quinta-feira, 19 de novembro de 2015

No-Shave November



No-Shave November é uma interessante campanha mundial para aumentar a notoriedade do cancro nos homens e recolher donativos para a sua divulgação, prevenção, pesquisa e tratamento. Uma resposta ao laço cor-de-rosa que apela ao rastreio do cancro da mama nas mulheres.

Nós, homens, somos avessos a rastreios médicos - porque somos mais medrosos do que as mulheres - evitando fazê-los, segundo a ideia patética de que só estamos doentes quando uma análise o comprovar: ora, se não fizermos análises, nunca estaremos doentes... Por isso, é fundamental aumentar a notoriedade da necessidade rastreio regular dos vários tipos de cancro que afetam os homens. Põe as barbas de molho!

Para participar na campanha basta começar por fazer o rastreio periódico, não desfazer a barba durante o mês de novembro para chamar a a atenção para a campanha, através do passa-palavra («Agora andas de barba? No-Shave November...») e doar o equivalente ao valor das lâminas de barba poupadas (eventualmente, com mais um pouco...) para organizações de combate ao cancro. A causa vale o sacrifício.

Propus, em 10-11-2015 à Fundação Champalimaud, escrevendo à sua presidente Dra. Leonor Beleza, que participasse nesta campanha, como meio adicional de recolha de fundos e de divulgação da necessidade de rastreio do cancro nos homens. Pareceu-me que os donativos de quem participasse nesta campanha não deveriam ir apenas para organizações estrangeiras. Mas não obtive resposta até agora. Havia telefonado no dia anterior,em 9-11-2015, para a Fundação Champalimaud para deixar a sugestão. Recusaram passar à secretária da presidente ou à secção de eventos, e não aceitaram ficar nem com a minha sugestão nem com o meu contacto telefónico, insistindo que deveria enviar um mail. Foi o que fiz no dia seguinte. O sítio da Fundação Champalimaud não tem na página inicial um botão para donativos (nem o Ipatimup...), nem indicação de como o fazer, com número de conta bancária para esse fim. Em contraste, veja-se o sítio da American Cancer Society, com o botão e hyperlink de donativos e uma janela pop-up logo na entrada). Por causa de outro projeto contactei há meses com uma universidade estrangeira, patrocinada por grandes mecenas internacionais com património de largos milhares de milhões de euros, onde a gravação de entrada telefónica diz: «... to fund raising, press 6»... Ou seja, a recolha de fundos no caso destas instituições estrangeiras é prioritária, apesar da abundância de financiamento e da projeção das suas atividades. Em qualquer caso, com resposta ou sem ela, tentarei saber o número de conta bancária da Fundação Champalimaud para fazer o donativo correspondente.

Existe também uma campanha mais light, virada para o bigode - Movember, porte-manteau de November e Moustache, bigode - e dirigida ao cancro e ao exercício físico.

sábado, 14 de novembro de 2015

Je suis parisien!


ABC (2009). Monumento a Marcantonio Bragadin.
Basilica di San Zanipolo, Venezia
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O ataque militar a Paris, que foi lançado pelo Estado islâmico da Síria e do Iraque, na noite de 13 de novembro de 2015, sexta-feira, com cinco operações de comandos, que deixaram 122 mortos (além dos sete autores) e 352 feridos (99 dos quais em estado grave), constituem uma ação coordenada de guerra. Tal como no 11 de setembro de 2001, em New York (2996 mortos e mais de 6 mil feridos), ou no 11-M de 2004 em Madrid (193 mortos e 1858 feridos) - este ainda por desvendar publicamente na sua totalidade e enquadramento), não se podem considerar apenas atentados terroristas porque têm um âmbito, um alcance e um planeamento, que não são possíveis a uma célula de uma organização paramilitar.

É mais um ato de uma guerra político-religiosa do Islão contra o resto do mundo - cristãos, judeus, hindus, ateus... - que já vem pelo menos desde 2001 e que se desenrola em todo o mundo. Uma guerra que excede as bloody borders do Islão (que Samuel Huntington expôs, em 1993). Uma guerra para justificar a culpa dos outros países pelo atraso cultural e tecnológico, um combate para impor a supremacia de um rito sobre os outros (sunitas conta chiitas e vice-versa) e um levantar de armas para manter a opressão desumana das mulheres no cinturão muçulmano que aperta o globo - ver Bernard Lewis, The roots of muslim rage, The Atlantic, setembro de 1990.

A culpa deste massacre de gente inocente e desarmada é dos autores da ação militar, dos seus mandantes e dos que os apoiam. Mas há também uma responsabilidade que tem de ser politicamente imputada a quem apoiou e armou o levantamento islâmico na Líbia e na Síria. Assaca-se a George W. Bush a guerra do Iraque, mas não se assaca a Obama a desestabilização da Líbia e da Síria... Talvez, a ideia mais perigosa seja a neutralização dos valores que o multiculturalismo radical prega. O relativismo de que não se pode condenar a mutilação genital feminina, a pancada nas mulheres, a perseguição dos outros credos, o totalitarismo religioso, o nihilismo que recusa os valores próprios de um País e que os enterra ao mesmo tempo que admite a igualdade de valores desumanos noutros grupos. Quanto mais o resto do mundo abaixa as calças, mais se notam as vergonhas expostas, menos respeito o Islão bélico nos tem. Ao mesmo tempo importa manter a coesão social das nossas comunidades, integrando os muçulmanos de boa vontade nos costumes e leis dos nossos Estados em vez de criarmos guetos sociais e culturais.

Ao aceitar o oxímoro do «Islão moderado», uma religião que ainda não procedeu à exegese humanitária, com suavização da doutrina literal, e a relativizar a ameaça e as ações bélicas, o resto do mundo está a abdicar do combate político-mediático necessário à contenção do fundamentalismo. Esse combate cultural não é menos importante do que o empreendido desde a II Guerra Mundial contra o comunismo soviético, pelos EUA e seus aliados. O problema é que se tornou politicamente incorreto fazê-lo, especialmente os EUA, um país onde paradoxalmente apenas 2,8 milhões de pessoas (0,9% da população) são muçulmanas - em França, eram cerca de 4,15 milhões no ano de 1999. O aviso do Papa Bento XVI, na sua lição na Universidade de Regensburg, em 12-9-2006, sobre o perigo do Islão combatente, citando o imperador bizantino Manuel II Paleólogo durante o cerco de Constantinopla, entre 1394 e 1402:
«Mostra-me também o que trouxe de novo Maomé, e encontrarás apenas coisas más e desumanas tais como a sua norma de propagar, através da espada, a fé que pregava».

A ingenuidade perante a progressiva invasão islâmica da Europa, o crescimento da população islâmica devido à natalidade bastante mais alta dos imigrantes magrebinos e árabes, e dos seus descendentes, o exemplo do Kosovo que os sérvios perderam por razões demográficas (menos de 1% de muçulmanos no séc. XVI que cresceram até 77% em 1981), e com esta última vaga de refugiados de guerra, sírios, iraquianos, afegãos, eritreus e sudaneses, deve fazer reagir os Estados europeus relativamente à sua política de fronteiras abertas, em vez da imposição de quotas de imigração que salvaguarda a variedade de proveniências, vistos de visita, e repressão das redes de imigração ilegal. A política mudou agora? Já tinha mudado com os massacres horrendos do ISIS, mas a cor diferente da pele dos cristãos sírios não suscitava tanta preocupação social... E todavia existem milícias cristãs a combater na Síria e no Iraque, inclusivé mulheres, que não fugiram e que continuam a defender as suas comunidades.

Com desculpa da imodéstia de me citar, relembro o que aqui escrevi em 1-11-2010:

«Marcantonio Bragadin, capitão-general de Famagusta e provedor-geral do Reino de Chipre, que foi esfolado vivo pelos turcos de Lala Cara Mustafá Paxá, em Agosto de 1571. Retardado o socorro do reduto da Sereníssima República de Veneza em Chipre às forças do sultão Selim II - 6 mil venezianos contra 200 mil turcos -, enquanto se negociava e organizava a armada da Santa Liga, que sairia vitoriosa dos turcos na batalha naval de Lepanto em 7 de Outubro de 1571, Famagusta capitulava. Todavia, vendendo cara a derrota, como Bragadin prometera a Mustafá Pachá quando rejeitou render-se, respondendo ao comandante turco com a seguinte carta: 
«Senhor da Caramania Vi a sua carta. Também recebi a cabeça do senhor lugar-tenente de Nicosia [Niccolò Dandolo] e digo-lhe aqui que ainda que tenha tomado tão facilmente a cidade de Nicosia, terá de comprar com o seu próprio sangue esta cidade, que com a ajuda de Deus lhe dará tanto que fazer que se arrependerá doravante ter aqui acampado. De Famagusta, 10 de Setembro.»
(Tradução minha da tradução em inglês, publicada em SETTON, Kenneth M., The Papacy and the Levant (1204-1571), Vol. IV - The sixteenth century from Julius III to Pius V, Philadelphia, The American Philosophical Society, 1984, p. 996). 
Em 31 de Julho de 1571, após onze meses de cerco e bombardeamento pela artilharia turca, Bragadin, com munições para apenas mais um dia de combate, rendeu-se finalmente, após conselho de notáveis e mediante promessa de Mustafá Paxá de poupar as vidas dos seiscentos militares e civis que restavam na fortaleza. Uma promessa que o general turco não cumpriu. Bragadin foi imediatamente decepado das orelhas e, após dias de tortura, durante a qual recusou converter-se ao Islamismo, foi esfolado vivo, sendo a sua pele, recheada de palha e cosida, enviada para Constantinopla como troféu ao sultão. Recuperada em 1680, a pele, com o perfume da alma dentro, repousa agora num mausoléu incrustrado na parede da nave direita da Basilica di San Zanipolo (Basílica de São João e São Paulo) em Veneza.
Na peça «The Life and Death of Julies Caesar», Shakespeare, na aurora desse século XVII, sintetizava a vantagem da bravura sobre a tragédia da cobardia: «Cowards die many times before their deaths; The valiant never taste of death but once». São Paulo (I Coríntios 15:55) já havia firmado essa glória na Bíblia: "Ó morte, onde está agora a tua vitória?"».

Convém que não morramos, antes de morrer. Porque a nossa primeira morte é moral. A essa cobardia segue-se a outra. Morre quem perde a vontade de combater. Não podemos ignorar, nem recuar. Importa proteger a humanidade do fanatismo do Islão belicista. Um shahid não é um mártir: é um assassino. A jîhad ofensiva constitui um genocídio.

Deus abençoe os inocentes mortos e feridos em Paris e as suas famílias!

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

A seleção da indignação




Mais além!... Revolução! Terror... Agora! «Governo revolucionário já!», como em 1975.

A perseguição seletiva da esquerda burguesa político-mediática é uma patologia genética.

As trombetas da esquerda radical reclamam e têm de ser atendidas, sob pena de dissolução do País. Deve ser ostracizado do espaço público, o ministro Calvão da Silva porque usou, em 2-11-2015, a banida palavra "Deus" na visita de conforto a Albufeira a seguir às cheias. E também o Prof. Pedro Arroja por ter salientado a estridência desagradável das líderes do Bloco de Esquerda. Tal como já tinha sido expulsa dos média a presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, Isabel Jonet, em novembro de 2012, por ter chamado a atenção das famílias para a necessidade de poupança.

Essa indignação só tem um sentido. Não respeita ao conteúdo, mas ao exercício da liberdade de expressão que contrarie a ditadura do politicamente correto. A indignação que José Pacheco Pereira manifestou na Quadratura do Círculo, da SIC, em 5-11-2015, contra o Hélder Ferreira, do Insurgente, por causa do poste «Les misérables» não a teve contra o editorial da Luta Popular, de 11-10-2015, do seu ex-camarada Arnaldo de Matos... Nem o líder da CGTP, Arménio Carlos, em 26-1-2013, teve problema de maior quando teve uma tirada racista, chamando «escurinho» ao etíope Abebe Selassié, enviado a Portugal do FMI que nos pagava as contas...

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

O MES


Mural do MES, Alcântara, Lisboa.


Flashback! O amanhã canta de novo! Hoje!... PREC sempre!...

O PS já não é um partido da social-democracia europeia, reformista. Muito menos o do capitalismo de Estado de Sócrates. Todavia, não menos corrupto, radical e totalitário. Agora é um partido dominado pela dupla Ferro Rodrigues/Vieira da Silva, da qual António Costa é apenas um peão bamboleante. Um partido federador das esquerdas, de ideologia marxista e de prática revolucionária,  Um novo/velho movimento de esquerda socialista (MES)...

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Os (des)acordos subterrâneos do PS com o PC e com o Bloco




Muita agitação revolucionária, muita alienação... A primeira vez, em 1975, foi uma tragédia, desta vez, para utilizar a exegese da História que Marx fez no seu opúsculo «O 18 de Brumário de Luís Bonaparte», de 1852, será, se tivermos sorte, uma farsa.

Foram ontem, 10-11-2015, assinados num subterrâneo da Assembleia da República, num gabinete à porta fechada, sem câmaras de televisão nem jornalistas, três (des)acordos separados de Governo do PS com o PC, com o seu partido fantoche «Os Verdes», e com o Bloco de Esquerda. Os únicos registos da assinatura foram feitos e divulgados pelo PS, no seu sítio da internet. A hora e o local da assinatura, num piso subterrâneo de um edifício anexo do Parlamento (o chamado edifício novo), foram mantidos secretos. Posteriormente, foram distribuídas aos jornalistas cópias dos textos assinados com o PC (e com «Os Verdes»...) e com o Bloco de Esquerda.

Escrevo (des)acordos de Governo porque os textos indicam os pontos em que estas forças concordam e, de forma inédita, os pontos em que concordam em discordar!... Assim, menos do que acordos, são desacordos de Governo, na linha da já célebre frase de António Costa, na quinta-feira, dia 5-11-2015, na SIC: «Há acordo no que há acordo e não há acordo no que não há acordo»... Porém, o PS justifica que o programa de Governo será o do PS, com as emendas contraditórias decorrentes destes (des)acordos...

O principal facto a assinalar nesta patética , o PC demonstra que o poder é dele:
  1. Faz esperar o PS dois dias pela ratificação simbólica do seu Comité Central, no domingo, 8-11-2015, depois de ter comunicado oficialmente, na sexta-feira, dia 6, que tinha chegado a acordo com o PS.
  2. Impõe precedência protocolar sobre o Bloco, assinando primeiro (e até «Os Verdes»!) do que o Bloco de Esquerda que nas eleições de 4-10-2015, teve mais 105 mil votos e tem mais dois deputados do que a CDU!...
  3. Para vincar essa submissão, a assinatura de Jerónimo de Sousa vem primeiro do que a de António Costa no (des) acordo - ver página 4. E nas rubricas do canto superior da folha lá vem a assinatura de Jerónimo de Sousa, em caligrafia descendente!, sobre as rubricas garatujadas de António Costa e de Carlos César (!...). 
  4. O PC impôs ao PS no acordo do PS com os Verdes, medidas adicionais e que queria disfarçar do seu.
  5. À hora do debate, a CGTP faz uma manifestação, para pressionar o Presidente da República a entronizar um Governo do PS. Um executivo, e sua política, no qual o PC vai ser quem mais ordena, fazendo lembrar a relação doméstica patriarcal: lá em casa manda ela... mas nela mando eu.
  6. Jerónimo de Sousa até ganhou um ar mais institucional nos últimos dias: do operário blue collar à Cunhal, passou à gravata!...
Os (des)acordos foram feitos nas costas do povo sem que os eleitores do PS, do Bloco e do PC, tivessem caucionado, sequer desconfiado, de um Governo conjunto, adulterando o escrutínio legítimo e o mandato atribuído. Não se sabe se existem outros acordos secretos entre estas forças políticas, além dos textos com fac-simile de assinaturas.

A inconsistência do futuro Governo das esquerdas é tal que nem sequer existe um acordo conjunto de Governo, mas, de forma inédita, existirem três textos diferentes, vagos e nuancés, sobre medidas incertas e propósitos inconfessados - além de que se acorda que um dos parceiros desta coligação pós-eleitoral poderá apresentar moção de censura contra o outro.... Muito menos se apresentou uma folha de cálculo para justificar a inequação Centonomics de que mais despesa do que a coligação PSD-CDS e menos receita vão resultar em... menos défice!...

O contexto internacional, que não se pode desprezar como se tem feito. Já começou a subida da taxa de juro das obrigações do Estado, que tornará muito difíceis as condições de financiamento do Estado, e de funcionamento da economia, de um médio país europeu, financeira e comercialmente deficitário. A desculpa do boicote dos capitalistas, que aí virá, não evita a paragem na criação de emprego e o aumento do desemprego, nem põe pão em cima da mesa dos lares portugueses. Por outro lado, e não menos importante, o PC, através das suas antenas e controleiros no Governo, direta ou indiretamente, terá acesso aos segredos NATO e imporá uma mudança na política externa do nosso País face aos seus aliados geopolíticos, nomeadamente um alinhamento nuancée pró-Rússia de Putin, que, aliás, tem financiado forças, e personalidades, de extrema esquerda e de extrema direita por essa Europa fora. Uma mudança previsívelque não agradará nada aos investidores chineses no nosso País...

Vai ser mais grave a divisão político-social do povo, com uma escalada de agitp-prop (como a provocação/vitimização encenada da deputada socialista Isabel Moreira à manifestação de apoio à PàF ontem, 10-11-2015, em frente ao Parlamento) e de retorno da tecnologicamente obsoleta luta de classes através de violência verbal, e depois física, até do que a degradação financeira do Estado e do que a regressão económica.

Simultaneamente a uma Espanha em ebulição política e nacionalista (o agravamento do confronto de «las dos Españas», de Antonio Machado), regressa o delírio da tentativa da imposição de dois Portugais. Desta vez, com o PS do lado errado da História.

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O projeto socialista de assalto ao poder

Uma pergunta incisiva de José Filipe Sepúlveda da Fonseca:
"Será que a agitação jacobina que está a abalar Portugal e que, para muitos, faz reviver momentos do PREC, quando a esquerda tentava implantar uma ditadura no País, tem a finalidade de impedir que boa parte do Partido Socialista e, talvez, de certa esquerda, bem como dos seus altos dirigentes, seja varrido da cena pública, envolto na lama da corrupção?"
É ainda mais grave: António Costa traz o Partido Comunista de volta ao poder, quarenta abos depois do 25 de Novembro.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

José Sócrates e a litigância compulsiva

«He who must not be named» (Harry Potter series)


Processa-os todos!

Apresenta queixa contra todo, e quase qualquer, que mencione o teu infernizado nome, de Senhor das Trevas, «He-Who-Must-Not-Be-Named»!

Põe outros escritórios de advogados a trabalhar para ti, que a centena do Proença de Carvalho na sombra rasputínica com que te entendes, já não te chega, e os homens de palha Araújo-Delille não dão vazão a tanto ornejo!

Ameaça, vá (tu não perdeste o jeito!...), com o castigo de centenas de crimes, de milhões de euros de indemnização, com a ruína financeira, com o despedimento, com a vigilância dos esbirros dos serviços, e com a perseguição maçónica (sim, a gente sabe dos bounty hunters...)!

Contrata a Manchete para o clipping, outro arquivista a 5 mil euros para classificar as notícias, artigos, crónicas e postes, pela tua (des)ordem de sede de vingança, um assessor de comunicação a 2.500 euros para dourar-te a imagem de demo, pede ajuda ao Pereira para repor o software de monitoring dos serviços ao teu dispor!

Enxameia os tribunais criminais e cíveis de Lisboa, ocupa todos os juízes da Relação e do Supremo com os recursos por isto-aquilo-e-aqueloutro, ativa as antenas renitentes (expostos...) no Constitucional sobre os teus privilegiados direitos!

Aperta com todos os procuradores para que façam deles as tuas causas patéticas de censura!

Seleciona juízos e secções - ou melhor, atira nos magistrados todos, que algum, mais ou menos demente, mais ou menos guloso, mais ou menos aluado (cherchons!), há-de ceder -te e a imprensa proêncica, as TVs do teu consócio Costa e do teu amigo Figueiredo, os editores e jornalistas devedores, valorizarão muito mais qualquer cego que te aggiuste as diáfanas vestes do que as centenas que te viram a patética nudez!

Estende a censura ao estrangeiro, começa pelo País espanhol que avisa que «en Portugal solo se puede hablar del Sócrates griego», 30-10-2015, e termina nos franceses que começam a varrer-te o amido da tese de mestrado e vão apertar-te a memória na Sciences Po!

Exige a mesma litigância cega, contra tudo e contra todos e ainda contra mais alguns, aos teus co-arguidos, parceiros, pseudo-patrões, suspeitos e referidos, na Operação Marquês e noutros casos,  cansa-os com a Câncio, apedreja-os com o teu moço Soares, e chama o teu nègre farinha-do-mesmo-saco para te escrever um livro negro. Assegura-lhes que pagas tudo - dinheiro não parece faltar-te (afinal para que servem as Singapuras-Dubais, agora que o eixo Suíça-Luxemburgo já não é o que foi...)!

Manda ao teu financeiro magro que mobilize os fundos gordos para rechear as contas de transição (o raio das contas de transição, onde se descobre sempre o rasto!...) e põe outras pernas como estafetas!

Proíbe tudo, não importa sol ou sombra, num desvariado variado, de paranóica voragem!

Impõe o silêncio vivo e cala todos os ois com os teus ais!

Inspira a (re)cortar processos e manda apagar referências, encaixotar escutas, cobrir novas investigações, riscar de azul tudo o que te comprometa!

No fim, e depois do registo das centenas de processos que puseste a dezenas de pessoas e entidades, numa fúria de litigância compuslva, hás-de ficar isolado, amargo, num a regressão psicológica ao drama infantil do abandono, privado da euforia branca que te agita no cubículo escuro em que tu próprio te fechas! Só.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014) no âmbito da Operação Marquês, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
As demais entidades referidas nas notícias dos média, que comento, não são arguidas ou suspeitas de qualquer ilegalidade ou irregularidade nestes casos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

A vitória patriótica dos macaenses sobre o racismo socialista-maçónico

Apesar das manobras maçónicas evidentes no processo de voto por correspondência, que cumulou o racismo agoni(z)ante e desavergonhado que ressumava do discurso de Tiago Bonucci Pereira, líder do PS em Macau e candidato do Partido Socialista do círculo eleitoral das Comunidades Portuguesas de fora da Europa, e filho do secretário-geral do SIRP, Júlio Pereira, durante a campanha eleitoral, o PS foi cilindrado em Macau, nas eleições legislativas de 4-10-2015, pelo patriota português José Maria Pereira Coutinho (81% dos votos em Macau!), que o PSD desaproveitou e que se viu forçado a concorrer pelo movimento Nós, Cidadãos. Por mais  um pouco, Pereira Coutinho seria eleito deputado e o PSD perderia um deputado.

O PS Macau ficou reduzido a 97 votos (3%!) e nem sequer representa a comunidade expatriada, muito menos a comunidade macaense que despreza. O PSD local, cuja fação opositora é dominada pela Maçonaria, foi afetado pela exclusão de Pereira Coutinho (7%)... É hora de arrepiar caminho, como bem salienta Vitório Rosário Cardoso... Macau deu uma extraordinária lição de patriotismo e de independência face à tentativa de controlo das sociedades secretas que se tentam infilitrar na China através de expatriados sem ligação nem interesse com o território.


Atualização: este poste foi emendado às 8:23 de 2-11-2015.

domingo, 25 de outubro de 2015

Cavaco prepara-se para nomear Costa, após a rejeição do II Governo Passos

O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, apresta-se para nomear António Costa para primeiro-ministro, após a rejeição pelo Parlamento do programa de Governo do segundo executivo Passos Coelho.

Justifico com três recortes; e depois sintetizo.

Cavaco Silva recusa Governo de gestão, Expresso, 1.ª página, 17-10-2015.



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Luísa Meireles. PR mantém opções em aberto.
Expresso, p. 3, 24-10-2015.



Estes textos bastam para justificar o golpe que se prepara. E que ainda pode ser travado pela sua exposição e denúncia. No entanto, justifico a minha afirmação.

A eleição de Ferro Rodrigues como presidente do Parlamento em 23-10-2015, à primeira volta, rompendo a tradição de eleger o candidato do partido, ou da coligação, mais votado, indica que os seguristas se encolheram e que António Costa garantirá a unanimidade dos deputados do PS no chumbo do programa do Governo PSD-CDS. 


Na comunicação ao País, de 22-10-2015, o Presidente Cavaco Silva jamais contradiz o que os seus serviços haviam posto a circular, através do Expresso, em 17-10-2015: «Cavaco Silva recusa governo de gestão». Nem nessa comunicação diz recusar previamente nomear António Costa para um governo com apoio parlamentar do PC e do Bloco de Esquerda.

Descascado da chamada de atenção para os compromissos internacionais do País (União Europeia, euro e Nato) e para a gartantia da apreciação positiva dos credores, dos mercados e dos investidores, o discurso de Cavaco em 22-10-2015, traduz o seu medo genético na sistemática lavagem de mãos perante as manobras do socialismo radical. Esse medo inato transformou-se em pavor, quase físico, por efeito da doença degenerativa de que padece, a que se soma o cuidado dos netos - «o preço da paz» (conversa de 24-6-2009, do processo Face Oculta), aproveitado pelos socratinos e espíritos santos, que lhe exploravam o ponto fraco.

A reportagem, a partir do palácio de Belém, de Luísa Meireles no Expresso, de ontem, 24-10-2015, que coloco abaixo, explica que a presumida dureza do discurso de quinta-feira, é, ao contrário,  do que o alijamento da própria responsabilidade no cumprimento dos seus deveres constitucionais:
«o Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, Comandante Supremo das Forças Armadas». (art. 120.º da CRP)

Em vez de evitar o sacrifício da Nação ao capricho do derrotado António Costa, de recusar a viragem marxista e radical do Estado e de opor-se à ocupação do aparelho de Estado pelo Partido Comunista e pelos troksistas do Bloco de Esquerda (40 anos depois do 25 de Novembro de 1975!), mantendo o Governo PSD-CDS em gestão até à dissolução possível da Assembleia em 6 de abril de 2016 e às eleições legislativas ainda em abril de 2016, a que o seu sucessor não poderá furtar-se, o Presidente Cavaco empossará um Governo socialista com o apoio de comunistas e troskistas. Como adenda, ainda se escudará na posição eleitoral de Marcelo Rebelo de Sousa, em 24-10-2015, na sala da Voz do Operária semi-cheia, contra o governo de gestão, divergindo, no entanto, de Soares e de Sampaio.

Em troca, Cavaco Silva obterá uma tolerância especial pós-presidência, que lhe acautelará o futuro da família e lhe permitirá ir andar na rua sem risco de assédio da esquerda, neutralizando ainda o transtorno do escrutínio inquisitorial dos média controlados e das instituições controladas pelos socialistas. Como desculpa, poderá justificar-se com um vago acordo parlamentar da plataforma de esquerda para um Governo socialista (o partido vencido no sufrágio de 4 de outubro de 2015!) com a inclusão de homens e mulheres de palha do PC e do Bloco, nuancée e omisso da posição do Partido Comunista e do Bloco à União Europeia, e aos seus tratados, ao euro e à Nato (veja-se o comunicado do PC, de 24-10-2015, contra os exercícios militares da Nato na costa alentejana).

Os lamentos do Presidente e mais este «aviso à navegação» (reportagem de Belém, de Luísa Meireles, no Expresso, de 24-10-2015, p. 3), não interessa nada aos portugueses. Menos ainda lhes diz a escusa de que não pediu «acordo escrito a António Costa» (idem, ibidem). O Presidente tem de usar as suas competências constitucionais para defender o futuro do País. Os portugueses não votaram maioritariamente em António Costa e no PS, mas na coligação de direita - e a maioria dos que votaram PS não sufragaram numa coligação pós-eleitoral de esquerda que nem imaginavam e abominam. Depois da jamais esquecida «cooperação estratégica» com José Sócrates, a nomeação pelo Presidente Cavaco Silva de um Governo liderado pelo PS e com um programa negociado com o PC e com o Bloco de Esquerda, não é uma apenas mais uma traição à maioria que o elegeu: é uma traição a Portugal.

Talvez agora se perceba melhor porque recomendei, em junho de 2014, a renúncia do Presidente Cavaco Silva...

Back to the future, voltámos, por capricho de um derrotado, António Costa, pelo misto de loucura e de receio de um partido dito do socialismo democrático, o PS, e pela resignação de um Presidente da República, Cavaco Silva, à época revolucionária de 1975. Quatro décadas depois do Verão Quente, o outono tempestuoso. O retorno, com antigas colaborações (como a do «camarada»  PSD Pacheco Pereira) à velha dicotomia explicitada pelo primeiro-ministro Vasco Gonçalves, em 17-5-1975, no famoso discurso da Sorefame:
«E não tenhamos dúvidas — só há duas alternativas: ou se está com a revolução ou se está com a reacção. Não há terceiras vias, nem há lugar para neutros. Não pode haver neutros.» (Video)
Não há terceira via possível, com um Governo PSD-CDS-PS, pois António Costa não admite ser número dois. Já com um primeiro-ministro indigitado, e a não ser como manobra tática, é prejudicial readmitir a aliança contranatura bloco-centralista, depois de se romperem as negociações do PSD com o PS. Aliás, a entrada do PS no Governo poria em vigor a pressão sobre as magistraturas, e sobre o Tribunal Constitucional, para o aggiustamento dos processos de corrupção política.

Apesar do significativo silêncio de Mário Soares, desta vez o Partido Socialista, liderado pela fação costisto-ferrosa/socratina está do lado errado da história, aliado aos comunistas ortodoxos e dos comunistas trotkistas. E com uma provável candidatura presidencial de José SócratesTodos os meus direitos políticos estão intactos e tenciono exercê-los» - disse ontem, 24-10-2015, numa «sala repleta», em Vila Velha de Ródão...) armado em candidato extrassistémico como Otelo, em junho de 1976, e chegando a  comparar-se ao resistente Luaty Beirão. São precisamente os quarenta anos do 25 de Novembro de 1975 que têm de ser assinalados com uma grande demonstração de defesa da democracia face ao delírio revolucionário em curso.

Vivemos tempos duros que justificam a unidade dos patriotas para preservar a convivência social da Pátria e evitar uma agonia sirízica de degradação económica, num contexto de isolamento internacional face aos credores, os mercados, e os aliados.

terça-feira, 13 de outubro de 2015

A oportunidade patriótica



Deve ser exposta toda a porcaria da corrupção política na Operação Marquês, durante este período de negociações para a partilha do poder. Tudo! Agora! Após o acordo sistémico para aggiustamento dos processos e para a substituição dos magistrados incómodos, a publicação das golpadas políticas será inócua. O País ficará à deriva e a espinha do poder judicial independente ficará quebrada durante décadas.


* Imagem pica daqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Golpe de Estado constitucional - parte II

Nada mais atual do que este crónica: «Coligações perigosas», por André Azevedo Alves, no Observador, de 10-10-2015. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Xadrez sistémico




Numa recomposição do arranjinho, António Costa ensaia uma candidatura à presidência da República, reunindo com o PC e com o Bloco de Esquerda, a pretexto de uma alternativa de governo. E note-se que setores da coligação PSD-CDS equacionam pôr Ferro Rodrigues como presidente da Assembleia da República. Para o tríptico do poder político do Estado ficar todo cor-de-rosa, e apesar de a coligação Portugal à Frente (PSD-CDS) ter ganho as eleições de 4-10-2015, só falta mesmo que o primeiro-ministro indigitado seja do PS...


* Imagem picada daqui.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): Eduardo Luís Barreto Ferro Rodrigues foi referido, segundo o CM de 10-11-2003, no processo de abuso sexual de menores da Casa Pia por "3 jovens" vítimas - a Lusa de 20-12-2007 indica "duas" vítimas que o mencionaram "como estando envolvido em abusos sexuais ou presente em casas onde estes aconteceram". Em 5-1-2004, o CM noticiou:
«Ferro Rodrigues, segundo a TVI, não foi acusado no âmbito do processo Casa Pia por os alegados crimes de abuso sexual terem prescrito. De acordo com a estação televisiva, no processo vêm referidas duas situações que originaram arquivamentos: falta de indícios e prescrição dos factos, tendo o líder do PS sido incluído nesta última».
Eduardo Ferro Rodrigues negou esses abusos sexuais sobre menores e essa alegação. Não foi acusado pelo Ministério Público, nem sequer constituído arguido. 

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Golpe de Estado constitucional

Está em curso um golpe de Estado constitucional, organizado para partir a espinha do poder judicial independente, aggiustando os processos Sócrates, Salgado e BES, vistos gold, Relvas, MarcoAntónioCosta, etc., etc., e evitar a limpeza do Estado. Para tanto, estoutro «compromisso» histórico integra três ações prioritárias:
  1. A formação de um governo PSD-CDS-PS.
  2. A colocação de Marcelo Rebelo de Sousa, grande amigo e colaborador de Ricardo Salgado, como presidente da República.
  3. A cooptação de Ferro Rodrigues como presidente do Parlamento. 
Este golpe de Estado foi conspirado pela Maçonaria, muito preocupada com a queda do sistema corrupto que o poder judicial independente investiga. Está a ser executado pelas suas antenas no PSD, no CDS e no PS - ainda que Costa e Sócrates não tenham nenhum interesse em eleições próximas e viabilizassem os orçamentos da coligação.... E goza do apoio da alta finança e das grandes empresas, das confederações patronais e dos sindicatos, todos animados pela gula da partilha do orçamento de Estado.

O golpe de Estado obteve a colaboração de Cavaco Silva, interessado em obter o favor da opinião socialista, quando abandonar a presidência. E beneficia da resignação de Passos Coelho, iludido em que domina Costa e Sócrates como controlou o líder do CDS. Para além de ter o aprazimento de Paulo Portas e o envolvimento das fações ferrosa/costista e socratina do PS. Porém, este golpe não conta com o silêncio, nem com a conformação, do setor patriótico.

Neste jogo, a Pátria não conta. O povo não conta. Se contassem, os 2.071.376 eleitores que votaram nas legislativas de 4-10-2015, na coligação PSD-CDS não seriam traídos - e nem a maioria dos 1.740.300 eleitores do PS que com certeza não concordam com a impunidade da corrupção de Estado. Todavia, desenganem-se os conspiradores e os seus cúmplices: o povo existe e a Pátria dura!

Factos e efeitos das legislativas de outubro de 2015


ABC (abril de 2015). Restaurante Póstroika. Santa Catarina da Serra. 


Neste poste, faço a análise dos factos das eleições legislativas de anteontem, 4-10-2015 (à exceção dos círculos da Europa e Fora da Europa) em comparação com os resultados das eleições de 2011, notando ainda os resultados das eleições europeias de 24-5-2014, em termos de percentagem, votos e deputados, e procuro extrair alguns efeitos.



Factos
Destaco sete pontos na análise dos resultados das eleições legislativas de 4-10-2015. Uma análise que é preliminar, pois faltam os resultados da votação por correspondência dos portugueses no estrangeiro, onde é de esperar 1 mandato para o PS e 3 mandatos para a coligação de direita - a não ser que o carismático macaense José Maria Pereira Coutinho, que o PSD desprezou, lhe retire um mandato no círculo Fora da Europa... Eis a perspetiva sobre os resultados consolidados que calculei na tabela acima:
  1. A coligação Portugal à Frente (PàF), composta por PSD e CDS, ganhou as eleições. Parece uma tautologia, mas não é: durante a noite das eleições, todos os perdedores (PS, Bloco e PC) reclamaram vitória... Não foi por maioria absoluta, todavia ganhou, obtendo, previsivelmente (3 mandatos no estrangeiro contra 1 do PS), mais deputados do que PS e Bloco de Esquerda juntos. PSD e CDS perderam cerca de 727 mil votos face às eleições parlamentares de 2011, como efeito da erosão da austeridade financeira sobre o eleitorado. Contudo,  Passos Coelho tornou-se o líder incontestado da direita e aumentou o seu prestígio internacional ao ganhar pela primeira vez uma eleição em ambiente de austeridade à moda germânica, resistindo ainda aos apelos de Ricardo Salgado e, depois, dos lesados do BES, em contraste com o seu antecessor, detido, em novembro de 2014, por alegações de corrupção e fraude fiscal, .
  2. Um marciano que chegasse nesta noite à Terra, e não conhecesse os resultados, e de larga derrota das urnas, e visse  a saída triunfante de António Costa do hotel, à mesma fora em que Passos Coelho discursava, dividindo as telas das TVs (?!...), julgaria que o PS costista-ferrista-socratista tinha ganho!... Costa que havia recriminado Seguro por, nas eleições europeias, ganhar «por poucochinho» (12-7-2015) acabou por perder... e por muito. Demagogo, mistificador (no debate de 9-9-2015, acusou Passos Coelho de ter sido ele a chamar a troika!...), sofista, cata-vento de posições políticas que oscilavam ao longo do dia (!), apoiando o detido 44/33, radical laico, embevecido pela vitória do Syriza ("vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha», disse em 25-1-2015), conduziu o PS num ziguezague entre um discurso colérico de aventureirismo radical esquerdista e um programa contraditório que não convenceu o eleitorado. Perdeu Costa, perderam os seus aliados ferrosos (Ferro, Vieira da Silva e Paulo Pedroso), perderam os socratinos que queriam usar a sua vitória (ou derrota...) para dinamitar o processo judicial do engenheiro falso. Apesar da recuperação in extremis de eleitores na última semana, face a sondagens que no princípio da semana colocavam PSD-CDS no limiar da maioria absoluta, e que parecem ter acorrido às urnas de voto para evitar um desastre ainda maior. Porém, como o aparelho do partido e o grupo parlamentar são maioritariamente do socratismo-ferrismo, o atual líder socialista ignora os resultados e assobia para o lado. Diz o povo que quem não tem vergonha todo o mundo é seu - mas é só durante algum tempo...
  3. O Bloco de Esquerda subiu a sua votação quase para o dobro, em votos (260 mil votos) e percentagem (ficou com 10,2%). As causas parecem ser efeito retardado do entusiasmo europeu pela esquerda utópica, a exemplo do Syriza e do Podemos, a simpatia melíflua de Catarina Martins, em contraste com a cólera de Francisco Louçã, e uma nova geração de candidatos face ao envelhecimento do PS (e do PSD-CDS).
  4. O PC (CDU...) manteve a sua base eleitoral rígida, subindo 3 mil votos correspondentes a 0,3%. Faça chuva ou sol, os comunistas acorrem às urnas, melhorando a percentagem se a abstenção aumenta. Contudo, o seu eleitorado cristalizou e não é apelativo para a malta nova.
  5. A multiplicação de novos partidos à esquerda (Livre, Agir, PDR), agrupados em torno de personalidades, mais do que focados em propostas políticas diferentes, não teve consequência em número de votos nestas eleições a doer, em contraponto às europeias onde obtiveram bons resultados.
  6. O Portugal Pro Vida, renomeado Cidadania e Democracia Cristã, obteve cerca de 1/3 da votação de há quatro anos, ficando com 0.05% dos votos. E parece extinguir-se com o trânsito precoce do seu fundador. Lá de cima, o meu Amigo Luís Botelho Ribeiro, alma desse projeto operacional, também empenhado na reconversão do episcopado português à coragem da afirmação da doutrina, há-de olhar com misericórdia fraternal o resultado e interceder pela nossa fé, trabalho e luta.
  7. A abstenção cresceu 2% (181.172 eleitores) entre 2015 e 2011, ainda que o universo recenseado tenha aumentado em 10.627 eleitores.

Efeitos
Creio que se podem extrair, entre outros, sete efeitos destas legislativas de 4 de outubro de 2015:
  1. O princípio do uso máximo da força (de Clausewitz), não foi seguido pela coligação PSD-CDS. Alvejado pelos escândalos da licenciatura de Miguel Relvas, dos «vistos gold» de Miguel Macedo, os submarinos de Portas, da ascensão (e queda...) de MarcoAntónioCosta e da tralha do BPN, mas principalmente porque a corrupção parece ser um tema tabu, e ainda que não tenha sido atingido pessoalmente senão pela mixuruquice da Tecnoforma, Passos Coelho raramente jogou a carta Sócrates. Fê-lo no primeiro debate de 9-9-2015 (até excessivamente) mas apenas relativamente à governação. Nem Passos, nem os seus homens, nem nos média.
  2. Mesmo os casos que envolviam António Costa - casa da Avenida da Liberdade e remunerações e impostos da Quadratura do Círculo na SIC - foram bloqueados nos média. O caso da «cobertura descoberta» de António Costa na Avenida da Liberdade, em Lisboa, que investiguei em março de 2015, travou a escalada negra socialista evidente no caso Tecnoforma que culminaria num golpe de Estado constitucional. Vieira da Silva, o organizador-mor do ferrismo-socratismo, que conseguiu a proeza de, neste contexto de austeridade, perder em Santarém para Teresa Leal Coelho, denunciou-se, anteontem na TVI, ao dizer, com rancor, que as eleições deviam ter sido em junho de 2015 (como estava preparado pela direção socialista que acontecesse...). Não foi aproveitado outro tema que investiguei, aqui, caso dos impostos (IRS e IVA) e remunerações de Costa pelos debates da Quadratura do Círculo, na SIC, entre 2007 e 2013, que podem ter alegadamente provocado um eventual prejuízo para o Estado de mais de 450 mil euros. É evidente que há-de ter funcionado como dissuasor de qualquer ataque socialista de última hora, mas não devia ter sido desperdiçado. A ideia da direção da coligação PSD-CDS de que era possível à coligação ganhar sem denunciar a verdadeira estirpe socratina de António Costa foi um erro. 
  3. António Costa é agora o mais fiel aliado de Passos Coelho... Aliás, como José Sócrates e os seus henchmen, interessados em negociar apoio parlamentar em troca de aggiustamento do processo. Se houver novas eleições próximas, por instabilidade política, Costa e o socratismo-ferrismo serão defenestrado no PS pela erosão provocada pelo Bloco de Esquerda e as novidades do processo Sócrates. Daí as imediatas sugestões de negociação com PSD-CDS feitas  por Vieira da Silva, por Ferro Rodrigues e por Santos Silva. o PS quer manter os lugares de controlo no Estado (nos serviços de informação, nos serviços tributários, na segurança social, no ministério da economia e nas finanças) e defender os editores de confiança nas TVs, rádios e jornais: o socratino Sérgio Figueiredo, Judite de Sousa, mano Costa (António José Teixeira já caíu...), Paulo Baldaia, João Marcelino, etc., etc.. Porém, o domínio socialista do Estado e dos média existia na expetativa de que o PS negro voltaria ao poder após o interregno de Passos Coelho. Ora, Balsemão, os donos da TVI e os angolanos da Controlinveste, sabem que se finou essa esperança e que é altura de se virarem rapidamente para Passos.
  4. Socratinos-ferrosos (Costa foi um pàf que se lhe deu!...) e Pafs sistémicos, com a cobertura dos editores socratinos, vão pressionar o presidente Cavaco Silva a obrigar Passos a fazer um governo PSD-CDS que também inclua o PS... A ideia é a mesma da tentativa de golpe de Estado constitucional após a tomada do PS pelo socratino Costa, no verão de 2014: retomar o poder em aliança com os sociais-democratas entalados nos escândalos, para livrarem José Sócrates e Ricardo Salgado. Para isso, se não foi possível afastar Passos Coelho, nem no verão de 2014, nem agora, é necessário dominar o líder social-democrata. Parece difícil, mas velhos e novos casos vão reaparecer...
  5. Contudo, esta pressão inconstitucional sistémica a favor da inclusão do PS no Governo, ou de um pacto de regime para abafar os processos judiciais de corrupção, não passa de um bluff. Passos deve formar governo sem aliança com os socialistas socratinos - embora fosse interessante contar com uma ou duas personalidades independentes de matriz segurista no executivo... E Costa, mais cedo ou mais tarde, partirá, arrastando o ferrismo e o socratismo do poder no PS e no País. Ferro Rodrigues não conseguirá ser presidente da Assembleia da República e, tal como Vieira da Silva, passarão à reforma.
  6. A candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, com sondagens hiperbólicas (Rio tem estado longe dos média) e com sugestão venenosa de convite ao ex-presidente da CMPorto para um lugar de ministro no Governo (repetição da jogada guterrista sobre Fernando Gomes, em 1999...), insere-se nesse complot de partir a espinha do poder judicial independente para safar Sócrates, Salgado e o sistema corrupto. O objetivo é substituir a procuradora-geral da República Joana Marques Vidal, retirar o processo da Operação Marquês a Rosário Teixeira e outros (como o das PPPs, no DCIAP) e afastar Carlos Alexandre. Um pacto de regime à italiana.
  7. Apesar da maioria relativa no Parlamento, Passos Coelho tem condições raras para governar, limpando finalmente o aparelho de Estado do socratismo e beneficiando da viragem dos média a seu favor. Portas está neutralizado; costistas-ferrosos e socratinos querem proteção e sopas e tachos e descanso; e seguristas são aliados táticos. O povo parece ter-se acomodado ao habitualismo de Passos e à sua suavidade austera. E o novo mandato ocorre num contexto financeiro de equilíbrio orçamental e num ambiente económico-social bastante favorável, de crescimento económico e de recuperação de bem-estar. Veremos...

Em suma: os resultados foram melhores do que se esperava, a perspetiva política é ainda mais vantajosa pela debilidade socratina e o ambiente financeiro e económico é propício ao aumento da popularidade do novo Governo. Assim, exista vontade.

E daqui, do Portugal profundo, onde lavramos, por sulcos direitos, jeiras de esperança com arados rijos e mãos enfoladas, a luta patriótica continua. Podia ter sido fechado, por uma maioria absoluta, o longo ciclo de combate iniciado em agosto de 2003 neste blogue, escalado pela profanação da minha casa e da casa de minha mãe na noite de 27 de outubro de 2004, pelos esbirros mandados pela rede pedófila, e pelo processo intentado por José Sócrates por causa da exposição que fiz do seu percurso académico rocambolesco. Mas não seria a mesma coisa. A luta - a luta! - essa continua. Trabalho.

Finalmente, sem desprimor dos trabalhadores mais recentes da vinha do Senhoré hora de obterem justiça os patriotas perseguidos neste anos negros pelo socratismo-ferrismo socialista - nos quais, infelizmente (ou felizmente...), me incluo. Uma perseguição política, com prejuízo da sua vida e dos seus e da carreira profissional, a que urge pôr termo. Chega de sofrimento silencioso, de perfil baixo, de clandestinidade social, de prejuízo profissional, de sacrifício injusto. A reabilitação dos veteranos do setor patriótico perseguidos pelo socialismo corrupto é uma das tarefas necessárias à recuperação de Portugal.