terça-feira, 23 de junho de 2015

A piratização da TAP

A venda à brasileira Azul de 61% da TAP por 10 milhões de euros, em 11-6-2015, com opção de compra do restante, salvo os 5% destinados aos empregados, ainda que, esta vez, tenha sido realizada em concurso público e o Governo não lhe tenha limpado as dívidas todas, insere-se no modelo de piratização do Estado que aqui tenho denunciado. Um modelo que se seguiu à despudorada corrupção de Estado do socratismo,de venda a pataco de grandes empresas, por vezes expurgados de dívidas, e de ativos valiosos - instalações, equipamentos, experiência, formação, clientes, receitas -, à mistura com promessas de investimento e crédito obtido com os ativos. O previsto lease-back - ou quiçá até a venda de aviões, com aluguer de outros da frota da Azul (uma espécie de 2 em 1) - explica o modelo. E note-se que a Azul teve 18,2 milhões de euros de prejuízo (para 1.210 milhões de vendas...) nos nove primeiros meses de 2014, tendo abortado, em 2015, pela terceira vez o IPO que vem tentando desde 2013, destinado em parte a aliviar a sua dívida.

Os ativos das empresas compradas nas privatizações piratas são depois, em parte vendidos, para realização de capital e pagar dívidas das casas-mãe, como o caso da Fidelidade, que comprou recentemente 1.000 milhões de dívida da Fosun. Se a situação piorar, fica o Estado com a dívida e os empregados nos braços, pois o comprador já lhe sugou o capital. Não está em causa a desejável privatização das empresas públicas: o que aflige é a sua venda a pataco que permita aquisição por empresas e holdings descapitalizadas que depois as piratizam Se o valor de venda, expurgado do valor das dívidas, fosse o devido aos seus ativos, com certeza que estes grupos não acorreriam à sua compra.

domingo, 21 de junho de 2015

Alegoria da esperança



Todas as razões existem para deixar de acreditar - no entanto, creio.

As regras passadas não valem, pois não interessa fixar posições, marcando o terreno do desencontro com a vida: importa fazer de novo, refazer. 

Na verdade, os objetos não podem depender dos meios, os meios é que devem depender dos objetos.

Tanto se desperdiça, em vez de seguir corajosamente a via da plenitude, sem nada de essencial ficar para trás - senão o orgulho.

Ignorar a estreita resposta única que se encaixa no único pensamento único, como se não fosse legítima a liberdade de escolher o que se sente e quer em vez do que censuram e mandam!...

A forma é uma imagem vã, pois, com o dizia o poeta, o que vale é a face de dentro.

Uma reorientação do destino, que nos torna mais autênticos.

Garantindo que se cria, a partir do ser puro, o retorno a nós mesmos.

Um furo na rede de vaidade em que nos deixámos degradar, e degredar...

Recuperando a morfologia erecta, endireitando a coluna encurvada pelo peso das normas sistémicas.

Impedindo o festim das hienas, pela preservação da sanidade do espírito e da vitalidade do corpo.

A opção refletida por uma rota menos cruzada em contraponto à alienação de vogar consoante a corrente.

Talvez, desta vez, o que vês seja o que crês; em vez de nada crer e tudo querer. 

Então, a esperança não fenece e a alma não perece, mesmo que o corpo se consuma na navegação para a ilha mítica, ferido do bom combate; mantendo, todavia, a fé - e a humanidade, divina.

terça-feira, 9 de junho de 2015

Manutenção de Sócrates em prisão preventiva até à acusação

A recusa da prisão domiciliária - que nem sequer devia ter sido proposta pelo Ministério Público, com pulseira eletrónica para verificação de permanência na habitação, que ontem, 8-6-2015, o ex-primeiro ministro recusou, através de... uma declaração para a SIC (!), só deve ter uma resposta do tribunal: a manutenção de José Sócrates em prisão preventiva, até à acusação.

O preso 44 de Évora tem gozado, segundo vários média, na prisão de um estatuto privilegiado, com relevo para o acesso a meios de comunicação telefónicos e eletrónicos (um perigo pelo transtorno no inquérito, que causa), que não é admissível na igualdade dos cidadãos perante a lei e no respeito que ao Estado é devido.

A idea de que o poder judicial for bonzinho o poder político corrupto irá poupá-lo é uma ingenuidade débil.

O Ministério Público deve continuar a ser diligente - como tem sido - para produzir a acusação em tempo. Manter o rumo e o prazo é necessário para preservar o processo e salvaguardar o Estado de direito democrático.

sábado, 6 de junho de 2015

Fase II

A concessão de prisão domiciliária a José Sócrates é um erro tremendo.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Frente

Podia ter sido de cor diferente. Mas esta tarde foi assim.

terça-feira, 2 de junho de 2015

A armadilha da détente socratina

A détente do preso José Sócrates, e da sua trupe, face aos procuradores e juízes, a que se assiste com pasmo nos últimos dias, é uma armadilha para conseguir a sua libertação e posterior contra-ataque violento. Timeo danaos et dona ferentes...


Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais, de fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014), recluso detido preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora sob o nº 44, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória. As demais entidades referidas neste poste, referidas nas notícias dos média, que comento, não são arguidas ou suspeitas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade.

sábado, 23 de maio de 2015

Sócrates e Costa: Prison Break



No Projeto de Programa Eleitoral do PS, de 20-5-2015 (página 6), no capítulo IV («Um Estado forte, inteligente e moderno»), ponto 1.5. («Melhorar a qualidade da democracia»), medida 1.5., que o Público revelou, pode ler-se:
«o PS defende designadamente o seguinte:
(...) A garantia de proteção e defesa do titular de cargos políticos ou públicos contra a utilização abusiva de meios judiciais e de mecanismos de responsabilização como forma de pressão ou condicionamento»
.
(Realce meu).

Ora aí está a «qualidade da democracia» do «Estado forte, inteligente e moderno» do PS de António Costa!... Quem decidirá quando é que é abusiva a utilização dos meios judiciais e quando é que existe pressão ou condicionamento através de «mecanismos de responsabilização», a partir de agora?!... Não é essa a função do juiz de instrução e, acima dele, dos tribunais da relação e supremo - para além da ação do procurador-geral da República?!...

Esta (des)medida descarada faz lembrar a desavergonhada manobra (patética, na forma denunciada) de introdução pelos socialistas no n.º 3 do art. 30.º do Código Penal, de 2007, da expressão «salvo tratando-se da mesma vítima», que pareceu mesmo à medida da redução dos crimes de abuso sexual de crianças da Casa Pias sobre a mesma criança a um crime só (ver CM, de 11-10-2007).

Esta (des)medida do projeto de programa do PS parece desnecessariamente complexa. Importa simplificá-la e aclará-la. Como o programa está em debate público, proponho uma emenda:
«O Partido Socialista propõe o seguinte:
  1. A libertação do Nélson Mandela do PS de José Sócrates do cárcere político de Évora;
  2. A aplicação, pelo ex-procurador-geral Fernando Pinto Monteiro, da tesoura às partes do processo que provocam gaguez aos arguidos;
  3. O arquivamento sumário do processo da Operação Marquês contra Sócrates, com a devolução dos milhões de «fotocópias» ao seu legítimo e excelentíssimo proprietário - e já agora a revogação do arresto dos «mil milhões de euros em imóveis» (em 18-5-2015) de Ricardo Salgado, amigo do «amigo que está em Paris» (ver CM, de 21-10-2012) e o arquivamento do processo contra este através de lei ... ordinária.
  4. A prisão do juiz Carlos Alexandre e do procurador Rosário Teixeira, tal como dos inspetores tributários e dos polícias envolvidos na Operação Marquês;
  5. A nomeação como ministra da Justiça da procuradora-geral adjunta Maria José Morgado, em cujo DIAP se arrasta há mais de três anos (!) o inquérito dos cartões de crédito rosa negro dos governos socratinos (IGCP Charge Card), aberto em fevereiro/março de 2012.
  6. A proibição de processos contra políticos do PS e os seus amigos.
E ainda a sugestão da reprise de um premonitório slogan de campanha: «Costa, Sócrates e Soares, não haverá quem os detenha!».


* Imagem editada daqui e dali.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa, arguido indiciado, em 24-11-2014, pelos crimes de corrupção ativa por titular de cargo político, de corrupção ativa, de corrupção passiva para acto ilícito, de corrupção passiva para acto lícito, de branqueamento de capitais; fraude fiscal qualificada e de fraude fiscal (SIC, 26-11-2014), recluso detido preventivamente no Estabelecimento Prisional de Évora sob o nº 44, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.
As demais entidades referidas neste poste, referidas nas notícias dos média, que comento, não são arguidas ou suspeitas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Os dias e os louros

A reforma do sistema político português é uma miragem no deserto moral em que Portugal desidrata. Há diferenças de grau, mas a natureza não muda. Passa o tempo, mas não deixo passar o inaceitável elogio público do primeiro-ministro Pedro Passos Coelho a Dias Loureiro, em 30-4-2015, em Aguiar da Beira:
«O Manel Dias Loureiro, que há pouco vi aqui, e que ainda não tinha visto, e que cumprimento de uma forma muito amiga e muito especial, é um homem, que é aqui de Aguiar da Beira, mas que conheceu mundo. É um empresário bem-sucedido, viu muitas coisas por este mundo fora e sabe, como algumas pessoas em Portugal sabem também, que se nós queremos vencer na vida, se queremos chegar longe, se queremos ter uma economia desenvolvida, pujante, temos de ser exigentes, metódicos.» (Transcrição minha - a do Expresso está incompleta).
Uma vergonha.

Não há favor passado, eventualmente de financiamento eleitoral, que justifique estas palavras. Dias Loureiro ainda é arguido num processo entretanto autonomizado do caso BPN (desde julho de 2009!), que, segundo o DN, de 6-5-2015, a anterior coordenadora do DCIAP, Dra. Cândida Almeida, reteve, até ao fim do seu consulado, naquele departamento em vez de o enviar para investigação da Polícia Judiciária.

Homem ligado ao financiamento eleitoral no PSD, enquanto secretário-geral do partido e depois, ministro da Administração Interna ensombrado depois pela sua ligação ao negócio do SIRESP, mais tarde conselheiro de Estado nomeado por Cavaco Silva, quiçá em reconhecimento de apoio no financiamento das suas campanhas eleitorais, Manuel Dias Loureiro migrou descaradamente para o apoio público (veja-se o elogio «fervoroso» no lançamento de «O menino de ouro do PS», em 30-6-2008) ao amigo forjado nessas, e noutras, covas da Beira, José Sócrates, parceiro e protetor, com quem partilhava o advogado Daniel Proença de Carvalho, até recuar para Cabo Verde e Luanda.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): Manuel Dias Loureiro, arguido desde julho de 2009, em processo conexo ao caso BPN, objeto das notícias dos média que comento, goza do direito constitucional à presunção de inocência até ao trânsito em julgado de eventual sentença condenatória.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

O cerco e a fatalidade


Sem tempo (já não publico aqui desde 25-4), reparei por acaso, na pré-publicação de um capítulo do livro «Cercado - Os dias fatais de José Sócrates», no Observador, de 14-5-2015. Comecei a ler e senti-me no barbeiro: vi a minha cara no espelho. Todavia, a objetiva jornalística, por restrição económica, é uma espécie de zoom 100-300 mm: não abarca todos os ângulos e perde nitidez na focagem de longo alcance. Limitado pelas contingências e pela força do hábito que por elas se comprime, o filtro jornalístico é translúcido. «Journalism is literature in a hurry» - prevenia o poeta Mathew Arnold.

A parte inicial do capítulo VII- Conspiração ao telefone, de «Cercado», páginas 209 a 211, é baseada no meu livro «O Dossiê Sócrates - A investigação do percurso académico de José Sócrates, com factos novos», de Setembro de 2009: especialmente as páginas 26-27, 30-32 e 51, do Dossiê.

Creio que é útil, para eventual emenda em segunda edição, indicar algumas imprecisões deste capítulo do livro «Cercado», de Fernando Esteves:
  1. «Ano de 2004» é quando Fernando Esteves situa o meu encontro com uma fonte (que continua in pectore...), que refiro na página 32 do Dossiê. Na verdade, o encontro é de 2007, na segunda fase da minha investigação do percurso académico do ex-primeiro ministro, que foi motivada pela invocação em 28-2-2007, de Luís Arouca, da capacidade superlativa de José Sócrates em Inglês Técnico, uma cadeira que não existia no plano inicial da licenciatura em Engenharia na Universidade Independente - o Público , de José Manuel Fernandes, só espoleta o caso em 22-3-2007. O primeiro encontro com essa fonte não aconteceu devido à encriptação das comunicações, mas por essa fonte o ter abortado por insegurança, tendo o encontro decorrido mais tarde.
  2. Neste capítulo do seu livro publicado no Observador, Fernando Esteves destaca, e bem, o papel de Ricardo Dias Felner, mas esquece o notável trabalho de José António Cerejo, também do Público, neste caso da licenciatura rocambolesca na Universidade Independente.
  3. O poste do blogue Porta-Bandeira, de 29-1-2005, «O passado misterioso de Sócrates», que referi no meu poste de 22-2-2005 (e não 23-2-2005, como se diz no «Cercado»), e no Dossiê (p. 51) não pôs em causa «notas, equivalências, resultados de exames» de Sócrates. Consegui, descobrir no WayBack Machine o dito poste, de que fui avisado por um comentário no meu blogue Do Portugal Profundo. Abaixo publico, pela primeira vez, o fac-simile desse poste do blogue Porta-Bandeira, de 29-1-2005:

  4. Conforme se lê no dito poste, o Viriato do Porta-Bandeira indica que Sócrates tinha um bacharelato pelo ISEC, mas desconhecia onde Sócrates tinha obtido a licenciatura em Engenharia Civil, de que se valia nos curricula. Mas este poste do Viriato, que nunca conheci (o blogue foi depois cancelado), incutiu-me a curiosidade e fui investigar, tendo desembocado nos factos que publiquei em 22-2-2005.
  5. Realmente, contactei, para o seu telemóvel, a assessora de imprensa de Sócrates, em 21-2-2005, dia seguinte às eleições legislativas que puseram Sócrates no poder. Mas, ao contrário do que está no livro de Fernando Esteves, jamais Maria Rui me respondeu ou, ainda menos, me disseram que iam ajudar-me (veja-se o Dossiê, página 27).
  6. Este capítulo do «Cercado» também não menciona que o inquérito aberto contra mim por queixa do então «primeiro-ministro enquanto tal e cidadão José Sócrates» (conforme fazia questão de evidenciar a procuradora-geral adjunta Dra. Cândida Almeida, que me inquiriu), foi arquivado por esta procuradora-geral adjunta e pela procuradora-adjunta Carla Dias, em 18-1-2008, não tendo José Sócrates recorrido do despacho de arquivamento, nem, instado pelo Ministério Público, deduzido acusação particular contra mim. Como, na altura, disse, e o futuro viria a provar, lá saberia ele porquê.
  7. Em contraste com aquilo que o autor diz, julgo que a «imprensa mainstream» não deu importância ao caso, em fevereiro-abril de 2005 (mas só em 2007...) porque Sócrates estava em estado de graça, tinha sido eleito dois dias antes com maioria absoluta e diretores e editores não queriam trazer problemas aos patrões que sustentavam jornais, rádios e TVs, deficitários de grupos económicos que tinham negócios com o Estado ou que pertenciam ao próprio Estado.
    A informação não vale pelo autor em si, mas pela factualidade e pelo rigor, coisa que nunca foi desmentida relativamente aos factos, dados e referências, que apresentava. Como exemplo máximo, a minha casa e a casa de minha mãe não foram buscadas ainda de noite, em 27-10-2004, cerca de quatro meses antes, pela Polícia e pelo Ministério Público, por eu ter produzido informações falsas no blogue que, responsavelmente, sempre assinei com o meu nome e indicando o meu mail. Mas pela alegação de que teria desobedecido a um despacho judicial do juiz Ricardo Cardoso (de os jornalistas não serem autorizados a consultar, ou citar, os autos do processo da Casa Pia para proteger os nomes das crianças e adolescentes abusados constantes do processo da Casa Pia, coisa que nunca expus!). Um despacho que não me tinha sido comunicado, estava em segredo de justiça, não me foi permitido o acesso a esse documento nem durante o meu processo e só conheci o seu conteúdo no dia... da sentença que me absolveu...
    Todavia, o servo inútil que eu sou nunca desperdiça a oportunidade de se rir da sua miséria e das avaliações com que o castigam. São o pechisbeque que me pespegam no peito...

Não creio que as imprecisões detetadas neste capítulo do livro de Fernando Esteves, jornalista da revista Sábado, devam desmerecer o seu valor, para compreender o personagem, a sua atitude perante a moral, a sua avidez de dinheiro, o fausto de que não prescindia, a sua obsessão com o poder. O livro cumpre, assim, o propósito de juntar a informação e trazer novos dados, sobre o prelúdio, a fuga e o regresso, de alguém que foi senhor de tudo e que agora nada lhe serve.

sábado, 25 de abril de 2015

Abris


25 de Abril Revolução para instauração das liberdades políticas e sociais, estabelecimento da democracia representativa e pluralista e realização da descolonização. No meio das tragédias, que as revoluções comportam e geram, os dois primeiros objetivos - liberdades políticas e  sociais e democracia representativa e pluralista - foram alcançadosvencida a tentativa do PC e do MES, e das suas antenas militares, para a imposição violenta de uma ditadura político-militar. O terceiro objetivo foi conseguido de forma sangrenta e vergonhosa.

A maior tragédia do 25 de Abril de 1974 foi a provocada pela descolonização, nas guerras civis e invasões estrangeiras que se seguiram: cerca de 1.000.000 de mortos em Moçambique; 500.000 em Angola; 200.000 em Timor; e 1.000 na Guiné-Bissau (fuzilados pelo regime do PAIGC) entre os 27 mil soldados guineenses que haviam lutado nas fileiras portuguesas e que Portugal abandonou. Ou seja, a confiar nas fontes que linco, cerca de 1.701.000 mortos provocados pela descolonização. Demasiados mortos para uma «descolonização exemplar» (ainda não descobri quem cunhou a expressão) ou «possível»... Mortos que na crueza dos números, aritmética que desconhece ideologias, se comparam com os 8.289 mortos das forças armadas portuguesas (cerca de metade em combate) e os cerca de 66.000 mortos do lado independentista (50.000 em Angola, 10.000 em Moçambique e 6.000 na Guiné) da guerra colonial. E claro que se devem também contar os mortos durante a colonização e o tráfico de escravos, mas não referentes ao 25 de abril e seus efeitos. A contabilidade dos mortos em conquistas, guerras e revoluções, não prova quem tem razão, mas desfaz mitos de exemplaridade. Cada homem vale toda a terra, riqueza e bem-estar, dos outros. E, para além dos mortos, os feridos, e os refugiados não apenas brancos mas de todas as cores (cerca de 600 mil retornaram a Portugal, fora aqueles que fugiram para a África do Sul, o Brasil e outros países), que perderam as vidas que tinham construído, os negócios, as casas, as propriedades, os móveis e equipamentos, os carros, o dinheiro...

O desenvolvimento, o último dos 3 Dês, ficou pendurado na corrupção, de pernas para o ar, como as cuecas molhadas que o pudor das mulheres da minha infância penduravam nos estendais ao contrário. «Desenvolvimento» que tem sido visto, desde os anos 1960, como uma meta idílica em vez de um processo esforçado. Em vez de um caminho, uma espécie de Eldorado de refastelamento, onde escorreria leite e mel, num sistema em que trabalhariam os outros, enquanto a maioria abancava à mesa farta do Estado, em «órgias» de despesa socialista. E, como se não chegou a estádio escatológico de nível de vida, ingenuamente visto como obtido sem sacrifício por certos (não todos...) segmentos de populações dos países do centro e norte da Europa, diz-se que a revolução do 25 de abril falhou.

O 25 de Abril não é, nem nunca foi, o mesmo para a esquerda e a direita portuguesa. Ambas ressacadas do Império, se bem que uma admita e a outra não, para a esquerda o regime desejado desejado não era a democracia liberal, que entendia como burguesa, mas a ditadura dos satélites da União Soviética ou, para os mais moderados, a «via chilena al socialismo» de Allende, de que é herdeiro o moderno «bolivarianismo» de Chávez.

Desse projeto mítico, os cravos viçosos de abril de 74 foram substituídos pelas rosas secas de abril de 2011. Desfolhadas por roubos de estrume e negligência. Ficaram os espinhos e um emaranhado de silvas que envolve o regime, convalescente da saída do protetorado.

E nós, portugueses, que vivemos fora da macrocefalia corrupta? Nós resignámo-nos. Manietados pelo medo de trocar o conforto da quietude pelo arrojo de romper o cerco desses laços abr'olhos (outros abrolhos, de olhos apartados). Estamos presos dentro de nós. E, todavia, a vontade tudo pode.


Atualização: este poste foi atualizado às 21:53.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

«Olha que...»

No dia 18-4-2015, pelas 12:41, alguém que usou como nome «JoseLuciano», escreveu o seguinte na caixa de comentários deste blogue Do Portugal Profundo (DPP):
«Um escarro!!!
Porque não me vens á mão, grande covarde!!!???
Queres que te procure? Olha que...»
Printscreen do comentário na caixa de comentários do blogue DPP,
feito por «JoseLuciano», no dia 18-4-2015, pelas 12:41.

«JoseLuciano» está inscrito no Blogger desde «junho de 2011».

Printscreen do perfil de «JoseLuciano» no Blogger
(consultado em 20-4-2015).


O comentário parece dirigir-se a dois comentários de autor anónino que lincavam duas notícias relativas a José Luciano Correia de Oliveira, ex-diretor adjunto do SIS (dezembro de 2009 a dezembro de 2012) e «assessor direto» do secretário para a Segurança do Governo da Região Especial Administrativa de Macau (RAEM) da República Popular da China, desde janeiro de 2013. José Luciano tinha sido assessor jurídico do Governo de Macau durante quinze anos, até 2009, transitando da administração portuguesa. Os dois comentários que podem ser lidos no poste anterior, e as notícias que copiam, indicam factos e não são injuriosos, não se compreendo a fúria do comentador «JoseLuciano». Em contraste, aliás, repare-se na suavidade com que José Luciano Correia de Oliveira atendeu as notícias, como a do DN, de 14-12-2012, sobre a sua ida para secretário do Governo chinês de Macau depois de ter sido número dois do serviço de informações português e sobre as referências no caso dos vistos gold.

Não posso afirmar que este «JoseLuciano» do Blogger seja o mesmo. Se for o mesmo é muito grave, pois José Luciano Correia de Oliveira, não foi, nem é, uma pessoa qualquer: foi diretor adjunto do SIS e trabalha como assessor na área da segurança do governo de uma potência estrangeira.  O que devo dizer é o seguinte:
  1. Como se sabe não faço comentários anónimos nem com heterónimo. Nunca fiz. Nem no meu blogue, nem noutros blogues nem noutros média. Tal como sempre assinei com o meu nome este blogue desde o início, incorrendo por isso na vingança sistémica. Dispenso-me de lembrar o que é público que passei pela defesa das crianças abusadas da Casa Pia e no confronto com a corrupção de Estado do socratismo - e ainda não é hora de contar outros factos que sofri e que um dia (e eu espero que esse dia demore...) alguns amigos meus terão de contar às autoridades.
  2. Não tenho medo de ameaças e de represálias. Se tivesse, tinha desistido rapidamente do blogue. Mas eu aqui continuo desde agosto de 2003, procurando humildemente servir a Pátria, como um soldado raso, de forma leal e o melhor que posso.
  3. Entendo, como o D. Pedro IV, que as críticas, mais suaves ou mais duras, feitas nos média é nos média que se contestam. E aos insultos ou injúrias nem sequer se responde - como é a minha atitude perante o editorial, de 17-4-2015, de José Rocha Dinis, diretor do Jornal Tribuna de Macau e candidato a candidato a deputado pelo Partido Socialista à Assembleia da República pelo círculo Fora da Europa, relativamente ao meu poste «A imagem do Estado português e Macau», de 15-4-2015.


  4. Porém, as ameaças, como as que motivam este poste, não devem ser toleradas e devem ser participadas às autoridades, para que estas identifiquem os autores e os levem perante a justiça. Relembro a ameaça de morte recebida em 7 de março de 2015, às 20:47, na caixa de comentários deste blogue, no poste «António Costa e a cobertura descoberta». Assim, para não incorrer no descrédito e na vergonha - para além da linguagem mucopurolenta que o desprestigia, era bom que o comentador «JoseLuciano» - cuja identidade corajosa fica por confirmar - se abstivesse de ameaças, sob pena de participação a quem de direito. É que se toleramos as ameaças de violência, um dia elas acabam por se concretizar, instalando o autoritarismo de Estado, de que nos livrámos, e que lutamos por prevenir.
  5. A passagem de diretor adjunto do SIS português a assessor do secretário para a Segurança do Governo chinês de Macau, como a colaboração de agentes e dirigentes dos serviços de informações com governos de potências estrangeiras, é politicamente inadmissível. Não se compreende como o Estado português não acautela esta circunstância, definindo a incompatibilidade. Seria possível ao número dois da CIA sair do cargo para se tornar imediatamente assessor de um Governo estrangeiro, ainda por cima na área da segurança? 

quarta-feira, 15 de abril de 2015

A imagem do Estado português em Macau

Andrea Direito, a esposa do Cônsul-Geral (Chefe de Missão) de Portugal em Macau, Vítor Sereno, é, desde dezembro de 2014 «assessora do Secretário dos Assuntos Sociais e Cultura do Governo da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China» (RPC).

Como o local onde trabalha é no edifício do Instituto Cultural de Macau, no território crêem que exerce funções para este instituto. Porém, através da sua página no Linkedin (hoje consultada), se revela que, afinal, a mulher do Chefe de Missão de Portugal em Macau trabalha para a República Popular da China.

Andrea passou de assessora do Governo português, no gabinete do secretário de Estado do Desporto e da Juventude, Emídio Guerreiro, para assessora do Governo chinês da RAEM.

Andrea Direito - Assessora do Secretário dos Assuntos Sociais e Cultura
do Governo da RAEM da República Popular da China.
Screenshot da sua página do Linkedin.


Excerto de página do Linkedin de Andrea Direito,
com a sua experiência profissional.


Andrea Direito (em terceiro plano e realçada na foto) na reunião plenária de
debate das Linhas de Acção Governativa para 2015, da Assembleia Legislativa de Macau, assessorando o secretário dos Assuntos Sociais e Cultura 
do Governo da RAEM da República Popular da China, 
Alexis Tam Chon Weng (na segunda fila) - 13-4-2015


Andrea Direito está de licença sem vencimento do Instituto Português do Desporto e Juventude, I.P., do Estado português, desde 1-10-2014.

Despacho n.º 174/2015.
Autorização de licença sem vencimento de Andrea Direito pelo IPDJ.


Andrea Direito era assessora do Secretário de Estado
do Desporto e da Juventude, Emídio Guerreiro, até 30-9-2014


Enquanto Vítor, o marido, trabalha para Portugal, sua mulher, Andrea, trabalha para a China. Andrea Direito, a mulher do Cônsul Geral (e Chefe de Missão) de Portugal em Macau, passou a trabalhar para o Governo da RAEM da República Popular da China, sob as ordens do seu secretário dos Assuntos Sociais e Cultura e seu ex-porta-voz do Governo, Alexis Tam Chon Weng. Uma posição no qual consta que Andrea auferirá um salário entre 6.500 a 10.000 euros. O facto de Andrea Direito não beneficiar agora da imunidade diplomática portuguesa, e assim não contrariar a lei chinesa, não resolve este conflito de interesses.


O Chefe de Missão (Cônsul-Geral) de Portugal em Macau, Vítor Sereno,
abraçado ao seu grande amigo de Coimbra, José Costa Santos,
delegado da Agência Lusa, em Macau.
Agência Lusa funciona no... edifício do Consulado-Geral em Macau.


Vítor Sereno foi chefe de gabinete do socialista António Braga e a seguir do social-democrata Miguel Relvas. Bloco-centralista e maçon do GOL, Sereno não tremeu com a queda de Sócrates. Em 1-6-2013, em entrevista (que tenho guardada) à Rádio Macau (Gilberto Lopes), Vítor Sereno não esqueceu o chefe do Governo socialista que orgulhosamente representou:

«Vítor Sereno: Faço  [corrida] porque é o meu anti-stress. É um anti-stress e normalmente fui fazer uma maratona há uns tempos. É o meu anti-stress.
Gilberto Lopes: Temos de convidar o Sócrates para uma corrida em Macau?
Vítor Sereno: Porque não?! O senhor engenheiro é sempre bem-vindo!»
(Realce meu).

Infelizmente para o Estado português, que se devia dar a outro respeito perante uma potência como a República Popular da China, não é tudo. Em 18-5-2014, o Presidente da República, Cavaco Silva, condecorou em Macau, com o grau de Comendador da Ordem do Mérito a algumas personalidades ligadas à região. Note-se que o processo normal de atribuição de condecorações a personalidades locais é o seguinte: o Chefe de Missão diplomática sugere ao Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, seguindo o trajeto pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros e pelo Primeiro-Ministro; e depois paassa para a Chanceler das Ordens Honoríficas Civis (Manuela Ferreira Leite) da Presidência da República e o Presidente condecora. Neste caso da Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) da República Popular da China, o Chefe de Missão é o Cônsul-Geral Vítor Sereno. Entre as personalidades condecoradas com o grau de Comendador da Ordem de Mérito destacaram-se:
  • Ambrose So Shu Fai, Cônsul-Honorário de Portugal em Hong Kong;
  • e Guilherme Ung Vai Meng, presidente do Instituto Cultural de Macau (ICM).
Ambrose So Shu Fai terá feito, com o Comendador NG Fok, um donativo de 200 mil euros para o restauro do Edifício Consular e Residência do Cônsul-Geral de Portugal. Guilherme Ung Vai Meng é o presidente do Instituto em cujo edifício Andrea Direito está a trabalhar, mas como assessora do Secretário dos Assuntos Sociais e Cultura do Governo chinês da RAEM.

Em 10 de Junho de 2014, Vítor Sereno colocou no peito de Alexis Tam Chon Weng, secretário para os Assuntos Sociais e Cultura do Governo chinês da RAEM, o colar da Ordem de Mérito da República Portuguesa.

O Cônsul-Geral de Portugal em Macau, Vítor Sereno, coloca o colar da
Ordem de Mérito em Alexis Tam Chon Weng, secretário dos Assuntos
Sociais e Cultura e anterior porta-voz do Governo da RAEM da RPC - 10-6-2014.
Jornal Tribuna de Macau, 11-6-2014.


Não pode ser assacada responsabilidade pelos atos cometidos pelos representantes do Estado português em Macau às autoridades chinesas e aos seus representantes, que têm demonstrado pelo nosso País, como secretário Alexis Tam, uma atenção especial que já não é condizente com o seu poder atual. Os chineses defendem os seus interesses e fazem-no com patriotismo. Como nós deveríamos cuidar dos nossos.

Do Portugal Profundo, onde continuamos a viver e a agir, nem precisamos de comentar. Os factos falam por si. Em carta ao senhor D. Manuel, de 6 de dezembro de 1516, D. Afonso de Albuquerque dizia: «quanto às coisas da Índia, ela falará por si, e por mim». O pior é que nestas coisas portuguesas em Macau, não os factos não falam só por quem os faz: é falam também pelo Estado sequestrado desta ditosa Pátria, nossa amada.


Atualizaçao: este poste foi emendado às 0:52 de 16-4-2015; e emendado e atualizado às 10:32 de 18-4-2015.


Limitação de responsabilidade (disclaimer): As entidades mencionadas neste poste, referidas nas notícias dos média, que comento, não são arguidas ou suspeitas do cometimento de qualquer ilegalidade ou irregularidade.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Cruz

ABC (abril de 2015). Cruz Alta (Robert Schad, 2007). Cova da Iria.


Cruz: do proto-indo-europeu «curvar». O homem curvado perante Deus, e perante si mesmo. Curvado pela consciência da sua humildade e curvado pelo peso dos seus pecados. O homem representado pelo Filho de Deus que quis viver a experiência humana para a integrar e a orientar pela pedagogia da salvação.

Quando mais ereto (custa escrever esta palavra com a elisão do «c»...), mais vergado. Sepulcro mal caiado, vintage de patine falsa, o homem pinta a sua miséria com cores artificiais, disfarçando a sua debilidade moral. Ergue altas teorias para proteger o seu caráter rasteiro, barreiras de justificação para se defender da hipocrisia. É tão custoso o sacrifício, que o homem escapa para o prazer; e não por causa do prazer, que é legítimo, mas por causa da evasão de si próprio.

E, enquanto no Ocidente rico e cómodo, os cristãos, ateizados, fogem de si mesmos e desprezam, nessa alienação, os outros, aumenta o martírio dos seus irmãos de fé, e de outras fés, que têm a mesma esperança de felicidade. Sem vergonha, ainda se fala na Europa em tragédia humanitária interna, sem respeito pela situação de guerra e de penúria que alastra no Médio Oriente e na África. No egoísmo de ignorar a dor dos que sofrem, na negligência de socorrer quem nos chama, no desprezo rácico do outro, está a desumanidade. O medo da consequência da verdade e do amor.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Onde está Wally António Costa?



No dia 26-3-2015, António Costa confirmou ao jornal Hoje Macau, ir visitar a China em abril, conforme se pode ler no recorte abaixo.

António Costa em visita à China, Hoje Macau, 26-3-2015, p. 4

Depois, aconteceu um embargo noticioso sobre o assunto, nomeadamente nos média de confiança do secretário-geral socialista (i.e., quase todos...), motivado certamente por objeções à realização da visita. E em 28-3-2015, no Ação Socialista Expresso, que o mano Ricardo dirige, foi desmentida a deslocação de António Costa à China. Uma visita que consta ter sido organizada por João Marques da Cruz, da comissão executiva da EDP e líder da EDP Ásia e presidente da Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa, controlada pelo PS socratino-costista, e Sérgio Alves, secretário-geral da mesma organização e que foi adjunto diplomático do primeiro-ministro Sócrates entre 2005 e 2011. E já agora, quem paga a deslocação, a estada e os transportes na China do candidato a primeiro-ministro?

A dificuldade na realização da visita de Costa à China, denunciada pelo seu secretismo - que excede o motivo de reiterar a aliança do PS com o Partido Comunista Chinês e a obtenção de financiamento eleitoral junto de empresas chinesas que têm investido em Portugal, desde logo a Three Gorges. Toda a movimentação do PS junto da Liga dos Chineses em Portugal, através de Afonso Camões (de quem me dizem ir ser despedido do JN) e de Vitalino Canas (proxy de António Vitorino, delfim de Almeida Santos) e do próprio António Costa - veja-se o jantar de 19-2-2015 no Casino da Póvoa, e as eventuais manobras do embaixador de Portugal em Pequim, Jorge Torres Pereira, ausente da reunião anual do Fórum Macau, em 31-3-2015, terá esse objetivo de controlo dos prejuízos eleitorais na balança do poder nacional. E assegurar às autoridades chinesas que a visita correria de forma discreta, até para não resultar para a China qualquer embaraço face ao Governo PSD-CDS, com quem tem tido uma relação aprazível.

A China dificilmente quereria estar associada a um perdedor, como Costa está a revelar-se, segundo as sondagens, bem longe do fulgor previsto pela fação da esquerda extremista do PS, quando Costa se tornou líder do PS em novembro e a visita deve ter sido solicitada. O que parece ter obrigado o presidente do PS, Carlos César, a pedir uma reunião de emergência ao embaixador chinês em Lisboa, Huang Songfu, que ocorreu em 31-3-2015, na sede socialista no Largo do rato, em Lisboa.


Reunião do presidente do PS, Carlos César, com o embaixador chinês, Juang Songfu.
Sede do PS no Largo do Rato, em Lisboa, 31-3-2015.


E quando hoje, foi conhecida a morte aos 106 anos, do excecional realizador de cinema que foi Manoel de Oliveira, uma das principais figuras da arte em Portugal, Costa enviou um comunicado escrito; e quem deu a cara pelos socialistas foi Inês de Medeiros. Ora, Costa dificilmente desaproveitaria a oportunidade das condolências nos telejornais...

Terá o anticatólico António Costa aproveitado o hiato noticioso da quadra pascal para a desejada visita á China, que a sua inécia política, obrigou a ser secreta? Não sei. Mas que as voltas e revoltas da confirmação-desmentido-desaparecimento geram perplexidade... isso é evidente... Afinal, onde está Wally António Costa?


* Imagem editada daqui e dali.