quinta-feira, 16 de julho de 2020

O jurista Pedro Marques Lopes desvendado



O articulista sistémico Pedro Marques Lopes fez um ataque ao juiz Carlos Alexandre, do Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa (TCIC) no DN, de 11-7-2020, titulado «Carlos Alexandre em vez da deusa vendada» que justifica análise: motivos, factos e objetivo.

Qual o motivo do ataque? Pedro Marques Lopes é o que o genial Alberto Gonçalves chamou, numa crónica no Observador, de 18-3-2017, um «comentador de "direita"» que, em seu entender era uma «profissão de futuro». É. Do futuro, do passado e do presente. Mas é mais. Ou menos: uma caneta e voz de aluguer. Pagam e ele escreve, e fala, o que quer quem o sustenta na função. Uma coisa e o seu contrário, mudando os passos, mas não a perspetiva: a do poder. O poder sistémico. Portanto, o motivo é o que este «comentador profissional» faz. Usando as suas palavras: um taxista que conduz para onde lhe manda o cliente e cobra a bandeirada. O seu patrão, chairman da Global Notícias é o advogado Daniel Proença de Carvalho que, descontente com o juiz que instruía o processo Marquês no qual era advogado de José Sócrates, designou depreciativamente, em 26-11-2014, na TSF, Carlos Alexandre de «super juiz dos tablóides. O juiz Carlos Alexandre é um obstáculo ao tráfego do poder sistémico? Ataca-se pessoalmente o juiz... 

Agora os factos. Pedro Marques Lopes desvirtua os factos do processo EDP e o funcionamento do TCIC. Por informação errada passada por algum jurista? O seu advogado Francisco, filho do seu patrão Daniel, que têm no TCIC vários processos de clientes? Quem é que sabe que o juiz Carlos Alexandre tem «onze processos tão ou mais complexos do que o da EDP, com centenas de arguidos, milhares de testemunhas e dezenas (muitas) de milhares de páginas»?!... Ora, Pedro Marques Lopes não tem, no tema da justiça, a desculpa jornalística habitual da falta de formação, pois declara-se licenciado em Direito pela Universidade Católica.

Alegações do jurista Pedro Marques Lopes e os factos:
  1. Diz o jurista Pedro Marques Lopes que o juiz Carlos Alexandre aplica aos «ricos e poderosos» umas «medidas de coação que, na prática, são condenações». Contudo, o jurista Pedro Marques Lopes sabe, e não pode deixar de saber (como se diz nos meandros jurídicos) que medidas de coação não são condenações.
  2. O jurista Pedro Marques Lopes atira que as decisões deste «pretendente a super-homem esbarram nos julgamentos»  e que «as parangonas dos jornais que anunciam as investigações aos ricos e poderosos sejam, uns anos mais tarde, concluídas com umas notícias de pé de página informando da absolvição de mais um arguido»... Quais arguidos? Quantos? E quem são esbarradores?
  3. O jurista  Pedro Marques Lopes avalia que «ninguém seria capaz de tomar boas decisões com tantos processos e tão importantes, como é lógico". É lógico que quem toma boas decisões num processo, toma más noutros?.. Ou que quem toma boas decisões em processos «tão importantes» tomaria más noutros?... Mas a questão é a preocupação com a quantidade de trabalho do juiz ou das más decisões do juiz - isto é, daquelas que de o sistémico jurista alugado à peça não gosta?!.. E que más decisões foram essas: as da instrução do caso do perigosíssimo armamento de Tancos (mísseis, bombas, etc.) que ia ser vendido a terroristas e que podia ter provocado atentados com centenas de mortos?... As do caso Manuel Pinho? As do caso da EDP e dos mails evidentes da corrupção que os tribunais superiores validaram? As decisões que o primeiro juízo do TCIC O juiz Ivo Rosa e três outras juízas que o Conselho Superior de Magistratura (CSM), sucessivamente nomeou para assessorar o juiz Ivo Rosa. não tomaram e que levaram o CSM por atraso nos processos, in extremis de prescrição de processos, e libertação de arguidos muito perigosos, a distribuir esses processos pelo juiz Carlos Alexandre?... 
  4. O jurista «sonsinho e parvinho» (cf. Ricardo Araújo Pereira, na TVI, de 11-10-2019) Pedro Marques Lopes acusa que o juiz Carlos Alexandre «gosta mais de aparecer como o herói solitário que luta contra o mar de corrupção e degradação, que segundo muitos» (não deve ser Pedro Marques Lopes que desvaloriza assim um fenómeno terrível que inclui as centenas de milhões de euros dos amigos e primos de Sócrates, as estradas de Paulo Campos, os negócios de Mexia...) «inunda Portugal» do que em fazer justiça»!... Então, mas o juiz Carlos Alexandre, ao contrário, do que insinua Pedro Marques Lopes, não aplica a justiça «que depende da lei, de processos, de preceitos emanados da Constituição e que definem o Estado de direito»?!... Mas, se assim fosse, já tinha sido despedido, preso, pendurado!... A crítica comum dos advogados dos entalados não é que o juiz não cumpra a lei: é de que não dá abébias aos seus clientes!
  5. O jurista Pedro Marques Lopes alega que quer ser «o centro das atenções» o juiz discretíssimo que deu até hoje menos entrevistas (e contrafeito) do que as dedos de uma mão, não fala aos média nem posa para os fotógrafos dos jornais e as câmaras da TV?!....
  6. O jurista Pedro Marques Lopes julga que o juiz Carlos Alexandre «mostra ter vontade de substituir a deusa da justiça por uma estátua dele»... Mas a deusa da justiça não está vendada para não tratar de modo diferente (imunizar) os arguidos poderosos?!... Foi o juiz Carlos Alexandre quem andou a cortar folhas de processos com uma tesoura para que desaparecessem as escutas do processo Face Oculta nas quais intervinha o todo-poderoso primeiro-ministro José Sócrates ou que validou esses cortes de uma costura que livrou Sócrates de um novelo criminal que também envolvia o seu amigo, e condenado, Armando Vara?
  7. O jurista Pedro Marques Lopes conclui que o juiz Carlos Alexandre constitui uma «exceção ao princípio do juiz natural» porque estava sozinho no TCIC, uma aberração feita pelo Parlamento para lidar com os casos da grande corrupção e criminalidade. Essa presumida aberração que o jornalista quer resolver, também vale para os processos que envolvam as mais altas figuras do Estado cujo juiz de instrução é excecionalmente o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, como foi Noronha Nascimento no processo Face Oculta face a José Sócrates?... Eu prefiro a figura do juiz natural à figura do que parece ser o juiz artificial determinado pelo algoritmo e computadores do escandaloso Instituto de Gestão Financeira e Equipamento da Justiça (IGFEJ) tutelado pela ministra Francisca van Dunen? O problema não é afinal os processos de poderosos terem ido cair ironicamente na secretária imprevista ao contrário do processo Marquês?!...
  8. O jurista Pedro Marques Lopes escreve: «Estando Ivo Rosa em exclusivo com a Operação Marquês (...) tudo o resto que lá está e o que o MP decidir terá como destino a secretária de Carlos Alexandre». Mas não foi o juiz Ivo Rosa, o segundo juiz do TCIC criado pela inesquecível ministra Paula Teixeira da Cruz (do PSD), que pediu outros juízes (uma juíza que lá calhou até foi Mariana Gomes Machado, sobrinha da precandidata presidencial pelo Partido Socialista Ana Gomes) para o assessorar no serviço e lhe foram distribuídos três, enquanto do outro lado só está, e sempre esteve um, que sempre deu conta do serviço que lhe lhe calhou? E que culpa tem Carlos Alexandre de o primeiro juiz e assessores não darem conta do recado em tempo e de o CSM, por isso, ter chamado Carlos Alexandre para lidar com a pendência do colega e assessores?!...
  9. O jurista Pedro Marques Lopes atesta que no processo Marquês «se pode, mais uma vez, observar o pouco cuidado com que o Ministério Público/Carlos Alexandre tratam os processos». O jurista Pedro Marques Lopes já observou o processo?!... É assistente do mesmo para o poder consultar? Quem o deixou observar, sem observância do código do processo penal? Ou diz que observou e apenas relata o que outros, enviesadamente, observaram e lhe contaram, sem observância das regras do processo penal?!... E, se assim foi, quem é que lhe contou?... Eu creio que existem aqui questões para o CSM averiguar, para não destoar do tempo do pressuroso juiz vice-presidente do CSM Mário Belo Morgado...
  10. O jurista Pedro Marques Lopes queixa-se dos megaprocessos que, na sua douta opinião, «geram absolvições nos tribunais e condenações na praça pública» e «culpados impunes». Realmente tem havido casos de culpados impunes, alguns mais raramente nem sequer acusados (já agora como está o demoradíssimo caso das PPP rodoviárias dos governos socratinos e caso da utilização pelos governantes rosa de cartões de crédito do Estado para fins pessoais que a Associação Sindical de Juízes denunciou?...),  outros não pronunciados e absolvições escandalosas nos tribunais. A justiça portuguesa é lenta porque assim a querem os políticos corruptos e os arguidos poderosos que entopem os processos de recursos múltiplos. Mas vai cumprindo a sua função, insofismavelmente mais limpa do que o poder executivo e legislativo.
  11. O jurista Pedro Marques Lopes reclama de que uma presumida «aliança» [de] «tabloides e setores da Justiça» gera «culpados de primeira página sem possibilidade de absolvição e» cria «uma pressão no sistema que o degrada». Culpados, alguns dos poderosos, só mesmo de primeira página, pois saem livres e regressam aos aerópagos políticos com a mesma desfaçatez ou a algum lugar mais discreto de marajá se não tiveram conseguido limpar as penas chamuscadas... Eu trabalho e espero para que a pressão popular degrade o sistema. O sistema corrupto que torna políticos bilionários, enquanto os mais pobres, pequenos e humildes, são sacrificados nas decisões do Estado promíscuo que esmifram o povo para custear os desmandos da PT, do BPN, do BES, da EDP, da TAP, etc.
  12. O jurista Pedro Marques Lopes denuncia a «fulanização da justiça». Com efeito, Ana de Barros Queiroz Teixeira e Silva, Carlos Varges Gomes, Paulo Pinto de Albuquerque, Mário Belo Morgado, Fernando Pinto Monteiro, António Noronha Nascimento e outros, ganharam expressão pública por decisões polémicas que tomaram. Creio que a sua notoriedade é maior do que os procuradores e juízes dos ditos mega-processos.
  13. No término do texto, Pedro Marques Lopes declara ao que veio nesta crónica de maus costumes: «está na hora de acabar com esse aborto da democracia» (o «Ticão»)...
Por fim, saliento o objetivo da crónica de Pedro Marques Lopes: acabar com o TCIC! Nem lá quer pôr mais juízes para diluir a instrução dos processos de corrupção de Estado e de alta criminalidade. Não! Quer acabar com um tribunal criado para lidar com esses processos importantes. Assim, cada processo passaria a ser instruído nos tribunais locais, por magistrados pouco experientes, onde a possibilidade de prescrever devido à multiplicação de recursos seria muito maior e a probalidade de impunidade maior. Veremos se este ensaio balão ascende, conforme o encheram, ou rebenta, com estrondo. Tem a palavra António Luís Santos da Costa.

Carlos Alexandre é um juiz honrado, incorrupto, trabalhador, humano, meticuloso, rigoroso na aplicação da lei e do direito, e não tem medo de exercer a missão e o serviço que lhe foi confiado. Se fosse ao contrário, receberia loas e pompas, dos média sistémicos que em Portugal protegem os poderosos. Assim, este juiz sofre a indignidade de ataques insultuosos, e receio crer que isto ocorra sem qualquer ação do CSM. Leia-se ainda o poste do José da Porta da Loja, de hoje, 16-7-2020, «Lágrimas pelo sistema mediático».

Estranho: Pedro Marques Lopes, que quer acabar com o TCIC, não menciona o atual DCIAP (Departamento Central de Investigação e Ação Penal).


* Imagem picada daqui.


Disclaimer (limitação de responsabilidade): As personalidades objeto das notícias dos média, que comento, não são arguidas ou suspeitas de qualquer ilegalidade ou irregularidade. E quanto na situação de arguidas, gozam do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

quarta-feira, 8 de julho de 2020

O Machado de Costa

O primeiro-ministro António Costa vai colocar o amigo Diogo Lacerda Machado como presidente da EDP?... 

terça-feira, 7 de julho de 2020

Mexia...

Cockeye's song (música de «Once upon a time in America», 1984),
do magnifico Ennio Morricone (que morreu ontem, aos 91 anos).

António Mexia, presidente da EDP, e João Manso Neto, presidente da EDP Renováveis, foram ontem, 6-7-2020, suspensos destas funções pelo juiz de instrução do TCIC, Carlos Alexandre, no processo relativo às rendas recebidas pela EDP com a justificação da disponibilização de potência não utilizada nas barragens e ainda pelo negócio de construção da Barragem do Alto Sabor. De acordo com a notícia de ontem no Observador, Mexia e Manso Neto são «suspeitos do crime de participação económica em negócio e de corrupção ativa do ex-ministro Manuel Pinho, João Conceição (ex-consultor de Pinho e atual administrador da REN) de um ex-diretor-geral de Energia (Miguel Barreto) e ainda do ex-secretário de Estado Artur Trindade» (negrito meu).

O processo EDP, a cargo do juíz de instrução n.º 2 do TCIC, Ivo Rosa, foi desempilhado pelo juiz Carlos Alexandre quando esse processo, entre outros, lhe foi cometido, e sobrecarregado com mais trabalho, pelo Conselho Superior de Magistratura (CSM), por incapacidade do segundo juízo, que contava com quatro juízes (uma delas, Mariana Gomes Machado, sobrinha da precandidata presidencial socialista Ana Gomes) mas que, alegadamente, segundo o CSM, e a sobrecarga do processo Marquês, não conseguia lidar com o serviço pendente. Note-se que no primeiro juízo, Carlos Alexandre está sozinho e dá conta do trabalho  - e agora, por indicação do CSM, de algum do colega... 

António Mexia é um dos últimos donos disto tudo a cair. Movendo-se muito bem na finança, quadro do grupo Espírito Santo, é-lhe imputada influência na gestão de Paulo Teixeira Pinto no BCP, que culminou na ruína do rival. Na política relha, saltou de ministro do PSD, em 2005, para CEO (chief-executive officer) da EDP em 2006, já na quase-ditadura de José Sócrates, que serviu. Mesmo após ter sido constituído arguido, em 2-6-j2017, por corrupção ativa e participação económica em negócio, foi mantido, certamente com o beneplácito de António Costa, cuja autonomia geo-estratégica afirma numa reedição lusitana do conflito sino-indiano, na liderança desta empresa de dimensão internacional pelos chineses da Three Gorges, que detém 21,47% do capital da EDP, e pelos asturianos da Corporación Masaveu que possuem 7,19% da elétrica portuguesa e afirmam seguir «um modelo de cultura familiar, limpo, honesto». Sem o poder do cargo, por maior que seja a quantidade acumulada de informação - que com a passagem inexorável do tempo se torna obsoleta e menos perigosa -, Mexia conhecerá o ostracismo disfarçado por que passam os seus amigos Manuel Pinho, Ricardo Salgado e José Sócrates. 


quarta-feira, 17 de junho de 2020

A queda do império americano



Todos os impérios caem. A riqueza leva ao conforto e ao aburguesamento; e estes à preguiça e à dissolução. Os EUA foram apenas mais um. Uma ironia patética é ter sido o marxismo - a ideologia comuno-socialista do Império do Mal - a provocar internamente a queda. Quais são os motores deste desastre em curso acelerado? Perversão dos costumes, guerra racial (eugenismo de novo!...), estatização.

sexta-feira, 12 de junho de 2020

A revolução neomarxista em curso nos EUA


Está em curso nos EUA uma revolução política em direção ao  totalitarismo politicamente correto conduzida pela vanguarda da esquerda radical neomarxista.

Um exemplo patético deste delírio é a criação de um novo país em Seattle: Chaz (Capital Hill Autonomous Zone), ao modo da Comuna de Paris Veja-se a análise de Tucker Carlson, na Fox, em 11-6-2020.


terça-feira, 9 de junho de 2020

Vous les copains!


A ex-ministra Maria de Lurdes Rodrigues e a amiga e colaboradora  doutora Luísa Araújo (esposa de António Costa Silva, o «engenheiro da recuperação») terão alegadamente visitado o ex-primeiro-ministro e amigo José Sócrates em Paris, nos anos de 2012-2013, quando aí se deslocaram (alegadamente, em trabalho) e ficado no seu luxuoso apartamento de seis assoalhadas, com 240 m2, da Av. Presidente Wilson, no Trocadero, na capital francesa. O apartamento de Sócrates de Paris, de seis assoalhadas e 240 m2, foi entretanto arrestado pela justiça portuguesa, no âmbito do processo Marquês. Maria de Lurdes Rodrigues era então presidente da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento (FLAD), por nomeação de José Sócrates.

Prova de doutoramento de Maria Luísa Ferreira Araújo (esposa de António Costa Silva)
no ISCTE, em 18-11-2015 (foto do ISCTE - Luís Carneiro).
Ao lado de Luísa Araújo, a prof. doutora Maria de Lurdes Rodrigues, reitora do ISCTE desde fevereiro de 2018.

Luísa Ferreira, atual chefe de gabinete da reitora do ISCTE Maria de Lurdes Rodrigues (eleita em fevereiro de 2018), licenciada em Serviço Social pelo instituto homónimo de Lisboa, está reformada do Banco de Portugal, onde foi técnica superior de 1983 a 2007.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): Maria de Lurdes Rodrigues foi condenada em primeira instância, em 2014, a três ano meio de prisão pelo crime de prevaricação de titular de cargo político, no caso de contratação, no ano de 2007, por ajuste direto, no valor de 220 mil euros, do socialista João Pedroso, irmão do ex-ministro Paulo Pedroso, para uma suposta coletânea de legislação de educação. Essa condenação foi revertida em 26-11-2015, por acórdão unânime da 5.ª secção do tribunal da Relação de Lisboa (ver artigo de Luís Rosa, no Observador, de 3-12-2015), de que foi relatora a desembargadora Maria José Costa Machado, esposa do deputado socialista Fernando Anastácio, e Maria de Lurdes Rodrigues ilibada.

segunda-feira, 8 de junho de 2020

Costa & Costa & companhia

«António Costa Silva, o presidente executivo da Partex escolhido pelo primeiro-ministro António Costa para o assessorar no Plano de Recuperação Económica, foi desafiado para esta missão ainda em abril [24] num almoço e precisou apenas de dois dias para traçar as linhas gerais do plano, para entregar a Bruxelas, que será desenvolvido em dez anos. “Não o conhecia, nem nunca tinha estado com ele".»

 
Alegadamente, os casais António Costa Silva e mulher, a doutora Maria Luísa Ferreira Araújo, e o então ministro de Estado e da Administração Interna António Costa e a esposa, Fernanda Tadeu, visitavam-se mutuamente nos primeiros tempos do I Governo Sócrates. A Prof. Doutora Luísa Araújo é colega e amiga de Maria de Lurdes Rodrigues, de quem foi colaboradora no Ministério da Educação entre 2007 e 2009 e, depois de em dezembro de 2017 ter sido adjunta do secretário de Estado do Emprego Miguel Cabrita, é chefe de gabinete da antiga ministra na reitoria do ISCTE, desde julho de 2018.


Alegadamente, nessa altura do XVII Governo, no magnífico Café Império, do número 205-A da Avenida Almirante Reis, em Lisboa, o engenheiro falso e primeiro-ministro José Sócrates jantava com o futuro «engenheiro da recuperação» António Costa Silva, professor do vizinho Instituto Superior Técnico e gestor da Partex, que morava num prédio ao lado.


Atualização: este poste foi atualizado às 7:58 de 8-6-2020.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): Os alegados factos não constituem qualquer ilegalidade ou irregularidade.






sábado, 6 de junho de 2020

Old news

José Sócrates “trabalha, desde março, como consultor no setor privado”, diz o CM, de hoje, 6-6-2020. Segundo o Observador, o jornal não identifica a empresa, nem o negócio. Ai que pudor!... Os leitores Do Portugal Profundo já sabiam.

quinta-feira, 4 de junho de 2020

Eat the rich!


A terrível morte por estrangulamento do afro-descendente George Floyd, em 25-5-2020, em Minneapolis, EUA, com sufoco pelo joelho praticado pelo agente Derek Chauvin durante 8:46 minutos, após detenção motivada por passar uma nota de 20 dólares para compra tabaco sem que os três colegas presentes o tenham impedido, é a expressão de desprezo absoluto de um homem por outro. Não significa que exista uma culpa coletiva de racismo da polícia, do Estado e da sociedade norte-americana, nem que a polícia seja toda violenta. Mas há um racismo endémico vulgar que ainda não está resolvido, e tem sido acentuado pelas políticas de identidade nacionalistas e marxistas. O racismo tem várias cores, e nenhum é aceitável; tal como a escravatura teve - e tem! -, várias cores, e toda ela deve ser combatida.

Na bestialidade do racismo ainda presente, os descendentes dos africanos traficados para a Europa e as Américas, têm sofrido especialmente de discriminação, mesmo depois dos brados aos homens e aos céus dos padres António Vieira e Bartolomé de las Casas, sobre a sua humanidade e, mantiveram-se depois libertação da escravatura em meados do séc. XIX. Black lives matter. A promoção educacional, económica e social, de gentes originárias na maioria de zonas em que a cultura material era pobre, o consumo diferido era desnecessário porque a natureza tudo providenciava, e desenraizadas para plantações e trabalhos nos quais eram tratados como gado, sem direito a nada nem família, não se resolve em cinco gerações. E as políticas assistencialistas, de distribuição de welfare instantâneo conservaram paradoxalmente o hábito da miséria financeira, em vez da elevação social: nos EUA existe quase a mesma percentagem de pobres do que em 1964 quando o presidente Johnson declarou guerra à pobreza. O esforço das últimas décadas é ainda insuficiente e é urgente uma nova política eficaz de promoção económica e social das comunidades afro-descendentes, latinas e... white trash.

O crime é frequente nos slums onde o black-on-black crime é um tema banal que os média dominantes deliberadamente ignoram, porque não tem o glamour ideológico da luta de classes cuja cartilha cega impõem. A agravar a miséria de zonas degradadas, de camadas sociais que o socialismo viciou no assistencialismo de uma nova escravatura estatal e do abandono frequente das famílias pelos pais que se excluem dos deveres educacionais e alimentares, existe a droga que fustiga os jovens e os aliena de uma vida saudável e organizada. Um tráfico e vício que os mesmos média pressionam que se liberalize. O desprezo ideológico é o sinal de outro racismo.



Os tumultos que se seguiram ao conhecimento das imagens daquele estrangulamento derivaram da consciência de que o tratamento brutal pela polícia e a discriminação social não são casos isolados. Existe um racismo entranhado em setores da sociedade norte-americana que é necessário expor. Todavia, a panela de pressão da miséria, agravada pelo desemprego artificial do pânico político da pandemia da Covid-19, gerou não apenas o protesto de manifestações, mas os motins. Motins violentos, amplificados pelos diretos das televisões, que foram potenciados pelos coletivos Antifa (antifascistas) de origem burguesa e pendor marxista radical e anarquista, que os média dominantes desculpam e protegem.

As pilhagens generalizadas das cidades não tiveram origem na fome, que os food stamps e a caridade de instituições civis evitam, nem sequer da concertação de gangues: os primeiros alvos foram as lojas de luxo, de marcas de luxo, como a Louis Vuitton, a Gucci, a Apple... A resposta das autoridades foi ignorar e pôr-se de joelhos (kneeling) perante esta violência continuada, numa retoma pós-moderna da venting theory por contraponto à teoria da broken window.

A situação é mais negra do que a pintam. Há uma revolta dos pobres contra a riqueza despudorada e ostensiva dos ricos, que exibem a sua riqueza em programas que as televisões iluminam. Esta revolta parece uma nova versão da tomada da Bastilha, em 1789, do povo contra o espavento da corte. A corte agora é mediática, hollywoodesca, divertindo-se nas festas nos novos palácios, enquanto os mais pobres se desunham para conseguir sobreviver, carregados de dívidas e espremidos em salários estagnados. No fundo deste caldo pestilento que transbordou do tacho fino, está a mesma desumanidade, em que a cor é um aspeto e a condição de media poor a marca da repugnância. Do lado de fora do muro, a revolta: eat the rich!




segunda-feira, 1 de junho de 2020

Mortos por Covid-19: Brasil versus Portugal


  enviesamento das TVs e dos outros meios de comunicação portugueses coloca o Brasil no segundo pior resultado do mundo nos mortos por Covid-19, atrás dos EUA de Donald Trump. Todavia, até hoje, 1-6-2020, o Portugal marxista do louvado António Costa (e do aliado figurante Marcelo Rebelo de Sousa) tem mais mortos por milhão de habitantes do que o Brasil conservador do fustigado Jair Bolsonaro...     

sábado, 30 de maio de 2020

A verdade sobre as mortes por Covid-19

O Istituto Superiore di Sanità, organismo técnico-científico do serviço nacional de saúde transalpino, publicou, em 21-5-2020, um relatório sobre as caraterísticas dos doentes falecidos com a Covid-19 (31.096, até à data) em Itália, que abaixo copio.



Destaque nos resultados deste estudo:
  1. A idade média dos doentes falecidos com Covid-19 em Itália é 80 anos. Já a idade média dos contagiados é de 62 anos.
  2. Só 4,1% dos falecidos não tinha outra patologia pré-existente.

Esta é a verdade que o infopânico enviesado dos telejornais não mostra. Porque o totalitarismo que mediaticamente sofremos é tal que até as doenças se analisam sobre o prisma refratário do marxismo pós-moderno.

sexta-feira, 22 de maio de 2020

A anormalidade do normal

O “novo  normal” é o velho anormal:

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Barraca, trampa e bidé

Uma explicação detalhada da engenhosa operação de contra-espionagem da CIA, com auxílio britânico, australiano e italiano, da Russian collusion (conspiração russa) sobre Donald Trump - entrevista de Rudy Giuliani a George Papadapoulos, em 13-5-2020. Ver ainda o livro Deep State, de Papadapoulos

Obama é um homem muito inteligente, mas foi ingénuo na política externa (Líbia, Síria, Donbass e Crimeia, Irão, défice comercial com a China, Coreia do Norte, mar do Sul da China...). E, ainda que distanciado dos Clinton, embarcou no navio da conspiração contra o sucessor, por causa do ‘legado’. Que legado, além da maior integração étnica?... Arriscou e... perdeu: ficou exposto. Em comparação com o Obamagate, o Watergate foi kid stuff... É muito improvável mais algum presidente americano cessante ouse utilizar os serviços secretos para, não apenas infiltrar a sua campanha, mas derrubar o sucessor eleito, por mais oposto que este seja à sua política.

E a ironia deste patetice falhada é que Trump parece mesmo comprometido com Moscovo e Biden com Pequim...

Pós-texto: este poste foi emendado e atualizado às 12:06 de 20-5-2020.

sábado, 16 de maio de 2020

Valentina



A presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Peniche é Maria Clara Escudeiro Santana Abrantes, em representação da Câmara Municipal. Clara Abrantes foi vereadora em Peniche, pela CDU, de 2009 a 2017. É enfermeira e possui um mestrado em Comunicação em Saúde. Não se sabe o nome de a qual das seis técnicas 'cooptadas' da CPCJ de Peniche foi atribuído o processo para «avaliação diagnóstica» após sinalização de Valentina.

Até agora a presidente da CPCJ de Peniche Clara Abrantes não deu a cara sobre o processo relativo à arquivamento do caso de Valentina, e a presidente da Comissão Nacional das CPCJ, Rosário Farmhouse, disse que não falava sobre casos concretos.

Valentina fugiu  de casa do pai e a polícia, que a encontrou vagueando, sinalizou-a à CPCJ, em abril de 2019. O processo foi arquivado um mês depois. Certamente porque a 'avaliação diagnóstica' não confirmou o perigo. A CPCJ de Peniche (quem?) justificou, em 11-5-2020, que
«Tendo em conta os factos sinalizados e a informação recolhida à data, entendeu a CPCJ que não havia situação que justificasse a necessidade da aplicação de medida de promoção e proteção».
Na linguagem cifrada do assistencialês, as medidas de promoção e proteção das crianças e jovens em risco são as seguintes:
  • em meio natural de vida:
    • apoio junto dos pais;
    • apoio junto de outro familiar;
    • confiança a pessoa idónea;
    • apoio para a autonomia de vida.
  • as medidas de colocação são:
    • acolhimento familiar;
    • acolhimento residencial.    
O Juízo de Família e Menores de Caldas da Rainha do Tribunal Judicial de Leiria prestou todos os esclarecimentos solicitados pelo programa Sexta às Nove, de Sandra Felgueiras na RTP-1, de 15-5-2020. Não há justificação para o silêncio da CPCJ de Peniche, nem da Comissão Nacional.

Não foi a CPCJ que matou a criança. Mas é necessário que a presidente da CPCJ de Peniche dê a cara pelo organismo que dirige, e explique todos os passos que foram dados neste processo após sinalização da criança pela polícia e que foi arquivado um mês depois. Saber quem era a técnica 'cooptada' a quem foi distribuído este processo para «avaliação diagnóstica» e que diligências fez: conversar com a menina, ouvir o pai e a mãe, visitar a casa, falar com pessoas próximas da criança e das famílias, etc. E conhecer os fundamentos do arquivamento do processo sem que fosse decidida qualquer medida de promoção e proteção de Valentina. Que terá sido confessadamente assassinada pelo pai de quem fugiu. 

A avaliação deste caso também permitirá perceber se é adequado o modelo descentralizado e anárquico, de 'cooptação' de técnicos (seleção pela comissão local, na qual prepondera a câmara municipal ou instituição de solidariedade social), de falta de sigilo natural consequente de reuniões com dezenas de membros de entidades variadas, de falta de prestação de contas à sociedade, de inércia por medo de reação dos pais e famílias. Ou se tem de ser reorganizado o sistema de proteção de crianças e jovens, com responsabilização dos interventores, prestação de contas e transparência.


* Foto de Valentina picada daqui.

A censura socialista na TVI

«If liberty means anything at all it means the right to tell people what they do not want to hear.»
(Se a liberdade significa algo é a o direito de dizer às pessoas o que elas não querem ouvir - tradução minha)


Sérgio Figueiredo, em resposta (de 17-3-2020) a Ana Leal sobre o cancelamento do programa de investigação desta jornalista na TVI (Lusa, 15-5-2020):
«Jornalismo é informar, mas é, sobretudo,  ter a noção do papel que desempenha na sociedade. Por isso, também é filtrar, ter a noção do tempo e do modo como o nosso trabalho impacta na vida dos outros. Enquanto os incêndios não se apagam, não é hora de questionar os bombeiros. Não ignoramos as falhas, mas estar a insistir nelas, estar sobretudo preocupado em denunciar o que não funciona, assusta as pessoas e afasta-as da antena, provoca rejeição. As televisões têm agora a preocupação de informar, de esclarecer, de ser pedagógicos, de perceber que as pessoas precisam sobretudo tranquilizar-se e confiar». 
Sérgio Figueiredo é um leftover do socratismo, que António Costa encaixou, como outros. Do fausto mecenático de presidente da Fundação EDP desde 2007, quando a empresa ainda estava sujeita ao controlo do Estado no qual o amigo José Sócrates imperava, foi-lhe feita a oferta, que não podia recusar, pelo kompromat, de controleiro da informação da TVI. De cavalo, passou a burro. De carga. Alombando com a albarda socialista e comendo, certamente, ração melhorada para compensar a diferença de salário. O dono de turno - Costa - puxa-o pela arreata. E Figueiredo obedece. Silêncio, Ana Leal!...


* Imagem picada daqui.