quarta-feira, 3 de julho de 2019

«Política em Portugal: como fazer?» - conferência no Senado, 19-6-2019




Publico abaixo o texto da conferência que proferi no Senado (organização de jovens para formação cívica e política), em Lisboa, no dia 19-6-2019.


«Política em Portugal: como fazer?»

António Balbino Caldeira
Conferência no Senado
Lisboa, 19-6-2019

1.    Exórdio.
2.    Como fazer política em Portugal?
2.1. Introdução: a política e a democracia
2.2. Análise.
2.2.1.                 Conjuntura internacional
2.2.2.                 Conjuntura nacional.
2.3. Ação: cultural e direta
2.3.1.                 Valores: fé, vida, dignidade, liberdade, democracia.
2.3.2.                 Forças
2.3.3.                 Alvos
2.3.3.1.     Adversários
2.3.3.2.     Gerações
2.3.4.                 Meios
2.3.5.                 Estratégia
3.    Conclusão


1. Exórdio

«Nescitis quid petatis (Mt, 20: 22).

(...) Se servistes à pátria que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma. Mas que paga maior para um coração honrado que ter feito o que devia? Quando fizestes o que devíeis, então vos pagastes.
»


Agradeço aos membros do Senado o convite para esta conferência e a paciência de me escutarem.


2. Como fazer política em Portugal?

Divido a minha exposição em três pontos: um capítulo introdutório sobre a política; um capítulo de análise da conjuntura internacional e da conjuntura nacional; e um capítulo sobre a ação, subordinada aos nossos valores, sujeita às nossas forças, concentrada nos alvos (adversários e ao povo, com as suas diversas gerações), exercida pelos meios mobilizáveis e seguindo uma estratégia consequente.


2.1. Introdução: a política e a democracia

Política pode definir-se como coisa pública, os assuntos da polis (cidade, estado), mantendo a interpretação de Aristóteles[1]. O filósofo grego compara o político ao artesão: o político dedicado, como o artesão, a aperfeiçoar a cidade e a conceber e aplicar as suas leis.

A intervenção política da pessoa, homem e mulher, qualquer que seja a sua religião ou filosofia de vida, na sociedade em que vive é um direito e um dever. A sociedade é a sua família alargada, um prolongamento natural de si próprio.

Intervir na política é um direito. O homem tem o direito de intervir na política.

O homem, ser religioso até quando não crê, não pode um cidadão de segunda classe por causa da sua crença. Como lembrou São Paulo, na sua Carta aos Gálatas (3, 28): «Em Cristo, não há grego nem judeu, nem escravo nem homem livre». Portanto, ninguém deve aceitar um estatuto menor por causa da sua origem ou fé.

O homem religioso é empurrado para o canto sombrio das capelas, o único sítio, além da casa de família, onde consideram legítimo que afirme a sua fé. Recusa-se ao cristão, e aos demais crentes, ou crentes em filosofias de vida diferentes do totalitarismo politicamente correto, o direito de intervir, como tal, na política, na sociedade, na cultura e na economia. No caso dos cristãos, a base paradoxal deste frontão totalitário é a máxima bíblica de dar «a César o que é de César e a Deus o que de Deus» (Mateus 22, 21), interpretada no sentido de que os cristãos não devem imiscuir-se nas questões temporais, antes devem reduzir-se à clandestinidade das igrejas. A proposta verdadeiramente humana de Cristo, na exortação do que o homem tem de sublime e na compreensão do que o homem tem de pecado, é menosprezada como crença obsoleta, repressiva e anticivilizacional, em vez de salvífica, libertadora e fundadora da civilização em que vivem.

Mediante uma intensa campanha de agit-prop, violenta e sem grande oposição, o totalitarismo do politicamente correto pretende varrer os valores cristãos e o ostracismo dos católicos – e dos sinais de Cristo - do espaço público da rua, dos estabelecimentos públicos e privados (escolas, hospitais, prisões, etc.) e dos media. E persegue o conservadorismo da Igreja Católica, e as posições dos clérigos e dos leigos que assomem com desassombro à janela dos meios de comunicação social.

O mundo está agora dominado pelo politicamente correto da pós-modernidade. Uma teoria da qual, Nietzsche, autor confesso de mais uma tentativa funesta da morte de Deus, foi predecessor: «Não há factos, só interpretações»[2]. Esta é uma forma de pensamento que degenera no totalitarismo. Valoriza a pluralidade, mas nega o proselitismo religioso. Defende a relatividade das posições, as quais recusa como tendo sido conquistadas através da determinação da linguagem e da força das relações de poder, mas impõe uma ditadura cultural desse mesmo relativismo absoluto e inquestionável. Em rigor, os relativistas morais entendem que verdade subjetiva é só a dos outros, pois querem que a sua, também moldada pelas circunstâncias de tempo e de lugar, seja a única possível e, então, objetiva – mesmo se enviesada e torcida face à realidade efetiva das coisas e dos homens.

Nessa linha, definem como normal que as relações humanas e as instituições se tornem inconsistentes, instáveis e fluidas, na «modernidade líquida», cunhada pelo neogramsciano filósofo polaco Zygmunt Bauman[3]. Segundo esta teoria filosófica, para terem sucesso num ambiente de turbulência e incerteza as pessoas devem adaptar e fragmentar as suas vidas, relações e instituições, aos novos conceitos e valores, ao contrário de permanecerem fiéis às suas crenças e compromissos. Não é que valores, instituições, se tenham indesejadamente diluído, mass que devem ser líquidos, fluidos. No campo da orientação «política», precisamente em Venezia, em 8 de Maio de 2011, na basílica de Santa Maria della Salute, num «Encontro com o Mundo da Cultura e da Economia»[4], o Papa Bento XVI denunciou esta tentação do homem se diluir na «cidade “líquida”, pátria de uma cultura que parece ser cada vez mais a do relativismo e do efémero», em vez de escolher a cidade da Vida.

A intervenção do homem na política é um dever. A intervenção do homem na sociedade é também um dever.

No seu coração, na sua alma, na sua mente, o cristão continua hoje a sentir a resposta eterna à questão de consciência - «Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?»: «Amarás ao Senhor, teu Deus. (…) O segundo é semelhante: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo.» (Mateus 22, 36-39). A felicidade não se alcança assim no hedonismo, na satisfação pessoal, pois completa-se no amor aos outros, no serviço dos outros.

Mas essa verdade inscrita no coração dos homens, e sentida particularmente pelos cristãos, da supremacia de Deus e do serviço ao próximo – portanto, de intervenção na polis –, tende também a ser negligenciada pelo conforto da inércia e da preservação da imagem externa. Isto é, atacado, sem decoro, pelos media e confrontado com os berros da opinião politicamente correta da vanguarda militante ateia, num tempo em que o conforto é prioritário, o homem tende a encolher-se na sua fé secreta, a envergonhar-se de a expor. E assim se protege da crítica e do insulto. Deste modo, também o homem religioso consente, por omissão, o menosprezo com que o tratam. E, justificando-se no martírio e no perdão, julga até cómoda a sua perda de direitos sociais, a sua anomia política, a sua clandestinidade cívica.

Ao invés desta posição de conforto e vergonha, o homem tem o dever de intervir na sociedade e na política.

Desde logo, na Carta Encíclica Rerum Novarum[5], que reclamava protecção para a «dignidade do homem», o Papa Leão XIII, em 1891, com actualidade surpreendente, pois supunha-se que fosse coisa já velha e assente, clamava que «o Governo é para os governados e não vice-versa».

E já em 1931, na Encíclica Quadragesimo Anno[6], Pio XI reconhecia que o mundo estava «quase recaído no paganismo» e que era necessária a colaboração dos leigos para o «reconduzir a Cristo».

Como recomenda o Papa Bento XVI, na Encíclica Deus Caritas Est[7], «o dever imediato de trabalhar por uma ordem justa na sociedade é próprio dos fiéis leigos». Esse trabalho deve ser realizado de acordo com a doutrina social da Igreja. Mas esta, como acentuou o Papa João Paulo II na Encíclica Solicittudo Rei Socialis, [8]retirando a Igreja do combate político partidário e da sua identificação redutora com os partidos democratas cristãos, não é uma ideologia, mas uma categoria para orientar a conduta do cristão na vida social e política.

«A doutrina social da Igreja não é uma «terceira via» entre capitalismo liberalista e colectivismo marxista, nem sequer uma possível alternativa a outras soluções menos radicalmente contrapostas: ela constitui por si mesma uma categoria. Não é tampouco uma ideologia, mas a formulação acurada dos resultados de uma reflexão atenta sobre as complexas realidades da existência do homem, na sociedade e no contexto internacional, à luz da fé e da tradição eclesial. A sua finalidade principal é interpretar estas realidades, examinando a sua conformidade ou desconformidade com as linhas do ensinamento do Evangelho sobre o homem e sobre a sua vocação terrena e ao mesmo tempo transcendente; visa, pois, orientar o comportamento cristão. Ela pertence, por conseguinte, não ao dominio da ideologia, mas da teologia e especialmente da teologia moral.»

Doutrina social da Igreja que o Papa Bento XVI define na encíclica Caritas in Veritate[9], de 2009, como «proclamação da verdade do amor de Cristo na sociedade».

Na exortação apostólica Evangelii Gaudium[10], de 2013, o Papa Francisco alertava para «o processo de secularização» que «tende a reduzir a fé e a Igreja ao âmbito privado e íntimo» e para «um aumento progressivo do relativismo», fatores que provocam uma «desorientação generalizada». Uma desorientação que corre o risco de agravar-se com o doloroso debate interno.

Na encíclica Laudato Si’[11], “sobre o cuidado da casa comum”, o Papa Francisco condena o que designa por «relativismo prático», no qual «tudo o que não serve os próprios interesses imediatos se torna irrelevante».

A intervenção do homem na vida pública é condição inalienável da cidadania, de membro do Estado. Essa intervenção política é o corolário da sua dignidade. Dignidade é uma palavra que deriva[12] do latim “dignitas” com o sentido português de valia, mérito. Significa o valor da pessoa porque toda a pessoa tem valor, tem dignidade. Ora, essa expressão de consideração pessoal, que integra o conceito de dignidade, é atribuída, por natureza e direito divino, a qualquer elemento do género humano e é condição de existência e de respeito moral. A dignidade é uma condição pessoal. Sem dignidade, o homem não é.

A dignidade não é apenas uma condição pessoal, do indivíduo, mas também uma condição social. Isto é, a dignidade impõe a assunção moral do indivíduo, como o respeito social. Todo o homem tem uma condição intrínseca de dignidade que o faz merecer o respeito dos outros. Esse respeito dos outros atribui ao indivíduo direitos e obrigações comunitárias.

Por aí se chega à democracia. A evolução social da humanidade subiu a soberania do povo, a democracia – palavra[13] que tem origem no grego “demokratia”, dedemos“ (pessoas simples) +n “kratos“ (governo, força) -, à melhor forma de governo. Mas a versão de democracia em vigor é a democracia representativa.

 A sociedade, nos órgãos políticos que ergue com o acordo dos cidadãos, consente na representação através de eleitos, representantes da sua vontade. A liberdade forma essa eleição e a chefia faz-se na base do consentimento.

Portanto, a dignidade humana exige a possibilidade do sufrágio livre e o cumprimento pelos seus representantes do acordo que suportou a sua eleição.

A dignidade humana exige o sufrágio livre, pois reclama a devolução pelos escalões intermédios e de direção dos partidos do poder de candidatura livre aos órgãos partidários e do Estado em vez da nomeação, ou eleição limitada a uma lista única ou curta dos candidatos por estruturas de direção locais, regionais e nacionais.

A dignidade humana exige o cumprimento do acordo entre eleitos e eleitores que esteve na origem da eleição. A eleição dos representantes é feita no compromisso, solene através do sufrágio, de realização das promessas que levaram ao voto dos eleitores. O povo vota para a realização desta e daquela decisão, e não doutra ou daqueloutra. A violação do compromisso eleitoral de realização de decisões, não pode ser resolvida na próxima eleição, pois concerne ao mandato anterior. É tarde.

Mas não é só conteúdo do contrato de eleição que importa respeitar, mas também a forma de exercício do cargo que tem de se conformar com as regras que a sociedade institui nas constituições políticas e nas leis. Já recomendava o Papa Leão XIII: “Façam os governantes uso da autoridade protetora das leis e das instituições”[14]. A corrupção, não só da vontade dos eleitores desrespeitada após a eleição, com a comum desculpa da alteração das circunstâncias ou desconhecimento da situação real do poder, mas também do exercício do poder com o abuso do cargo para obtenção de vantagens particulares, constitui uma usurpação dos mandatos e deve ser resolvida de modo eficaz. Não tem sido.

Porém, a democracia representativa não é a única forma de democracia possível. Na democracia representativa, os cidadãos consentem no exercício da representação da vontade popular, através de eleições. O problema é que a democracia representativa tem degenerado para um sistema corrupto em que os representantes já não executam a vontade do povo que os elegeu. Nem sequer seguem a sua própria consciência, violando a interpretação da democracia indicada por Edmund Burke, no célebre discurso aos eleitores de Bristol, em 1774[15]. Nem a divisão de poderes nem o primado do direito, essenciais àquele modelo, funcionam. Portanto, é necessário reformar a democracia representativa com a adoção de aperfeiçoamentos de participação, escolha e escrutínio.

A dignidade humana requer uma forma de democracia que resolva os problemas da democracia representativa: a democracia direta. É este o sistema político que proponho para resolver o sequestro da democracia representativa.

Não se trata de chegar à utopia da democracia direta absoluta, mas de corrigir a corrupção da representação. Contudo, mais importante, aqui, do que fundamentar e teorizar sobre a democracia direta, que não é o objeto deste texto e que tratei de forma mais detalhada noutro lugar, é a apresentação das medidas de democracia direta que podemos introduzir na reforma da democracia representativa.

Defendo, há década e meia, a democracia direta como o modelo de funcionamento do sistema político para a maior integração dos cidadãos na vida política e o escrutínio da representação dos eleitos e nomeados, através das seguintes propostas:
  1. Eleições primárias para todos os cargos eletivos do Estado e das autarquias e para todos os órgãos nacionais, distritais e locais, do Partido;
  2. Separação efetiva dos poderes executivo, legislativo e judicial, autogoverno da magistratura judicial e do Ministério Público, através de conselhos superiores sem representantes de nomeação política e controlo legal dos serviços de informação do Governo;
  3. Liberdade de apresentação de candidaturas independentes a todos os órgãos políticos nacionais e autárquicos;
  4. Sistema eleitoral misto nas eleições para a Assembleia da República, circunscrições de eleição uninominal, compensado com um círculo eleitoral nacional para representação parlamentar de tendências minoritárias;
  5. Escrutínio prévio obrigatório dos candidatos a nomeação através de audiência parlamentar pública e prestação de contas aos eleitores, responsabilização pessoal dos eleitos, convocação popular de eleitos (recall), suspensão do mandato para titulares de cargos políticos acusados de crimes de relevo e supressão da imunidade política por factos estranhos ao mandato;
  6. Facilitação do direito de iniciativa popular de apresentação de propostas legislativas sobre quaisquer matérias e de apresentação de propostas ao nível autárquico, e o aproveitamento de actos eleitorais para consultas populares;
  7. Financiamento partidário e eleitoral transparente;
  8. Registo de interesses dos candidatos a cargos de nomeação política, partidários, altos cargos da administração pública e magistrados (nomeadamente, a sua pertença a organizações secretas ou discretas), além da declaração patrimonial e de rendimentos;
  9. Liberalização do direito de expressão, informação e opinião, através da revisão do Código Penal e Código de Processo Penal, eliminação da ERC e atribuição das suas competências executivas aos tribunais, proibição de detenção do controlo, direto e indireto, pelo Estado de dos media e transformação da RTP num canal neutro de serviço público;
  10. Transparência das contas e estatísticas do Estado e da administração regional e local, com responsabilização dos dirigentes e funcionários por falsificação e omissões.

É, portanto, neste mundo, sujeitos a esse totalitarismo cultural e político e guiados pela luz da fé e a força da razão, que se impõe o combate justo, baseado na livre e ativa participação dos cidadãos, com as regras de jogo da democracia direta. «Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça…».


2.2. Análise

Depois as questões introdutórias da política e da democracia, e da proposta da democracia direta para solução do sistema político degenerado, é hora de analisar brevemente a conjuntura internacional e a conjuntura nacional. Primeiro, a conjuntura internacional que é decisiva sobre a situação e evolução do País.


2.2.1. A conjuntura internacional

A conjuntura internacional sobreleva sobre a conjuntura nacional. Portugal é um médio estado europeu, evanescido há menos de um século o sonho do império, com fracos recursos endógenos (minerais, agrícolas, industriais, educativos) e tradição de dependência económica e financeira, batido pelas vagas ideológicas externas e assolado pelos ventos frios ou escaldantes da história - fora o seco suão que vem de Espanha. Abrigado agora na União Europeia, vetor que sempre lhe limitou o poder que alcançou na projeção extracontinental política, religiosa, económica, comercial e demográfica.

Na conjuntura internacional, realço os fatores seguintes:
  • reativação do marxismo, travestido com as roupas novas do totalitarismo pós-moderno relativista politicamente correto;
  • adesão incondicional dos partidos sistémicos dos países do ocidentais e do hemisfério norte e da Oceânia ao socialismo bancocrático;
  • controlo político dos cidadãos através do acesso dos serviços de informação governamentais aos metadados dos cidadãos e organizações e da censura (evidente ou sombria) das redes sociais (Facebook, Twitter, Google, etc.);
  • reativação do confronto leste-oeste, com políticas externas agressivas da Rússia (político-militar) e China (económica e financeira), de um lado, e os EUA, do outro, com a Europa a ver passar navios, e a África como fonte de matérias-primas e de novos escravos (os imigrantes sem bens nem formação);
  • radicalização religiosa do Maghreb e Turquia e confronto intra-Islão no Médio Oriente (sunitas-xiitas);
  • défice do Estado e peso asfixivo da dívida pública;
  • sacrifício das novas gerações para assegurar pensões douradas, desemprego crónico e subsidio-dependência;
  • oposição à imigração, seja ilegal, seja legal, nos EUA, na Europa, na Oceânia;
  • revolta das populações rurais contra o Estado que beneficia as cidades grandes e empobrece o interior (França, Reino Unido, EUA);
  • racismo e xenofobia, derivados das vagas maciças de imigrantes;
  • crescimento dos ritos protestantes, com realce para os evangélicos, na América do Sul e na África, em detrimento do catolicismo;
  • crescimento demográfico da África e estagnação demográfica da Europa e EUA, resolvida com recurso à imigração;
  • tendência para a desagregação europeia por causa da política de imigração de portas abertas aos ‘refugiados’ económicos e sua assistência preferencial face aos nacionais de classe baixa e média;
  • tensão política entre as duas Espanhas, que lamentava Antonio Machado[16], provocada pelos nacionalismos catalão e basco e com reação nacionalista da Espanha profunda, com ligação ao confronto entre anarquismo e socialismo contra o conservadorismo tradicional.

2.2.2. A conjuntura nacional

A conjuntura nacional é muito mais influenciada pela conjuntura internacional do que se julga. Quem repouse na presumida inexistência dos gatilhos da criminalidade e da imigração, engana-se. A reação das classes baixa e média, trabalhadora, sobrecarregada com impostos e auferindo salários baixos, contra benefícios de minorias étnicas (nomeadamente, os ciganos e africanos) desencadeia o racismo e a xenofobia. Por outro lado, a insegurança provocada pela impunidade da criminalidade assusta os bairros urbanos e as comunidades locais.

Na conjuntura nacional, destaco os seguintes fatores:
  • a corrupção de Estado;
  • o poder oculto da maçonaria que funciona como última instância de controlo do Estado e que sem alargado á província controlando também as autarquias;
  • imprensa enviesada à esquerda;
  • instituições da sociedade civil amedrontadas pelo poder socialista;
  • controlo dos partidos da esquerda à direita pela corrupção e lóbis (entre os quais, o lóbi homossexual);
  • operação dos serviços de informação que controlam ambiente político através do acesso (agora legal!...) aos metadados dos cidadãos e organizações, substituindo os processos ostensivos anteriores de vigilância, intrusão e ameaça;
  • preferência do povo pelo socialismo;
  • a política de institucionalização da preguiça e da subsidio-dependência;
  • um modelo educativo ideológico da esquerda radical, de nivelamento pela mediocridade;
  • a desigualdade da justiça com garantismo
  • a dificuldade e desigualdade no acesso ao sistema de saúde;
  • a permissividade penal e operacional face ao crime;
  • carga fiscal insuportável para famílias e empresas;
  • a restrição à atividade empresarial, sujeita ao preconceito ideológico e à carga fiscal aflitiva;
  • a incapacidade pôr o ensino superior, e as instituições de pesquisa, a trabalhar com os setores económicos privados;
  • o atolamento das autarquias no nepotismo e na corrupção e processos de licenciamento, que bloqueiam o desenvolvimento em vez de o promoverem;
  • o despovoamento do interior, encerramento de serviços públicos e a concentração de investimento público na cidade grande;
  • o sacrifício das gerações mais novas em detrimento das gerações mais velhas por causa de reformas douradas;
  • a necessidade de emigração para sobreviver e desenvolver um projeto de vida, por jovens e adultos qualificados, desempregados ou mal-empregados.

2.3. Ação

A análise serve para a ação. Não deve ser escamoteada porque determina uma ação inconsequente. Mas não deve aperrear a intervenção, por medo ou ócio.

Divido o capítulo da ação nos seguintes vetores: valores; forças; alvos; meios; e estratégia. Nos alvos, há que distinguir entre o povo, objeto de informação e persuasão, e os adversários.


2.3.1. Valores

Enuncio alguns valores inalienáveis:
  • fé;
  • vida;
  • dignidade;
  • liberdade;
  • democracia.

Fé a de cada um. A minha, a de católico apostólico romano pecador.. Em qualquer caso, uma fé. Até para quem ainda não teve a graça de a achar. E tentar servir. Mas recordo, a quem queira seguir a carreira política, os versos da carta de Francisco de Sá de Miranda ao rei D. João III[17]

«Homem de um só parecer,
D'um só rosto, uma só fé,
D'antes quebrar, que torcer,
Ele tudo pode ser,
Mas de corte homem não é.»

Vida, porque o seu valor é inegociável. Isso significa defender a vida e combater a «cultura da morte»[18]: aborto (gratuito ou pago), contracetivos abortivos, planeamento familiar de pendor abortivo, eutanásia, liberalização da droga, legalização da venda de droga, adoção e co-adoção de crianças por casais homossexuais (direito de cada criança a ter um pai e uma mãe!), doação de esperma e de óvulos, ‘casamento’ homossexual, educação sexual relativista de crianças. E ainda direito ao culto religioso e à presença religiosa no espaço público, nos média, nos estabelecimentos do Estado, nas escolas, nos lares, nos hospitais, nas forças armadas e militarizadas e nas prisões. E proteção e promoção da família, no âmbito fiscal, económico e laboral.

Dignidade porque toda a pessoa é sujeita de direitos negativos e de deveres positivos, sem qualquer discriminação, sejam pessoais, sociais, laborais ou económicos. Ninguém deve ser excluído da dignidade do trabalho. É a integração laboral que propicia a integração económica e a integração económica que favorece a integração social.

Liberdade porque todo e qualquer totalitarismo ideológico é humanamente inaceitável. Liberdade económica face à corrupção do licenciamento. E luta contra o politicamente correto na linguagem e no comportamento, obrigando a uma uniformidade de linguagem e de conduta, prejudica a liberdade de informação e de opinião. Fake é a censura em nome da democracia e até da liberdade, não são as notícias e opiniões mais ou menos enviesadas que cada um tem o direito de filtrar por si só.

Democracia a direta, com a liberdade de escolha de candidatos dentro dos partidos e de candidaturas independentes, com transparência do Estado e autarquias, prestação de contas, declaração de interesses de pertença a organizações secretas (como a Maçonaria), referendos.


2.3.2. Forças

Forças são as nossas e as mobilizáveis. Afirmar valores e políticas, usar os meios de comunicação adequados e engrossar as hostes. Desde logo, os cristãos e as pessoas de fé, não podem alienar-se da política. Coragem gera coragem. Alarga a liberdade dos outros. E mobiliza vontades. Particulares e organizações têm recursos, humanos e financeiros, que devem ser usados para a promoção dos valores e políticas, num combate cultural e direto.


2.3.3. Alvos

Nos alvos distinguimos entre o povo, cuja adesão desejamos, e os adversários, cujas políticas combatemos.


2.3.3.1. Os adversários

Os adversários devem ser identificados: os que defendem a cultura da morte, os corruptores do Estado, a impunidade face à corrupção, o controlo totalitário da sociedade pelo politicamente correto, os lóbis secretos e de armário, os que agem nos bastidores a sequestrar a democracia. Em concreto: Maçonaria e partidos socialistas (PC, Bloco de Esquerda, PS, PSD e CDS). Os partidos liberais também carecem de definição ideológica e não parecem mobilizáveis. Não basta propor usar novos meios, é preciso ter novas políticas, e assumi-las sem medo de rótulos nem represálias laborais ou de contratos.


2.3.3.2. Povo: as gerações

A falácia do eleitor único, com as mesmas preocupações e desejos, prejudica a eficácia da mensagem. É necessária prestar atenção às diferenças das gerações[19].

As fontes de informação são abundantes e não existe um consenso sobre quando começa e quando acaba cada geração. Todavia, pode arriscar-se uma divisão adequada à circunstância portuguesa e europeia:
  •        Geração dos Maduros ou Tradicionalistas (1930-1945);
  •        Geração do Pós-Guerra ou baby-boomers (1946-1963);
  •        Geração X (1964-1977);
  •        Geração Y ou dos Millennials (1978-1994);
  •        Geração Z (1995-?).
Creio que a melhor designação da geração nascida em 1995 e depois (e que tem agora 23 anos e meio ou menos) é a de Geração das Florzinhas de Estufa. Há um excesso de preocupação com o seu bem estar emocional pelos pais e educadores. Criam e mantém os jovens em estufas de auto-estima, como florzinhas delicadas em ambiente, umas "safe zones" que só permitem medrar em condições ótimas de pressão e temperatura. O resultado é uma geração impreparada para enfrentar a dureza e impiedade da vida.

Este nome de Florzinhas de Estufa, que proponho, parece assentar melhor do que Flocos de Neve (
Snowflakes), que se vai consolidando nos EUA, sobre outros nomes equívocos: Nativos Digitais, Geração da Net (Net Gen), Geração Tecnológica (Gen Tech), iGeração (iGeneration), Geração das Consolas (Gen Wii), Plurais, e até Geração Z.

Como exemplo, refiro vários factos identitários da geração que designei Florzinhas de Estufa:

1.       emocionalmente muito frágeis, sentimentais e facilmente deprimidos;
2.       individualistas;
3.       empreendedores;
4.       desfocados;
5.       multi-tarefas;
6.       ambiciosos;
7.       ousados;
8.       competitivos;
9.       procuram o grátis e custos baixos;
10.    começam mais cedo a trabalhar e conciliam estudos com o trabalho (arrastando a conclusão dos cursos...);
11.    menos consumidores de drogas e álcool do que a geração anterior, mas maior excesso dos consumidores;
12.    espontâneos e instantâneos;
13.    fiéis a marcas;
14.    estilosos;
15.    globalistas;
16.    viciados em jogos digitais;
17.    permanentemente em linha;
18.    inocentes;
19.    gostam mais de videos, fotos e memes, do que postes e textos;
20.    música, música, música;
21.    direto e imediato, em vez de editado ou passado;
22.    mais Instagram, Whatsapp e Snapchat, do que Facebook ou Blogger;
23.    horror a atividades «chatas»;
24.    hoje!, hoje!, hoje!;
25.    prazer, e não frugalidade nem temperança;
26.    menos trabalhadores;
27.    procastinadores;
28.    zelosos com o seu tempo, que querem dedicados a atividades que lhes tragam prazer;
29.    maior interação virtual, consumo de serviços e experiências; do que comunicação face-a-face e acumulação de produtos (coisas).
30.    mais utilizadores do que possuidores, mais renda e aluguer do que compra;
31.    informais;
32.    privados na informação pessoal;
33.    ausentes dos meios coxos não interativos (televisão, rádio, 
34.    rústicos nas roupas e adereços, nas mobílias e espaços (hostels em vez de hotéis, Primark em vez de Zara, Lx Factory em vez de centros comerciais luxuosos);
35.    adoram viajar e aventuras de novas atividades e lugares;
36.    desprezam a política;
37.    desligados das instituições tradicionais;
38.    sozinhos, auto-educados por permissividade ou ausência dos país;
39.    menos relativistas do que os antecessores, ainda perdidos, mas à procura de direção e valores.
40.    embriões do pós-relativismo.

Este catálogo de atributos, que arrisco, são paradoxais, mas expressam a contradição a que esta nova geração está sujeita. Vivemos tempos de fim de uma era relativista, totalitária, ainda sujeitos à ditadura do politicamente correto que está em estertor e por isso é mais violenta. A fragilidade dos nossos jovens é o resultado da educação «politicamente correta».

Há sinais preocupantes de falta de preparação desta geração. Mas a comodidade será infelizmente resolvida pela guerra que vivemos e que as elites desprezam. Até que a guerra híbrida das ruas, ainda morna, aqueça, será útil que o ambiente mediático relativista, os pais e os educadores e as autoridades (nomeadamente, nas regras de consumo de álcool e drogas!) não podem deixar de ser... pais e educadores e autoridades! Nem os jovens desprezarem a sua responsabilidade. Contudo, nesta geração Z (23 anos e meio ou menos), o saldo de qualidades sobre defeitos é positivo, principalmente para a construção de uma nova era pós-relativista.

As mensagens e os meios têm de atender à especificidade e preocupações de cada geração.


2.3.4. Meios

Os meios têm de ser adequados e suficientes para atingir os alvos. Julgo que é fundamental criar um jornal digital da direita moderada cristã, economicamente autónomo, sem promiscuidade com o poder nem concessões ao politicamente correto. Nem medo. Outro meio disponível é a compra e utilização de um canal de televisão (Angelus TV, por exemplo).


2.3.5. Estratégia

Não é viável, digo por experiência, a estratégia de mudança por dentro dos partidos tradicionais (PS, PSD, CDS), porque estão controlados pela corrupção e lóbis. Nem no entrismo que cabo sempre contido pelos servos operacionais dos partidos. A estratégia deve ser a criação de uma formação autónoma ou adesão maciça a uma formação existente. E fazer o combate direto, político, nessa formação, e combate cultural aí e no jornal digital a criar e nos outros meios das hostes, nomeadamente, meios tecnológicos (internet, redes sociais, youtube) e criativos (por exemplo, blended marketing).


3. Conclusão

Importa analisar, decidir e agir. Aproveitar a janela de tempo que Deus nos concedeu e servir os valores em que cremos e a Pátria que amamos. Com honra e sacrifício.

Recordo a advertência inicial: vós não sabeis o que pedis...




[1] Aristóteles (séc. IV bC). Política.
[2] Nietzsche, Cadernos (Verão de 1886-Outono de 1887). Ou, em alternativa, «são precisamente os factos que não existem, apenas interpretações». Kaufmanm, Walte (1954). The Portable Nietzsche,. The Viking Portable Library. p. 458.
[3] Bauman, Zygmunt (2000). Liquid Modernity. Polity Press.
[4] Bento XVI (8-5-2011). Discurso no Encontro com o Mundo da Cultura e da Economia, Basilica di Santa Maria della Salute, Venezia, , http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/speeches/2011/may/documents/hf_ben-xvi_spe_20110508_mondo-economia_po.html.
[12] Cf. Online Etimology Dictionary, http://www.etymonline.com/index.php?search=dignity&searchmode=none, 8-11-2007.
[15] Burke, Edmund, Speech To The Electors Of Bristol At The Conclusion Of The Poll, 3-11-1774 (http://www.ourcivilisation.com/smartboard/shop/burkee/extracts/chap4.htm).
[16] Machado, Antonio (1912). Proverbios y cantares (Campos de Castilla). LIII. http://www.rinconcastellano.com/biblio/sigloxx_98/amachado_prov.html.
[17] Sá de Miranda, Francisco de (1595). Obras do Doctor Francisco de Sá de Miranda. Vol II, p. 205. https://books.google.pt/books?id=SNwFAAAAQAAJ&pg=PA205&dq.
[19] Caldeira, António Balbino (13-4-2017). A geração das florzinhas de estufa. Do Portugal Profundo. http://doportugalprofundo.blogspot.com/2017/04/a-geracao-das-florzinhas-de-estufa.html.

terça-feira, 2 de julho de 2019

Um jornal digital para o proselitismo cultural e o combate político



O poder político não é um fim: é um meio
. Um meio porque permite a tomada de decisões, a utilização de instrumentos de conservação e mudança e a influência. O poder político é um instrumento de bem-estar (económico, cultural, social, moral) e desenvolvimento. De outro modo, apenas satisfaz os que o alcançam e oprime os demais. Porque passa a ser usado não para benefício geral, mas para gozo de uma pessoa ou grupo: orrupção.

Ao mesmo tempo, como lembrava o meu professor Adriano Moreira, o poder não é uma coisa: é uma relação. Uma relação com os outros: povo e adversários. E eventualmente, também uma relação com nós mesmos... Ser uma relação e não uma coisa, significa que o poder depende da nossa posição, encargo e força, mas também da posição, encargo e força, do povo e dos adversários - e das circunstâncias que a todos envolvem. A posição e a força (massa e energia) são relativas, porque têm de ser avaliadas no contexto face aos outros. O encargo é obrigatório: quem o aceitou, deve cumpri-lo, e, se não quer, que se alivie dele, deixando para outro o cumprimento da responsabilidade. As circunstâncias são de lugar (localização e ambiente) e tempo.

No plano estratégico, a cruzada implica proselitismo e combate. Proselitismo cultural, com afirmação dos valores e refutação dos alheios. Combate direto, com luta política. O povo anseia pelos valores, os adversários são nihilistas, as circunstâncias são favoráveis. Os dois combates - cultural e político - implicam sacrifício e coragem. Recordo o Clausewitz, que valorizava a moral (motivação) das tropas e a sua implacabilidade, como decisivas para a vitória. Ainda mais numa guerra assimétrica, em que o socialismo (PC, Bloco de Esquerda, PS, PSD e CDS - socialismo económico e relativismo socialista nos costumes, com a exceção do PC na eutanásia) e a maçonaria, e os seus apêndices corruptos, são donos diretos dos meios de comunicação, de informação (acesso legal aos metadados dos cidadãos!...) e de produção cultural - e ao nível global os motores de busca (Google), plataformas de conteúdos (Youtube, Wikipedia) e redes sociais (Facebook/Instagram/Whatsapp e Twitter), relativistas, usam tecnologias invisíveis de persuasão dos cidadãos. E, como nos casos da Rádio Renascença e Universidade Católica, quando este arco socialista-maçónico não é formalmente proprietário, controla indiretamente e põe ao seu serviço: patrão que paga, patrão que manda (dizem os brasileiros)...

No plano tático, quais é o meio fundamental para combater cultural e politicamente? Um jornal digital da direita moderada cristã. O resultado - influência e decisão para o bem-estar e desenvolvimento do povo - virá daí. Sem meio, nenhum fim se alcança.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

O big brother do politicamente correto

«The real problem of humanity is the following: we have paleolithic emotions; medieval institutions; and god-like technology».
Assista-se a este debate sobre a censura e liberdade na internet, realizado no Senado norte-americano,  em 25-6-2019.

O mal, como o bem, está no coração do homem. Não está na tecnologia, mas nos decisores que dirigem os engenheiros da inteligência artificial num sentido contrário à liberdade e autodeterminação do indivíduo.

Temos realmente emoções paleolíticas, instituições medievais e tecnologias divinas. É um confronto de poder assimétrico entre a inteligência artificial e a liberdade humana. Não estamos preparados ainda para reagir à programação invisível da nossa vontade (e vida!) pelo software dos motores de busca, das redes sociais e dos servidores de acesso à internet; nem estamos ainda capacitados para enfrentar a descodificação da nossa instintiva comunicação não-verbal que expressa, sem filtro, as emoções sentidas. Nem temos instituições estatais que acautelem esta manipulação ideológica, política, económica, financeira e social. Nem regulámos e dividimos os trusts tecnológicos da internet, que abusam de concorrentes e do mercado.

A ameaça à liberdade humana pelas megaempresas da internet é global e supera o poder dos Estados. O abuso de posição dominante nos motores de busca (Google), nos programas de acesso à internet (Chrome, da Google), nos sistemas de funcionamento dos telemóveis (Android da Google e IOS da Apple), nas plataformas de videos (Youtube) no correio eletrónico (Google) e nas redes sociais (Facebook/Instagram/Whatsapp e Twitter) desvirtua a livre concorrência. Mais perigoso é que este braço do totalitarismo neomarxista do politicamente correto viola a privacidade e desvirtua a autonomia dos indivíduos, através do controlo dos metadados e da intrusão nas mensagens e conversas e das tecnologias negras de persuasão (com algoritmos secretos). É antidemocrático e tem de ser travado.

terça-feira, 25 de junho de 2019

A censura politicamente correta e a destruição da democracia pluralista




A manipulação das notícias no motor de busca do Google e no YouTube, que o Project Veritas divulgou em 24-6-2019tal como acontece no Facebook (ver crítica do seu co-fundador Chris Hughes, no NYTimes, de 9-5-2019), no Twitter e no Pinterest - é agora a principal ameaça ao sufrágio democrático e à liberdade de informação e de opinião nos estados de direito com sistema político constitucional democrático representativo e pluralista. Seja na supressão de conteúdo «politicamente incorreto» e não conforme aos ditames neomarxistas dos chamados «guerrilheiros da justiça social» (social justice warriors), seja na promoção de conteúdos alinhados com essa progressismo posmoderno, de raiz leninista.

Estas megaempresas de comunicação assumem-se com plataformas neutras (neutral public forums), beneficiando juridicamente desse estatuto, mas comportam-se como editores (publishers) de conteúdos, com censura e promoção de notícias conformes a uma linha editorial que escondem. Estes gigantes tecnológicos cresceram muito (o Facebook até se arroga criar uma moeda virtual mundial, a Libra...) e mal: compram, copiam ou derrubam, concorrentes, e ergueram-se a um estatuto de big brother, de manipulação política dos cidadãos sujeitos a uma lavagem cerebral discreta mas constante. Por isso, requerem a intervenção do Estado norte-americano para a sua divisão e alienação, através de processos de anti-trust.

Recomendo o video do Project Veritas, de 24-6-2019, que expõe, com a ajuda de um denunciante insider, a censura e manipulação de eleições feita pelo Google/YouTube, através de um algoritmo enviesado chamado «machine learning (ML) fairness». Uma inteligência manipulada, por editores que tomam decisões e técnicos que preparam os programas para executar esta engenharia de censura. E uma justiça relativa à perspetiva dos editores escondidos que distorcem a verdade para a sua conveniência política, e fazem dos cidadãos marionetas subjugadas ao totalitarismo marxista politicamente correto.

Sem uma efetiva liberdade de comunicação, de informação e de opinião, não há eleições livres, não há democracia. Estes processos censórios da informação e da opinião, juntamente com a comunicação vigiada dos cidadãos, mediante a autorização legal (!?...) para a recolha dos metadados das comunicações dos cidadãos (que permitem aos governos, através dos seus serviços de informação, saber quem fala com quem), que também vigora em Portugal, tornam quase impossível aos partidos adversários do politicamente correto socialista ganharem eleições.

Insisto: é necessário executar uma estratégia de recuperação com dois vetores: combate cultural e combate direto.


* Imagem picada daqui.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Uma multazita

Passado o embaraço provocado por Joe Berardo no Parlamento (intocável pelo que sabe...), que levou José Sócrates a um hiato de recolhimento de um mês, o ex-primeiro-ministro tricentimilionário voltou, neste 17-6-2019, aos holofotes.

Parece estar em curso uma operação, com a ajuda das caixas de ressonância mediática dos devedores e comparsas, e a intervenção de algum bas-fond homossexual lisboeta, de preparação do aggiustamento do processo Marquês para uma simples fraude fiscal, remível com uma multazita. Uma manobra meticulosa, lançada com muita antecedência, do género da realizada por Almeida Santos nos anos 1980 que preveniu qualquer ensejo de derrocada (como na Itália da Tangentopoli) do regime socialista-maçónico-corrupto com a colocação de amigos e servos em lugares-chave que evitassem a queda do regime por magistrados independentes.

A manobra russo-cubana de subversão no Brasil

A espionagem eletrónica de conversas de Sérgio Moro, atual ministro da Justiça do Brasil e que, enquanto juiz, liderou a Operação Lava Jato e condenou o ex-presidente Lula da Silva, por The Intercept, neste junho de 2019, parece uma operação cubano-russa para subverter o alinhamento da nova administração de Jair Bolsonaro com os EUA e deter a queda do regime comunista-corrupto na Venezuela. No teatro de operações sul-americano decorre um jogo complexo de relevo mundial de confronto entre EUA, de um lado, e Rússia-China do outro, com a Europa a ver navios, que são de guerra e comércio de minérios e gentes.

Mas a vozearia da esquerda sobre este assunto, como nos processos Face Oculta e Marquês, demonstra o axioma comunista da «verdade a que temos direito» e do “grão de verdade” e de que a verdade verdadeira que prejudique o movimento marxista, na sua roupagem vintage pós-moderna do relativismo, é uma “verdade burguesa” desprezível. Se a verdade real não interessa, também a corrupção é absolutamente desvalorizada.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Desilusão e combate


«Eh! croule donc, société! meurs donc, vieux monde!». 
                                                              Huysmans, Joris-Karl (1884). À rebours.


Recomendo o discurso do João Miguel Tavares, presidente da Comissão Organizadora das Celebrações do 10 junho, em Portalegre. É um retrato da desilusão de uma geração (a minha) com a corrupção da classe política.

A mudança do paradigma político-social da corrupção e da cunha, para a honestidade e o mérito, exige apenas a vontade do povo.

Contudo, o povo das gerações dos maduros (1930-1945), geração do pós-guerra ou baby-boomers (1946-1963) e geração X (1964-1977), está resignado, e tem votado no socialismo, mais ou menos dégradé, que se atualizou com as causas do relativismo pós-moderno e se diverte com as momices dos bobos da corte.

Por outro lado, as gerações mais jovens - a geração Y dos Milenários ou Millennials (nascidos entre 1978-1994) e a geração Z (que cunhei como florzinhas de estufa, nascidos depois de 1995), estão ainda mais afastadas da política e, por circunstância de conforto (providenciado pela carinhosa mamã Família e pelo anafado papá Estado sob controlo do grande Irmão da Maçonaria), pouco dispostas ao risco e sacrifício de realizar a revolução do sistema.

É muito difícil agora a mobilização do povo para a mudança: a corrupção «segura e quente» para quem nela se abriga e aquece; a alienação bastante grande; e os fatores disruptivos do sistema no resto do mundo, que têm provocado o crescimento da extrema-direita, como a imigração maciça e a criminalidade, têm ainda pouca incidência. Além disso, a dissolução interna das hostes cristãs causa desorientação.

Mas é também por causa dessa dificuldade que importa renovar o bom combate: direto; e cultural. Não basta o combate cultural, nem chega o combate direto. Estes são da dois vetores da estratégia para a mudança que importa cumprir. Assim deus nos ajude!

quinta-feira, 23 de maio de 2019

A cultura da morte

A politicamente correta cultura da morte no NYTimes, de 21-5-2019: «Pregnancy kills. Abortion saves lives», de Warren M. Hern.

sábado, 11 de maio de 2019

A entrevista de Marcelo à Globo: sobranceria e crítica a Bolsonaro

O Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa procura aproximar-se do novo Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, que havia criticado, por oportunismo e negligência, em detrimento do opositor marxista Fernando Haddad, objeto de 32 processos de corrupção, durante a campanha eleitoral do país irmão, liofilizando as relações entre os dois países a um nível que não era visto desde João Goulart (1961-1964). Para tal, Marcelo concedeu uma entrevista, neste 6 de maio de 2019, na qual falou com sotaque brasileiro (?!...), ao jornalista comunista Pedro Bial, da Globo (inimiga do novo presidente). Não obstante, Marcelo manteve a sobranceria e a crítica ao Presidente brasileiro.

Marcelo preside à República Portuguesa e não ao governo socialisto-comunista de António Costa, nem à metade do País que votou nessas forças políticas de esquerda nas eleições legislativas. Porém, na entrevista, em que jamais refere a situação desastrosa em que o regime marxista-corrupto de Lula deixou o Brasil, voltou a criticar a política e o estilo do presidente Bolsonaro, diferenciando o bom populismo, o seu, do populismo mau, do seu homólogo brasileiro. E alfinetando o Presidente brasileiro, a propósito da polémica das declarações do seu filho Carlos. Enquanto coçava o nariz, num sinal de comunicação não-verbal de que o assunto não lhe cheirava bem (o que também fez quando o entrevistador lhe falou na audiência de 2-1-2019, concedida por Jair Bolsonaro, aquando da sua posse), afirmou:
‹‹Eu acho que família de presidente não é presidente. (...) Presidente é presidente, família é família (...). Filho de presidente não é presidente [em coro com o entrevistador]. O único porta-voz de Presidente é Presidente. Porque senão, se há dez porta-vozes, cada um pode ter a tentação de ser um minipresidente››. (Transcrição minha)
Melhor fora que Marcelo não iludisse, por capricho, vaidade e alinhamento com a esquerda, a responsabilidade de manter um relacionamento amigável e profícuo com o Estado brasileiro, porque isso é benéfico para os cidadãos, as empresas e as instituições portuguesas.

sexta-feira, 10 de maio de 2019

Com que se há-de salgar?


Escombros da catedral de Notre-Dame de Paris, NYTimes, 16-4-2019.


A Carta Apostólica sob forma de motu proprio (por sua iniciativa) do Papa Francisco «Vos estis lux mundi», de 9-5-2019, aos bispos, sobre o abuso sexual de menores (‹‹idade inferior a 18 anos, ou a ela equiparada por lei››) e pessoas vulneráveis, pornografia de menores, e seu encobrimento, é um avanço na prevenção e repressão da pedofilia na Igreja. Destaco e comento.
  1. Obriga os bispos a criar um guichet para receber as denúncias (‹‹assinalações››) e a encaminhá-las para o Dicastério da Santa Sé, com relatórios mensais sobre o andamento das investigações. Aumenta o controlo sobre as dioceses o que é positivo.
  2. Prevê também o recurso a ‹‹pessoas qualificadas›› em cada diocese, ou em conjunto (por exemplo, a nível nacional), para ‹‹auxiliar›› o bispo na investigação das denúncias. É uma abertura para que especialistas leigos possam participar nas investigações, em vez da utilização de clérigos ao modo de frei William of Baskerville. Porém, o modo mais útil seria a instituição de comissões independentes de especialistas leigos.
  3. Estabelece, no seu art.º 19.º, que ‹‹estas normas aplicam-se sem prejuízo dos direitos e obrigações estabelecidos em cada local pelas leis estatais, particularmente aquelas relativas a eventuais obrigações de assinalação às autoridades civis competentes››. A ‹‹observância das leis estatais›› é dever indeclinável desde sempre, obrigando todos os cidadãos à participação de crimes de que tenham conhecimento. Isso não era feito, entendo-se internamente que que o Código de Direito Canónico seria a única lei aplicável e a suspensão a divinis seria a sanção máxima para o abusador. A sanção canónica parece ter sido fraco disuasor para prevenir a violação da inocência das crianças:  a pena estatal de reclusão do abusador de crianças num cárcere, acompanhada da sua exposição pública, é mais pesada e assusta. O paradigma era o segredo em vez da transparência, o encobrimento em vez da responsabilização, o perdão do abusador em vez da proteção das vítimas, a transferência em vez da expulsão. Ora, como tenho salientado, uma coisa é o processo canónico, que em todo o caso deve existir para efeitos religiosos, e outra o processo penal e civil cuja competência é do Estado para cujas autoridades devem ser comunicadas imediatamente as denúncias. A isenção de clérigos e membros de ordens religiosas da justiça do Estado era algo da Idade Média, aplicável então nos coutos da Igreja. Não era possível manter. A prioridade tem de ser sempre dada às crianças vítimas dos abusos sexuais e não à defesa dos abusadores. Portanto, este motu proprio fica ainda aquém do que o problema  da pedofilia carece e do que a sociedade reclama. As denúncias às autoridades estatais de suspeitas de crimes, praticados por clérigos, membros de ordens religiosas, catequistas, acólitos e outros, de abuso sexual de menores e desvalidos (deficientes, etc.) e do uso da violência sobre adultos e da produção e uso de pornografia de menores, não são obrigações ‹‹eventuais››, mas fundamentais e imediatas. A comunicação às autoridades estatais deve ser pronta, correndo o processo penal e civil em paralelo ao processo canónico.

Em suma, este motu proprio, estendendo a linha de anteriores posições, é um avanço, mas ainda falta percorrer mais caminho. Se o sal se corromper, com que se há-de salgar?


Atualização: este poste foi atualizado e emendado às 19:32 de 10-5-2019.

segunda-feira, 6 de maio de 2019

A irresponsabilidade do Presidente Marcelo na deterioração das relações luso-brasileiras

As declarações oportunistas de menosprezo do Presidente da República de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, sobre o então candidato, e atual Presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, foram terrivelmente irresponsáveis e afetaram gravemente o País, as empresas, as instituições e os cidadãos portugueses. «Bem prega frei Tomás!...» - avisa o povo...

Após a vitória de Jair Bolsonaro, o Presidente Marcelo Sousa tentou recuperar o efeito da brincadeira divertida das bocas indiretas que tinha atirado ao então candidato, cujo crescimento nas sondagens lhe recomendava prudência, sobre eleições de outro país nas quais, pela função que ocupa, não devia meter-se. Marcelo Sousa apareceu na posse de Jair Bolsonaro, em 2 de janeiro de 2019, sendo todavia tratado com muito mais respeito do que havia manifestado, numa audiência que durou... vinte minutos!... Quem não se dá ao respeito, acaba desrespeitado...

Porém, se fosse apenas um “facto político” pessoal, na linha tático-histriónica habitual, pouca consequência teria. O problema é que o desrespeito pelos assuntos internos brasileiros, como foi o de imiscuir-se numa eleição presidencial alheia contra o candidato (da direita) tentando favorecer o opositor (marxista e corrupto) provocou a liofilização das relações luso-brasileiras e o prejuízo inerente para os particulares, as empresas e as instituições portuguesas.

Do governo de António, Catarina e Jerónimo, CRL, não se esperava que enviasse socorro ao Brasil após a tragédia da rutura da barragem de Brumadinho (25-1-2019)... Ficou pelas condolências, que o apoio teve de vir de Israel... Para os marxistas, o sectarismo ideológico vem primeiro do que a humanidade, e também não é provável o arrependimento do estúpido embargo político. Mas o presidente Marcelo deveria comportar-se ao nível do cargo que os portugueses lhe confiaram: não podia danificar a aliança genética luso-brasileira para agradar ao Governo da esquerda radical.

Portugal recebia habitualmente a primeira visita do chefe de Estado eleito do Brasil, uma tradição interrompida por Lula da Silva, comparsa de José Sócrates nos negócios bilionários da Vivo e da Oi. Agora, devido à opinião leviana do Presidente Marcelo Sousa e da ideologia social-comunista do governo de coligação de António Costa, Portugal nem consta da lista das próximas viagens, nem dos interesses da nova administração brasileira. Ora, o Presidente da República deve representar todos os portugueses: não apenas os burgueses da esquerda radical e os ortodoxos comunistas.

Com a enorme poupança decorrente da reforma da previdência, o presidente Jair Bolsonaro vai lançar um grande programa de desenvolvimento, de obras públicas, nomeadamente a irrigação do Nordeste, de transformação da educação, de modernização tecnológica, de abertura da economia e de fomento do investimento. Os cidadãos, as empresas e instituições portuguesas vão pagar o preço da irresponsabilidade do Presidente Marcelo Sousa e da contaminação da ideologia marxista do governo português no relacionamento com o Brasil.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Vai lá, vai!...

ABC (março de 2019). Desabrigado. Atenas, Grécia.

‹‹O primeiro-ministro, António Costa, ameaçou demitir-se esta sexta-feira caso o diploma dos professores seja aprovado, numa declaração ao País depois de reunir com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, na sequência da aprovação no parlamento da contabilização total do tempo de serviço congelado aos professores››. 



Já ia tarde!... Mas Costa não sai. Ainda tem de atrofiar mais a economia, inchar a subsidio-dependência e arrasar os costumes. Tem de pôr o País socialistaa-comunista ao nível da Grécia.