terça-feira, 22 de abril de 2014

Abril



Todos os anos é o mesmo fadário de natureza antidemocrática: ergue-se um tumulto de apelo ao derrube antidemocrático dos órgãos de soberania - Governo, Presidente, a própria Assembleia da República!... - em nome de pretensos ideais unânimes da revolução do 25 de abril de 1974. É certo que a revolução do 25 de abril de 1974 tinha motivação diversa para diferentes grupos de oficiais do MFA (Movimento das Forças Armadas):
  • os spinolistas, que a provocaram a médio prazo, queriam tomar o poder do Estado para um cesarismo confederativo;
  • os raros comunistas queriam, por esta ordem, descolonizar para os russos e instaurar no Portugal europeu um Estado comunista (as ilhas dos Açores e da Madeira, apesar de geograficamente separadas do continente, e tão desabitadas antes da chegada dos portugueses como Cabo Verde ou São Tomé e Príncipe, não eram para autodeterminar porque podiam cair na mão dos americanos...);
  • a maioria dos oficiais do quadro do MFA, resolvida a reivindicação da precedência sobre os milicianos, pretendia, como a maioria do povo, a liberdade política e a democracia representativa, bem como o desenvolvimento económico livre.

A dinâmica utópica da revolução propulsionou os capitães, e raros majores, do MFA que para funções administrativas para as quais não tinham preparação técnica e muito menos política ou económica. E, na linha da revolução cubana, o delírio revolucionário comunizou muitos oficiais politicamente neutros envolvidos no PREC (Processo Revolucionário em Curso - era útil fazer uma pesquisa dos jornais da época para conhecer o autor da expressão, tal como o da «descolonização exemplar»).

Resultou dessa politização extremista dos oficiais subalternos graduados em generais e em oficiais superiores e do impulso frentista (de direção comunista) dos média tomados pelas franjas extremistas, a ideia falsa de que a revolução do 25 de abril tinha, não o propósito da liberdade e da democracia representativa e do desenvolvimento económico associado através da economia de empresa, mas a repressão de sinal contrário e a «democracia popular» (ditadura do proletariado), com imposição de uma economia de direção central. Essa ideia tem sido repetida até à sua consolidação mediática, que parece impor-se. Um resultado, reconheça-se, que foi paradoxalmente ajudado pelos nostálgicos do regime anterior que descreveram desde logo a revolução como um golpe de Estado comunista, ignorando também a complexidade dos segmentos de mercado da sua génese e da população.

Assim sendo, fala-se em «Abril» para significar uma revolução marxista, de matriz cripto-comunista. Não era esse o «Abril» que mais de 79,43% da população (PS na altura de um Soares carluccista anticomunista) queria, conforme se provou nas eleições para a Assembelia Constituinte em 20-4-1975, que foi a consolidação do espírito popular de 74. É com esse «Abril», antidemocrático - onde cada cidadão não vale um voto e cada opositor não vale nada - porque desde o início, e mesmo após eleições, não respeitador da maioria da vontade do povo, que as antenas cripto-comunistas trotski-radicais e socialisto-marxistas, que enchem os média, vociferam num crescendo ubíquo, que começa logo depois do Carnaval e se prolonga até ao 1.º de maio. Com que objetivo? A reconquista do poder ao estilo de «o-Alentejo-ainda-há-de-ser-nosso», de um Estado perdido pela debilidade comunista nas mesmas ruas que apregoam ser a ágora do escrutínio.

A constestação do Governo, do Presidente, do próprio regime, são democraticamente legítimas. Mas do que se trata nesta frondice não é de uma tentativa constitucional de substituição do Governo e da Assembleia da República por outros de cor vermelha retinta. Trata-se do apelo à insurreição do povo e agora, descaradamente, das forças armadas e policiais, com o argumento, que falta demonstrar nas urnas de voto, de que o povo quer afinal o regresso do autoritarismo socialista ou do delírio comunista. Mesmo perante uma Europa em fervura irredentista, e, também por isso, atingindo a convição geral de que, apesar do requerido trabalho de casa dos governos empenhados em cobrir o passivo de executivos irresponsáveis existirá uma solução europeia para a dívida, para a qual o escarcéu socialista-comunista de um país com 2% da população da União pouco menos do que nada conta. E perante o contexto favorável a uma saída formalmente limpa da situação de protetorado do programa de socorro financeiro da União Europeia e FMI, possibilitada pela descida da taxa de juro das obrigações do Estado português a 10 anos para valores na casa dos 3,74%, em 21-4-2014..

E por que acontece este apelo à revolução frentista (marxista...), de Mário Soares, Vasco Lourenço (calado durante a ruína socialista e só agora, em 12-4-2014, três anos depois do adeus, denunciando a corrupção do regime socratino - «corrupção pura e dura, crua») e Freitas do Amaral?... Porque aquilo que se lhe opõe é uma direita de interesses, que ninguém quer defender - nem os próprios entretidos nos negócios, no corta-fitismo e na desorientação -, e uma lacuna política de meios de comunicação (jornais digitais) francos. Perante o baldio mediático da direita, a esquerda instala o seu esplendor revolucionário mediático.


* Imagem picada daqui.

13 comentários:

Anónimo disse...

O Soares era anticomunista?
Não me parece.Só meteu o marxismo na gaveta porque o Cunhal tapava-lhe o lugar.No fundo,tudo se reduziu a uma disputa de cargos,no que toca ao vigarista do Soares.
O Cunhal,também obcecado com o papel de protagonista,já tinha outra coerência.Estava apostado em tornar Portugal uma colónia russa,cheia de Gulagues e ficar como maioral.
No fundo,ambos são lixo humano,traidores da pátria.

Anónimo disse...

A "descolonização exemplar" é uma afirmação do filho da puta do Soares ou do seu comparsa de negócios da Irmandade maçon, Almeida Santos. Foram eles os pais do fim do Império.

O Império foi seguro por muito sangue português, que agora está livre de segurar o que quer que seja.

Agora, os filhos dos portugueses caminharão paulatinamente para a emigração imparável, e uns quantos ficarão por cá, a servir os novos Senhores da gleba, angolanos, chineses e alemães.

Está à vista o fim de uma nação com quase 900 anos de Independência, tudo graças aos Otelos, Vasquitos e Spínolas. Que a terra lhes seja tão pesada como o Morro do Buçaco.

Anónimo disse...
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Anónimo disse...

Uma rara portuguesa: Helena Matos.

http://economico.sapo.pt/noticias/reciprocamente-obrigados_191602.html

a minha questão é outra: onde e quando manifestarão os militares o seu agradecimento ao País? Porque não é apenas o País que está em dívida para com os militares.
Os militares também estão em dívida para com o País. E não lhe devem pouco. Não, não falo das reformas, das comissões e de questões materiais. Falo de honra, coisa sem preço e que os militares não podem dispensar. Durante estes quarenta anos os civis têm sido o conveniente bode expiatório da forma como as Forças Armadas Portuguesas (ou parte delas) conseguiram impor que se saísse de África e de Timor: abandonando as populações, prendendo líderes de partidos não conformes aos movimentos que os militares portugueses tinham definido como interlocutores, entregando cidadãos portugueses a alguns desses movimentos, transferindo informações militares classificadas para os grupos que pretendiam favorecer (nesta última matéria vale sempre a pena ouvir e ler os depoimentos provenientes de Cuba)…

Anónimo disse...

"A chamada Direita, em Portugal, é não - ideológica. A Direita baseia-se em escroques como o Freitas, o Barroso, o Cavaco, o Portas, tudo gente que quer apenas encher-se de mordomias e de fausto. Por isso, pergunta-se, o que esperar desta Direita? Nada"

Nenhum deles é de direita.O Barroso até é esquerda. Os restantes são centristas.
A direita em Portugal é cobarde.Não assume e vive envolvida em negócios com a esquerda que domina todo o espectro do poder.
Da direita nada vem.
Da esquerda vem miséria,bancarrotas,corrupção,pedofilia,homossexualismo,aborto,casamentos de panascas e fufas,ateísmo,todo o cardápio de degradação moral.

Anónimo disse...

Prof. Caldeira,

Isto é a Direita merdosa tuga.

http://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/camilo_lourenco/detalhe/em_que_freitas_do_amaral_acredita_voce.html

Em que Freitas (do Amaral) acredita você?

Em 1986, o PCP dizia que votar em qualquer dos candidatos às presidenciais, Mário Soares e Freitas do Amaral, era "contra-natura". Mas confrontado com Freitas e Soares na segunda volta das eleições, "engoliu o sapo" (outra expressão preferida de Cunhal) e votou em Soares. Supõe-se que por ser menos "contra-natura"… Fast forward - o mesmo Freitas parece acreditar agora que o mesmo PCP e a Esquerda radical vão esquecer o Freitas de 1986: de cravo vermelho ao peito e evidenciando imensa falta de vergonha (aprendeu muito com Mário Soares…) surgiu no debate "O sistema político e os partidos" a dizer autênticas "pérolas". Como "este é o governo mais à Direita em 40 anos" e "estamos perante um retrocesso histórico"… Freitas chegou, ao fim de 40 anos de política (se descontarmos as ligações ao anterior regime), ao zénite da imbecilidade: participou num dos piores governos da Democracia, de onde saiu empurrado, e nos anos mais recentes vem-se desdobrando em intervenções a roçar a indigência.

Anónimo disse...

Direita ? Qual direita ? Há alguma direita em Portugal ? Onde ? Quem ?
Todos trafulhas de esquerda !

Anónimo disse...

Mais um herói de Abril,condecorado pelo Sampaio,do socialismo corrupto.
Até os criminosos de delito comum levavam comendas.Este já está a contas com o Criador.

https://docs.google.com/file/d/0B7igymbYeq5wMWtvOFdFRUxjaXM/edit?pli=1

Anónimo disse...

Esta é a Direita bacoca tuga:

http://www.jornaldenegocios.pt/empresas/industria/detalhe/pires_de_lima_ate_eu_ja_tenho_sapatos_portugueses.html

- Senhor ministro, calça Portugal? - Às vezes calço Portugal - depende, tem dias! - Isso quer dizer que nem sempre calça sapatos portugueses, certo? - Todos nós temos a oportunidade de comprar mais português, como é evidente. - Mas neste momento calça sapatos portugueses? Teve esse cuidado? - Neste momento? Não. Este diálogo, entre o jornalista do Negócios e o ministro da Economia, aconteceu a 4 de Março passado, em Milão, no final da visita de Pires de Lima a algumas empresas portuguesas presentes na Micam, maior feira mundial de calçado. O ministro da Economia confessou então que calçava sapatos de marca estrangeira quando tinha acabado de elogiar a performance da indústria nacional de calçado, “um sector exemplar em Portugal”, que merece que tenha “decidido sair do conforto da Horta Seca [onde se situa o Ministério da Economia, em Lisboa], para estar em Milão estes dois dias com os empresários do calçado”.

Anónimo disse...

O ministro não foi politicamente correcto.
Toda a gente gosta de rábulas como aquela do Sócrates ir de Renault 5 para o programa que mantém na RTP,deixando o Mercedes na garagem.
Se o ministro comprasse uns sapatos só para a ocasião,iam implicar com a gravata.
Faz parte das tácticas da esquerda,este género de folclore e perseguição na tentativa de desmoralizar publicamente os adversários.
Já a Isabel do Carmo,é uma democrata,mesmo com as bombas e os assassinatos.
Enfim,fait-divers.

Anónimo disse...

https://www.youtube.com/watch?v=CMRVChjjFgY

Manuel de Castro disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Manuel de Castro disse...

Parem de falar mal dos militares. Tirando a derrapagem do PREC foram os militares, bem ou mal, que deram o passo para substituir Caetano e que, em Novembro de 75, entregaram o poder aos legítimos representantes do povo, regressando aos quartéis. A grande maioria dos militares nunca se colocou nos bicos dos pés e não saíram beneficiados em nada nesta III República, ao contrário de imensos políticos e empresários que mais não fizeram que meter Portugal no bolso, colocando-nos no estado em que agora nos encontramos.