quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

A operação eleitoral de venda de dívida do Estado


A operação eleitoral do Governo para venda de dívida correu menos mal. O Governo empenhou-se em garantir o financiamento de 1250 milhões de euros - num leilão denunciado como «combinado» -, pediu ajuda extraordinária ao Banco Central Europeu para comprar títulos portugueses no mercado secundário e baixar-lhe a taxa de juro antes da emissão, anunciou uma «folga orçamental de 800 milhões de euros» nas vésperas do leilão e, no dia anterior, apareceu no estrangeiro o boato oficial do Governo ter recebido cerca de 4 milhões de euros de crédito da China. O resultado do leilão permitiu ao Partido Socialista lançar os foguetes e bater as palmas, deixando o trabalho de apanhar as canas para depois da eleição presidencial, que espera agora mais confortável pela expectativa mediática de que o FMI/União Europeia já não é necessário num País com 6,91% de taxa de juro de obrigações públicas a dez anos. Os governantes podem apresentar as faces rosadas, mas é de vergonha da situação negra do País.

Aliás, o ministro das Finanças admitiu, em 12-1-2011, que «20 por cento» da procura foi «da parte de investidores domésticos» (CGD?) - resta saber se a compra também teve a composição da procura. Não estão anunciadas novas emissões de dívida no calendário de leilões de 2011 do Instituto de Gestão da Tesouraria e do Crédito Público (IGCP). Presumo que o Governo tenha assegurado dinheiro para pagar salários, pensões e subsídios no final deste mês, juntando-lhe a dita «folga». Todavia, depois de 23 de Janeiro, o Governo Sócrates precisa de pagar prestações e também a fornecedores. A dívida cresce, o orçamento não se reeequilibra, as reformas adiam-se, a economia estrafega, o povo sofre. O Estado socialista.


Actualizações: este poste foi actualizado às 23:32 de 12-1-2011.

* Imagem picada daqui.

7 comentários:

José António Salcedo disse...

Recomendo: http://krugman.blogs.nytimes.com/2011/01/12/pyrrhic-bond-auctions/

José António Salcedo disse...

E, claro: http://www.calculatedriskblog.com/2011/01/update-on-portugal-bond-auction.html

ruy disse...

O “sucesso” da operação resultou, ao que nos dizem, no simples facto de existem ainda “investidores” capazes de comprar a dívida portuguesa. Omitem em seus juízos o juro faraónico a que obrigam o estado português, referenciando tão só, a constatação da existência de compradores. Desgraçado do país em que os seus governantes se contentam com tão pouco.

Mani Pulite disse...

O LEILÃO DA DIVIDA FOI UM COMBATE DE BOXE COMBINADO.OU UM DAQUELES JOGOS DE FUTEBOL DO APITO DOURADO COM MUITA FRUTA.A DENÚNCIA É PÚBLICA,INTERNACIONAL E TEM TODA A CREDIBILIDADE.FALA-SE É POUCO DA TAXA DE JURO DO EMPRÉSTIMO A 4 ANOS PORQUE 5.4% É UM DESASTRE TOTAL.AQUI DEVE TER HAVIDO MENOS OU NENHUMA FRUTA.EM TUDO O QUE TOCA O ZÉ ALDRABÃO ALDRABA TUDO.TODA A FRUTA FOI PARA OS 10 ANOS.

Mani Pulite disse...

SEGUNDO O JORNAL DE NEGÓCIOS PORTUGAL PAGOU 4.75% AOS CHINESES POR UM EMPRÉSTIMO A 18 MESES.MAIS DO QUE PAGARIA NOS MERCADOS.ISTO SEM FALARMOS DOS PREÇOS OCULTOS POLÍTICOS OU OUTROS.O DESESPERO SÓCRETINO DEVE MESMO SER MUITO GRANDE.E VAMOS TODOS AO FUNDO COM ELE.DE QUALQUER MODO CUIDADO COM AS LOJAS CHINESAS.PAGA MAIS E AINDA LHE FICAM COM A CASA.

Anónimo disse...

Eu que não perceBo de Economia, pergunto-me, qual a alegria de vender dívida? qual a alegria de nos endividarmos mais ainda, em vez de cortar nas mordomias de muitos? e não me venham com Estado Social, porque se estamos hoje a empenharmo-nos por rendimentos mínimos e complementos de reforma e subsídios de desemprego, são os meus filhos e netos que terão de pagar esta factura! Além de que não vão ter emprego.

Anónimo disse...

Dívida Externa de Portugal = 500 mil milhões de Euros