A venda à brasileira Azul de 61% da TAP por 10 milhões de euros, em 11-6-2015, com opção de compra do restante, salvo os 5% destinados aos empregados, ainda que, esta vez, tenha sido realizada em concurso público e o Governo não lhe tenha limpado as dívidas todas, insere-se no modelo de piratização do Estado que aqui tenho denunciado. Um modelo que se seguiu à despudorada corrupção de Estado do socratismo,de venda a pataco de grandes empresas, por vezes expurgados de dívidas, e de ativos valiosos - instalações, equipamentos, experiência, formação, clientes, receitas -, à mistura com promessas de investimento e crédito obtido com os ativos. O previsto lease-back - ou quiçá até a venda de aviões, com aluguer de outros da frota da Azul (uma espécie de 2 em 1) - explica o modelo. E note-se que a Azul teve 18,2 milhões de euros de prejuízo (para 1.210 milhões de vendas...) nos nove primeiros meses de 2014, tendo abortado, em 2015, pela terceira vez o IPO que vem tentando desde 2013, destinado em parte a aliviar a sua dívida.
Os ativos das empresas compradas nas privatizações piratas são depois, em parte vendidos, para realização de capital e pagar dívidas das casas-mãe, como o caso da Fidelidade, que comprou recentemente 1.000 milhões de dívida da Fosun. Se a situação piorar, fica o Estado com a dívida e os empregados nos braços, pois o comprador já lhe sugou o capital. Não está em causa a desejável privatização das empresas públicas: o que aflige é a sua venda a pataco que permita aquisição por empresas e holdings descapitalizadas que depois as piratizam Se o valor de venda, expurgado do valor das dívidas, fosse o devido aos seus ativos, com certeza que estes grupos não acorreriam à sua compra.





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