A férrica Dra. Ana Gomes produziu, em 7-6-2011, uma declaração sobre o Dr. Paulo Portas, captada pela Lusa e veiculada pelo Público -
«“Penso que está em causa não obviamente a legitimidade política do seu partido, CDS-PP, como resultou das eleições, em governar, em integrar a coligação governamental, mas do dr. Paulo Portas pessoalmente, por a sua idoneidade pessoal e política estarem em causa em face do seu comportamento em anteriores responsabilidades governamentais”, disse, apontando “o caso dos submarinos e outros casos”.» (Realce meu)No Económico, de 7-6-2011, vem ainda um registo mais completo com a menção de uma alegado:
«papel que teve a central de desinformação junto do então ministro Paulo Portas no tratamento que a imprensa deu ao caso Casa Pia» (sic)
Esta declaração parece constituir a primeira sortida de um ataque preventivo contra o próximo Governo. O objectivo desse ataque é demover o Dr. Pedro Passos Coelho de realizar uma auditoria imediata às contas públicas e aos contratos públicos e de responsabilização e substituição de socialistas comprometidos na administração do Estado. Não creio que a manobra resulte. Mas, ao contrário, marcar oposição ao caminho da justiça, não é apenas anti-democrático, burro e inútil, mas também fazer o jogo do PS.
Nota dispicienda: A tese da cabala do caso Casa Pia é socialista e foi lançada sei muito bem por quem - e tenho registo de jornais que mencionam as primeiras referências à palavra «cabala» feitas por dirigentes socialistas no dia crítico, antes da imprensa lhes pegar no termo que filtraram e antes do sinónimo «urdidura» do actual ex-ex-candidato Costa («ex» em 2004 e «ex» em 2011). Nenhum meio para além dos socialisto-dependentes acreditou nesse absurdo. É patética a diversão de atribuírem a cabala a um colaborador de Paulo Portas, salvo erro, Pedro Guerra, responsável pela «vast right wing conspiracy», a montagem de um caso com cerca de 40 vítimas (fora as outras centenas que não conseguiram arranjar coragem para falar), 250 testemunhas só na fase inicial, dezenas de polícias, procuradores, juízes, dezenas de milhar de páginas e finalmente condenações na primeira instância de todos os pronunciados, e derrota nos processos de revanche. Mas a reinvocação agora, aparentemente a despropósito, da tese da cabala pela fustigada facção de serviço explica-se pela culpabilização que Sócrates fez sobre os resultados eleitorais: Vieira da Silva já estava pré-apontado como culpado do desastre da campanha e a preparada sucessão de Sócrates pelo francês Ferro comprometida.
Desde logo chamam cabala ao espoletar de factos que, de modo geral, os tribunais confirmaram. Num comportamento que é típico, nem sequer lhes importava se os factos eram, como se apurou nos tribunais, verdadeiros ou não: importava quem bufou ou ampliou. Ora - cui bono? - a facção interna que deu gás ao caso efectivo parece ter sido a facção que lucrou com o desmantelamento da estrutura... Por isso, tratem da forra lá dentro: os outros não têm nada a ver com bufos e silêncios: só se preocupam com as vítimas, os factos, os resultados, o Estado, o País e a humanidade..
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