado da cobardia das FA que com medo de morrerem preferiram esse caminho à negociação.

Anónimo disse...

Caro Arménio,percebi,sim.
Estava a ironizar.
Conheço bem a ignomínia que foi a actuação das FA no ocaso do império português.
Tire-me lá as tripas do rato.
Brrrr!