Tudo parece indicar que o resultado da gestão socialista do BNP no final de 2010 há-de ser ainda pior do que o gráfico acima expõe.
O Governo prepara-se para aumentar o Capital Social do BPN socialista em 500 (quinhentos!...) milhões de euros. Porquê? Para o ceder mais gordo (após a eleição presidencial), para recomprar acções da SLN a accionistas privilegiados ou, simplesmente, para cobrir o buraco cavado pelos socialistas desde a nacionalização, em 2-11-2008?...
O ministro Teixeira dos Santos arrepiou caminho, em
declaração na Assembleia da República, em 7-1-2011, relativamente à filtragem das notícias negativas sobre o banco, defendendo que o buraco não é tão grande como se tem veiculado:
«os 5 mil milhões de euros são o total da liquidez injectada. Os capitais negativos, que são a verdadeira situação líquida do banco, são de apenas 2 mil milhões.»
O banco foi nacionalizado mas a falta de transparência não foi erradicada. Na página 219 do
Relatório e Contas de 2009 do BPN, a Delloite e Associados queixa-se, no seu Relatório de Auditoria - Contas Individuais, de que:
«Até à data de conclusão do nosso trabalho, ainda não obtivemos resposta relativamente ao nosso pedido de confirmação de saldos por parte de alguns clientes do banco relativos a depósitos mantidos e a títulos depositados no Banco, pelo que não nos é possível concluir, com a segurança necessária, quanto à fiabilidade dos montantes registados nestas rubricas.»
E na
página 222 do Relatório e Contas de 2009 do BPN, a sociedade revisora oficial das contas, a Oliveira Rego e Associados coloca uma reserva, na Certificação Legal das Contas, de que:
«Em virtude de, até à conclusão do nosso trabalho, não termos obtido resposta a uma parte significativa dos pedidos de confirmação externa de clientes relativos a depósitos e a títulos depoistados no Banco, não podemos formar opinião sobre os valores inscritos naquelas rubricas.»
A história do banco sob o domínio socialista é mais negra (5 mil milhões de euros de dinheiro público) do que a lama escura da campanha socialista sobre os 147.500 mil euros de lucro do Prof. Cavaco Silva, em 2001-2003. Além de não ter salvo o banco, como prometera,
a gestão socialista do BPN está a deixar cada vez mais degradada a posição patrimonial do banco: os resultados líquidos negativos sucedem-se, com prejuízos operacionais consecutivos, o volume negativo dos fundos próprios agrava-se, os clientes fogem e alguns são transferidos para a Caixa, os emprestadores institucionais esquivam-se, despeja-se lixo tóxico da Caixa no banco, e enterra-se no pântano socialista sempre cada vez mais dinheiro, sacado em impostos aos portugueses. Tudo isto por estratégia política, decisão e vontade, do Governo socialista, mantendo o banco em banho maria até à eleição presidencial.
O esforço que o Partido Socialista e o Governo estão a impor aos portugueses para salvar o BPN socialista contitui uma escandalosa extorsão dos contribuintes. Os portugueses não têm de pagar a salvação do BPN da incapaz gestão socialista.
Por este caminho,
os socialistas vão conseguir fazer pior em dois anos do que Oliveira e Costa fez em dez... A diferença é que o descalabro da
gestão de Oliveira e Costa (que está a ser julgado por «
crimes de fraude fiscal qualificada, burla qualificada, falsificação, abuso de confiança agravada, falsificação, infidelidade, branqueamento de capitais e aquisição ilícita de acções») prejudicou os clientes e quem nela acreditou, sem que a supervisão bancária do Banco de Portugal, liderado por Vítor Constâncio, a travasse. Já a segunda ruína do BPN, da responsabilidade do Governo e da administração, dirigida pelo socratino Francisco Bandeira, quem a paga é o povo.
Mas o filme negro não fica por aqui. Prolongou-se numa campanha suja sobre
Cavaco Silva que, afinal, conspurcou quem nela participou, como Manuel Alegre. Dois factos ilustram o
efeito ventoinha: Comissão de Honra de Manuel Alegre e a propriedade da sua sede nacional de campanha. Comissões de honra, afinal, há muitas e chapéus também, para todas as cabeças: quem acusou Cavaco de ter na
Comissão de Honra da sua candidatura accionistas da SLN, esqueceu-se de mencionar que, conforme me chamaram a atenção,
Fernando Lima Valadas Fernandes, o actual presidente do Conselho de Administração da Galilei (o novo nome da SLN) - e de quem se fala
«para substituir António Reis à frente do Grande Oriente Lusitano» -
pertence à Comissão de Honra da candidatura de Manuel Alegre à Presidência da República. Mais ainda, Helena Matos noticia hoje, 9-1-2011, no Blasfémias, que
a Galilei/SLN é a «dona do andar onde funciona» a sede nacional da candidatura de Manuel Alegre, em Lisboa, na Rua Marquês de Fronteira, 8, 1.º. Mais ainda, importa protestar que os portugueses não têm de custear os negócios de compra de acções da SLN/Galilei, dirigida por Valadas Fernandes, pelo BPN - como este, de 20 milhões de euros, que o
Paulo Pinto de Mascarenhas descobriu, em 15-10-2010 e que
Paulo Portas denunciou no Parlamento, em 7-1-2011. E muito menos pagar qualquer indemnização à SLN por nacionalização do banco, após a gestão ruinosa anterior, como pretende o presidente da SLN/Galilei, Fernando Lima Valadas Fernandes, segundo
notícia do DN, que o
JCD recuperou, no Blasfémias, de 8-1-2011:
«"A Sociedade Lusa de Negócios (SLN), a antiga dona do BPN, pretende receber do Estado, como indemnização decorrente da nacionalização do banco, 403,8 milhões de euros"»
A promiscuidade entre a finança e o Estado e o desperdício de dinheiro do Estado são causas principais do colapso iminente da III República. O Governo socialista e a presidência do BPN devem uma explicação concreta aos portugueses:
em quê e como é que foram gastos os 5 mil milhões de euros de dinheiro público após a nacionalização do BPN?
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* Imagem picada daqui.