sábado, 23 de junho de 2018

O restabelecimento da decência no Sporting Clube de Portugal


Enquanto sócio desse outro Portugal, o Sporting, entendo que Bruno de Carvalho e os membros da direção que ainda o acompanham, devem ser demitidos hoje, 23-6-2018, na assembleia geral do clube, e determinadas novas eleições. Se depois quiser concorrer novamente, deve ser-lhe dada essa possibilidade para que, nas urnas, seja derrotado.

Bruno de Carvalho nunca me enganou. Sempre me pareceu outro Vale e Azevedo. Quando mais cedo for restabelecida a organização, melhor.

A via judicial, com a análise de todos os negócios celebrados na contratação e cedência de jogadores e todos os contratos, ajudará a esclarecer os mais céticos sobre a sua gestão do clube.

Não acredito que Buno de Carvalho e os dirigentes nada soubesse acerca do ataque vil à Academia, de Alcochete, perpetrado por membros das claques. No futebol de hoje, as claques, nas quais preponderam cadastrados, são tentadas a controlar o poder de modo através da violência ritual de estilo fascista ou anarquista. Nesse confronto de poder, não interessa as competências, nem planos, nem ideias: apenas a coação da violência física. O controlo desses gupos só será possível pelo desmantelamento dos grupos criminosos através da investigação policial e judicial e pela cobertura mediática dos inquéritos e julgamentos que exponha os crimes e os autores. Até agora, esses grupos têm beneficiado do medo dos média cobrirem os julgamentos em que são arguidos por processos de criminalidade comum. Ora, o poder que esses personagens e grupos criminosos dentro das claques exercem só é possível, pelo silenciamento dos seus crimes comuns nos média.

É hora de reimpor a decência no Sporting. Esse é o valor principal do clube: acima do esforço, da dedicação, da devoção e da glória.


* Logo do Sporting Clube de Portugal, em 1907, picado daqui.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

A participação de Paulo Pinto de Albuquerque na votação do requerimento de indemnização de Paulo Pedroso no TEDH

O José, Porta da Loja, em 13-6-2018, desenvolveu a questão da participação do juiz português Paulo Pinto de Albuquerque no coletivo, que votou favoravelmente a indemnização a Paulo Pedroso no Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH),  em 12-6-2018, na 4.ª secção, o requerimento 59133/11, relativa à prisão preventiva de quatro meses e meio, do então número dois do Partido Socialista, em 2003.


No calendário do processo Casa Pia, elaborado pela Agência Lusa e publicado pela RTP em 22-11-2004, pode ler-se:

«8 de Julho de 2004 - É sorteado o colectivo de juízes do Tribunal da Boa Hora que vai julgar o processo Casa Pia - Paulo Pinto de Albuquerque (presidente), Manuela Barracosa e Ricardo Cardoso.
9 de Julho de 2004 - O movimento anual de juízes altera a composição do colectivo de julgamento, ficando Paulo Pinto de Albuquerque a ser auxiliado pelos magistrados Ana Peres e José Manuel Barata Lopes.
13 de Julho de 2004 - O juiz presidente do colectivo do processo Casa Pia, Paulo Pinto de Albuquerque, pede licença sem vencimento por um ano, afirmando que a sua decisão não tem nada a ver com o processo, mas sim com razões do foro pessoal. O juiz esclarece que o seu pedido de licença foi feito antes de ser sorteado para o processo Casa Pia, o que era do conhecimento do Conselho Superior da Magistratura (CSM).»

Portanto, a crer na notícia: Paulo Pinto de Albuquerque foi nomeado presidente do coletivo de juízes que iria julgar, na 1.ª instância, o processo Casa Pia, em 8 de julho de 2004, e em 13 de julho foi divulgado que pediu licença sem vencimento, «por razões do foro pessoal», justificando que o fez no Conselho Superior de Magistratura (CSM) antes do sorteio da distribuição do processo.

Paulo Pinto de Albuquerque tinha recebido grande notoriedade quando declarou prescrito, em 14-3-1997, o procedimento criminal contra Leonor Beleza no processo dos hemofílicos, não tendo pronunciado a ex-ministra pelo crime de que vinha acusada. De acordo com o seu currículo (consultado por mim, em 15-6-2018) Paulo Pinto de Albuquerque tornou-se professor auxiliar, mais tarde, professor catedrático, da Universidade Católica Portuguesa (UCP) em setembro de 2004, onde já lecionava a título não-remunerado desde setembro de 2003. Foi também professor convidado do ISCTE entre Outubro e Novembro de 2008. É juiz do TEDH desde janeiro de 2011. O Prof. Pinto de Albuquerque teve também uma participação política episódica. Em novembro de 2009, o Prof. Pinto de Albuquerque foi candidato a vice-presidente do PSD Lisboa na lista de Bacelar Gouveia, um facto que não conseguimos encontrar no seu detalhado currículo.

Aqui não conhecemos datas de requerimento e despacho do CSM, nem sequer se, de 8 a 13 de julho de 2004, teve algum contacto com o processo. O que podemos dizer é que votou o acórdão requerimento de indemnização de Paulo Pedroso no TEDH, sendo de concluir que não terá pedido escusa do processo. Ao contrário do que devia.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

A decisão do TEDH sobre a prisão preventiva de Paulo Pedroso

A 4.ª Secção do Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) decidiu atribuir, em 12-6-2018, no requerimento 59133/11, a Paulo Pedroso, uma indemnização de 27 mil euros por danos materiais (por maioria de 4 contra 3 juízes) e morais, além de 41.555 para custas e despesas, ambas por unanimidade. O sociólogo, recentemente nomeado diretor executivo regional suplente do Banco Mundial, nos EUA, nomeado pelo Partido Socialista,  queixou-se ao TEDH de que a sua prisão preventiva (de maio a outubro de 2003), no processo Casa Pia, por fortes indícios de abuso sexual de menores, tinha violado o art. 5.º da Convencão Europeia dos Direitos do Homem (direito à liberdade e segurança).

O TEDH, que não é uma instância de recurso da ordem jurídica portuguesa, não se pronunciou sobre os abusos sexuais sofridos pelas crianças, valendo-se da decisão da inesquecível juíza de instrução Ana de Barros Queiroz Teixeira e Silva de não pronúncia de Paulo José Fernandes Pedroso pelos 23 crimes de abuso sexual de menores sobre quatro crianças de que fora acusado pelo Ministério Público no âmbito do processo de abuso sexual de crianças da Casa Pia (decisão confirmada, em 9-10-2005, pelo Tribunal da Relação de Lisboa, pelos desembargadores Carlos Almeida, Telo Lucas e Rodrigues Simão).

O acórdão do TEDH foi decidido pelos seguintes juízes: Ganna Yudkivska, presidente, Vincent A. De Gaetano, Paulo Pinto de Albuquerque, Faris Vehabović, Egidijus Kūris, Iulia Motoc, Péter Paczolay. O Estado português esteve representado pela procuradora-geral adjunta Maria de Fátima da Graça Carvalho que defendeu não ter existido erro nas decisões dos tribunais portugueses sobre a prisão preventiva do então deputado socialista. O juiz português do TEDH, que também votou favoravelmente o acórdão e as indemnizações, Paulo Pinto de Albuquerque, tinha sido designado, em 8-7-2004, para juiz-presidente do processo da Casa Pia, mas, por ter pedido de licença sem vencimento de um ano por «razões do foro pessoal» (alegando que «o seu pedido de licença foi feito antes de ser sorteado para o processo Casa Pia, o que era do conhecimento do Conselho Superior da Magistratura»), foi substituído, em 13-7-2004, por Ana Isabel Alves da Cunha Morgado Peres (que, com os juízes José Manuel Lopes Barata e Ester Emília Maurício Antão e Pacheco dos Santos, com grande coragem, levou o processo até ao fim, tendo aplicado, em 3-9-2010, penas de prisão a seis arguidos por crimes de abuso sexual de menores e outros). Veja-se também o poste do José, na Porta da Loja, sobre a decisão do TEDH.

Do Portugal Profundo, continuo a nos depoimentos detalhados feitos pelas crianças  da Casa Pia sobre os abusos sofridos e nas denúncias dos abusos sexuais por funcionários da Casa Pia, como Américo Henriques e Catalina Pestana, e ex-alunos, bem como no trabalho de investigação dos polícias, dos médicos e procuradores, no caso da Casa Pia. Tal como o meu Amigo Pedro Namora entendo que a dor das crianças não mente!

segunda-feira, 28 de maio de 2018

A desumanidade da legalização da eutanásia



A legalização da eutanásia, que os socialistas, trotkistas burgueses do Bloco de Esquerda e os liberais radicais do PSD (e, eventualmente, algum mais assumido no CDS) se preparam para aprovar no Parlamento, é a etapa final da institucionalização da «cultura de morte» - João Paulo II (25-3-1995). Evangelium Vitae - em Portugal. Apesar da evolução dos cuidados paliativos, legaliza-se o assassínio a pedido da família, já que o próprio raramente está em condições de fazer uma escolha consciente devido ao sofrimento físico e emocional ou deficiência.

O culminar do que o primeiro-ministro António Costa designou, no Congresso do PS, de 25-5-2018, «alargar» a liberdade. Despreza-se a dignidade humana, desconstrói-se a sociedade e legaliza-se a morte: a preguiça (o rendimento social de desinserção), a droga, o aborto, o casamento homossexual, a pederastia (a conquista dos abusadores de menores no Processo Casa Pia  da redução a idade de consentimento para os 14 anos), a adoção de crianças por casais homossexuais, a eutanásia.

Ganhei, em 2013, a primeira batalha da co-adoção de crianças por casais homossexuais, mas foi uma vitória fugaz, como outras. A maré pós-modernista, na proposta extrema de modernidade líquida de Zygmunt Baumann, sacode os resistentes e a maioria bóia na corrente, aderindo aos novos costumes velhos.

Na direita portuguesa e europeia, que quase só é do dinheiro já que perdeu os costumes, os expoliados do poder sistémico corrupto procuram também remar nessa onda de morte, para ver se recuperam o consolo financeiro e o mediatismo que pré-pagaram. Os conservadores (do quê?...) estão atarantados entre a doutrina e o discurso aggiornato do Papa Francisco, e os seus representantes (?) apresentam apenas um disclaimer ideológico frouxo que lhes iliba a má consciência de se juntarem à adoração do bezerro de ouro. No liberalismo de direita, em Portugal, defrontam-se internamente os tardo-liberais, divididos entre os que ainda acreditam nalguma coisa e os que não acreditam em nada. Já soltos desse debate de consciência, vencerão os neo-liberais que sublimaram o debate da consciência e navegam com o vento na popa, sem vergonha nem dor. Viva o Deus Dinheiro!...

Estamos, portanto, em minoria. Pior ainda, não temos representantes! Por isso, é que temos de criar as condições mediáticas para a mudança cultural e para criar representação.



Pós-texto (9:59 de 13-6-2018): A legalização da eutanásia foi chumbada no Parlamento, em 29-5-2018. A maioria de esquerda dividiu-se, com o PC a votar contra a eutanásia. Quase sem meios, obtivemos uma vitória. Mas é temporária. Voltarão à carga, depois de uma preparação mais longa e com maior participação dos grandes eleitores dos média, e triunfarão, como nas outras «causas fraturantes» da sociedade. A batalha decide-se pelos meios e pela vontade. Sem meios, e com vontade frouxa, pouco podemos. Portanto, como tenho insistido, devemos de arranjar os meios e motivar as vontades.

O resultado foi o seguinte, segundo o Sapo LifeStyle, de 29-5-2018:
«O projeto do PAN teve 107 votos a favor, 116 contra e 11 abstenções. O diploma do PS recebeu 110 votos a favor, 115 contra e quatro abstenções. O projeto do BE recebeu 117 votos contra, 104 a favor e oito abstenções. O diploma do PEV recolheu 104 votos favoráveis, 117 contra e oito abstenções.
Seis deputados do PSD votaram hoje a favor da despenalização da eutanásia, mas apenas duas parlamentares – Teresa Leal Coelho e Paula Teixeira da Cruz – o fizeram em relação aos quatro projetos em discussão. Dos restantes, dois deputados sociais-democratas votaram apenas a favor do projeto do PS - Adão Silva e Margarida Balseiro Lopes -, um outro votou favoravelmente apenas o diploma do PAN, Cristóvão Norte, e outro ainda os projetos de BE e Verdes, Duarte Marques. Pedro Pinto e Berta Cabral abstiveram-se em todos os projetos e Bruno Vitorino absteve-se no do PAN, votando contra os restantes.
Entre os deputados do PS, somente os deputados Ascenso Simões e Miranda Calha votaram contra todos os projetos.»

Atualização: este poste foi emendado às 17:01 e 19:51, de 28-5-2018, e atualizado às 9:59 de 13-6-2018.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

A reescrita da história: Do Portugal Profundo, Sócrates e Costa




Quem tenha visto o programa «A licenciatura de José Sócrates», na Edição da Noite da SIC Notícias, , de ontem, 11-5-2018, pode ter sido levado a crer que o aí dito blogue «pouco conhecido» (este, Do Portugal Profundo) onde o percurso académico rocambolesco de José Sócrates se revelou, com factos e detalhe (e não «rumores»), em 22 de fevereiro de 2005 e continuou a ser desenvolvido, muito pouco relevo tinha ou teve e que o meu livro «O Dossiê Sócrates nunca existiu. Um caso judicial onde fui testemunha (de quase nada valeu) e arguido por queixa do «cidadão e primeiro-ministro enquanto tal», arquivado pela Dra. Maria Cândida Almeida, em 2008, a somar aos três processos judiciais anteriores que as cúpulas socialistas me infligiram, sem sucesso, pela defesa das crianças sexualmente abusadas da Casa Pia - a não ser o impacto das buscas judiciais noturnas a minha casa e à casa de minha mãe em 24 de outubro de 2004... Nada disto existiu. E todavia se não fosse o meu sacrifício patriótico, e de outros, tinha demorado muito mais a libertação do povo da crescente tirania e ruína socratinas.

Dois anos antes do Público, em 23-3-2007, e do Expresso, em 31-3-2007 - valha a verdade que o semanário «O Crime» difundiu a minha investigação nessa primavera de 2005. E treze anos - ó reflexo... condicionado!... - antes da admissão da corrupção socratina pelo PS costista, a partir de 24-4-2018, motivada pela necessidade urgente de neutralizar, com uma manobra de diversão preventiva, o impacto previsto da acusação a mais políticos socialistas no inquérito-crime das PPPs rodoviárias pelo DCIAP (Sábado, de 9-5-2018, citada pelo Observador, no mesmo dia), objeto de controlo de danos de através de desinformação (veja-se o Público, de hoje, 11-5-2018).

Mas, parece-me, que António Costa deixa cair o seu amigo, camarada e financiador de campanha diretamente e por intermédio do seu homem de palha Carlos Santos Silva, de quem foi número dois no Governo e com a maior responsabilidade pelo caso SIRESP-Parte II, porque parece estar preocupado que as investigações judiciais e jornalísticas, nem sequer parem nas PPP e, vencido o bloqueio dos editores de confiança, passem à investigação dos casos que o envolvem e que descobri, neste meu blogue em março de 2015:
  1. O apartamento de cobertura, uma penthouse duplex (T2), no 5.º A (e 6.º) do n.º 105 da Avenida da Liberdade, em Lisboa, onde António Costa viveu, com os seus dois filhos, entre julho de 2012 e novembro de 2014 (quando foi eleito secretário-geral do PS) e regressou a casa em Fontanelas, Sintra, onde vivia sua mulher;
  2. A conformidade dos valores pagos ao fisco e a manutenção da exclusividade como presidente da CMLisboa enquando auferia um balúrdio (76.250 euros em 2008, 76.250 euros em 2009, 93.750,00 euros em 2012 e 91.875 euros em 2013 - conforme as suas declarações no Tribunal Constitucional, que consultei in loco em 5-3-2015, em que faltava uma declaração) na SIC pela sua participação no programa de debate «Quadratura do círculo», onde esteve de abril de 2008 a novembro de 2014, desproporcionado relativamente às pobres audiências do canal e do programa.

A propósito destes dois dois casos, leiam-se os meus postes:

Os mais ingénuos acreditam, todavia, que finalmente tudo mudou no que respeita à notícia eplos média portugueses e a investigação da corrupção de Estado. Não é verdade. Podem provar o contrário, explorando a investigação que fiz sobre a penthouse duplex, a remuneração de presidente a tempo inteiro da CMLisboa, em exclusividade, enquanto participava no programa de debate «Quadratura do círculo» e a conformidade fiscal destas absurdas remunerações num programa e canal de fraca audiência.


Notas:
  1. O meu livro «O dossiê Sócrates», de setembro de 2009, com duas edições, editado em papel (e pdf gratuito) na Lulu, porque a Leya desistiu, à última hora, de o publicar, e comercializado pela Amazon, obteve 23.200 downloads gratuitos até a Lulu deixar de registar) fora o Scribd e a difusão pelos leitores do pdf por mail.
  2. E deste meu blogue Do Portugal Profundo, num balanço que fiz  em 20-4-2008, quando cheguei ao milhão de visitas desde que o criei em 31-8-2003, indiquei também: mais de milhão e meio de páginas consultadas (clicks), cerca de 12 mil visitantes no dia 22-3-2007, em que o Público noticiou a investigação deste blogue sobre o Dossiê Sócrates (o Público-OnLine congratulou-se ter registado o extraordinário número de 22 mil visitantes nesse dia); as 2.282 citações do Technorati; e a subida, nessa altura, à primeira posição do Blogómetro, medidor de frequência dos blogues nacionais. Em 30-8-2009, registava 1.461.156 visitas e 2.188.541 páginas consultadas e 97 454 comentários só no Haloscan (com certos posts a atingir mais de dois mil comentários e um total de 9.912 comentários em Junho de 2007), além daqueles comentários ainda no velho servidor do BlogExtra. Tudo isto, num blogue individual, sem o auto-reload (ou auto-refresh) que multiplica as visitas reais, sem registar as minhas visitas e clicks como autor, sem tácticas SEO (Search Engine Optimization). 
  3. Note-se que o meu trabalho de investigação neste blogue foi reconhecido na crónica «Vergonha» de Helena Matos, de 6-5-2018, e de José Manuel Fernandes «O pior cego é o que não quer ver», de 9-5-2018, ambas no Observador.

Limitação de responsabilidade (disclaimer): António Luís Santos da Costa, objeto das notícias dos média que comento, não é arguido ou suspeito de qualquer ilegalidade neste caso. Tal como sua mulher, Fernanda Maria Gonçalves Tadeu ou os filhos de ambos, não são suspeitos do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade neste caso.
A HVF, Otília Violas Ferreira, Edgar Alves Ferreira, Tiago Violas Ferreira, ou outros membros da família Violas, não são suspeitos a prática de qualquer ilegalidade ou irregularidade neste caso. 
José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014), no âmbito da Operação Marquês, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
As outra entidades mencionadas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas de qualquer ilegalidade ou irregularidade nestes casos, ou quando na condição de arguidas, como no processo Marquês ou no processo das PPPs rodoviárias, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Vetor ideológico e político do programa patriótico


ABC (2018). Vetor. Forte de São Miguel Arcanjo, Nazaré.


Desenvolvo o programa patriótico gradual que propus para o País, com a primeira fase: a delineação do vetor ideológico e político.

O vetor ideológico e político que apresento tem duas dimensões: os costumes e a economia.

A dimensão costumes tem sido menosprezada desde que o marxismo impôs o primado da economia, e antes de Marx já os liberais e os utilitaristas também davam maior importância à economia. Essa primazia não diminuíu, pelo contrário, com o aumento lrdo rendimento e do conforto dos povos. A economia passou a ser o terreno onde se confrontavam as propostas políticas. Depois da II Guerra Mundial,  com o choque do nacional-socialismo e fascismo com as democracias e o comunismo, do controlo do Leste da Europa pelos russos e da guerra indireta fora da Europa, do derrube da Cortina de Ferro e da fragmentação da União Soviética, o marxismo transmutou-se em pós-modernismo, mudando de cor mas mantendo a praxis totalitária. Uma revolução social para criar um homem novo muito velho, tão velho quanto o mundo antes de ser tocado pela Verdade... Dirigida por uma  outra mesma vanguarda, na qual, em vez da raiz operária e da contabilidade dos anos de cárcere, conta a linhagem política e o hábito burguês.

À direita, o vazio ideológico e a fraqueza política, aceitou-se a ditadura do politicamente correto. novo paradigma de revolução social. Entretida nos negócios da corrupção de Estado (tal como a esquerda socialista), na confidencialidade da cunha para a dispensa de tachos e na comissào para a atribuição e contratos, a direita, jótica ou degenerada, abandona o combate cultural e adota o niilismo relativista da esquerda. A direita socializou-se. Os valores passaram a ser rodapés de discursos eleitorais. Os políticos de direita aplaudidos pelos média são os que defendem o liberalismo de costumes, ainda que militem num partido democrata-cristão...

Qual o conjunto de políticas da dimensão dos costumes? Entre outros, sugerimos as seguintes:
  1. a doutrina social da Igreja como categoria de orientação e interpretação das políticas;
  2. a promoção da vida, oposição ao aborto, à eutanásia e à liberalização de drogas;
  3. a recusa da ideologia de género, com o direito a cada criança ter um pai e uma mãe, oposição a barrigas de aluguer e à adoção, ou co-adoação, de crianças por casais homossexuais;
  4. a valorização da família, com benefícios no apoio educativo, na fiscalidade e no trabalho, e subida do abono de família para valores razoáveis;
  5. reforma do sistema de assistência social aos mais pobres da subsidio-dependência e conformação com a pobreza 'congénita' para um modelo de integração laboral» integração económica» integração social e promoção cultural do trabalho;
  6. reorientação da política estatizante de solidariedade (solidariedade é jargão da esquerda)  para uma política de assistência concertada com as IPSS, nomeadamente nas creches, ensino e assistência à terceira e quarta idades;
  7. responsabilização dos beneficiários de apoios com o fornecimento de um cartão de crédito de assistência social, onde serão carregados mensalmente todos os subsídios e apoios públicos, diretos e indiretos, concedidos
  8. registo de crianças nascidas fora do serviço nacional de saúde, através de métodos de identificação que despistem casos de multiplicação de identidade;
  9. substituição do rendimento social de inserção por baixa médica, para quem tenha incapacidade de trabalhar;
  10. restrição dos apoios concedidos a imigrantes, em valor e tempo, para dissuadir a imigração de subsidio-dependente e definição de regras estritas de acesso à nacionalidade, incluindo não concessão por cometimento de crimes de relevo
  11. teto nos valores das pensões contributivas, com plafonamento optativo;
  12. acesso fácil, rápido e barato, ao serviço nacional de saúde, com taxas moderadoras baixas; 
  13. eliminação da ditadura esquerdista do politicamente correto na escola e maior exigência na avaliação dos estudantes para aceleração do desenvolvimento cultural e económico do País;
  14. acesso gratuito ao ensino pré-escolar, básico e secundário e propinas baixas no superior (não só nas licenciaturas, mas também nos mestrados e doutoramentos, cujos preços nas universidades públicas constituem um escândalo), e bolsas de mérito para estudantes do ensino superior (além das bolsas de estudo por necessidade económica);
  15. eliminação dos apoios diretos do Estado para pessoas e instituições da cultura e das artes;
  16. gestão do património cultural do País por técnicos credenciados em gestão, arquitetura e engenharia, além dos formados em letras;
  17. mudança do sistema penal do garantismo dos poderosos e criminosos para a proteção das vítimas (em especial das mulheres, crianças e idosos, com sanções imediatas de afastamento) e reforma dos tribunais para uma maior rapidez na administração da justiça (nomeadamente, dos tribunais administrativos e fiscais);
  18. agravamento das penas mínimas para crimes de corrupção de Estado e crimes violentos e agravamento especial das penas mínimas por agressão (e ameaça de agressão) a agentes de autoridade, a magistrados e a funcionários dos serviços públicos;
  19. reformas das polícias: do paradigma de mediação que obriga as vítimas a ceder aos interesses dos criminosos para um paradigma de proteção das vítimas;
  20. profissionalização dos corpos de bombeiros ao nível municipal, com suporte financeiro pelo Estado, mantendo, todavia, um corpo suplementar de voluntários nas corporações;
  21. criação de um corpo nacional de guardas florestais e aumento do número de sapadores florestais e criação de um corpo de fiscalização ambiental nacional, a dispor ao nível municipal, para os cursos de água, mar e campos (tal como com os guardas florestais, a eliminação dos guarda-rios foi uma calamidade provocada pela esquerda bem-pensante);
  22. recuperação do serviço militar obrigatório, de nove meses;
  23. reorientação da política externa portuguesa para a Nato e União Europeia, em vez do presente alinhamento comunista do Estado com o bloco russo-chinês (a lembrar os tempos de 1974-1975!).

E qual o conjunto de políticas da dimensão económica? Para lá de outras, apresento:
  1. a doutrina social da Igreja, como categoria de orientação e de interpretação das políticas (Carta Encíclica Sollicitudo Rei Socialis, do Papa João Paulo II, de 30-12-1987);
  2. eliminação do modelo político de bancocracia - domínio do Estado pela aliança de políticos, bancos e grandes empresas públicas ou oligopolistas, que canalizam os recursos públicos para cobrir défices de exploração motivados pela corrupção - com recuperação do modelo democrático de colocação do Estado ao serviço do povo, das pessoas, das famílias, das empresas e instituições da sociedade civil;
  3. redução do peso do Estado, e das câmaras municipais e das juntas de freguesia (o novo alfobre de contratações políticas...), no emprego;
  4. prioridade às empresas sobre os bancos;
  5. incentivo à criação de um sistema de rating bancário das empresas que garanta pagamentos e rápidos aos fornecedores, que podem assim passar a cobrar através de factoring (se o desejarem); 
  6. valorização do trabalho;
  7. redução do subsídio de desemprego a seis meses e restrição da recusa de emprego por desadequação funcional;
  8. promoção da floresta, do seu ordenamento e diversidade (a começar pelas matas do Estado...);
  9. revolução na coesão do País, com a orientação de recursos e atividades públicas para o interior e as periferias, repovoando e desenvolvendo as áreas deprimidas;
  10. atribuição de benefícios fiscais aos cidadãos residentes no interior e nas periferias e às empresas aí sedeadas,
  11. desagravamento da fiscalidade sobre o trabalho, compensando com a fiscalidade sobre o consumo;
  12. desagravamento fiscal das empresas, com um sistema de isenção fiscal dos rendimentos das micro e pequenas empresas;
  13. alargamento do programa de estágios remunerados para licenciados, alunos  de cursos profissionais e de cursos técnicos superiores profissionais (TeSP);
  14. criação de aceleradoras de empresas, ao nível de cada concelho, com apoio das escolas superiores;
  15. melhoria da limpeza das cidades para uma melhor vivência dos residentes e trabalhadores e uma melhor experiência dos turistas;
  16. desburocratização dos processos de licenciamento turístico, comercial e de serviços;
  17. eliminação das taxas absurdas de dormida de turistas impostas pelas autarquias (as câmaras municipais ganham muito mais com o turismo do que lhes custa a limpeza e transportes);
  18. desburocratização da atividade agrícola com a redução do peso lisboeta do Ministério da Agricultura;
  19. apoio à atividade pecuária, com a criação de um sistema de tratamento de efluentes que reduza a contaminação dos campos, do subsolo, dos cursos de água e dos lençóis freáticos;
  20. liberalização da abertura de canais televisivos e eliminação da ERC com a transferência da fisclização para os tribunais;
  21. desburocratização do licenciamento industrial, do comércio e dos serviços;
  22. eliminação da sustentação política seletiva de empresas amigas;
  23. redução dos agências governamentais (quangos) com tranferência de competências de concorrência, de comunicações, de energia, para os tribunais;
  24. redução do desemprego jovem, com incentivos para trabalho em setores com falta de mão-de-obra;
  25. incentivos à transferência de pessoal excedentário de determinadas secções do Estado e das autarquias, para o setor privado;
  26. bolsas de estudo para desempregados licenciados em áreas de fraca procura (por exemplo, letras, artes, ciências sociais) obterem licenciaturas e pós-graduações em áreas de maior empregabilidade, com creditação preferencial da formação anterior.

O vetor ideológico e político que apresento para um programa patriótico gradual é uma síntese. Mas constitui uma proposta de trabalho de uma política patriótica intransigente com o delírio esquerdista do politicamente correto e com a corrupção política da direita dos interesses. Haja vontade!   

terça-feira, 27 de março de 2018

Um programa patriótico gradual




A análise da marcha do relativismo (DPP, 24-3-2018) em que somos embalados, suscita a questão da ação. O que fazer?

A pergunta já estava sumariamente respondida, num diagnóstico duro da realidade política portuguesa que fiz nos postes «Criar as condições de mudança cultural e política», de 25-2-2018, e «Regras e caos: o exemplo de Jordan Peterson», de 5-3-2018. Mas é vantajoso sumariar e depois desenvolver.

A democracia direta, que tenho defendido, continua a ser o sistema necessário para o exercício da intervenção política. Contudo, não pode esperar-se que um sistema corrupto decida regras (as da democracia direta) que o destroem. Portanto, não pode esperar-se que o sistema se reforme, tem de ser revolucionado a partir de fora.

E seria leviandade crer que o estabelecimento de regras e a sua aplicação, por si, bastariam para tornar virtuosos homens viciados no crime e instituições degeneradas na corrupção. Ao contrário, a experiência recomenda que se ajustem os valores, se lute para alcançar o poder e, só então, se proceda à reforma das leis. Porque os protagonistas corruptos e servos - mesmo enquanto líderes!... - da longa e ramificada cadeia de corrupção, jamais consentem a alteração que os afaste.

Tal como seria ingenuidade acreditar que a conquista do poder por homens virtuosos chegaria para garantir o funcionamento escrupuloso do Estado de direito democrático no médio prazo. Como advertência, lembre-se o aforismo de John Emerich Edward Dalberg Acton, em carta a Mandell Creighton, citado por J. Rufus Fears, in Selected Writings of Lord Acton, Volume III, Indianapolis, Liberty Classics, 1988, p. 519: «O poder tende a corromper e o poder absoluto corrompe absolutamente». Para limitar as tentações, será depois preciso alterar a Constituição, as leis e a sua aplicação, para estabelecer um sistema de democracia direta, que garante o escrutínio rigoroso do governo e das instituições.

Em consequência, se o sistema partidário português está dominado pela corrupção, e amparado pela desumanidade da maçonaria, importa definir e executar um programa patriótico gradual:
  1. Traçar um vetor ideológico e político.
  2. Criar os meios.
  3. Organizar as hostes.
  4. Combater.
Em próximos postes, procurarei sintetizar as minhas ideias sobre cada uma destas fases.


* Imagem picada daqui.

sábado, 24 de março de 2018

A marcha do relativismo



O paradoxo do totalitarismo do politicamente correto é a aparente suavidade dos meios de coação. Apenas aparente. Porque a polícia do pensamento também é violenta, na medida em que dobra psicologicamente o indivíduo. Trata-se de uma espécie de waterboarding (afogamento simulado) virtual em que o indivíduo arrisca o afogamento social, um ostracismo interno, para além da punição profissional, se contrariar a ideologia única admissível.

A escatologia ambiental é apenas mais uma que procura ingenuamente resolver a falta de fé nas palavras, que não passam. O fim da Terra e do tempo ocorreria por causa dos pecados capitalistas dos homens: a indústria, a agricultura intensiva, o consumo, os fármacos e os químicos, a energia nuclear, os hidrocarbonetos, os plásticos e a exploração  de matérias-primas finitas. A manipulação genética, individual e social, faz-se em simultâneo, à adoração panteísta do «ambiente», do qual o homem passa a ser o objeto em vez do sujeito. A morte do homem - que não do animal ou da planta - é, afinal, toda boa, do salto no ventre, ao sono da veia até ao coma do imprestável (o velho, o doente, o deficiente). Uma ideologia absoluta que impõe que tudo é relativo (valores, instituições, relações, fenómenos) e líquido, menos ela mesma. Até a Igreja está a ser atraída por este novo bezerro de ouro a que chamamos Nada (o vazio da descrença).

Um pós-modernismo, ou relativismo, ou politicamente correto - marxismo transmutado de superação de Deus pela descrença, de dissolução do ser, primeiro da sociedade e depois do indivíduo. Dir-se-á que é apenas filosofia. Mas, para quem for atento, verá nesta doutrina totalitária uma consequência prática e tangível: a lei garante o abuso e a sua aplicação garantística protege-o. Como exemplo, veja-se a segurança pública: os militares tornam-se polícias de vigilância, os polícias tornam-se mediadores entre vítimas e criminosos, os criminosos tornam-se vítimas da sociedade, as vítimas tornam-se bombeiros, os bombeiros tornam-se acusados e os acusados políticos de negligência evaporam-se na irresponsabilidade. E quando a tragédia acontece, varre-se o lixo da verdade para debaixo do tapete político que tudo encobre, sejam os incêndios de 14 a 16 outubro de 2017, o furto de armamento em Tancos ou os atentados do Islão belicista. O resultado da irresponsabilidade concorre para a degradação social que, por sua vez, justifica a doutrina totalitária.

O efeito deste delírio ideológico, e da corrupção política associada, é o cansaço do povo e o regresso do autoritarismo, patente nos EUA e Rússia e emergente no Brasil e na Europa. Contudo, as elites mediáticas preferem fechar os olhos ao beco de desordem social e abuso, onde a corrupção nos conduziu. Siga a marcha do relativismo!...

quarta-feira, 14 de março de 2018

Dieb

O caso do currículo do secretário-geral de PSD, Feliciano Barreiras Duarte, revelado no Sol, de 10-3-2018, fez-me lembrar o caso do currículo falso do social-democrata relvista António Dieb, de julho de 2015, que este governo socialista-comunista-radical, significativamente, ainda mantém como presidente do Conselho Diretivo da importante Agência para o Desenvolvimento e Coesão (ADC) que coordena os fundos europeus... 

sábado, 10 de março de 2018

Malaise

Niilismo e malaise parecem ser as tendências que estão a conduzir a vida dos jovens a um beco. Jordan Peterson, em 27-2-2018, menciona, além desta crença no nada, o desespero e acrescenta ainda um desejo de notoriedade, presente nos assassinatos maciços (“maciço” ê mesmo a palavra original portuguesa, “massivo” é um anglicismo ou galicismo sem sentido)

que apavoram os norte-americanos. O mal-estar de não ter valores morais pelos quais governar a vida, de não ter Deus, de não ter fé, de não ter rumo nem caminho, precipita o desespero. E, nos casos mais graves, a alienação nas drogas e até a desistência da vida.

As gerações têm fenótipos diferentes. A mesma classe etária tem comportamentos diversos ao longo da história. Importa compreender a aflição das gerações mais jovens. Porque a satisfação material dos jovens, por pais preocupados em tudo proporcionar imediatamente aos filhos e aliviá-los de todo o sacrifício, não resolve a solidão íntima que a descrença instala.

Sem fé, caminhar é um ato inútil. Por isso, importa propor aos jovens uma resposta espiritual e cultural que lhes dê - a eles - um sentido de vida. Servir em vez de servirmo-nos.E fazê-lo com os meios, e com o modo, mais adequados para chegar a eles. Tocá-los no seu coração, provocar a sua adesão aos valores e ensinar-lhes a virtude do sacrifício pelo outro. De amar até ao último suspiro.

Atualização (21:43 de 14-3-2018: agradeço aos leitores a correção do meu lapso na palavra massiço/maciço. Coloquei o linque da entrada explicativa do Ciberdúvidas sobre o português “maciço” versus o anglicismo ou galicismo “massivo” e... tropecei. Um erro maçico de que peço maciçamente desculpa.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Regras e caos: o exemplo de Jordan Peterson

«First they ignore you. Then they ridicule you. And then they attack you and want to burn you. And then they build monuments to you.» 
Nicholas Klein, 1914 (esta citação é comummente mal atribuída a Gandhi).

Recomendo a leitura do livro «12 Rules for life: An antidote to chaos» do professor Jordan Peterson, publicado em janeiro de 2018, pela Random House Canada.

O canadiano Jordan Peterson, psicólogo e professor universitário, perseguido na academia, e que banido dos media controlados pela esquerda, ganhou projeção com o seu canal no Youtube (tal com o professor brasileiro Olavo de Carvalho) com mais de oitocentos mil subscritores, especialmente jovens, (nomeadamente da nova geração Z, das florzinhas de estufa) pelo seu combate cultural ao relativismo pós-modernista, à ideologia do género (e da identidade) e à ditadura do politicamente correto. Baseia-se na psicologia da evolução, na etologia, na ciência do comportamento e nos dados científicos, para contrariar os mitos da esquerda radical totalitária que hoje impera na sociedade, nos média e na política, ocidentais. Inspira-se em Jung, Kierkegaard, Solzhenitsyn e Dostoyevsky. A sua prédica moral tem o maior relevo ideológico, apesar do seu agnosticismo (ainda...).

O livro está em primeiro lugar na Amazon norte-americana e tem liderado vendas nos EUA, Canadá e Grã-Bretanha. Não há por aí uma editora com coragem para o editar em Portugal e o trazer cá para uma conferência?

Que fique claro que, Do Portugal Profundo, não abdico do combate político imediato. Que continuarei a fazer enquanto Deus me permitir. First in, first out, como sempre: na informação que me chegue ou que cheire. Sem contemplação, nem demora. Todavia, é fundamental fundar os meios de combate mediático para promover a doutrina, agregando vontades intransigentes e criando um movimento social, que resultará na vitória.

O problema da direita patriótica em Portugal tem sido a obsessão com a conquista imediata do poder. Essa obsessão turva a análise e enviesa a conclusão. Assim, inverte-se a ordem racional de tomada do poder para uma absurda convicção de que interessa primeiro conquistar o poder através da adesão a personagens que não comungam dos mesmos valores cristãos e são, na verdade, quase tão perversos, na transigência dos valores, na negligência da administração pública e na corrupção de Estado, quanto os socialistas radicais a que, intermitentemente, dizem opor-se. Julgam, por urgência e impaciência, que após a conquista do poder por uma vanguarda de insiders corruptos - que usa eleitoralmente o setor patriótico como atestado de bom comportamento cívico -, então conseguiriam impor os valores cristãos e obter os meios de comunicação que consolidarão a mudança social. Os personagens atuais que representam a direita não servem! As prioridades estão desordenadas. Mas precisamos de meios para veicular as ideias e expor os adversários, necessitamos de agregar as vontades e criar movimento: só depois virá o poder.

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Criar as condições de mudança cultural e política

Estátua de Diógenes.
Em Sínope, cidade que atualmente pertence à Turquia.


Tal como Diógenes de Sínope, na história com que meu pai me prevenia, andei demasiado tempo com uma lanterna à procura de um homem. Todavia, o cínico grego sabia que não o encontraria, e servia-se da lanterna para mostrar que não havia; eu, crédulo como sempre fui, confiava descobrir um homem, um líder. A minha convição era a de que esse homem (ou mulher) existia. Só podia existir!... E, quando me desenganava, era em mim que via a culpa: tinha de procurar mais e melhor. Perguntava a pessoas de valor que entretanto fui conhecendo, onde havia tal pessoa, mas ninguém sabia. Pior: nos meados dos anos 2000, confesso, que até ficava aliviado quando das personalidades de renome, me diziam de algum: «esse é só viciado na droga, não é pedófilo, nem corrupto»!...

Também quando menino, ia à noite, de lanterna de petróleo, na quinta, de casa da avó até ao barracão ajudar o Ti' Chico a «tirar a corrêa» do castanho com que este Amigo, alentejano da raia, fazia canastras... Em miúdo, levava a lanterna para não me perder; já graúdo, usava a lanterna para achar... Da noite, passei para o dia, nunca largando a lanterna. Perdi-me, muito, nas minhas fraquezas, e não encontrei nenhum humano que merecesse seguir.

No beco dessa desilusão - onde sempre Deus me consolava -, abriu-se-me o sentido de que não era aos outros que devia pedir que fizessem, mas eu, e quem comigo fosse, que devia lutar. Em combate leal, nestes anos de esperança e fel, que se estenderam desde 2003, com desprezo do conforto, dos bens e da própria vida, e a ajuda de companheiros encontrados nas jornadas e a graça de Deus, venci sucessivos adversários no terreno. Porém, após batalhas e incursões, fui embatendo contra a muralha do sistema, sem meios de valia além da força de caráter. Cheguei, na reflexão das madrugadas em que se limpam as armas, à conclusão de que precisava de criar as condições para que o Bem pudesse tomar o castelo dominado pelo Mal. Pois, se não tinha representantes das ideias, e se até os bispos evitavam o púlpito e frequentavam as maçonarias, onde buscaria a palavra, a vontade e a ação?...

O contexto atual é muito desfavorável para a intervenção patriótica tomar imediatamente o poder:
  • uma cultura envolvente de dissolução social;
  • uma Igreja muda e batida internamente pelo ventos do tempo incerto;
  • um ataque sistemático à criação popular de riqueza no turismo;
  • uma pressão fiscal insuportável sobre as empresas, modernizadas, adaptadas ao palco da moeda forte e internacionalmente competitivas pelo efeito acumulado do avanço educativo do País, passadas três décadas de crise económica estrutural;
  • os meios de comunicação sujeitos ao poder político corrupto; 
  • um governo socialista-comunista que vai consolidando suavemente a sua agenda cultural;
  • um presidente que parece reconvertido da tentação mefistofélica que o desorientava, mas que não governa.
  • os partidos da pós-direita conluiados com o poder político da esquerda, na bancocracia, nos negócios, nos contratos de Estado e nos incentivos;
  • uma ocupação do aparelho de Estado pelos militantes dos partidos de esquerda,  tal como em 1975;
  • a domesticação gramsciana das organizações da sociedade civil;
  • o previsto derrube da independência judicial;
  • e, em resultado de todas estas contradições morais e políticas, uma maioria eleitoral socialisto-comunista.

Muito gostaria que outros aceitassem a chamada do bom senso íntimo, que lhes pula na consciência, de que não há rios nem santanas, nem mesquitas (!) nem cristas, que queiram derrotar o pós-modernismo herdeiro do comunismo, repor os valores cristãos, reduzir o compadrio da maçonaria aos ágapes rituais, promover o trabalho e a criação de riqueza sobre a distribuição da massa falida, governar com escrúpulo e rigor, em suma, servir a Pátria.

Não é crível que a situação atual se inverta no curto e no médio-prazo e permita a recuperação do poder. Então, importa ao setor patriótico criar as condições de mudança cultural e política. Somos nós que temos de trabalhar para criar essas condições de mudança! Nesta cruzada estou.


Pós-texto: este poste foi emendado às 22:36 de 25-2-2018.


* Imagem picada daqui.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Crescem juntos


Cinco questõeszinhas sobre bicos de obras bancários:
  1. Será verdade que, recentemente, a filha do ex-presidente de Angola e maior acionista do banco EuroBic (ex-BIC), Isabel dos Santos  sacou secou a liquidez deste banco?
  2. E que, em consequência desta limpeza, o banco liderado pelo ex-ministro socialista Teixeira dos Santos, ficou em situação financeira muito complicada?
  3. E, se acontecer ao Eurobic o que aconteceu ao BES, cuja queda foi precipitada também pelas perdas de 3 mil milhões de euros em Angola, terá o povo português de suportar o socorro financeiro de outro banco?
  4. Já não basta o povo arcar com o resgate do Montepio através da caixa da caixa de esmolas da Santa Casa da Misericórdia, sem a responsabilização dos seus dirigentes, nomeadamente o intocável socialista Tomás Correia?
  5. E como pode o Banco de Portugal, que tem como membro do seu Conselho Consultivo, Francisco Louçã, a eminência parda do Bloco de Esquerda, deixar ocorrer estes descalabros?


* Imagem editada daqui.


Disclaimer: As entidades mencionadas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas do comentimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade. E, quando arguidas, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

O novo Bloco Central

O Bloco Central, cuja geometria, variável no atrappe-tout e fixo nos interesses, já inclui o BE e o PC, parece ter engolido o PSD de Rui Rio. Enquanto o CDS de Cristas, mantém-se sob a tutela de Paulo Portas no que concerne aos ditos interesses.

Estamos quase com um regime perfeito: a corte satisfeita no banquete e o povo para lá do fosso que não pode transpor. A cacicagem da troca de casas por votos é legítima, perigoso é o populismo!... E a democracia direta o caos...

A partilha dos fundos europeus, que já vigorava, está agora está mais tranquila, aberta a novos setores políticos e a outros atores dramáticos. A regionalização virá, por pressão das clientelas, mais ou menos disfarçada e sem consulta popular, que o povo poderia manter o veredicto contra o aumento do Estado, os escalões intermédios de tráfico de influência e a multiplicação do nepotismo.

Sobrava a justiça independente, mas afigura-se o consenso na remoção da procuradora-geral, cujo mandato termina daqui a onze meses. Luís Marques Mendes, chamuscado nos fumos do Oriente no caso dos vistos gold - o que lhe deveria merecer alguma vergonha... -, proclama um acordo para a substituição da procuradora Joana Marques Vidal. Procura-se um magistrado que dê garantias e tenha uma ação politicamente incontestada, assim ao modo do antecessor Fernando Pinto Monteiro...

E o povo vai andando, contente com o socialismo que lhe aliviou os bolsos das notas e agora lhos enche com níqueis, habituando-se, como é costume português, à praga de governos sujeitos à corrupção e à degeneração dos média, onde pontificam editores de confiança. A tragédia dos fogos no interior longínquo  apagada pela chuva de aumentos e subsídios.

No reverso da economia socialista, que distribui dinheiro, premeia a preguiça e pune a criação de riqueza, corre a reengenharia pós-moderna dos costumes. Depois do aborto, do casamento homossexual, a liberalização da droga para fins «terapêuticos»: a erva para o enjoo, o óleo para a fibromialgia e o charrinho p´rà sossega!... O PSD tranquilizou os congéneres, assegurando, em 11-1-2018:
«O grupo parlamentar do PSD defende que a canábis possa e deva ser utilizada para fins terapêuticos e, por isso, teremos uma iniciativa legislativa que corresponda exatamente a este fim».

«Este fim»... É por isso mesmo, quando quase todos se conformam com o fim, que importa continuar. Continuar sempre.


* Imagem picada daqui.

sábado, 13 de janeiro de 2018

A ministra da Justiça de Angola

Como enquadramento deste texto, recomendo a leitura do meu poste «A nomeação de Francisca van Dunen como ministra e sete factos capitais», neste blogue DPP, de 9-12-2015.

A ministra da Justiça, Francisca van Dunen, no dia 9-1-2018, na TSF, deu a entender que não será renovado o mandato da atual procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, falando num «mandato longo e um mandato único». Justificou a sua «análise jurídica» (sic) com a Constituição. Mas, segundo reportou o Observador, nesse mesmo dia, a Constituição admite a renovação do mandato e, se dúvida existisse relativamente ao espírito da lei, no acordo de revisão constitucional, de 1997, entre PSD e PS, quando António Costa era secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares, lá consta que «a PGR terá mandato de 6 anos, sem limitação de renovação»...

Um assunto desta importância há-de ter sido objeto de concertação com o primeiro-ministro. O título da entrevista na TSF já era elucidativo, indo além da resposta da ministra: «Governo não renova mandato de Procuradora-Geral da República». Ainda nesse dia, outro naipe da orquestra socialista nos média, a TVI, tocava: «Ministra lembra que Joana Marques Vidal está de saída da PGR Mandato termina em outubro e não será renovado, de acordo com a Constituição»... Outro naipe, ainda, também entra na sinfonia: numa notícia assinada pelo próprio diretor, David Dinis, o Público titula: «Ministra da Justiça abre porta de saída à actual PGR. Governo vê mandato da Procuradora Geral da República como "longo e único", pelo que não deve reconduzi-la em Outubro».«Pelo que»!... Uma imprensa que faz o frete de veicular como suas o que os dirigentes não dizem... Ainda que dificilmente se acredite que estes meios, como o insider Dinis, não tenham confirmado a intenção do Governo com o próprio Costa...

Contudo, o Presidente da República furou, no dia seguinte, o balão solto pelo governo: «até ao momento em que tiver de exercer o meu poder constitucional, o tema não existe». E Costa teve de recuar taticamente - ainda que diga apoiar a interpretação da ministra - para logo dar dois passos em frente, através da longa mão nos média. Ontem, 12-1-2018, na TVI, a propósito do caso da alegada adoção de crianças, desvio para o EUA e Brasil, trocas e destrocas dos menores entre máximos dirigentes da IURD, tendo como convidado o desembargador Eurico Reis e o advogado Garcia Pereira, só faltou ao socratino José Alberto Carvalho que liderava a programa, pedir a cabeça da procuradora-geral por esta ter avocado o caso e não ter evitado a adoção de Vera, Luís e Fábio, em 1999...

Joaana Marques Vidal tem os dias contados na Procuradoria-Geral. Não por causa da «análise jurídica» da ministra, mas pela vontade do Partido Socialista de Costa e Sócrates que não parece perdoar à procuradora o facto de esta não ter travado o caso do ex-primeiro-ministro. Portanto, Joana Marques Vidal sairá no final deste mandato, em outubro de 2018.

Francisca Eugénia da Silva Dias van Dunen, enquanto procuradora distrital de Lisboa, já tinha tomado decisões controversas a favor dos envolvidos socialistas no processo de abuso sexual de crianças da Casa Pia, como recorda o José no blogue da Porta da Loja, em 9-1-2018. Teria sido prudente, agora como ministra, cair no mesmo buraco.

Os factos coincidentes de a ministra van Dunen, na entrevista da TSF, citada pelo Público, de 9-1-2018, se imiscuir no processo de corrupção em que está envolvido o ex-presidente de Angola, Manuel Vicente, ainda, falando sobre o mesmo, e lançar a substituição de Joana Marques Vidal cujo mandato durará mais nove meses (!), devem ser interpretados politicamente. Agora, Folha 8, de Luanda, registou, em 11-1-2018, a mensagem, pondo em título: «Francisca van Dunen "arquiva" caso Vicente»... Já bastava o caso das vergonhosas desculpas a Angola do ministro Rui Machete, de outubro de 2013, por causa das investigações judiciais pendentes!...

Uma ministra do governo português não pode interferir no poder judicial português soberano a favor do seu país natal, a cujo clã, paradoxalmente de origem boer, da «"gloriosa família" van Dunen» sugerindo a substituição da procuradora-geral que, aparentemente, se opõe à passagem do caso para Angola com o inevitável arquivamento do caso de um dirigente com imunidade na altura dos factos. Nesse sentido, deve ser lembrada Francisca van Dunen de que é ministra da Justiça da República Portuguesa e não representante de Angola no Governo português.


* Imagem picada daqui.