segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Balanço para Ano Novo


Uma ocasião de balanço na véspera de Ano Bom, que é sempre aquele em formos autênticos e persistentes. O balanço é avaliação do passado, mas também impulso do futuro. Recordo as vinte e cinco batalhas (não contando os recontros e emboscadas), esgrimidas por Deus e pela Pátria, de 2012, Do Portugal Profundo, nesta campanha longa que é a recuperação moral, política, social, económica e financeira (lista por ordem certa) de Portugal:
  1. Reevangelização: continua. Defronta-se com a verbalização ensurdecedora do relativismo e do ateísmo. Mas a intimidade puxa-nos para Deus. E, quando mais aflitos, menos soberbos, mais próximos, mais conscientes da nossa humanidade e serviço.
  2. Insistência na limpeza dos serviços de informação do Estado, a qual ficou por fazer. Os dirigentes máximos continua e não existe a confiança de que a prática anterior de polícia política tenha mudado, nem que se tenham desmantelado as estruturas de informação vagabundas de registo, intercepção electrónica, escuta, intrusão, vigilância (e ostensiva...), infiltração, perseguição, ameaça e... 
  3. Nomeação de um procurador-geral da República por um magistrado independente do poder político e da Maçonaria. Combatemos as manobras e nomes alternativos que os boatos-balão do poder socialista e do poder promíscuo, iam lançando e apoiámos a nomeação da Dra. Joana Marques Vidal. Foi um vitória quase impossível, dada a desproporção de forças. Mesmo se não ganhámos a substituição do anterior procurador-geral quando atingiu a idade canónica de reforma (os 70 anos).
  4. Barrela geral do Estado. Perdemos a luta em todas as frentes face ao programa patriótico que promovemos: nem auditoria geral das contas públicas, nem limpeza do pessoal político socratino, nem participação à justiça da prevaricação de governantes e gestores públicos, nem renegociação a sério (envolvendo a ameaça de suspensão de pagamentos) das parcerias público-privadas (PPP), sejam as rodoviárias seja as das barragens. Aliás, logo passado um mês do exercício deste Governo, concluí que o atual governo continuaria a política do anterior por outros meios e, por isso, aqui manifestei a minha crítica, que se mantém e reforçou.
  5. Responsabilização judicial do socratismo. Não é a perseguição do indivíduo, que não nos interessa nada. É a necessidade política e pedagógica de perseguição judicial de um regime corrupto. Nesse sentido, aqui se apoiaram os magistrados no julgamento do processo Face Oculta e os inquéritos sobre branqueamento de capitais, Akoyas e medalhas (para quando um inquérito sobre o que foi feito pelos Governos Sócrates, e Passos Coelho, relativamente aos nomes e fluxos portugueses da lista Falciani?), EDP, REN (e quando um sobre a venda Vivo?), corrupção nas PPP, etc. E se insistiu - sem sucesso - na necessidade de reabrir o processo da licenciatura rocambolesca de José Sócrates na Universidade Independente, na sequência dos novos documentos apresentados pelo professor Rui Verde, bem como suscitar o caso perante a justiça francesa, na eventualidade do fornecimento de um certificado de habilitações na Sciences-Po, em Paris, que contivesse essa licenciatura rocambolesca. Bem como na criminalização do enriquecimento ilícito.
  6. Publicação, em 17-8-2012, do texto integral do acórdão Freeport, do tribunal do Barreiro, que constituíu um embaraço para a injustiça neste caso.
  7. Investigação sobre o caso dos gastos dos cartões de crédito rosados (Visa Charge Card) do IGCP, de governantes e assessores, dos governos socratinos e antes. Nada se sabe do inquérito aberto em março de 2012, no DIAP, sobre o caso das despesas dos gabinetes ministeriais, incluindo as dos cartões de crédito, na sequência da luta judicial da ASJP para ter acesso à listagem desses gastos, com a oposição Ministério das Finanças, de Vítor Gaspar. O ministério de Vítor Gaspar é reincidente na proteção socialista, seja nos negócios anteriores, seja no próprio pessoal político socialista que enxameava o ministério.
  8. Reclamação da demissão, pelo primeiro-ministro, da ex-ministra da Educação, Prof. Maria de Lurdes Rodrigues, de Presidente da Fundação Luso-Americana, atenta a sua pronúncia judicial, em 16-1-2012 pelo crime de prevaricação no processo relativo a contratos de serviço de coletânea de legislação sobre educação do Ministério da Educação ao correlegionário advogado, e ex-juiz, João Pedroso. Apesar do pronunciamento, o primeiro-ministro Passos Coelho não demitiu a ex-governante socialista desta fundação internacional, para vergonha do Estado português.
  9. Denúncia do castigo financeiro, com juros desproporcionados e insuportáveis, imposto aos portugueses para financiarem a depauperada banca alemã e de outros países credores, enquanto se praticaram juros mais baixos em empréstimos a três anos aos bancos privados nacionais. Num e noutro caso, o objetivo é manter o fluxo de pagamentos de instituições portuguesas para bancos privados dos países credores e o pagamento de um prémio nas garantias concedidas pelos Estados europeus nos empréstimos europeus. Ou seja, esses Estados comportam-se, através dessas garantias, como usurários da economia nacional. Continua a vigorar aliança político-bancária-construtora, que vinha do socialismo, e com bênção da União Europeia.
  10. Contestação do processo de privatização de grandes empresas do Estado: seja a privatização a pataco, como no BPN (cujo encargo para o Estado pode chegar aos 8,3 mil milhões de euros) e TAP, seja a negociação sombria particular, nos casos da REN, EDP e ANA, em vez da venda às claras, em bolsa, por operação pública de venda.
  11. Crítica da promiscuidade da face negra do cavaquismo, seja nos elos do BPN, com destacados dirigentes do PSD e empresários amigos (Duarte Lima, Dias Loureiro, Arlindo de Carvalho, etc.) seja - o que é mais bem penoso - no negócio do Pavilhão Atlântico e do consentimento no negócio PT-TVI (até 24-6-2009).
  12. Exposição da preponderância da Maçonaria, especialmente a do Grande Oriente Lusitano no Estado e no País, através da publicação, tratada por loja e localidade, e notoriedade, da pertença à organização secreta. E insistência de obrigatoriedade de registo dos interesses dos candidatos a cargos políticos, de nomeação política, partidários, magistrados e altos cargos da administração pública (nomeadamente a sua pertença a organizações secretas) com perda automática de mandato, ou demissão, por incumprimento ou falsas declarações.
  13. Denúncia da tentativa de controlo do poder político na Madeira, através do PSD-passos-coelhista-relvista, de influência maçónica, culminando uma operação de cariz militar (!) contra o Governo regional, em 23-4-2012, a propósito de uma auditoria rápida às contas públicas, que a nível nacional o Governo não fez. A tentativa abortou, mas as nuvens do futuro anunciam-se da cor da romã. Em contraste, nos Açores, o fausto da corte de César, um caso que explorei, foi perdoado.
  14. Combate à tentativa de recuperação do PS pela fação costista e férrica. Em curso.
  15. Denúncia da preparação, pela fação férrica do PS, do ex-coordenador da CGTP, Manuel Carvalho da Silva, como candidato presidencial, em 2016.
  16. Investigação da licenciatura especial do ministro Miguel Relvas na Universidade Lusófona. Tal como no caso Sócrates, sem pesos e medidas diferentes, investigou-se aqui o caso e recomendou-se a demissão do ministro - do Governo e da direção do PSD -, pela vergonha da sua licenciatura, em que lhe foram concedidas equivalências a 32 das 36 cadeiras do curso, com base na seu currículo, e não foram cabalmente esclarecidas a frequência e avaliações nas outras quatro. O ministro manteve-se no Governo, mas é como se publicamente não existisse, fragilizando ainda mais um Governo... de pendor socratino.
  17. Exposição crítica sobre a gestão dos fundos do QREN (Quadro de Referência Estratégica Nacional), onde se prolongou a promiscuidade socratina, agora com novos senhores.
  18. Publicação do fausto delicatessen e vínico do Parlamento, a preço da uva barata.
  19. Reclamação de demissão da direção do Sporting Clube de Portugal, o meu clube, que anda pelas ruas sujas da amargura e, numa situação de penúria da economia nacional, não há quem o reabilite.
  20. A renovação da direcção da Igreja Portuguesa - e da Universidade Católica e da Rádio Renascença - continua pendente da substituição (em fevereiro de 2013?) do Patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, pela esperança da vinda de D. Manuel Clemente, que temos defendido há muito. Essa mudança também é necessária para a promoção mais vigorosa da defesa da vida, que a coligação no poder, prometeu atender, mas não cumpriu.
  21. Resistência na preservação da criminalização dos abusos sexuais de crianças da Casa Pia. Há um efeito de confusão provocado por uma decisão controversa de repetir o julgamento na parte referente à casa de Elvas, onde decorreram abusos, e novos depoimentos de arrependidos toxicodependentes, mas nada mudará a sentença firmada na mente do povo.
  22. Denúncia da inequidade na austeridade na distribuição dos sacrifícios, entre um setor político acoitado, com subsídios, refeições, abonos, carros, combustíveis, comunicações, e uma sociedade desamparada nos impostos, nos salários, nos benefícios e nos custos.
  23. Promoção da democracia direta, como o sistema de resolver o distanciamento entre Estado e povo, que abriu a degenerada democracia representativa, dominada pela corrupção, e forma de prevenir o colapso previsível do próprio Estado resultante da revolta das populações. Embora  tenha havido algumas tentativas no PSD e no PS, a verdade é que pouco se avançou nesse domínio.
  24. O projeto de criação um jornal digital da direita moderada cristã, que seja a base de um grupo mediático patriótico, mantém-se.
  25. Pronunciamento patriótico para a convocação de um Congresso Extraordinário do PSD. Antes do tempo dos oportunistas, que vêm sempre depois dos desastres já previstos, apesar da descida dos juros da dívida pública por mudança de política no Banco Central Europeu. Se esta direção do PSD e este Governo não convém à Pátria, então é bom que se promova a sua substituição por uma linha patriótica.

O próximo ano vai ser ainda muito mais difícil do que os anteriores, naquilo que foi glosado, em setembro de 2012, como a real «inversão do ciclo». O combate, por aqui sujeito à condição do tempo disponível, mantém-se. E se, e quando, Deus quiser, eu e nós, que somos servos inúteis, serviremos. Bom Ano para todos.



Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos média, que comento, não são suspeitas ou arguidas do cometimento de qualquer irregularidade ou ilegalidade neste caso; e se, e quando, na posição de arguidas, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

9 comentários:

Paulo Sarnada disse...

DEUS nos ajude. O Sr. faz por isso e muitos mihares de portugueses no seu dia a dia.

Bom ano para si e para a sua família.

Anónimo disse...

Muitas tarefas e um Portugal por cumprir. Neste momento, deve-se discutir apenas e só, Portugal.

Portugal está sujeito a uma deriva, que pode fazer dele um território vazio, encostado a um protector maior. Portugal como país independente, já não existe. É preciso ter isso em mente. Quando os ministros de serviço, dizem que "vão colocar o aumento do salário mínimo à consideração da Tróika", é só o exemplo caricatural. Portugal, criação do Soares e execução de Cavaco, morreu. Portugal ou se reinventa, ou será uma coutada de férias de uns quantos no algarve, na Madeira e em Sintra-Cascais. Até os Açores, já não interessam aos decadentes norte-americanos.

Não vale a pena discutir a democracia directa, quando Portugal não tem gente com espirito de sobrevivência. Os interessezinhis de cada um, sobrepõem-se aquele velho valor chamado Pátria. Sendo assim, Portugal ficará como no tempo dos Filipes, morto, sem alma e sem chama.

Não se tenha NENHUMA confiança na gente que ocupa a São Caetano, o Rato ou o Caldas. Limitam-se a ser os guardadores do saque do Tuga estúpido e ingénuo.

Não se julgue que o Cavaco ou o Marcelo são melhores do que o Relvas. Não são.

Não se julgue que o Soares ou o Seguro, são melhores do que o Sócrates. Não são.

Chegados aqui, voltamos a 1580 ou a 1383. Ou pior, estamos a chegar a 1926, logo que a gasolina e os medicamentos escasseiem. Depois, lá virá o Duce pôr ordem num bocado de terra sem eira, nem beira.


Post Scriptum: um jornal de hoje, diz que Dias Loureiro, Relvas e José Luís Arnaut, vivem fim de Ano de luxo no Rio de Janeiro. Se sá Carneiro vivesse, este lixo teria que ser esventrado.

ljer disse...

Bom ano para si e para sua familia

Anónimo disse...

Bom ano, Professor!

Cacela disse...

Um verdadeiro Governo de Direita já teria posto fim à legalização do aborto e aos «casamentos» entre pessoas do mesmo sexo. Respeito e aceito as orientações sexuais ou opção de cada um, MAS estou seguro que não é este o modelo de família que deve ser autorizado dentro da nossa sociedade! Portanto, para os homossexuais ou bissexuais bastaria a existência das uniões de facto com direitos alargados! E sem possibilidade de adopção!

Anónimo disse...

Bom Ano Novo para si e sua família.


Napoleão

Helder Marques de Sá disse...

Excelente artigo, grande clarividência. Um abraço.

Anónimo disse...

Mais um BPN à vista?

http://economico.sapo.pt/noticias/um-cavaco-diferente_159373.html

O Estado nacionalizou o Banif. Não há outra forma de o dizer. Ao injectar 1.100 milhões de euros num banco privado, para garantir o que os accionistas privados não conseguiram fazer, isto é, assegurarem o cumprimento dos rácios de capital exigidos pelas autoridades, o Estado passa a controlar mais de 99% do capital.

Os accionistas privados do Banif beneficiam, assim, de uma ajuda pública que lhes dá tempo, pelo menos seis meses, para arranjarem 450 milhões de euros e recuperarem o controlo do banco. É um tempo de que outros sectores não beneficiaram. Mesmo assim, o Estado vai ficar, no final do processo com mais de 60% do capital, embora apenas com 49% dos direitos de voto.

Esta operação garante a estabilidade do sistema, isto é, evita riscos sistémicos, e a defesa da solidez da instituição, leia-se particularmente dos depositantes. Qualquer alternativa - se houvesse - seria pior. Mas este tempo e estas condições tornam necessário que o Estado exerça uma fiscalização e um controlo efectivo das opções de gestão do Banif .

Henrique Sousa disse...

Muito bom artigo! A ler e recomendar a quantos se possa. Obrigado, Professor, e um Bom Ano!