terça-feira, 7 de maio de 2013

É a geopolítica, estúpidos!



O novo pacote de austeridade iníqua, anunciado pelo Governo em 3-5-2013, constitui uma prova de reincidência no erro. Erro de uma política iníqua, de austeridade desigual, que poupa uns - os políticos e os abusadores do Estado social(ista) - e castiga outros (pensionistas, funcionários públicos, trabalhadores e empresas do setor privado, nomeadamente pessoal a recibos verdes). De forma sintética, castiga quem trabalha ou já trabalhou e protege quem nada faz ou fez.

Esta política desastrosa de austeridade iníqua, que sucedeu a política ruinosa de obras socraónicas, tem razões externas e razões internas, por muito que se queiram atirar as culpas todas para os credores (União Europeia e FMI).

A razão interna é a corrupção de Estado - troca de favores entre o poder político corrupto e o poder financeiro-económico e com os subsidiodependentes abusadores (os abusadores). Foi essa corrupção que atirou o País para a ruína financeira do Estado e das famílias; e é essa corrupção que o mantém na ruína.

A razão externa é o poder geopolítico, como classificou o ex-primeiro-ministro britânico, Tony Blair, em 2-5-2013. Passada a cura das feridas de II Grande Guerra e de reconstrução das relações europeias, o poder alemão voltou à sua política egoísta e, gradualmente, de Estado diretor da Europa. A tentação desse poder germânico, de matriz e evolução meta-prussiana, não é apenas garantir o bem-estar dos empregados e pensionistas alemães e das suas famílias, mas também impor o seu domínio aos outros povos da Europa, voltando à doutrina do lebensraum. Desta vez, o blitz é produzido com a arma monetária (e controlo aduaneiro desigual), aparentemente mais suave, mas também mortífera, de doentes, pobres e arruinados. O modelo que Wolfgang Schäuble insiste que seja praticado em Portugal e noutros países do sul, apesar da ruína económica, não é de co-prosperidade, não só porque o paradigma não alcança os resultados pretendidos noutros países, mas porque, no limite humano, nunca os pretendeu atingir. Por isso, daqui, do Portugal profundo, importa recomendar que, mais do que procurar as razões na ciência económica as razões desse modelo, mais vale que se releia a geopolítica do general Karl Hausofer...

No Portugal decadente, ainda pré pós-pós-modernista, do início do terceiro milénio, o ministro das Finanças Vítor Gaspar é apenas o feitor da tutela germânica que nos esgana, e Passos Coelho o seu porta-voz acrítico. Sem conhecimento da história - muito menos de geopolítica (de que Paulo Portas fica aquém) -, com resultados financeiros e económicos contraproducentes ao modelo milagroso de austeridade desigual e corrupta, insiste-se agora na política comprovadamente errada, como a marcha de alguém que caminha desesperado (emissão de dívida a dez anos por 5,5%?!...), mas sem conseguir mudar de rumo, porque não sabe outro, nem tem caráter para tanto.

12 comentários:

O FEITOR DOS PRUSSIANOS disse...

DIVIDA A 10 ANOS A 5,5% É A CORDA DE PIANO COM QUE FORAM GARROTADOS ALGUNS DOS PATRIOTAS ALEMÃES QUE TENTARAM MATAR HITLER A 20 DE JULHO DE 1944...O DESNORTE DO GASPAR É A PRUSSIA DO NORTE!

Anónimo disse...

Passos/Gaspar terão sempre a glória de se terem financiado a uma taxa melhor do que a última do Zé Vígaro, a 10 anos.

Agora, sonhar em taxas abaixo dos 3,5% da Tróika, é mesmo um sonho. Ninguém nos emprestará a menos do que 3,5%. Só mesmo, coom um perdão de dívida, que acontecerá, mais tarde ou mais cedo. Depois, virá o degredo por uma ou duas décadas.

Depois, a Alemanha impõe-se porque os outros não se sabem impôr à Alemanha. Só isso. É preciso ver o impacto de Nigel Farage, através do novo Partido político na Grã-Bretanha, nas últimas eleições locais. Teve este último resultado, o condão do toque a rebate do Partido Conservador inglês. Ou Bruxelas aceita a renegociação da presença da Grã-Bretanha na UE, ou a Grã-Bretanha sai da UE. Isto é que é gente. Não é gente como os caniches franceses, que andam a implorar ao Sr. Schauble, a condescendencia de a França ficar com um déficit acima dos 3%.

Portugal está na ruína POR CAUSA PRÓPRIA. Os alemães só estão a esticar a corda a gente que pensava que a Europa aguentaria tudo. Em grande parte da Europa do Sul imaginou-se que era possível não trabalhar e ganhar bem. Mais, imaginou-se que era possível ser pensionista aos 50 anos, com uma pensão muito superior ao salário mínimo.

Portugal chegou ao abismo por culpa dos suucessivos votantes na COLIGAÇÃO PS/PSD. Julgavam as pessoas que era uma alternancia, quando afinal era uma escolha entre o Dr. Sampaio e o prof. cavaco. Ou uma escolha entre o Dr. Costa e o Dr. Pacheco. Esterco do mesmo saco. Entre socialistas e sociais democratas, não há diferença.

Da outra facção mais à direita, apenas há tacticismo. Portas juulga que o eleitorado dele é mais estúpido do que ele é. Isto é, Portas diz que sim ao Sr. Seilasie, mas faz alocuções aos seus votants das feiras e reformados, afirmando o contrário.

Está na hora de se chamar a MAIORIA SILENCIOSA. Ttarde ou cedo, a malta levanta-se. Ou emigra, de vez.

Anónimo disse...

http://finance.yahoo.com/news/former-uk-minister-backs-brixit-065511746.html

The U.K.'s future in Europe returned to the political agenda on Tuesday after a former finance minister said the case for a British exit from the European Union "is clear."

Nigel Lawson, who served as chancellor of the exchequer under Margaret Thatcher in the 1980s, said the EU had passed its "sell-by date" and had become "a bureaucratic monstrosity" from which the U.K. should break free.

In an opinion piece in The Times newspaper, Lawson said the economic gains from an exit "would substantially outweigh the costs" and that any attempts by the prime minister to renegotiate the U.K.'s membership of the EU would be "inconsequential".

"The heart of the matter is that the very nature of the European Union, and of this country's relationship with it, has fundamentally changed after the coming into being of the European monetary union and the creation of the euro zone, of which - quite rightly - we are not a part," he said.

Though a number of members of Prime Minister David Cameron's Conservative party are known euro skeptics, Lawson is the most prominent former politician to comment on the country's future relationship with the EU.

Last week, U.K. Prime Minister David Cameron indicated that a referendum on EU membership could beheld earlier than he initially planned.

In an interview with the BBC on Wednesday, Cameron indicated he could introduce a bill in the new parliamentary year to pave the way for a referendum on Britain's future in the economic bloc. Cameron had said in February that he would re-negotiate Britain's EU membership and planned to hold a referendum on the subject by 2017 if his Conservative party won another term in power in the 2015 elections.

Nigel Lawson said it was"by no means assured" that Cameron would win the 2015 general election and said he believed public demand was such that a referendum would have to happen under any party.

That point has been borne out by recent local elections in the U.K. where the U.K. Independence Party (UKIP) , once dismissed as an anti-Europe fringe party which advocates leaving the EU, made major gains.

Lawson added that Brussels would fear a "general unraveling" as other countries sought to match the return of powers.

CANICHE MORDIDO POR PASTOR ALEMÃO disse...

Sous les pavés de l'austérité,la botte de la géopolitique allemande!

Anónimo disse...

Bom comentário,o das 15H39.
Para quê andar a transportar o odioso para os alemães,se quem enterrou o rectângulo está cá dentro?...e com o dinheiro lá fora!
Foi uma farra,mas acabou.
Nenhum trabalhador capitalista alemão quer continuar a pagar para estes povos trafulhas viverem em socialismo.
O que custa mais é o desmame de milhares de funcionários do Estado,habituados aos "direitos adquiridos" e nunca às obrigações inerentes.
A classe política resultante da escolha dos portugueses,essa continuará em festa,como o demonstra a renovação da frota automóvel do gang parlamentar xuxa,bem justificada pelo valet Assis,bem como as mordomias do prostíbulo da democracia conhecido como AR.

GRETA disse...

A DONA DO LUPANAR CHAMA-SE GRETA E ESTÁ SEDEADA EM BERLIM....

Anónimo disse...

Senhor Professor Caldeira:
A demografia e os seus dados estão a ser libertados aos poucos, posso dar alguns números para se poder perceber o que aí vem:
Ainda não temos a taxa global de mortalidade do ano de 2012.

2012 - nados vivos 89 842
2011 - 96 216
2010 101 381
2009 99 491
2008 104 594
Mortalidade Global
2012 107 598
2011 102 848
2010 105 954

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Pode-se pensar muita coisa, pode-se falar em política, mas a política destes ou daqueles não será boa conselheira atendendo a quem governa este Estado há muito, no Estado Central e nas autarquias, chamo-lhe a oligarquia política.
Não quero alimentar polémicas o seu site é um site vigiado e visitado por muitas criaturas, aproveito para lhe enviar um abraço.
Toupeira
Toupeira

Anónimo disse...

Cara Toupeira,

O problema a que alude, já está em resolução. Vai ser submetido ao Palanque de São Bento, uma resolução que permite a adopção pelos casados gays. A partir daí, os nascidos passarão a ultrapassar fácilmente os mortos!

Menos um problema para Portugal.

Aliás, o Berloque vai submeter no mesmo Palanque, uma resolução que permiite a cada consumidor da cannabis possuir produção própria, evitando-se assim o tráfico. Outra medida que fará com que se façam mais filhos.

Confiemos nos indivíduos que alguém elegeu para poderem estar no Palanque.

Anónimo disse...

Bravo! Temos que correr com estes traidores.

O Comité Central disse...

Uma boa ideia do padre Louçã.
Afinal,há que fomentar o turismo.
Com salas de fumo,a fina nata das sociedades europeias procurarão o nosso país.
O cultivo dessas plantas e o respectivo subsídio aos jovens agricultores,obedecendo ao plano quinquenal respectivo,combate-se o desemprego e incrementa-se o sector primário.
Juntando a isso o casório gay,é fácil perceber que o nosso país está em franco pugresso.
Os fassistas nunca se teriam lembrado disto.

BÉÉÉÉ..... disse...

E o beeeee em cugresso......

Jóni Coelho disse...

Já todos vimos e sabemos que este género de austeridade mata. Isto não resolve nada, apenas agrava os problemas que o país tem. Que se olhe para os exemplos que como Portugal, estão a ser seguidos. Maus exemplos.
Não quero dizer que não deve existir austeridade, nem nada do género. Mas os cortes necessários não estão nas direções corretas, infelizmente fala-se de reforma do Estado de modo errado, o que existe é um corte no Estado. Porque fazer reformas leva muito e perde-se muito a discutir o que queremos.
http://inventariopolitico.blogspot.pt/