«You are not special. You are not a beautiful and unique snowflake.»
Narrador/Tyler Durden em Fight Club. 1999. Filme realizado por David Fincher.
Guião de Chuck Palahniuk (livro) e Jim Uhls.
Guião de Chuck Palahniuk (livro) e Jim Uhls.
Por interesse cultural e ofício de professor, tenho refletido muito sobre marketing geracional, isto é, o estudo dos valores e comportamentos próprios de cada geração, e pedagogia consequente com essa distinção. A ideia de geração é de cada coorte é marcada por acontecimentos que se derem na adolescência e juventude e que os marcam para o resto da vida, gerando uma atitude própria que tende a manter-se independentemente da idade.
O caso dos distúrbios de Torremolino pelos jovens do ensino secundário em viagem de finalistas nas férias da Páscoas, referido nesta excelente crónica do Prof. Pedro Afonso, no Observador, de 12-4-2017, justifica uma reflexão profunda por parte de pais, educadores e Estado. Não é apenas o excesso do rito de passagem - que as viagens de finalistas são - que preocupa. Mas a relação dos jovens com os pais, os educadores, as instituições e o Estado.
Creio que a melhor designação da geração nascida em 1995 e depois (e que tem agora 22 anos ou menos) é a de Geração Florzinhas de Estufa. Há um excesso de preocupação com o seu bem estar emocional pelos pais e educadores. Criam e mantém os jovens em estufas de auto-estima, como florzinhas delicadas em ambiente, umas "safe zones" que só permitem medrar em condições ótimas de pressão e temperatura. O resultado é uma geração impreparada para enfrentar a dureza e impiedade da vida.
Este nome de Florzinhas de Estufa, que proponho, parece assentar melhor do que Flocos de Neve (Snowflakes), que se vai consolidando nos EUA, sobre outros nomes equívocos: Nativos Digitais, Geração da Net (Net Gen), Geração Tecnológica (Gen Tech), iGeração (iGeneration), Geração das Consolas (Gen Wii), Plurais, e até Geração Z. As fontes de informação são abundantes e não existe um consenso sobre quando começa e quando acaba cada geração. Todavia, pode arriscar-se uma divisão adequada à circunstância portuguesa e europeia: Geração dos Maduros ou Tradicionalistas (1930-1945); Geração do Pós-Guerra ou baby-boomers (1946-1963); Geração X (1964-1977); Geração Y dos Milenários-Millennials (1978-1994) e Geração Z (1995-?).
Entre outros, têm sido referidos vários factos identitários desta geração:
Há sinais preocupantes de falta de preparação desta geração. Mas a comodidade será infelizmente resolvida pela guerra que vivemos e que as eliters desprezam. Até que a guerra híbrida das ruas, ainda morna, aqueça, será útil que o ambiente mediático relativista, os pais e os educadores e as autoridades (nomeadamente, nas regras de consumo de álcool e drogas!) não podem deixar de ser... pais e educadores e autoridades! Nem os jovens desprezarem a sua responsabilidade. Contudo, nesta nova geração, o saldo de qualidades sobre defeitos é positivo, principalmente para a construção de uma nova era pós-relativista.
Atualização: este poste foi atualizado às 11:52 de 16-4-2017 e às 9:52 de 17-4-2017.
O caso dos distúrbios de Torremolino pelos jovens do ensino secundário em viagem de finalistas nas férias da Páscoas, referido nesta excelente crónica do Prof. Pedro Afonso, no Observador, de 12-4-2017, justifica uma reflexão profunda por parte de pais, educadores e Estado. Não é apenas o excesso do rito de passagem - que as viagens de finalistas são - que preocupa. Mas a relação dos jovens com os pais, os educadores, as instituições e o Estado.
Creio que a melhor designação da geração nascida em 1995 e depois (e que tem agora 22 anos ou menos) é a de Geração Florzinhas de Estufa. Há um excesso de preocupação com o seu bem estar emocional pelos pais e educadores. Criam e mantém os jovens em estufas de auto-estima, como florzinhas delicadas em ambiente, umas "safe zones" que só permitem medrar em condições ótimas de pressão e temperatura. O resultado é uma geração impreparada para enfrentar a dureza e impiedade da vida.
Este nome de Florzinhas de Estufa, que proponho, parece assentar melhor do que Flocos de Neve (Snowflakes), que se vai consolidando nos EUA, sobre outros nomes equívocos: Nativos Digitais, Geração da Net (Net Gen), Geração Tecnológica (Gen Tech), iGeração (iGeneration), Geração das Consolas (Gen Wii), Plurais, e até Geração Z. As fontes de informação são abundantes e não existe um consenso sobre quando começa e quando acaba cada geração. Todavia, pode arriscar-se uma divisão adequada à circunstância portuguesa e europeia: Geração dos Maduros ou Tradicionalistas (1930-1945); Geração do Pós-Guerra ou baby-boomers (1946-1963); Geração X (1964-1977); Geração Y dos Milenários-Millennials (1978-1994) e Geração Z (1995-?).
Entre outros, têm sido referidos vários factos identitários desta geração:
- emocionalmente muito frágeis, sentimentais e facilmente deprimidos;
- individualistas;
- empreendedores;
- desfocados;
- multi-tarefas;
- ambiciosos;
- ousados;
- competitivos;
- procuram o grátis e custos baixos;
- começam mais cedo a trabalhar e conciliam estudos com o trabalho (arrastando a conclusão dos cursos...);
- menos consumidores de drogas e álcool do que a geração anterior, mas maior excesso dos consumidores;
- espontâneos e instantâneos;
- fiéis a marcas;
- estilosos;
- globalistas;
- viciados em jogos digitais;
- permanentemente em linha;
- inocentes;
- gostam mais de videos, fotos e memes, do que postes e textos;
- música, música, música;
- direto e imediato, em vez de editado ou passado;
- mais Instagram, Whatsapp e Snapchat, do que Facebook ou Blogger;
- horror a atividades «chatas»;
- hoje!, hoje!, hoje!;
- prazer, e não frugalidade nem temperança;
- menos trabalhadores;
- procastinadores;
- zelosos com o seu tempo, que querem dedicados a atividades que lhes tragam prazer;
- maior interação virtual, consumo de serviços e experiências; do que comunicação face-a-face e acumulação de produtos (coisas).
- mais utilizadores do que possuidores, mais renda e aluguer do que compra;
- informais;
- privados na informação pessoal;
- ausentes dos meios coxos não interativos (televisão, rádio,
- rústicos nas roupas e adereços, nas mobílias e espaços (hostels em vez de hotéis, Primark em vez de Zara, Lx Factory em vez de centros comerciais luxuosos);
- adoram viajar e aventuras de novas atividades e lugares;
- desprezam a política;
- desligados das instituições tradicionais;
- sozinhos, auto-educados por permissividade ou ausência dos país;
- menos relativistas do que os antecessores, ainda perdidos, mas à procura de direção e valores.
- embriões do pós-relativismo.
Há sinais preocupantes de falta de preparação desta geração. Mas a comodidade será infelizmente resolvida pela guerra que vivemos e que as eliters desprezam. Até que a guerra híbrida das ruas, ainda morna, aqueça, será útil que o ambiente mediático relativista, os pais e os educadores e as autoridades (nomeadamente, nas regras de consumo de álcool e drogas!) não podem deixar de ser... pais e educadores e autoridades! Nem os jovens desprezarem a sua responsabilidade. Contudo, nesta nova geração, o saldo de qualidades sobre defeitos é positivo, principalmente para a construção de uma nova era pós-relativista.
Atualização: este poste foi atualizado às 11:52 de 16-4-2017 e às 9:52 de 17-4-2017.






