Neste poste, faço a análise dos factos das eleições legislativas de anteontem, 4-10-2015 (à exceção dos círculos da Europa e Fora da Europa) em comparação com os resultados das eleições de 2011, notando ainda os resultados das eleições europeias de 24-5-2014, em termos de percentagem, votos e deputados, e procuro extrair alguns efeitos.
Factos
Destaco sete pontos na análise dos resultados das eleições legislativas de 4-10-2015. Uma análise que é preliminar, pois faltam os resultados da votação por correspondência dos portugueses no estrangeiro, onde é de esperar 1 mandato para o PS e 3 mandatos para a coligação de direita - a não ser que o carismático macaense José Maria Pereira Coutinho, que o PSD desprezou, lhe retire um mandato no círculo Fora da Europa... Eis a perspetiva sobre os resultados consolidados que calculei na tabela acima:
- A coligação Portugal à Frente (PàF), composta por PSD e CDS, ganhou as eleições. Parece uma tautologia, mas não é: durante a noite das eleições, todos os perdedores (PS, Bloco e PC) reclamaram vitória... Não foi por maioria absoluta, todavia ganhou, obtendo, previsivelmente (3 mandatos no estrangeiro contra 1 do PS), mais deputados do que PS e Bloco de Esquerda juntos. PSD e CDS perderam cerca de 727 mil votos face às eleições parlamentares de 2011, como efeito da erosão da austeridade financeira sobre o eleitorado. Contudo, Passos Coelho tornou-se o líder incontestado da direita e aumentou o seu prestígio internacional ao ganhar pela primeira vez uma eleição em ambiente de austeridade à moda germânica, resistindo ainda aos apelos de Ricardo Salgado e, depois, dos lesados do BES, em contraste com o seu antecessor, detido, em novembro de 2014, por alegações de corrupção e fraude fiscal, .
- Um marciano que chegasse nesta noite à Terra, e não conhecesse os resultados, e de larga derrota das urnas, e visse a saída triunfante de António Costa do hotel, à mesma fora em que Passos Coelho discursava, dividindo as telas das TVs (?!...), julgaria que o PS costista-ferrista-socratista tinha ganho!... Costa que havia recriminado Seguro por, nas eleições europeias, ganhar «por poucochinho» (12-7-2015) acabou por perder... e por muito. Demagogo, mistificador (no debate de 9-9-2015, acusou Passos Coelho de ter sido ele a chamar a troika!...), sofista, cata-vento de posições políticas que oscilavam ao longo do dia (!), apoiando o detido 44/33, radical laico, embevecido pela vitória do Syriza ("vitória do Syriza é um sinal de mudança que dá força para seguir a mesma linha», disse em 25-1-2015), conduziu o PS num ziguezague entre um discurso colérico de aventureirismo radical esquerdista e um programa contraditório que não convenceu o eleitorado. Perdeu Costa, perderam os seus aliados ferrosos (Ferro, Vieira da Silva e Paulo Pedroso), perderam os socratinos que queriam usar a sua vitória (ou derrota...) para dinamitar o processo judicial do engenheiro falso. Apesar da recuperação in extremis de eleitores na última semana, face a sondagens que no princípio da semana colocavam PSD-CDS no limiar da maioria absoluta, e que parecem ter acorrido às urnas de voto para evitar um desastre ainda maior. Porém, como o aparelho do partido e o grupo parlamentar são maioritariamente do socratismo-ferrismo, o atual líder socialista ignora os resultados e assobia para o lado. Diz o povo que quem não tem vergonha todo o mundo é seu - mas é só durante algum tempo...
- O Bloco de Esquerda subiu a sua votação quase para o dobro, em votos (260 mil votos) e percentagem (ficou com 10,2%). As causas parecem ser efeito retardado do entusiasmo europeu pela esquerda utópica, a exemplo do Syriza e do Podemos, a simpatia melíflua de Catarina Martins, em contraste com a cólera de Francisco Louçã, e uma nova geração de candidatos face ao envelhecimento do PS (e do PSD-CDS).
- O PC (CDU...) manteve a sua base eleitoral rígida, subindo 3 mil votos correspondentes a 0,3%. Faça chuva ou sol, os comunistas acorrem às urnas, melhorando a percentagem se a abstenção aumenta. Contudo, o seu eleitorado cristalizou e não é apelativo para a malta nova.
- A multiplicação de novos partidos à esquerda (Livre, Agir, PDR), agrupados em torno de personalidades, mais do que focados em propostas políticas diferentes, não teve consequência em número de votos nestas eleições a doer, em contraponto às europeias onde obtiveram bons resultados.
- O Portugal Pro Vida, renomeado Cidadania e Democracia Cristã, obteve cerca de 1/3 da votação de há quatro anos, ficando com 0.05% dos votos. E parece extinguir-se com o trânsito precoce do seu fundador. Lá de cima, o meu Amigo Luís Botelho Ribeiro, alma desse projeto operacional, também empenhado na reconversão do episcopado português à coragem da afirmação da doutrina, há-de olhar com misericórdia fraternal o resultado e interceder pela nossa fé, trabalho e luta.
- A abstenção cresceu 2% (181.172 eleitores) entre 2015 e 2011, ainda que o universo recenseado tenha aumentado em 10.627 eleitores.
Efeitos
Creio que se podem extrair, entre outros, sete efeitos destas legislativas de 4 de outubro de 2015:
- O princípio do uso máximo da força (de Clausewitz), não foi seguido pela coligação PSD-CDS. Alvejado pelos escândalos da licenciatura de Miguel Relvas, dos «vistos gold» de Miguel Macedo, os submarinos de Portas, da ascensão (e queda...) de MarcoAntónioCosta e da tralha do BPN, mas principalmente porque a corrupção parece ser um tema tabu, e ainda que não tenha sido atingido pessoalmente senão pela mixuruquice da Tecnoforma, Passos Coelho raramente jogou a carta Sócrates. Fê-lo no primeiro debate de 9-9-2015 (até excessivamente) mas apenas relativamente à governação. Nem Passos, nem os seus homens, nem nos média.
- Mesmo os casos que envolviam António Costa - casa da Avenida da Liberdade e remunerações e impostos da Quadratura do Círculo na SIC - foram bloqueados nos média. O caso da «cobertura descoberta» de António Costa na Avenida da Liberdade, em Lisboa, que investiguei em março de 2015, travou a escalada negra socialista evidente no caso Tecnoforma que culminaria num golpe de Estado constitucional. Vieira da Silva, o organizador-mor do ferrismo-socratismo, que conseguiu a proeza de, neste contexto de austeridade, perder em Santarém para Teresa Leal Coelho, denunciou-se, anteontem na TVI, ao dizer, com rancor, que as eleições deviam ter sido em junho de 2015 (como estava preparado pela direção socialista que acontecesse...). Não foi aproveitado outro tema que investiguei, aqui, caso dos impostos (IRS e IVA) e remunerações de Costa pelos debates da Quadratura do Círculo, na SIC, entre 2007 e 2013, que podem ter alegadamente provocado um eventual prejuízo para o Estado de mais de 450 mil euros. É evidente que há-de ter funcionado como dissuasor de qualquer ataque socialista de última hora, mas não devia ter sido desperdiçado. A ideia da direção da coligação PSD-CDS de que era possível à coligação ganhar sem denunciar a verdadeira estirpe socratina de António Costa foi um erro.
- António Costa é agora o mais fiel aliado de Passos Coelho... Aliás, como José Sócrates e os seus henchmen, interessados em negociar apoio parlamentar em troca de aggiustamento do processo. Se houver novas eleições próximas, por instabilidade política, Costa e o socratismo-ferrismo serão defenestrado no PS pela erosão provocada pelo Bloco de Esquerda e as novidades do processo Sócrates. Daí as imediatas sugestões de negociação com PSD-CDS feitas por Vieira da Silva, por Ferro Rodrigues e por Santos Silva. o PS quer manter os lugares de controlo no Estado (nos serviços de informação, nos serviços tributários, na segurança social, no ministério da economia e nas finanças) e defender os editores de confiança nas TVs, rádios e jornais: o socratino Sérgio Figueiredo, Judite de Sousa, mano Costa (António José Teixeira já caíu...), Paulo Baldaia, João Marcelino, etc., etc.. Porém, o domínio socialista do Estado e dos média existia na expetativa de que o PS negro voltaria ao poder após o interregno de Passos Coelho. Ora, Balsemão, os donos da TVI e os angolanos da Controlinveste, sabem que se finou essa esperança e que é altura de se virarem rapidamente para Passos.
- Socratinos-ferrosos (Costa foi um pàf que se lhe deu!...) e Pafs sistémicos, com a cobertura dos editores socratinos, vão pressionar o presidente Cavaco Silva a obrigar Passos a fazer um governo PSD-CDS que também inclua o PS... A ideia é a mesma da tentativa de golpe de Estado constitucional após a tomada do PS pelo socratino Costa, no verão de 2014: retomar o poder em aliança com os sociais-democratas entalados nos escândalos, para livrarem José Sócrates e Ricardo Salgado. Para isso, se não foi possível afastar Passos Coelho, nem no verão de 2014, nem agora, é necessário dominar o líder social-democrata. Parece difícil, mas velhos e novos casos vão reaparecer...
- Contudo, esta pressão inconstitucional sistémica a favor da inclusão do PS no Governo, ou de um pacto de regime para abafar os processos judiciais de corrupção, não passa de um bluff. Passos deve formar governo sem aliança com os socialistas socratinos - embora fosse interessante contar com uma ou duas personalidades independentes de matriz segurista no executivo... E Costa, mais cedo ou mais tarde, partirá, arrastando o ferrismo e o socratismo do poder no PS e no País. Ferro Rodrigues não conseguirá ser presidente da Assembleia da República e, tal como Vieira da Silva, passarão à reforma.
- A candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa, com sondagens hiperbólicas (Rio tem estado longe dos média) e com sugestão venenosa de convite ao ex-presidente da CMPorto para um lugar de ministro no Governo (repetição da jogada guterrista sobre Fernando Gomes, em 1999...), insere-se nesse complot de partir a espinha do poder judicial independente para safar Sócrates, Salgado e o sistema corrupto. O objetivo é substituir a procuradora-geral da República Joana Marques Vidal, retirar o processo da Operação Marquês a Rosário Teixeira e outros (como o das PPPs, no DCIAP) e afastar Carlos Alexandre. Um pacto de regime à italiana.
- Apesar da maioria relativa no Parlamento, Passos Coelho tem condições raras para governar, limpando finalmente o aparelho de Estado do socratismo e beneficiando da viragem dos média a seu favor. Portas está neutralizado; costistas-ferrosos e socratinos querem proteção e sopas e tachos e descanso; e seguristas são aliados táticos. O povo parece ter-se acomodado ao habitualismo de Passos e à sua suavidade austera. E o novo mandato ocorre num contexto financeiro de equilíbrio orçamental e num ambiente económico-social bastante favorável, de crescimento económico e de recuperação de bem-estar. Veremos...
Em suma: os resultados foram melhores do que se esperava, a perspetiva política é ainda mais vantajosa pela debilidade socratina e o ambiente financeiro e económico é propício ao aumento da popularidade do novo Governo. Assim, exista vontade.
E daqui, do Portugal profundo, onde lavramos, por sulcos direitos, jeiras de esperança com arados rijos e mãos enfoladas, a luta patriótica continua. Podia ter sido fechado, por uma maioria absoluta, o longo ciclo de combate iniciado em agosto de 2003 neste blogue, escalado pela profanação da minha casa e da casa de minha mãe na noite de 27 de outubro de 2004, pelos esbirros mandados pela rede pedófila, e pelo processo intentado por José Sócrates por causa da exposição que fiz do seu percurso académico rocambolesco. Mas não seria a mesma coisa. A luta - a luta! - essa continua. Trabalho.
Finalmente, sem desprimor dos trabalhadores mais recentes da vinha do Senhor, é hora de obterem justiça os patriotas perseguidos neste anos negros pelo socratismo-ferrismo socialista - nos quais, infelizmente (ou felizmente...), me incluo. Uma perseguição política, com prejuízo da sua vida e dos seus e da carreira profissional, a que urge pôr termo. Chega de sofrimento silencioso, de perfil baixo, de clandestinidade social, de prejuízo profissional, de sacrifício injusto. A reabilitação dos veteranos do setor patriótico perseguidos pelo socialismo corrupto é uma das tarefas necessárias à recuperação de Portugal.






















