quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Chega?

O partido Chega!, liderado pelo, constitui o fenómeno político de maior projeção na paisagem política portuguesa atual. Não apenas pelos resultados das eleições para a Assembleia da República, de 6-11-2019, e para o Parlamento Europeu, de 26-5-2019 (neste caso, com a formulação Basta!, em aliança com o PPM e CDC), mas pelo ímpeto popular num ambiente de boicote dos média sistémicos socialistas. Merece uma análise ideológica e política.

O sucesso do novo partido radica em primeiro lugar no notável carisma do seu líder, prof. André Ventura, que teve a ousadia de começar a cultivar um terreno baldio na área da direita em Portugal, com um discurso claro e sem medo de perseguições e rótulos, e uma organização moderna nos novos canais de comunicação (internet, Youtube, e outras redes sociais).

O Partido Chega! celebrou, em agosto de 2019, uma aliança pré-eleitoral com o Partido Cidadania e Democracia Cristã, ex-partido Portugal Pro Vida, fundado pelo meu malogrado amigo prof. Luís Botelho Ribeiro, e atualmente liderado por Manuel Matias, mediante a qual membros deste partido integraram como independentes as listas do Chega! às eleições para a Assembleia da República, de outubro de 2019.

Análise ideológica
Comecemos pela análise ideológica do partido Chega. Consultei o seu manifesto, a declaração de princípios, os estatutos, o programa e um documento designado por "70 medidas para reerguer Portugal".

No "manifesto político fundador" o partido define-se como "nacional, conservador, liberal e personalista". A fórmula parece de partido attrape-tout (catch-all), de atração e agregação de descontentes, que abdica de coerência ideológica em proveito da agregação de diversas proveniências. Se numa primeira fase resulta, depois é fundamental a definição ideológica para ganhar consistência e evitar o desmembramento. Porém, a consistência política pode moldar a diversidade ideológica original.

A designação british de conservador não faz muito sentido em Portugal: conservador de quê?... Da corrupção de Estado que atrofia o País há décadas?!... Dos costumes? Então, mais vale tratá-la pelo nome que tem: doutrina social. Pois, se "defende um Estado neutro nas questões religiosas", reconhece "o papel decisivo desempenhado pela Igreja Católica não só na estruturação da civilização europeia mas, também, em toda a História de Portugal". Além disso, o partido é o único a assumir o "combate ao politicamente correto", à "ideologia de género" e ao "marxismo cultural". Trata-se de assumir uma herança cultural judaico-cristã que junta crentes e não-crentes.

O partido configura-se como personalista, uma definição difusa inspirada na classificação do prof. Adriano Moreira, promotor do respeito indeclinável da pessoa humana nas opções políticas, acima de outro qualquer valor. Assim, no manifesto, o Chega eleva a "dignidade da pessoa humana e a vida desde o momento da concepção até ao da morte natural". Nos estatutos (art. 3.º, alínea a), lá está como primeiro princípio e valor fundamental, "a proteção da dignidade da pessoa humana" a par do "valor fundamental da liberdade" - mas conviria estar nos estatutos também a proteção da vida humana, a exemplo do que consta no manifesto.

O Prof. André Ventura afirma-se radicalmente contra o aborto, mas importa clarificar a sua posição sobre o assunto, ainda para mais quando integra o Partido Cidadania e Democracia Cristã (ex-partido Portugal Pro Vida, fundado pelo maior apóstolo contra o aborto que conheci, o meu Amigo Prof. Luís Botelho Ribeiro):
"Não sou eticamente a favor do aborto. Mas se me perguntar se sou capaz de permitir que no meu país haja um processo-crime contra uma mulher que abortou, não sou".

Porque, se o aborto não é crime, então é livre... E, para quem defende a proteção da vida humana, a liberalização do aborto é inadmissível. A exceção de licitude para matar o filho só pode ser o perigo de vida da mãe.

Avulta, no manifesto, a afirmação de o Chega é um partido liberal. Liberal, no País, que desprezou a inovação ideológica do liberalismo de Francisco Lucas Pires e do seu grupo de Ofir, no CDS, entre 1983 e 1985, continua a ser uma denominação equívoca. O liberalismo português está distante do neoliberalismo norte-americano, de matriz económica radical. Por cá, o liberalismo parece ser ainda entendido como o do período das guerras civis do séc. XIX e da I República: de filiação maçónica, raiz antirreligiosa, militante contra frades e padres e a tradição moral atrofiadora dos novos costumes e poder da burguesia oligárquica, ambiciosa do poder político para consolidar o poder económico e deslumbrar o povo das trevas com as luzes do livre pensamento que impunha um novo respeitinho pelas famílias de posses. O liberalismo português contemporâneo, forjado no blogue Blasfémias do advento dos blogues, de 2003 em diante - o liberalismo do Insurgente e do Portugal Contemporâneo já são de tendência dominante católica. O liberalismo propagandeado nesta corrente moderna é o que chamei de tardoliberalismo: o liberalismo clássico do séc. XVIII, alargado também aos costumes. O liberal não acredita em nada. Senão na liberdade de cada um fazer o que quer. Não defende uma proposta para a economia e a sociedade. E, se na economia, esta liberdade funciona melhor do que o socialismo, continua a ser necessária a intervenção do Estado na execução da lei. Nos costumes, o liberalismo não se distingue do socialismo nos fins e no financiamento: liberdade de abortar, liberdade de adotar crianças independentemente da condição dos pais (não concedendo às crianças o direito a um pai e uma mãe), liberdade de uso (e distribuição) de drogas, liberdade de pagar a mulheres para carregarem filhos de outras, liberdade de manipulação genética, liberdade de eutanásia. Paga o Estado, mas mais decisivo, paga a sociedade... A fundação de, não é aspiração exclusiva do liberalismo. Do liberalismo, salva-se a redução do Estado - desde logo do número de ministérios, deputados e pessoal político -, oposição à extorsão fiscal, a igualdade de oportunidades, a responsabilidade individual.

Nacional - e não nacionalista - significa patriota, defensor da nação, comunidade de origem e destino, que protege e acolhe. Do que se lê no manifesto e nos demais documentos, o Chega não é um partido racista nem xenófobo, atitudes que condena na declaração de princípios e no manifesto fundador: "rejeição clara e assertiva de todas as formas de racismo, xenofobia e de qualquer forma de discriminação". O "fracasso do multiculturalismo", exposto na declaração do princípios, é uma evidência nas sociedades que, depois do caos do nihilismo pós-moderno, o marxismo tomou: luta de classes passada da economia para a cultura e a sociedade, dividindo e opondo grupos étnicos e sexuais.

Ainda no plano ideológico, em oposição à esquerda marxista politicamente correta, globalista e multiculturalista, o partido assume-se, no programa, como pertencendo à "direita identitária", "a nova direita". Porém, se alguns exemplos internacionais de sucesso político recente da direita derivam de correntes extremistas, o Chega recusa explicitamente o racismo e a xenofobia. Mais, não encontro nos documentos, no discurso do Prof. André Ventura e na prática política, qualquer racismo, xenofobia ou filiação, mesmo que remota, às correntes fascistas. Racismo ou xenofobia na fusão biológica e cultural que somos, nesta nação que deu novos mundos ao mundo e no contacto íntimo com essas gentes e espaços se transformou sincreticamente, seria absurdo. Outra coisa, é negligenciar os problemas sociais e económicos de grupos que o Estado tem falhado bastante em integrar, como é o caso de algumas comunidades ciganas, bairros marginais, guetos de imigração e de criminalidade transnacional. A integração laboral é um requisito humano. Além da marginalização social, há também a questão da sustentabilidade dos recursos financeiros escassos e finitos do Estado. Não se trata da cor da pele, da antropobiologia, da cultura, mas da humanidade e responsabilidade. O êxito da conquista do poder por Jair Bolsonaro no Brasil, em 2018, deve-se ao longo combate ideológico de Olavo de Carvalho e ao persistente discurso político claro, forte e sem ambiguidade, do atual presidente e à coragem dos jovens que mobilizaram a sociedade. Não foi, nem mesmo nos EUA, a neutralidade amoral de valores da chamada direita alternativa (alt-right), filiada no racismo nazi, a causa do sucesso da direita, mas, pelo contrário, a afirmação de valores da fé da cultura, conjugada com um discurso firme sem papas na língua em contraste com a mixórdia de discurso ambíguo na língua bífida da demagogia. Um discurso que até os ateus respeitam pela autenticidade, distinta da ambiguidade socialista que devastou a direita pretensamente arquiconservadora e neoliberal, dos punhos de renda alva e bolsas de veludo sujo.

Sobre o sistema político, o partido Chega advoga a construção de uma nova República, a IV República, livre da corrupção de Estado e do socialismo que há décadas nos degrada e arruína, com um Estado forte mas limitado, desde logo no número de representantes políticos. E no funcionamento, aponta-se para a democracia direta - ainda que não a mencione pelo nome - com eleição por voto secreto dos titulares dos órgãos e nos referendos.


Análise política
No programa político do Chega de 2019 define-se o partido  como "liberal e conservador". Esta tensão ideológica entre duas correntes conflituantes - o liberalismo promovendo a liberdade e o conservadorismo defendendo a ordem - é resolvida politicamente com uma divisão: liberalismo na economia e conservadorismo nos costumes. Como adiante, no programa, se justifica, "um conservadorismo de feição liberal".

O Chega bate-se por uma revisão profunda da Constituição, através de uma assembleia constituinte, em direção à IV República. Fundamenta-se este objetivo central no facto de a Constituição atual (de 2-4-1976) ter sido "imposta manu militari", na linha do Pacto MFA–Partidos (que lembre-se foi proposto por Álvaro Cunhal"), de 11 de abril de 1975, assinado um mês após a provocação do 11 de março. Uma Constituição programática que estipula ainda no seu preâmbulo "abrir caminho para uma sociedade socialista" em vez da neutralidade ideológica que agregue todos os portugueses, incluindo os que não são marxistas. Ora, a última revisão constitucional, de 2005, não engavetou o socialismo, menosprezando os portugueses que pensam de modo diferente.

Na análise da situação atual, o Chega contesta a forma como é exercida pelo Estado a função redistributiva:
"retirar compulsivamente recursos aos que menos poder reivindicativo têm, para os distribuir aos que mais votos representam deixando uma grande parte nas mãos dos que distribuem."
Assim sendo propõem a redução do Estado e a devolução de poder e recursos aos cidadãos.

O programa do Chega rejeita o "marxismo-gramscismo, ou marxismo cultural", uma transmutação pós-moderna do marxismo-leninismo, e o "igualitarismo jacobino". Mais longe ainda, reclama-se de uma "direita moderna euro-americana", contra as "teses e das práticas políticas dos partidos ditos socialistas e/ou sociais-democratas e, em parte, dos partidos democrata-cristãos". Presumo que a inclusão dos democratas-cristãos neste lote decorra da degeneração política de partidos democrata-cristãos que passaram a defender o socialismo na economia e o relativismo pós-moderno nos costumes (como o CDS português). Contra a igualdade rasa que a todos cilindra, elogia-se a diferença. Uma diferença que não ignora a biologia ("ciências da natureza") e por isso se acaba com a promoção da ideologia de género e agenda LGBTI no sistema de ensino . No plano internacional propugna-se uma "euro-integração" (não federal) do País em vez de uma "euro-diluição". Enquanto nos valores se aponta a necessidade de equilíbrio entre direitos e deveres, com preferência pelos direitos positivos "merecidos" em vez dos direitos positivos "adquiridos", tão caros à esquerda das conquistas sociais.

No Estado, o novo partido diz que já Chega... Afirma-se que "a solidariedade não se pode degradar em mero apoio à preguiça", com o exemplo do escândalo da habitação social, e reivindica-se que "urge descorporatizar a sociedade portuguesa".

Nas funções do Estado, opta-se por um modelo de "Estado arbitral", regulador, em vez de "Estado social" cujas funções acessórias devem  ser residuais, atentendendo ao princípio da subsidariedade, com maior poder e recursos aos municípios e o reconhecimento da centralidade da família na sociedade. Nas funções de regulação do Estado, recusa-se o fim do emprego pública para a vida e promete-se a redução da carga fiscal (a 45 dias no máximo do soldo de cada cidadão). Nas funções soberanas do Estado, que terão prioridade orçamental, marca-se a "complementaridade entre justiça e segurança" e a "intransigência com o pequeno delito" do qual se passa à criminalidade mais grave. A função patrimonial do Estado é circunscrita ao acervo cultural e outro, concentrando serviços da administração central. Nas funções acessórias do Estado, opta-se por um modelo de utilizador-pagador e de subvenção dos cidadãos em vez das instituições (cheque-saúde, cheque-educação, cheque-habitação).

As propostas políticas concretas inscritas no programa político para 2019 e no documento designado por "70 medidas para reerguer Portugal" ficam para outros postes.

Em conclusão, o novo partido Chega tem virtudes e questões ideológicas a resolver e forças de projeção política disponíveis e mobilizáveis que podem ser agregadas se a clarificação ideológica for feita. Agora, Chega? Não sei...

segunda-feira, 25 de novembro de 2019

O bandeirante Jorge Jesus

O treinador Jorge Jesus fez mais em cinco meses, com o seu génio, autenticidade e audácia, pela reaproximação entre Portugal e o Brasil do que os políticos portugueses em mais de quatro décadas.

domingo, 17 de novembro de 2019

A segunda versão da terceira parte do segredo de Fátima

O livro de Manuel Arouca “Lúcia: a última mensagem” vem difundir o excerto desprezado da segunda versão, datada de 3 de janeiro de 1944, da terceira parte do segredo de Fátima, publicado na biografia da Irmã Maria Lúcia de Jesus e do Coração Imaculado O.C.D, “Um caminho sob o olhar de Maria”, de 2013, da autoria das irmãs do Carmelo de Coimbra, inédito que tem passado despercebido à cristandade e à historiografia, um texto que já havia sido publicado, sem esse enquadramento, no diário da irmã Lúcia, “O meu caminho” (pp. 180-182) A primeira versão da terceira parte do segredo de Fátima foi divulgada na Cova da Iria em 13 de maio de 2000, pelo cardeal Angelo Sodano por instrução do Papa João Paulo II. Não é claro que a Irmã Lúcia só tenha enviado a carta com a primeira versão da terceira parte do segredo para o Vaticano.

Escreveu Lúcia, em 3 de janeiro de 1944, nesta segunda versão da terceira parte do segredo de Fátima:
“Senti o espírito alagado por um mistério de luz que é Deus e nele vi e ouvi: a ponta da lança como uma chama que se desprende, que toca o eixo da Terra e ela treme: montanhas, cidades, países e povos com seus habitantes ficam sepultados. O mar, os rios e as nuvens saem de seus limites, transbordam, alagam e arrastam consigo em um torvelinho casas e pessoas em um número que não se pode contar, é a purificação do mundo do pecado no qual se encontra imerso. O ódio, a ambição, provocando a guerra destrutiva. Depois escutei no palpitar acelerado do coração e em meu espírito uma voz rápida que dizia: ‘no tempo, uma só fé, um só batismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica. Na eternidade o “Céu”!”

Nessa visão de Lúcia, escrita em 3 de janeiro de 1944, numa segunda versão do terceiro segredo de Fátima que Lúcia encerrada numa carta, tal como a primeira versão, Nossa Senhora refere-se à guerra nuclear, catástrofes geofísicas e unidade da Igreja:

1. Guerra nuclear: 
”a ponta da lança como uma chama que se desprende, que toca o eixo da Terra e ela treme: montanhas, cidades, países e povos com seus habitantes ficam sepultados.”
A descrição adequa-se à explosão nuclear, ao seu cogumelo atómico, ao cataclismo provocado pela bomba. Note-se que as bombas dos EUA sobre Hiroshima e Nagasaki foram lançadas em 6 e 9 de agosto de 1945, dezanove meses depois de Lúcia ter escrito a carta. Todavia, a dimensão horrível das consequências que Lúcia apresenta pode indicar uma incidência ainda maior e por acontecer.

2. Catástrofes geofísicas:
“O mar, os rios e as nuvens saem de seus limites, transbordam, alagam e arrastam consigo em um torvelinho casas e pessoas em um número que não se pode contar, é a purificação do mundo do pecado no qual se encontra imerso. O ódio, a ambição, provocando a guerra destrutiva.”

As catástrofes geofísicas descritas pela Irmã Lúcia parecem resultar da “ponta da lança como uma chama que se desprende” e  da “guerra destrutiva provocada pelo ódio e ambição”. No texto essas catástrofes não são independentes, nem naturais. ‘Man made’? Sim, mas com a guerra. Que a oração evita e a falta de fé atiça.

3. Unidade da Igreja: 
“escutei no palpitar acelerado do coração e em meu espírito uma voz rápida que dizia: ‘no tempo, uma só fé, um só batismo, uma só Igreja, Santa, Católica, Apostólica. Na eternidade o “Céu”!”
A Igreja una, santa, católica e apostólica, afetada pelo relativismo socialista, a nova face do marxismo.

sábado, 16 de novembro de 2019

Da Pátria



Resultados consolidados das eleições para a Assembleia da República,
de 4-10-2011,com exceção dos votos do estrangeiro
(elaboração pelo autor)


O distanciamento permite uma análise mais fria.

Os resultados das eleições para a Assembleia da República, de 6 de outubro de 2019, confirmaram, em geral, as expetativas. Republico ainda o quadro que elaborei dos resultados consolidados (devido à coligação PSD-CDS não funcionar nos Açores e Madeira) das eleições para a Assembleia da República, de 4-10-2011. O PS passou de 32,3% para 36,4%. PSD e CDS desceram de 38,5% (em 2011) para 31,9% (em 2015): o PSD abaixo dos 28% (mas Rui Rio vangloriou-se do resultado porque foi acima... das sondagens); e o CDS com o resultado irrisório de 4,2%. O Bloco de Esquerda desceu de 10,1% para 9,5%, aparentemente com trasnferência de votos para o Livre, resultado da desavença de Rui Tavares com o Bloco de Esquerda, o qual alcançou 1,1%, através da campanha de Joacine Moreira. O PAN subiu 132% em termos relativos desmontando a farsa dos Verdes (uma criação de Zita Seabra no PC) para 3,3% e elegeu 4 deputados. A coligação Chega (do movimento Basta, de André Ventura e do partido Cidadania e Democracia Cristã, o atual nome do Partido Pró-Vida criado pelo meu malogrado amigo Luís Botelho Ribeiro) chegou a 1,2 (com 67 mil votos) e elegeu um deputado. A Iniciatuva Liberal, liderada por Carlos Guimarães Pinto, conseguiu também 1,2% e eleger um deputado por Lisboa. E a abstenção subiu de 42% para 44%, tal como os votos brancos e nulos (estes com maior crescimento relativo, de 1,6% para 2,3%.

Que interpretação? 

O PS ganhou as eleições devido à recuperação económica do País, à hábil manipulação das finanças pelo ministro Mário Centeno e ao controlo dos média por editores de confiança. Um País marcado por uma crise de duas décadas e meia (1991-2016), seguida da austeridade derivada pela reorganização financeira do protetorado da União Europeia (2011-2015), dirigido por Passos Coelho, após a bancarrota do Estado provocada pelo socratismo. Consolidou-se o marxismo pós-moderno da aliança com bloquistas e comunistas, que vai prosseguir.

PSD e CDS continuam enredados no socialismo. E daí não é expectável que saiam. Partidos supostos da direita que defendem o liberalismo nos costumes e o socialismo na economia, em completa contradição com o eleitorado sociológico da direita.

No PSD, Rui Rio teve a honestidade de confessar, em 6-5-2019, que «se o dr. Sá Carneiro não tivesse feito um partido, eu se calhar tinha ido para o PS». Dominado pela corrupção ao nível nacional, regional e local, e controlado pela Maçonaria, que já domina as estruturas concelhias até no interior, defende, mais ou menos assumido, a cartilha do liberalismo nos costumes: aborto, liberalização de drogas, ideologia de género, casamento homossexual, adoção de crianças por casais homossexuais, barrigas de aluguer, eutanásia. Na economia, defende o socialismo de Estado, a bancocracia, as políticas corruptas de licenciamento económico, os monopólios nas utilities, a mama das empresas amigas na teta do Estado através de esquemas de subvenção.

O CDS, derivado para CDS-PP (PP de Paulo Portas), dos últimos anos e que continuou no consulado de Assunção Cristas, segue uma proposta liberal em contradição com o programa oficial do partido, que data de 1993 e estabelece no capítulo II dedicado aos Valores Políticos: «O Partido Popular é democrata-cristão». De albergue de democratas-cristãos, conservadores e liberais, o CDS passou a seguir o liberalismo nos costumes, determinado pelo lóbi gay (assumido e de armário) que o domina, e que Portas marionetiza, e o socialismo de Estado, defensor das políticas de subvenção corrupta e de constrangimento da atividade económica através da ultrarregulação.

O povo da direita cansou-se da mixórdia da prática política corrupta de PSD e CDS, oposta aos seus valores patrióticos culturais, sociológicos e económicos, nos costumes e na economia: costumes cristãos, família, trabalho, caridade e responsabilidade social, livre iniciativa na economia.

Mais ainda, existe viabilidade política para um programa patriótico inspirado na doutrina social, como o que apresentei neste blogue. O que a nível internacional se verifica é a vitória da ideologia firme que a maioria do povo tende a preferir face à política corrupta. O exemplo do novo Brasil é paradigmático: face ao marxismo corrupto do PP e à direita corrupta do PSDB, o povo preferiu a proposta e Jair Bolsonaro, ideologicamente clara e de desmantelamento da corrupção.

Para a consecução desse programa patriótico democrático, corajoso e sem ponta de racismo nem de xenofobia e no estrito cumprimento do direito, mais do que representação parlamentar são necessários meios. Ilude-se quem crê que as redes sociais, sujeitas à censura indireta das elites relativistas, são meios suficientes. As redes sociais devem ser usadas, especialmente o Youtube, mais do que os obsoletos Facebook e Twitter: o video mais do que o parágrafo de texto e  o «Gosto». Tal como se devem manter os blogues pois permitem a difusão de informação e opinião elaborada. Insisto que é fundamental criar um jornal digital da direta moderada cristã para a luta política e o combate cultural.

A novidade que vos trago é de que já existe juventude com ideias claras e vontade de intervir. Uma força a juntar-se aos veteranos do combate ao socialismo e à corrupção.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

“Lúcia; a última mensagem”




O novo livro de Manuel Arouca “Lúcia: a última mensagem, é apresentado hoje, segunda-feira, dia 7-10-2019, pelas 17:15, em Fátima. O livro é uma biografia romanceada da Irmã Lúcia, pastorinha vidente da Cova da Iria.

A Prime Books, editora da obra, salienta:
“Manuel Arouca, a partir de várias conversas que teve com a Madre Ana Sofia, máxima responsável pelo Carmelo onde a Irmã Lúcia viveu, com a Dra Branca, sua médica, da leitura da correspondência que a Irmã Lúcia trocou com pessoas de todo o mundo e do livro biográfico escrito pelas irmãs carmelitas sobre vida da Irmã Lúcia, desenvolveu uma aturada e profunda pesquisa, que incluiu ainda muitas entrevistas realizadas em Portugal, Brasil e Estados Unidos.
Desta forma chegou a novas e importantes conclusões, pouco ou nada conhecidas da quase totalidade das pessoas, e focou o seu trabalho, essencialmente, na última das profecias, datada de 3 de Janeiro de 1944, na qual Nossa Senhora indicou, de forma apocalíptica, as consequências das alterações climáticas, tão na agenda das nossas preocupações nos tempos que correm, mas também da ganância e do ódio que levam à destruição da humanidade, dos dramas familiares, da corrupção, suicídios, problemas com sacerdotes e outras maldições várias.”

No livro, Manuel Arouca difunde o excerto desprezado da segunda versão, datada de 3 de janeiro de 1944, da terceira parte do segredo de Fátima, um tema que tratarei em breve.

Manuel Arouca, escritor, guionista e produtor, tem-se dedicado à mensagem de Fátima nos últimos anos e é autor do notabilíssimo documentário televisivo “ Fátima e o Mundo”, em seis episódios exibidos na RTP entre 2011e 2016, também publicado em livro, e também de “Jacinta: a profecia”, de 2016, e do guião do filme homónimo em 2017.

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Devoções para ocasiões emergentes

“Apresento aos senhores um novo Brasil, que ressurge depois de estar à beira do socialismo. (...) Meu país esteve muito próximo do socialismo, o que nos colocou numa situação de corrupção generalizada, grave recessão econômica, altas taxas de criminalidade e de ataques ininterruptos aos valores familiares e religiosos que formam nossas tradições.”

Recomendo a audição do discurso completo do Presidente brasileiro na abertura da sessão anual da Assembleia Geral da ONU. É muito útil ver a postura corajosa e ouvir o tom desassombrado. A diferença face à pusilanimidade da pseudo-direita portuguesa, mais ou menos envolvida com a corrupção e os valores e políticas socialistas, é brutal.

Em contraste, nesse mesmo dia e local, o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, no seu discurso, reclama o multilateralismo, mas louva o globalismo e o catastrofismo climático do marxismo totalitário e escatológico. Saúda Angola, mas omite o Brasil (!?...), cujo novo governo critica indireta mas abundantemente. Torce o desejável multilateralismo para um globalismo totalitário em que todos devem seguir a cartilha do catastrofismo climático e conformar-se perante o relativismo socialista, um pseudo-humanismo que tolera a exceção islâmica da escravatura feminina. Lança uma espécie de patriotismo globalista, no qual ser patriota é ceder alegremente aos interesses dos outros, com prejuízo dos deserdados das periferias e do campo que têm de pagar as faturas bilionárias da boa consciência dos citadinos globais que os desprezam. Cita John Donne, que nenhum homem é uma ilha, mas, nessa mesma meditação XVII, o poeta católico também aí pergunta: “Who bends not his ear to any bell which upon any occasion rings?”. E a ocasião é o socialismo relativista que aplaude cinicamente qualquer adesão patética, para juntar ao rol dos colaboracionistas eventuais.

O mundo continuou, e continuará, para além dos prazos dos profetas catastrofistas. As alterações climáticas, em que uma parte é man-made, que preocupam justamente, não têm o impacto geofísico e humano do apocalipse, nem a fraude política das promessas vãs do Acordo de Paris qualquer efeito significativo - ver Bjorn Lomborg (quando um convite para uma conferência em Portugal?) -  senão o carro da música do neomarxismo ambiental que custa biliões de euros a Estados à beira da falência e transfere recursos para as plutocracias de ideologia oficial socialista. Enquanto inflamam os gilet jaunes com aumentos brutais do gasóleo e de impostos para satisfazer o delírio do Armagedão.

A pulsão da corrupção é constante na política, mas a adesão das cliques no poder no PSD e no CDS ao totalitarismo politicamente correto do relativismo nos costumes e da via socialista na economia não é apenas comercial. É íntima.

Contudo, tal como nos outros países, em Portugal, o povo da direita não quer balbúrdia nos costumes, nem ócio, nem crimes de corrupção e nas ruas. Contudo, face a cobardia dos representantes liberais, que seguem as políticas socialistas enquanto fazem os seus negócios com o Estado, o povo não pode admirar-se com a maioria marxista de dois terços no próximo Parlamento...

sábado, 21 de setembro de 2019

O regime costista do habitualismo



Aproximamo-nos de umas eleições para a Assembleia da República. António Costa faz de carochinha com quem todos desavergonhadamente querem casar após o noivado eleitoral. Daí a delicadeza e a suavidade da oposição da alegada direita, que nem discorda das políticas, mas somente de não estar sentada à mesa do banquete socialista do Estado.

Com o crescimento económico ligado ao turismo, galinha de ovos de ouro que Governo e Cãmaras querem matar com impostos e restrições disparatadas que apenas servem para corrupção, e a reconversão competitiva das empresas industriais e de serviços, que demorou duas décadas e meia na adaptação à abertura de mercados e à estabilidade cambial, são amortecidas os efeitos das cativações de Mário Centeno sobre a liquidez geral.

Na ressaca da corrupção socratina, roubar tornou-se mais impopular. Assim, rouba-se q.b. Uns negociozitos de golas e coletes, uns contratozitos empolados de serviços, a quinquilharia dos tachos a compensar a impossibilidade de continuar a roubar à fartazana. Presidente da República, Procuradoria-Geral, e outras instituições de balanço dos cheques que o povo paga, colaboram no habitualismo de Costa.

O escândalo do abuso sexual de crianças foi varrido para debaixo do tapete socialista e os personagens da tragédia voltaram ao poder de forma mais exposta ou discreta. Mandam!... Os socratinos reconverteram-se no costismo, que o reciclou e lhes deu atestado de inocência, com a ajuda dos média de confiança, enquanto os processos apodrecem (veja-se o caso do processo das PPP rodoviárias). Governam-se!

Costa impera. E o povo está consolado na vidinha socialista, aspirando uma reforma de descanso, resignado com a subsidio-dependência e alheio à ideologia socialista-relativista de Estado. Não existe, com a mesma gravidade, o rastilho da imigração desenfreada e desintegrada que faz implodir o humanismo europeu de raiz cristã.

A vida escoa-se, coada pelo tempo impiedoso. Já nada somos. É hora de preparar o futuro, que já será de outros. E nesse combate evanescer a cinza do que fomos.

Portugal faz que anda, mas não anda. Parece de brincadeira.


* Imagem picada daqui.

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

A tutela chinesa do regime socialista-comunista português

O regime socialista-comunista português, de dependência chinesa, deveria suscitar uma atitude de repulsa da sociedade civil e das organizações internacionais de que Portugal faz parte, como a NATO e a União Europeia. E não apenas dos EUA que já avisaram oficialmente o Estado que a tutela chinesa na economia é geopoliticamente insustentável.

Segundo a revista Sábado, de 5-9-2019, o Governo chinês ousou realizar uma operação de espionagem em Fátima, relativamente a um encontro internacional de legisladores católicos, International Catholic Legislators Network (ICLN), que decorreu de 22 a 25 de agosto, onde participou, além do bispo emérito de Hong Kong, Joseph Zen, o Chief of Staff da Casa Branca (a pessoa mais importante da administração norte-americana a seguir ao presidente), Mick Mulvaney. Diz a revista:
«Funcionários da embaixada da China em Lisboa montaram uma operação subversiva para tentar boicotar um encontro de líderes religiosos e políticos em Fátima.(...) Ao longo de vários dias fotografaram os participantes, tentaram entrar à força no encontro, saber o que debatiam e até seguiram alguns dos convidados nas orações feitas na Basílica da Nossa Senhora do Rosário.»
A intrusão de serviços de espionagem, forças militares e agentes provocadores, no Santuário de Fátima não é nova. Após o 25 de abril de 1974, os candeeiros da esplanada do Santuário foram pinchados com a sigla da LUAR - a conta da limpeza foi enviada à organização mas esta nunca pagou... A LUAR era um grupo armado da esquerda revolucionária que iniciara a atividade, tornada pública por Emídio Guerreiro, no assalto ao Banco de Portugal, na Figueira da Foz, em 17 de maio de 1967, roubo que rendeu 29.274 contos (equivalente a cerca de 8 milhões de euros), liderado por Palma Inácio e Camilo Mortágua.

Em 1974-75, forças do Copcon faziam cerco à Cova da Iria, através de operações stop, e um batalhão com carros de combate, chegou a ocupar posição junto ao recinto (outubro de 1974?). Recordo-me de, nessa altura, o reitor do Santuário, Luciano Guerra contar numa missa de domingo, que o recinto estava cercado, a pretexto da proteção dos peregrinos. Após a celebração, o meu pai foi oferecer-se ao monsenhor Guerra para o que entendesse, o qual agradeceu. O tempo passou, mas Fátima continua a incomodar. Aquém e além do poder temporal, o poder espiritual sempre aborreceu aos totalitarismos.

terça-feira, 3 de setembro de 2019

O golpe da Amazónia

A ler um artigo sóbrio sobre o “Amazon scam”, no Politico, de 29-8-2019. A esquerda radical quer manter os índios como macacos e exploração das ONG e os 20 milhões de habitantes da Amazónia brasileira sem modo de vida, vetando mediaticamente uma exploração controlada dos recursos da região.

Governos, instituições e políticos e média de países que mantém as suas colónias ultramarinas (que têm subrepticiamente “legalizado”), como a França, o Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, a Holanda, a Espanha e os EUA, sem qualquer escândalo da ONU, protestam contra a soberania brasileira da Amazónia. Além dos territórios não-autónomos da China e da Rússia, que se tem expandido através de anexações, e que criam testas de pontes nos países limítrofes e exercem, como Cuba e Irão, interferência específica nos assuntos internos de outros países.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

O pirómano Macron e a traição do Estado português ao Brasil

Em 23-8-2019, o presidente francês Emmanuel Macron acusou o presidente brasileiro Jair Bolsonaro de lhe ter mentido sobre a proteção do ambiente e da biodiversidade e lançou a ideia de conferir um «estatuto internacional» a esta parte do território brasileiro, pondo em causa a soberania do Brasil sobre a área. Para aliviar da situação interna e recuperar popularidade, Macron, certamente ofendido com a política do Governo brasileiro relativa às questões LGBT, de que é grande defensor, comporta-se como um pirómano das relações internacionais.

No dia anterior, 22-8-2019, o presidente Marcelo já havia criticado subtilmente o Governo brasileiro e alinhado na traição ao Estado brasileiro na estratégia de internacionalização da Amazónia, incrementada desde que o PT perdeu o poder no Brasil:
«O Presidente da República, profundamente sensibilizado pela tragédia ambiental provocada pelos incêndios de enormes proporções que assolam a Amazónia, em particular a Amazónia brasileira, que representam já um número recorde dos últimos anos, solidariza-se com o Estado e o povo brasileiros, fazendo votos para que, com a brevidade possível, seja possível pôr-lhes cobro. O ambiente e a emergência que representam as alterações climáticas têm de ser cada vez mais uma preocupação central e comum da Humanidade. O Presidente da República, como qualquer cidadão do Mundo, não pode ficar indiferente a estes incêndios que continuam a devastar um “pulmão” do Planeta.»
Os maiores incêndios existem, todavia. na parte boliviana da floresta (cerca de um milhão de hectares)... E na Amazónia brasileira, onde os incêndios estão na média dos últimos 15 anos (bem menos do que em África e, já morreram duas pessoas nestes incêndios de agosto de 2019: em Portugal, em 2017, morreram mais de 100 pessoas e arderam 500 mil hectares de floresta...

Marcelo tenta uma diplomacia paralela patética, procurando isolar o Brasil, numa atitude paternalista  de tipo colonial, através de um encontro, em 26-8-2019, no palácio de Belém com o presidente chileno Sebastián Piñera, que como havia feito Macron que convidou o Chile para a cimeira do G7, deixando de fora a nona economia do mundo (o Brasil).

Já o manhoso primeiro-ministro António Costa dá uma martelada no cravo e outra na ferradura do cavalo doido de Macron. Em 23-8-2019, declarou apoiar o Brasil na questão do acordo comercial com o Mercosul, que interessa às empresas portuguesas exportadoras, mas também seguiu a linha internacionalista na gestão da Amazónia, indicando que o Brasil «tenha de ter» (!...) «a compreensão de que a Amazónia, sendo um património seu, é um património comum a toda a humanidade». E acrescentou: «sendo a Amazónia um dos maiores pulmões do mundo, “o que lá acontece é algo que diz respeito a todos os cidadãos em todo o mundo, é um problema global». É. Tal como Pedrógão Grande e a catedral da Notre-Dâme de Paris...

Também o secretário-geral das Nações Unidas, o socialista António Guterres, manifestava a sua preocupação com os incêndios na estação seca na Amazónia e a resposta das autoridades brasileiras, ele que nunca se pronunciou sobre a corrupção e miséria do marxismo lulista...

Emmanuel Macron, o «Mozart de la finance» que despreza o campo e as suas gentes, atolado na quarta pior taxa de desemprego dos 28 países da União Europeia, com uma economia estagnada e povo e empresas carregados de impostos, e fustigado pelas manifestações dos gillet jaunes da França profunda e pela proteção dada aos seus favoritos Benalla e Gallet, procurou orientar a atenção da imprensa mundial, em 23-8-2019, e do esquerdismo radical ativo nas redes sociais, para os incêndios na Amazónia, na véspera da cimeira do G7, em Biarritz. O G7 é o grupo de países que reúne os sete países com a as ex-maiores economias do mundo: Itália, que é a oitava, e o Canadá que é a décima pertencem, mas não a China ou a Índia, nem o Brasil que é a nona.

macronnade serviu para desviar a atenção da penosa situação da economia francesa e para responder à oposição dos agricultores (acúcar e etanol) e produtores pecuários franceses (carne de vaca e de frango), ao acordo comercial da União Europeia com o Mercosul, em junho de 2019: com a falsa desculpa da falta de proteção do ambiente pelo novo governo brasileiro, a França recusa-se a ratificar o acordo.

Esta instrumentalização macronónica funciona porque os média ocidentais servem o politicamente correto. E o povo  lá vai seguindo as colunas mediáticas dos carros da música neomarxista...

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Haddad, candidato de Costa e Marcelo, condenado a 4 anos e meio de prisão

O marxista Fernando Haddad, candidato derrotado do Partido dos Trabalhadores (PT) - na chapa com Manuel d’ Ávila do Partido Comunista do Brasil (PC do B), na eleição presidencial brasileira de 2018, admirador de Boaventura Sousa Santos, apoiado pelo primeiro ministro e presidente de Portugal, contra Jair Bolsonaro, foi ontem, 20-8-2019, foi condenado a 4 anos e 6 meses de prisão por falsidade ideológica para fins eleitorais, por financiamento ilegal pela construtora UTC.

Não consta que, até este momento, a dupla António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa tenha manifestado arrependimento pelo apoio a um candidato corrupto nem pedido desculpa pela intrusão na campanha eleitoral brasileira, ao arrepio do respeito institucional entre Estados irmãos e do direito internacional que estipula a não ingerência nos assuntos internos de outros países.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

A Amazónia e o enviesamento ideológico da esquerda radical

Recomendo aos leitores Do Portugal Profundo que vejam e oiçam a entrevista ponderada do ministro brasileiro do Ambiente, Ricardo Salles, em 16-8-2019, à BBC News Brasil, sobre as políticas negligentes seguidas no passado pelos governos de esquerda na Amazónia e a nova política capitalista de integração económica e social das gentes e exploração regulada dos recursos desta zona que está a ser praticada pelo Governo Bolsonaro. Muito útil para perceber o enviesamento ideológico da esquerda radical brasileira e europeia sobre a Amazónia.

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

Ministro português da Ciência imiscui-se na exoneração de funcionário do Estado brasileiro



Ricardo Galvão, o exonerado diretor do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Especiais), organismo do Estado brasileiro que faz a monitorização da floresta amazónica, atirou, no programa Painel, da TV Globo, em 11-8-2019, ao ministro do Ambiente do Brasil, num debate com o ministro brasileiro  do Ambiente, Ricardo Salles: “Acabei de receber agora mensagem do ministro da Ciência e Tecnologia de Portugal indignado” (27:24 do debate, transcrição minha).

Fontes do INPE haviam filtrado para a imprensa dados sobre o desmatamento da floresta amazónica que o presidente Jair Bolsonaro criticou como errados e alarmistas. O diretor do INPE, Ricardo Galvão,  insurgiu-se contra o presidente e foi exonerado.

Deixo aqui seis questões de resposta indispensável do Governo português:
  1. O ministro português da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, permite-se ‘indignar’ contra o Presidente brasileiro, sobre a exoneração de um funcionário do Estado brasileiro?!... 
  2. Um governo da coligação socialisto-comunista, que  gere de forma negligente e desastrosa a floresta nacional, com records de perda de vidas humanas e área ardida por incêndios, não tem vergonha de criticar a atuação de outro na administração da sua política florestal?...
  3. É esse o respeito devido, a prudência e o bom senso, de um governante português  que tem a responsabilidade de gestão de programas de intercâmbio universitário e científico com o país irmão, que fornece um grande número de estudantes de licenciatura e pós-graduação às  instituições portuguesas de ensino superior?!...
  4. A alegada prudência do governo português só funciona face ao regime comunista venezuelano de Maduro?!...
  5. Agrava-se a guerra ideológica do governo português de António Costa, apoiado pela coligação socialisto-comunista, contra o novo governo do Brasil, liderado pelo presidente Jair Bolsonaro?!...
  6. O combate ideológico disparatado do governo socialisto-comunista contra o novo Governo brasileiro vale o risco de o nosso embaixador em Brasília ser chamado ao Itamaraty para prestar esclarecimentos sobre o facto de um ministro português se imiscuir numa questão interna sensível do Governo brasileiro?!...

* Imagem picada daqui.

quarta-feira, 7 de agosto de 2019

A hiperpotência chinesa

«The Trump administration will blink» face ao governo chinês no caso da Huawei e na guerra comercial, porque precisa do acordo - Mike Baker (ex-CIA) em entrevista a Joe Rogan, em 31-7-2019.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

A sina de Vieira da Silva - e o destino de Sócrates



Em fevereiro de 2005, José António Vieira da Silva aderiu, com surpresa geral, ao governo de José Sócrates. Registe-se que o calculado aparatchik não foi envolvido no abuso sexual de crianças da Casa Pia e podia, portanto, livre para deixar a sua habitual sombra e aguentar os holofotes. O fiel jardineiro da quinta do grupo estava cansado do trabalho duro do campo, a vista estrábica a precisar de novas lentes, a ferrugem do tempo a corroer-lhe a ambição, a filha doméstica a precisar de tacho e lugar à mesa. Convencido de que o escândalo de abuso sexual das crianças, mártires vivos, da Casa Pia tinha afetado irremediavelmente a carreira política dos líderes da sua fação, traíu o grupo e juntou-se ao arquirrival de Paulo Pedroso. Enquanto os outros despenados aguentavam a fome de poder com migalhas universitárias e subsídios para custas, Vieira da Silva banqueteava-se com o poder e estendia pelo País a sua rede de criadagem.

No hiato social-democrata de 2011-2015, depois da ruína financeira e económica do Pais em que também participou, e dos escândalos de corrupção, que conheceu por dentro do Governo, Vieira da Silva que até havia sido promovido em 2009, da pasta do Trabalho para a da Economia com a função de distribuição dos fundos europeus, conseguiu, todavia, não ser responsabilizado judicialmente.

Note-se que Pedro Passos Coelho, tolhido pela manivérsia na Tecnoforma - de muito mais calado do que aquilo que surgiu à tona da água suja - de que os serviços de informação socialistas tinham conhecimento, decidiu poupar o inimigo. Em vez da barrela aqui então recomendada, não solicitou a investigação do Ministério Público sobre os polémicos negócios dos governos socratinos: Vivo-Oi, Siresp, parcerias público-privadas rodoviárias (que ainda anda aos tombos no DCIAP...), cartões de crédito rosa-choque do IGCP, Magalhães, Venezuela, Líbia, etc. E veio a morrer-lhe nas mãos. Os táticos caiem sempre por causa da negligência da estratégia...

No momento em que o compagnon de route da fação ferrosa, António Costa, depois de várias hesitações, avançou para candidato a secretário-geral do PS contra o medroso António José Seguro, Vieira da Silva foi o homem escolhido para organizar a campanha, energizando as ligações concelhias da Segurança Social e tratando da logística da chapelaria. E  quando Costa desceu, em janeiro de 2014, do quinto andar do n.º 105 da Avenida da Liberdade, em Lisboa, onde residia por gentileza da holding Violas Ferreira, para o Largo do Rato, e depois, em novembro de 2015, para o governo da coligação socialista-leninista, Vieira da Silva acompanhou-o. Tudo em família, até conseguiu promover a ministra e da Presidência, a sua filha Mariana...

O homem discreto foi apanhado em relações raríssimas, de que, apesar de esforço denodado e pedidos aflitivos de ajuda, não conseguiu que o livrassem. Isolado, ele e sua filha, pela fação poderosa, de que os jovens turcos Ricardo Paes Mamede e Pedro Adão e Silva são operacionais, e sem esperança de suceder a Ferro Rodrigues, cujo fígado tem aguentado o stress do Parlamento, chegou a hora do ostracismo. António Costa que o usava como amortecedor face à pressão da fação poderosa radical, não o conseguiu aguentar. Já sem forças, e sem vocação para cantar (o que é uma pena!...), Vieira da Silva não escapa ao fado da sua sina.
«Reza-te a sina nas linhas traçadas na palma da mão,
Que duas vidas se encontram cruzadas no teu coração. (...)
E mais ainda te reza o destino que tens de amargar,
Que a tua estrela de brilho divino deixou de brilhar...»
Vieira da Silva é, nesta altura do campeonato socialista de um país onde a coligação governamental (PS, Bloco e PC) vale 59,2% das intenções de voto, e PSD e CDS apenas 27,6%, segundo sondagem da Pitagórica publicada pelo DN, de 22-7-2019), apenas um calhau no caminho das pedras. Pode recuperar mais tarde, e é cedo para dizer que prever que terminou a carreira política. Mas dificilmente regressará à ribalta. Veio da sombra para os holofotes e agora cai para a penumbra. Os ex-colegas de grupo não esquecem a traição.

Destino ainda mais negro é o do seu aliado circunstancial José Sócrates. Dos cromos da escola aos negócios de Estado, de que importa ao homem possuir o mundo inteiro se vier a perder tudo?... Não adianta ao ex-primeiro-ministro andar por aí a pedir batatinhas para o guisado do costume, que as portas socialistas fecharam-se-lhe. Um eventual cofre de trezentos milhões pode garantir muitos favores, mas o dinheiro é pestilento... E não há rosa nenhuma que o possa safar. Muitos anos depois, chegou a hora da vingança de Paulo Pedroso sobre o rival que, indiretamente e com justiça, o nocauteou em 2003. O povo - homens, mulheres, velhos e crianças - e a razão não importam nas guerras fratricidas do poder.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As personalidades referidas neste poste, objeto das notícias dos média que comento, não são, que eu saiba, suspeitas ou arguidas de qualquer ilegalidade ou irregularidade; e, quando arguidas, gozam do direto constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.