domingo, 13 de maio de 2012

Rosário



Fátima constitui ainda o grande tabu nacional.

Inserida numa trilogia de origem incerta (se houver alguém que saiba, indique o autor) com o fado e o futebol, - mais popular do que a divisa de Afonso Pena (que foi presidente do Brasil e era maçon) adotada por Salazar («Deus, Pátria, Liberdade, Família») ou a síntese de Deus, Pátria, Autoridade, Família e Trabalho, no seu discurso do 28 de maio de 1936, em Braga - Fátima tornou-se, para os vigilantes da esquerda antirreligiosa e da direita ateia, o símbolo do mal e do atraso. As aparições de Nossa Senhora aos humildes pastorinhos, na Cova da Iria, no ano da revolução soviética, que trouxeram uma mensagem de paz, indicaram o fim da guerra, pediram oração para evitar uma outra mais sangrenta e preveniram o mundo sobre o perigo do comunismo, foram associadas, por uns e por outros, ao Estado Novo. Por identificação, que o regime anterior procurou (muito depois de 1917), e por oposição, com que os republicanos históricos e os marxistas reagiam à mensagem e profecia de Fátima: a Rússia «espalhará os seus erros pelo mundo» mas «por fim o meu Imaculado Coração triunfará.

Após a revolução do 25 de abril de 1974, Fátima era o núcleo e a imagem do Portugal católico, conservador e antimarxista, que importava destruir para que das cinzas desse incêndio ideológico explodisse um outro homem novo, absolutamente igual (para além da humanidade cristã, gravada, há cerca de dois mil anos nos corações angustiados, de não haver judeu nem grego, nem escravo, nem livre, nem homem nem mulher...), absolutamente escravo de centralistas democratas e elitistas maçons.

E Fátima resistiu. Resistiu na peregrinação de maio de 1975 com o record de 1,3 milhões de fiéis, ao cerco, justificado com a proteção dos  peregrinos, dos carros de combate do Copcon, de que o reitor Luciano Guerra se queixou na basílica e que levou meu pai a ir no final da missa à sacristia disponibilizar-se para o que fosse preciso. Resistiu à maré vermelha do Alentejo e da degenerada Lisboa e à eliminação mediática de governos socialistas e editores maçons, ao opróbio mediático dos crentes, aos escândalos artificiais, ao arrogante desprezo de opinadores e à vergonha dos instruídos negarem a sua devoção. A tudo resistiu e a todos acolhe.

A paz de Fátima atrai. Um encontro entre homens e Deus, que, como acentuou hoje o prior na missa em que participei, começa, não por um pedido, mas pela pergunta da (mediaticamente martirizada) pastorinha Lúcia à «Senhora vestida de branco e mais brilhante que o Sol»: «que é que vossemecê me quer?». A disponibilidade em vez do egoísmo.

Quando parece ter acalmado, por conclusão do programa relativista, a revolta cultural dos anos 60 face aos valores tradicionais e a crise económica e social aflige as famílias, a praça moral de Fátima alarga-se como último reduto de salvação. E os portugueses acorrem, de carro ou a pé, e com cada vez mais gente experimentando o sacrifício e reflexão íntima da peregrinação que alguns media, vencidos, tentam transformar em caminhada profana ou passeio ateu. Fátima resistiu, e resistirá. Para lá do céu e da terra.

Mesmo que apenas fosse numa perspetiva neutral e não religiosa, Fátima e os seus peregrinos continuam a ser ignorados e negligenciados. Numa época em que são valorizados o bem-estar e as atrações turísticas, e em contradição com os vizinhos espanhóis que fazem da Semana Santa um evento mundial, e de Santiago um jubileu permanente, Fátima continua a ser ignorada em termos de potencial de desenvolvimento pelo poder político. Para o poder político, nesta terra de matriz e maioria católica, dominada pela maçonaria, Fátima não existe, não pode existir. E quando as imagens demonstram a sua força, o poder político finge que o fenómeno não existe, que Fátima não existe. E, quando existe, é para fenómenos como o ataque do presidente socialista da câmara municipal local, Paulo Fonseca, que parece pretende armar-se em novo «administrador de Ourém»,  tentando apossar a autarquia de terrenos do Santuário e profanar o espaço público e quadras religiosas com eventos comerciais concorrentes. Ou para o IC9 (Nazaré-Tomar), aberto, neste mês de maio de 2012, sem portagens (por enquanto...), mas sem acesso próprio a Fátima, nem próximo, nem previsto...

Os peregrinos continuam a marchar para Fátima, cada vez em maior número, sem corredores de proteção  - apesar dos projetos do Centro Nacional de Cultura e de promessas -, sem sinalização, nem assistência sanitária e física oficial, por entre empresas fechadas e casas em ruínas, gastando no trajeto, em alimentação, compras e dormidas, nacionais e estrangeiros, os impostos que o Estado embolsa, em contraste com qualquer evento ou atividade profana que o poder político antirreligioso defenda e que tenha muito menor afluência, notoriedade intrínseca e receita. Enquanto o Estado e as autarquias fazem, e financiam, luxuosas passadeiras coloridas de lazer do tipo tartan para dezenas de peões e ciclistas, as centenas de milhar de peregrinos de Fátima nem sequer têm nas estradas nacionais corredores próprios com linhas-guia...

O povo continua a identificar Fátima com a Pátria, sua raiz celeste. E essa identidade ainda ganha mais fervor nesta época de crise económica, delírio social e corrupção de Estado. O Estado desta Nação Fidelíssima tornou-se numa loja maçónica e os cristãos não podem esperar mais deste poder. Resta-nos a fé e o combate moral.


Atualização: este poste foi atualizado e emendado às 23:35 de 14-5-2012.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Desemprego seletivo na Grécia socialistizada

O desemprego na Grécia chegou aos 22% em abril. O Pasok, socialista, encarregado de formar Governo, depois dos falhanços de Samaras da Nova Democracia (de direita) e de Tsypras dos radicais de esquerda,  prometeu na campanha eleitoral que a Grécia regressaria às origens, relançando a agricultura. Porém, os gregos estão renitentes. Mas a União Europeia continua a financiar o país, enquanto decorrem as penosas negociações de governo e se foram marcadas novas eleições para resolver o impasse, como é mais provável. O líder dos socialistas do Pasok, Venizelos, conseguiu o apoio dos Democratas de Esquerda, chegando em conjunto a... 20% dos votos e do parlamento, mas não é provável que consiga o apoio da Nova Democracia, de Samaras. Uma sondagem publicada hoje, 11-5-2012, indica que os trotkystas do Syriza são agora o partido mais popular da Grécia, o Pasok desceu para 10% e a Nova Democracia, que tinha sido punida nas urnas de voto em 6-5-2012 pelo seu contrariado apoio ao programa de austeridade, desce para 17%

A associação de jovens agricultores de Imathia, no norte da Grécia, publicou há cerca de duas semanas, uma oferta de 5.000 empregos (23 euros, cama e mesa, 4 meses) para a apanha dos pêssegos. Nessa região a taxa de desemprego é de 25% e na região vizinha (Pella) é de 50% - o desemprego jovem na Grécia subiu a 51,5% (março de 2012). Contudo, responderam ao anúncio apenas... 19 gregos e as vagas acabaram por serem preenchidas por albaneses.

Enquanto o Estado Socialista financiar o desemprego e mantiver o assistencialismo ocioso, o mercado de trabalho não se reequilibra e a economia não arranca. Naturalmente, os cidadãos não estão dispostos a aceitar maus empregos  - manuais, pouco atrativos ou mal pagos -, enquanto a almofada do Estado os aconchegar. Não há futuro para o Estado Social(ista) europeu. Temos de mudar de política: combater a corrupção, limpar o Estado, cortar a dependência da banca privada, não gastar o Estado mais do que tem, promover o trabalho, racionalizar o assistencialismo ocioso e eliminar a política de investimento de partir janelas para as reparar. Contudo, a farsa ideológica continua até à ruína completa, acelerada pela corrupção política.


Atualização: este poste foi atualizado às 10:05 de 11-5-2012 e emendo às 16:18 de 13-5-2012.


* Imagem picada daqui.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A consequência de Vítor Gaspar poupar os socratinos

Quem o seu inimigo poupa, nas mãos lhe morre...

Ontem, 9-5-2012, na Edição da Noite, na SIC Notícias, em entrevista pela socialistinha Ana Lourenço, o Dr. Augusto Mateus, um dos consultores mais beneficiados pelos concursos e ajustes diretos do socratismo, sob a capa fleumática pseudotécnica, malhou no ministro das Finanças, Prof. Vítor Gaspar - como o seu confrade Augusto Santos Silva ainda continua a fazer (agora assustado com a queixa-crime de Carlos Barbosa, presidente do ACP, sobre as SCUTS). Pelo meio desta oportuna entrevista - quando alguém cai em desgraça, precisa que os amigos o levantem -, o socialista Mateus, autor de projectos e planos utópicos do socratismo, queixou-se dos erros de investimento e despesa, da demora na renegociação das parcerias público-privadas (!...), pretende engordar os alforges com programas no turismo (como anteriormente com os transportes...) e, social-capitalista, ainda debitou condiança na capacidade de poupança da classe média portuguesa!...

Também ontem, 9-5-2012, o mesmo ministro das Finanças foi martirizado em comissão parlamentar pela revolta socratina (João Galamba, Pedro Silva Pereira). Os socratinos estão em polvorosa depois da vitória socialista em França (apesar de Hollande já ter começado a tocar os bemóis e a fazer os «ajustamentos» das suas promessas...) e os resultados da esquerda radical na Grécia, e da caução de Mário Soares (na véspera, 8-5-2012, no i), e querem fazer cair o (in)Seguro ou levá-lo a rasgar o a. Segundo o jornal i, o deputado João Galamba chegou a decretar «rompeu o consenso político em Portugal com este comportamento inaceitável» (a oposição queixava-se de que um anexo sobre o desemprego do Documento de Estratégia Orçamental não tinha sido fornecido aos deputados). Gaspar lá respondeu que  Eu não minto, não engano, não ludibrio”. Mas é melhor que, Vítor Gaspar, um homem honesto, em vez de poupar os socratinos na expetativa inocente de que estes retribuam, lhes desfira o coup de grâce socialistas,  fornecendo aos tribunais todos os dados sobre todos os movimentos dos cartões de crédito de todos os governantes socratinos, conforme foi pedido ao ministério, e ainda limpe o seu ministério de todos os dirigentes socratinos, nomeadamente do Observatório do QREN.


* Imagem picada daqui.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

A exclusividade da escola

Recomendo a leitura do excecional poste do José «Ao professor Luís, da escola inclusiva», de 8-5-2012, sobre o delírio jacobino na educação.

Uma visita turística à Lisboa deprimida

Já está disponível o «video de «No Reservations», do fabuloso Anthony Bourdain, em Lisboa, recentemente exibido no Travel Channel. Uma visita à gastronomia lisboeta, no meio da depressão omnipresente.

Os cozinheiros José Avillez e Henrique Sá Pessoa (e o sérvio Lubomir Stanisic), António Lobo Antunes*, Carminho, Dead Combo, Tozé Brito, Zé Diogo Quintela. De modo geral, grandes anfitriões.

Lisboa sem sol e triste, história, Salazar, elétricos, Tejo, Ramiro, Cantinho do Avillez, Alma, Ginginha, Cais do Sodré. Música folclórica antiga e recriada, fado velho e novo, velhos, pobres, saudade. E a crise, o desemprego, o abandono da agricultura (e a ignorância da recuperação e modernização da agricultura, ainda que muito lenta...), o espectro da Grécia.

Marisco (polvo, percebes, camarão, lagostins, ameijoas), conservas, prego, sal, alho, coentros, azeite, mais cerveja do que vinho (a Sagres paga mais do que os produtores de vinho...), peixinhos da horta (copiados pelos japoneses na tempura), morcelas, pezinhos de porco, fígado, mioleira (de novo?), cabrito, bifana, gelado de sobremesa (em vez da doçaria tradicional - uma pena).

Ruas e vielas, casas, monumentos, grafittis, restaurantes, cervejarias e bares, pombos e gaivotas, pesca, um chinquilho urbano indoor (!...), mercado, peixe, queijos, frutas e vegetais, bacalhau (e a ASAE que proíbe a compra de bacalhau seco pelos restaurantes...).

Um retrato melancólico.


* Uma pena, a referência de António Lobo Antunes de que antes da revolução de 25 de abril de 1974, «heroine was cheaper than cjgarettes», o que dá a ideia de um país de drogados, porque quem se injetava «wouldn't fight dictatorship»... Liberdades de um escritor, cuja escrita admiro, mas que fica mal na descrição turística de um país. E já agora, Lobo Antunes não teve problemas recentes, como justifica, por denunciar a utilização de napalm na guerra colonial, mas por falar em prémios dados por oficiais para quem matasse um dado número de inimigos nessa guerra, uma afirmação de que se retratou (esta nova grafia custou a escrever...).

terça-feira, 8 de maio de 2012

A fatura das barragens

Excelente serviço público do jornalista Carlos Enes, e de outros patriotas, na reportagem «Faturas de betão», na TVI,  ontem, 7-5-2012, que pode ser vista em toda a sua extensão no seguinte link:http://www.tvi.iol.pt/videos/13623427.

Um patriota que colabora com este blogue forneceu informação que explica o esquema lucrativo  das novas barragens socratinas, realizadas através de parcerias público-privadas, que implicam um verdadeiro imposto insuportável para os consumidores de eletricidade portugueses. Um negócio que não é apenas com a EDP, mas também com as espanholas Ibredrola e Endesa.

O projecto socratino das novas barragens avançou devido à conveniência financeira do Governo (que obteve, à cabeça, uma receita que aplicou nas parcerias público-privadas dos transportes e no financiamento do défice do assistencialismo) e às receitas esperadas pelo concessionário:
  1. A maior receita nas novas barragens será obtida pela bombagem através das eólicas.
  2. Outras receitas menores serão obtidas quer seja mediante da energia hídrica (30 dias por ano) e das garantias de potência.
  3. A lei da água foi alterada de modo a que o concessionário da Barragem possa concessionar a água a terceiros bem como a possibilidade de comercializar o uso (usufruto) das margens.

Esta conclusão pode foi retirada do documento sobre as parcerias público-privadas elaborado pelo Ministério das Finanças (p. 16).
«5.2. Energia - Recursos Hidroeléctricos

A Lei da Água (Lei n.º 58/2005, de 29 de Dezembro) determinou a reformulação do regime de utilização de recursos hídricos criando, por um lado, um novo quadro de relacionamento entre o Estado e os utilizadores dos recursos hídricos, baseado no reconhecimento da garantia dos direitos do uso privativo de um bem público e, por outro, a introdução da figura da concessão para a utilização de recursos hídricos por particulares.
Considerando os objectivos definidos para o aproveitamento da energia hídrica face à actual potência hidroeléctrica instalada, foi lançado o Programa Nacional de Barragens com Elevado Potencial Hidroeléctrico (PNBEPH), aprovado em 07.09.2007, e cuja implementação em 2008 passou pela outorga dos seguintes contratos de concessão DAS NOVAS BARRAGENS:
A construção, exploração e manutenção das infra-estruturas nas novas barragens são asseguradas por investimento privado, mediante o pagamento ao Estado concedente dos direitos de uso da água.»
Leia-se o seguinte texto que explica o processo (ver o próprio sítio da EDP):


O custo, principalmente financeiro, será pago ao longo de décadas... pelos consumidores de electricidade que vêm a sua fatura exponencialmente inflacionada. Além de que as concessionárias das novas barragens receberam o bónus de poderem explorar ou ceder a exploração do fornecimento da água dessas albufeiras.

O défice energético crescente é um problema grave. Sobre isso, ver o video «There's no tomorrow», comentado pelo António Maria.

Os socialistas devem gritar que a culpa da ruína do País é do caso BPN (aliás, nacionalizado pelos Governo Sócrates que não quis ceder os 600 milhões de euros do Plano Cadilhe e acabou por originar um custo de 8,3 mil milhões...): a corrupção de Estado e as parcerias público-privadas socratinas nada têm a ver com falência do País!...


* Imagem editada daqui.

As folias das elites políticas em França



O caso Descoings teve uma evolução sombria. O caso interessa ao público português porque Richard Descoings era o diretor da Sciences-Po, instituto universitário francês onde, em Paris, estuda o ex-primeiro José Sócrates.

Richard Descoings, diretor da Sciences-Po, que se terá assumido, segundo o Point, de 9-3-2007 (citado pela F et L, de 1-2-2009, p. 2, em pleno anfiteatro da escola, «être le premier pédé de Sciences-Po», foi encontrado morto, nu, num quarto de hotel em New York, em 3-4-2012. Um imagem falsa, e socialmente rendível, com dois planos: «Gay auprès des puissants, hétéro ailleurs» - Richard Descoings/Ritchie D..

Segundo o Wikistrike, de 28-4-2012, a família Descoings «fala em assassínio e não em suicídio nem em folia franco-massónica do género bacanal, drogas, mulheres e companhia...». A autópsia, realizada em 4 de abril, não terá sido conclusiva e o resultado de outros exames tem demorado.

O Wikistrike conta que Descoings seria o futuro primeiro-ministro do socialista Dominique Strauss-Kahn, se este fosse eleito presidente, como se previa. Strauss-Kahn que foi denunciado, em novembro de 2011, num caso de prostituição de luxo no hotel Carlton de Lille, agravado agora para violação em grupo.

O sítio revela que Strauss-Kahn trabalhava com Kadhafy na criação de uma nova moeda para ajudar os países pobres e devia anunciar esse projeto em Deauville, duas semanas depois da data da sua prisão em Nova Iorque sob acusação de violação de uma empregada de hotel (14-5-2012). E que Descoings era o elo dessa colaboração entre Strauss-Kahn e Kadhafy.

Em março/abril de 2012, o jornal digital Médiapart imputou a Kadhafy a contribuição de 50 milhões de euros para a campanha presidencial de Sarkozy, em 2007. Ao contrário de França, a conexão Kadhafy no financiamento político do poder nos últimos anos em Portugal nunca foi investigada - aliás, como a conexão Chávez. A triangulação Tripoli-Lisboa-Caracas tem mais ângulos ocultos do que a geometria diplomática aparenta.

Mais diz esta reportagem do Wikistrike que os casais Strauss-Kahn e Descoings eram amigos e que se encontravam frequentemente nos EUA. As duas mulheres, Anne Sinclair, esposa de Strauss-Kahn, e Nadia Marik, esposa de Descoings, trabalhavam em conjunto: Anne Sinclair é presidente do conselho de administração da Fondation Science-Po e Nadia Marik era diretora-adjunta deste instituto universitário francês. O artigo do Wikistrike descobre que Nadia Marik, esposa de Descoings, seria a misteriosa «loura do Sofitel», que teria jantado com o poderoso Dominique Strauk-Kahn no hotel nova-iorquino, na véspera do escândalo que provocou a sua detenção.

Enfim, o que os factos apurados e as novas denúncias indicam é uma profunda degeneração moral das elites políticas, que se percebe para lá das fachadas de compostura. A alienação moral das elites é a causa principal da falência do sistema político e económico.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos media, que comento, não são suspeitas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade e quando arguidas gozam do direito à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Elos


Divulgou o Sol, de ontem, 6-5-2012, que o secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, Emanuel dos Santos, do II Governo Sócrates, assinou no dia 20 de Junho de 2011, véspera do actual Executivo tomar posse, um despacho «a permitir que o Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações (MOPTC) possa executar a reprogramação prevista no ponto 4 da Portaria 360/2011», isto é, pagar 38,4 milhões de euros ao consórcio ELOS, liderado pela Soares da Costa e Brisa, refere o acórdão do Tribunal de Contas (TC) sobre o TGV.

Emanuel dos Santos argumenta que «o despacho não autoriza qualquer pagamento, apenas indica a forma do MOPTC obter as dotações necessárias para a execução do projecto»...

Contudo, de acordo com o Sol,
«o TC argumenta, no acórdão sobre o contrato do TGV, que o artigo 45 da Lei de Organização e Processo do Tribunal de Contas proíbe o Estado de efectuar qualquer pagamento antes de ser concedido o visto prévio. Quando o despacho foi assinado, a 20 de Junho de 2011, o Tribunal de Contas ainda estava a avaliar a concessão da ‘luz verde’. A decisão final, divulgada no final de Março, foi negativa. No acordão, o TC considera ainda que nenhum pagamento poderia ser efectuado, pois tal não estava previsto no Orçamento do Estado.»

Emanuel dos Santos é um elo da fação férrico-vieirista. Ainda mais do que o despacho socratino sobre o Freeport (aprovação do projeto a três dias das eleições legislativas de 2002), é uma decisão in extremis, depois da derrota eleitoral e nos últimos dias em funções, aparentemente tomada só quando se acertou o acordo.

Decisões destas fazem-me lembrar uma história que me contaram nos anos 80 sobre um famoso presidente de câmara da zona centro. Num despacho sobre uma urbanização manhosa, evitando atravessar-se pessoalmente, escreveu: «pode ser diferido»... Quando a IGAI aparecesse, podia sempre justificar-se: «eu não deferi, os técnicos é que autorizaram».

Entretanto, o inócuo Tribunal de Contas socialista mostra serviço. Too little, too late.

Veremos também como avança a queixa-crime do Automóvel Clube de Portugal (ACP), liderado por Carlos Barbosa, sobre as SCUTs  do Governo Sócrates (Mário Lino, Paulo Campos e António Mendonça) entregue no DIAP, em 5-5-2012 - ver comentário do José.

A podridão sai em ritmo lento. Mas tudo se conhece. Tudo se saberá.


* Imagem picada daqui.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos media, que comento, não são suspeitas, ou arguidas, do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade.

domingo, 6 de maio de 2012

A vacina francesa e a explosão grega

(Atualizado)



A vitória do socialista François Hollande na eleição presidencial francesa, de hoje, 6 de maio de 2012, sobre o presidente em exercício Nicolas Sarkozy (51,6%-48,4%), pode ter, paradoxalmente, efeitos positivos a prazo, em França e na Europa. Já os resultados das eleições legislativas gregas que ocorreram também hoje, representam, na etapa seguinte, a consequência do delírio político socialista, numa antecipação do que poderá suceder depois em França...

Interpreto os resultados da eleição francesa:
  1. Divisão política entre as urnas (o sistema político) e as ruas (a vontade popular), especialmente se os resultados da segunda volta das próximas eleições legislativas (a França tem um sistema eleitoral maioritário a duas voltas, Hollande prometeu sistema proporcional para as legislativas seguintes a estas) - , prolongarem a erosão da direita centrista e consolidarem uma maioria socialista-comunista na Assembleia.
  2. Falhanço, mormente no crescimento económico artificial à custa de muito maior endividamento com consequências financeiras dramáticas, e incumprimento das propostas mirabolantes de aumento do Estado social(ista) de Hollande, nomeadamente redução da reforma dos 62 para os 60 anos, depois de Sarkozy a ter subido. Embora, a declaração de guerra de Hollande contra o poder financeiro (em 22-1-2012) possa significar um confronto com a bancocracia.
  3. Fortalecimento do Front National, à custa da hesitação da direita centrista (UMP e Modem) em substituir o Estado social(ista) e as políticas penais e de imigração e dominar a bancocracia, os interesses das muito  grandes empresas e a corrupção. Por incapacidade da direita centrista, a Frente Nacional de Marine Le Pen pode chegar a obter o primeiro lugar no número de votos em próximas eleições...
  4. Reorganização da direita - necessidade de resolução do problema maior da corrupção (que provocou a derrota de Sarkozy, que não abandona a política para defrontar os tribunais ainda como personalidade política), um problema que não será possível sem resolução do problema do financiamento eleitoral, e de clarificação de propostas políticas. A direita não pode ser uma cópia da esquerda.
  5. Continuação da reorganização da esquerda, com um desvio de eleitores socialistas para a aliança leninista-trotkista do Parti de Gauche, de Mélenchon.
  6. A médio-prazo a França poderá ser, politica e economicamente, uma segunda Grécia. 
  7. Risco de divisão da Europa, a prazo, entre quem quer austeridade versus quem quer subvenção económica, entre trabalhistas e assistencialistas, entre bancocratas e democratas, entre quem quer política penal mais dura versus quem quer a manutenção da permissividade face ao crime e entre   matricialistas e laicos. E desde já uma brecha entre a austeridade de Merkel, de rápido reequilíbrio financeiro do Estado, e as políticas keynesianas de crescimento à custa do endividamento de Hollande (project bonds**, aumento do capital do BCE e eventual devolução do capital dos Estados no BCE). Se as elites políticas não abandonarem o delírio ideológico socialista, que provoca a ruína financeira e económica, a União Europeia colapsará e teremos novamente moedas nacionais, fronteiras físicas, Europa desunida e... guerra(s). Mas também compreendo que não pode haver unidade, se não houver bom senso político.
Os resultados das eleições legislativas gregas, também realizadas hoje, 6 de maio, constituem uma explosão do sistema político tradicional na Grécia. Resumo.
  1. Uma derrota dos socialistas do Pasok (13,2%) no poder, que perdem 70% do seu eleitorado de 2009 (e 119 dos seus 160 deputados) e passam a terceiro partido da Grécia!
  2. A esquerda trokista do Syriza (16,6%) como o maior partido da esquerda; os comunistas ortodoxos com 8,5%; e a Esquerda Democrática (socialista) com 6,1%.
  3. O partido mais votado, a Nova Democracia, de direita, obteve apenas 18,9% dos votos. Nova Democracia e Pasok, favoráveis ao acordo austero com a União Europeia e o FMI, ficaram abaixo da maioria no parlamento (108 deputados da Nova Democracia e 41 do Pasok num parlamento com 300 lugares) e carecem de apoio de partidos, à direita e à esquerda... contrários à austeridade da troika. O que sugere a necessidade de renegociação do acordo com a União Europeia e FMI.
  4. Um valor de 10,6% para o partido dos Gregos Independentes, formado pelos deputados expulsos por não aceitarem o acordo com a União Europeia e FMI.
  5. E até 7% para os neo-nazis da Aurora Dourada (Chrysi Avyi)!...
  6. O fracasso sistémico leva à explosão do sistema político moribundo e ao extremismo. E depois à violência.
  7. Não parece que o novo poder (?) possa resolver a ruína do Estado social(ista) grego, julgar os corruptos, cortar a sua dependência face aos bancos e recuperar a economia através do trabalho.
Sinceramente, creio que a França, e a Europa, precisa desta vacina da vitória socialista francesa e que talvez, com bom senso político e responsabilidade moral da cidadania, possam evitar a explosão grega. Mas temo que a folia e a preguiça continuem a predominar sobre a moral e o trabalho.


* Os project bonds são outra forma de project finance, com endividamento público para financiamento de grandes projetos de infra-estrutura, nos transportes (TGV, etc.), energia e telecomunicações (banda larga). Os países grandes definirão os projetos e fornecerão os equipamentos (desde logo os franceses...), os países pequenos obedecerão a essas decisões e os cidadãos pagarão a prazo essa fatura. O impacto desses grandes projetos sobre o emprego e o rendimento dos países pequenos será mínimo. O crescimento económico tem de surgir através da redução da taxa de juro paga pelos Estados ao Banco Central Europeu (ao valor de 1%, como conseguem, do próprio BCE, os bancos privados) e da redução do assistencialismo que provoque o retorno ao trabalho.


Atualização: este poste foi atualizado às 2:00, 8:47, 9:14 e 9:40 de 7-5-2012.



* Imagem picada daqui.

A consequência da política penal socialista

Os motivos do crescimento da extrema-direita em França e noutros países europeus não são apenas o volume da imigração magrebina, subsaariana e cigana, e a falência do Estado social(ista). A política penal socialista, absurda e desigual (medrosa face aos delinquentes e severa com os fracos cidadãos), está a alienar os votantes cumpridores da lei para a extrema-direita.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A fatura de 8,3 mil milhões de euros do BPN

Depois de falha consecutiva na supervisão bancária pelo Banco de Portugal de Vítor Constâncio, e em vez de aceitar o plano Cadilhe, o Governo Sócrates nacionalizou o BPN, o banco cometendo a sua gestão Caixa Geral de Depósitos, através de uma administração de Bandeira, ficando com acesso a informação financeira interna sobre o Presidente da República, Cavaco Silva.

Relativamente a este assunto, recomendo a leitura do poste do José da Loja «O caso BPN é um caso de corrupção com políticos», de 29-4-2012, sobre o dossiê BPN que o Diário de Notícias, de João Marcelino, tem vindo a publicar. O custo da nacionalização do banco pode representar 8,3 mil milhões de euros (DN, 29-4-2012, citado pelo i) sendo agora dada como justificação, por um deputado do PS num programa de televisão, a proteção dos depositantes e... dos acionistas (!), pois o risco sistémico de um banco com apenas 2% de quota de mercado não bastaria como motivo.

O que ainda falta apurar e valorizar é o facto do ministério de Ferro Rodrigues, do Governo Guterres, ter alegadamente feito depósitos de centenas de milhões de euros da Segurança Social nesse banco e os ter retirado, quando era ministro Vieira da Silva no Governo Sócrates, já na administração Cadilhe do BPN, precipitando a queda do banco. Para lá da fraude interna e da alavancagem de negócios especulativos pela administração Oliveira e Costa e amigos, e da incapacidade da administração Bandeira travar a drenagem de dinheiro para fora do banco, a fatura dos 8,3 mil milhões também tem essa rubrica.

Sobre este assunto publiquei em 25-8-2008, os postes «Gates do poder», em 7-11-2008, e «SSgate», de 25-11-2008, os quais transcrevo os seguintes excertos:

«Gates do Poder
O caso Fundogate junta-se ao caso BPNgate (palavra cunhada pelo Manuel da GLQL) que se une a um caso SSgate (SS de Segurança Social). São demasiados gates e nenhum poder os conseguirá fechar totalmente - nem este. Ainda que, no esforço, se entale algum Martim Moniz, mais cedo ou mais tarde, o povo entrará no castelo mouro, conhecerá a verdade e responsabilizará quem dever.

O Ministério da Segurança Social e o BPN
Informou o próprio primeiro-ministro José Sócrates, no Parlamento em 5-11-2008:

"Não é verdade que o Estado tenha ido a correr depositar 500 milhões de euros ao BPN. Não existe um depósito de 500 milhões de euros da Segurança Social. O que há é uma conta aberta no BPN desde 1999."
Quem eram os responsáveis políticos pela Segurança Social em 1999? Em 1999, governava António Guterres. A partir de 28-10-1999, no XIV Governo Constitucional, toma posse como secretário de Estado da Segurança Social o dr. José António Fonseca Vieira da Silva, em substituição do prof. Fernando Ribeiro Mendes. O ministro (do Trabalho e da Solidariedade) com a tutela da Segurança Social, é o mesmo que vinha do XIII Governo: o dr. Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues. Portanto: quando em 1999 foi aberta a conta no BPN - um banco que havia sido criado em BPN em 1993 "em resultado da fusão entre as sociedades financeiras Soserfin e Norcrédito", funcionando como banco de investimento, mas que ganha expressão comercial em 1998 com a entrada para seu presidente do dr. José Oliveira e Costa, vindo do Finibanco - o ministro responsável pela Segurança Social no Governo era o dr. Eduardo Ferro Rodrigues. Na data do ano de 1999 em que a conta foi aberta seria já secretário de Estado com essa tutela o actual ministro dr. José António Vieira da Silva? É provável, porque o dr. Ribeiro Mendes tinha, e tem, ideias diversas sobre a Segurança Social, mas esse esclarecimento deve-o fazer o Governo.

Pela administração e órgãos sociais do Banco Português de Negócios (BPN)/Sociedade Lusa de Negócios (SLN) e de empresas do grupo, passaram muitos dirigentes políticos, principalmente do PSD, partido de José Oliveira e Costa que fundou o banco/grupo em 1998, mas não só - até o guterrista dr. Guilherme d' Oliveira Martins, actual presidente do Tribunal de Contas e, depois, José Lamego. Até com a nacionalização todos os partidos da oposição concordaram, com maior ou menor nuance.

Mas entre os dirigentes políticos de maior destaque foi o ex-ministro Dias Loureiro que assumiu maior protagonismo. O dr. Manuel Joaquim Dias Loureiro, ex-ministro e ex-deputado do PSD, regressou à vida civil em 1995 e mais tarde passou a colaborar com o Grupo Plêiade - SGPS S.A. de José Roquette, sendo Presidente do Conselho de Administração da sua participada Redal S.A., concessionária da distribuição de água e electricidade da capital de Marrocos, de Julho de 1998 a 2002 e ainda administrador da Ericsson Portugal e da Ericsson Espanha. Terá entrado no BPN em 30-11-2001, na sequência da compra pelo BPN, ou Sociedade Lusa de Negócios (holding que controlava o BPN), do Grupo Plêiade, no qual o actual conselheiro de Estado nomeado por Cavaco Silva, já detinha 15% do capital. Aí terá exercido a "presidência do conselho de administração da Plêiade, S.A. e Sociedade Lusa de Negócios S.A.", conforme consta do seu curriculum. Terá saído da presidência dez meses depois - consta que, após a compra, o presidente dr. José Oliveira e Costa ficou desagradado com o negócio realizado com José Roquette e Dias Loureiro -, embora ficasse no grupo SLN como administrador não-executivo até 2005, depois "presidente da Sociedade Portuguesa de Pinturas de Módulos (SPPM) até há cerca de três meses" - notícia do Expresso em Janeiro de 2008 - e ainda nessa altura fizesse "prestação de consultoria à Inapal" Plásticos S.A., outra sociedade do grupo também fornecedora da Auto-Europa. Actualmente, a fazer fé no seu próprio currículo, o dr. Manuel Dias Loureiro é "chairman" da Valor Alternativo - Sociedade Gestora de Fundos de Investimento Mobiliário S.A.. Questionado pelos media após o rebentamento da crise, Dias Loureiro ter-se-á desculpado com o facto de já nem sequer ser administrador não-executivo da holding SLN.

A endogamia do poder em Portugal, país de pequena dimensão geográfica e demográfica, quase uma aldeia, onde apesar de se fingir nada saber da vida dos outros todos os do meio a conhecem, resulta, no caso de Dias Loureiro ainda mais intrincada. Manuel Joaquim Dias Loureiro foi compadre de Eduardo Ferro Rodrigues e têm um neto comum que brotou do muito badalado casamento em 2003, entretanto desfeito, após longo namoro, dos seus filhos João Luís Ferro Rodrigues e Joana Dias Loureiro. Nada de mal: é um facto.

A conta da Segurança Social no BPN é aberta em 1999, quando Dias Loureiro não estava ainda ligado ao grupo BPN/SLN. Além disso, é legítima a abertura de conta pelo Ministério da Segurança Social num banco, eventualmente aproveitando um juro vantajoso em troca da liquidez do dinheiro do Estado. Segundo fonte do ministério de Vieira da Silva em sopro à Rádio Renascença em 4-11-2008, "o Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social tem uma conta-corrente no BPN, que se destina a acolher o pagamento das prestações sociais das empresas e a pagar as pensões" e "com esse mesmo objectivo a Segurança Social tem contas abertas em oito bancos, sendo que o BPN é o sexto com menos valores depositados". Mas mais importante do que a abertura da conta é a indicação dos grandes movimentos, das grandes entradas de dinheiro e respectivas datas. E responder claramente se o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social (FEFSS) tem, ou teve, alguma vez dinheiro aplicado em depósitos, acções, fundos de investimento ou obrigações no BPN.

Além do desatar do novelo que com paciência se tenta, face ao bloqueio de informação do Governo sobre os movimentos do Fundo da Segurança Social, do Instituto de Gestão Financeira da Segurança Social do Ministério da Segurança Social, no BPN, noutros bancos e no mercado de capitais, importa perceber o desenlace do BPNgate.

O caso SIRESP
Além de casos recentemente noticiados, há vários anos que decorrem, de acordo com várias referências processos relativos ao BPN/SLN no Ministério Público/Polícia Judiciária e Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) e há vários anos que o Banco de Portugal conhece os problemas do grupo BPN/SLN, tendo sido até noticiados pelo jornalista Camilo Lourenço já em 2001 na revista Exame, bem antes da menção do banco na Operação Furacão. Veja-se a manchete do semanário Sol de 8-1-2008: "BPN: Governador do Banco de Portugal ignorou avisos durante anos - Equipa do Furacão e Deloitte avisaram Constâncio" - mas Constâncio desmente.

Nesses processos merece particular relevo o caso SIRESP (título do Público de 2-6-2008- "Estado gastou 485 milhões de euros em negócio que valia um quinto"). Tratou-se da adjudicação pelo Governo PSD de Santana Lopes, através de despacho conjunto do ministro dr. Daniel Sanches, que tinha sido administrador da sub-holding Plêiade da SLN, e dr. Bagão Félix, por cerca de 500 milhões de euros do sistema de comunicações das forças de segurança e emergência do Estado a um consórcio liderado pela SLN alegadamente a 23 de Fevereiro "três dias após as eleições legislativas" de 2005. O caso não terminou aí. Após o negócio ter sido declarado nulo pelo ministro dr. António Costa, depois de parecer nesse sentido da Procuradoria-Geral da República, acabou por ser adjudicado ainda pelo próprio dr. António Costa ao mesmo (!) consórcio por 485,5 milhões de euros (Jornal de Negócios de 18-5-2006), menos dinheiro mas com menos equipamentos. O caso SIRESP foi arquivado pelo Ministério Público, segundo notícia da RTP de 4-4-2008. (...)





«SSgate
«No post "Gates do poder" de 7-11-2008, que mais abaixo se pode ler, avancei com informação, análise e conclusão, sobre o BPN, o depósito da Segurança Social no banco e posterior retirada volumosa de dinheiro, que parece confirmar-se.

Tavares Moreira, ex-governador do Banco de Portugal e banqueiro, retoma ontem, 24-11-2008, este assunto no seu blogue 4R - Quarta República. Aí demonstra a anormalidade dos movimentos da Segurança Social relativos ao BPN. Escolhi um extracto, diverso daquele posto pelo Insurgente, que vale a pena citar:

"Soube-se que a Segurança Social, através do Instituto que gere as respectivas finanças, teria em depósito (D/O) no BPN qualquer coisa como € 500 milhões…
O Ministro da pasta veio explicar que isso seria natural pois a Segurança Social gere um fundo de maneio da ordem de € 2.000 milhões… (...)
3. Eu direi que isso não é nada natural, bem pelo contrário, pois significa que 25% de todo fundo de maneio da Segurança Social estaria depositado num Banco cuja quota de mercado não chegava a 2%... (...)
4. O problema não fica por aqui pois também se soube que, só no mês de Agosto, a Segurança Social teria levantado qualquer coisa como € 300 milhões do BPN – 60% do montante depositado - arrasando literalmente a tesouraria do Banco…como arrasaria a de muitos outros bancos da praça se fossem contemplados com semelhante hemorragia de fundos num prazo tão curto e numa época tão difícil... (...)

Pós-Texto:
Sobre o SIRESP, cuja (in)aplicação foi tratada no Jornal da Noite da TVI de hoje, 7-11-2008, recomendo aos leitores que leiam o nosso amigo José.

Atualização: este poste foi atualizado às 13:06 de 4-5-2012.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As pessoas e entidades referidas nestes postes não são suspeitas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade.»

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Na loja toda, o ano inteiro




A Maçonaria portuguesa já tem um candidato para substituir o irmão Fernando Pinto Monteiro como procurador-geral da República. É o inspetor-geral da ASAE, António Nunes (ver sinopse curricular em DR, II Série, n.º 165 de 25-8-2010, p. 45037). A nomeação justifica-se por dois motivos: tem ampla experiência judicial e poder decisório célere. Veja-se que processos por dumping, que nos tribunais da União Europeia e dos EUA demoram anos a decidir, a ASAE de Nunes resolve em dois dias!


* Imagem picada daqui.

O branqueamento do socialismo público-privado



A «comissão parlamentar de inquérito sobre contratualização, renegociação e gestão de todas as parcerias público privadas (PPP) dos setores rodoviário e ferroviário» (ver i, de 2-5-2012) constitui uma operação global de branqueamento. Durante as inquirições-conversas em família, nada se dirá; poucos serão chamados; quem for há-de tratar os deputados com arrogância e desprezo; ninguém sairá do «huacal» mexicano em que o Estado português se tornou; a atitude geral será eu-não-falo-das-tuas-tu-não-falas-das-minhas-e-os-outros-também-não-podem-falar-porque-o-partido-deles-também-recebeu-financiamento-eleitoral-nacional-e-local. E, no final, concluir-se-á que: as autoestradas, IP's e IC's, eram inadiáveis, o TGV lucrativíssimo e urgentíssimo; os estudos de mercado de tráfego foram rigorosíssimos; as garantias de tráfego a alguma construtora eram indispensáveis para que as estradas fossem feitas; os contratos são igualitários; os intervenientes previstos nas arbitragens os mais idóneos e absolutamente descomprometidos; é natural o mecanismo de o Estado pagar as concessionárias por cada infrator que não pagasse as portagens dos pórticos; as indemnizações previstas perfeitamente adequadas às expetativas criadas; não há o mínimo fumo de corrupção ou sequer um microcontributo financeiro, direto ou indireto, para qualquer campanha eleitoral por parte das construtoras e bancos que beneficiaram dos contratos e que a renegociação das parcerias público-privadas é impossível a não ser que se quisesse a queda do sistema financeiro nacional, para lá do despedimento nas grandes contrutoras dos 2% dos empregados que estas ainda têm parados nas suas operações em Portugal.


* Imagem picada daqui.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades referidas nas notícias dos media, que comento, não são suspeitas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade, e quando arguidas gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao eventual trânsito em julgado de sentença condenatória.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Pingos amargos



A corrida aos supermercados Pingo Doce, que ontem, primeiro de maio de 2012, promoviam um desconto de 50% nas compras superiores a cem euros, constitui um daguerreótipo da situação economico-social degradada do País. Assim debota «a imagem e (a) credibilidade de Portugal no estrangeiro» (PR, discurso de 25-4-2012)...

Um país exaurido pela corrupção e pela ideologia delirante do Estado Social(ista), da qual é filha a bancocracia (ou socialismo bancário) que sofremos. Corrupção de Estado ainda institucionalizada, poder político usurpado pela Maçonaria, promiscuidade sistémica dos partidos parlamentares (à maneira do «huacal» do PRI), chantagem bancária, infraestrutura de luxo, formação permissiva, tributação insuportável, subvenção empresarial enviesada pela corrupção de Estado, empresas descapitalizadas, desemprego seletivo, assistencialismo vicioso, tolerância da criminalidade crescente (o contraponto autorizado da corrupção), perseguição ativa dos patriotas e resignação popular.

O que fazer? Preparação e luta. Ao leme, somos sempre mais do que nós.


* Imagem editada daqui.

terça-feira, 1 de maio de 2012

O socialismo é uma Doença Politicamente Transmissível



«En cinco días: Michelle Obama se gastó casi 400.000 euros durante sus vacaciones en España» em agosto de 2010 - revela a Libertad Digital, de 27-4-2012. O despesismo socialista da primeira dama norteamericana não fica por aí: em janeiro de 2012 foi noticiado que teria gasto 50 mil dólares em lingerie em mais uma provocação.

Mas não só no despesismo. Lá como cá, o socialismo é patológico - e transmissível. Recorde-se, a barraca do marido Obama, em «Investigation reveals numerous bogus claims on Obama resume», na Examiner, de 3-4-2010.


* Imagem picada daqui.