quarta-feira, 29 de junho de 2016

O tempo e o combate



O tempo foge. Mais do que correr, escorre. Derrama-se do vaso da esperança para o poço dos sonhos desfeitos. Pingo a pingo, sem piedade do ritmo irregular da nossa vida. Uma espécie de tartaruga que vence a lebre que ingenuamente julgamos ser. Porque, por fraqueza, o adiamos, perdemos instantes de bem estar. Que eternamente tentamos recuperar. Repetir o passado em que fomos felizes. Rasgados, porém, pela maldição do meteorum que desce sobre o viço do corpo e patina a alma de cinza. E, no entanto, a alma sobrevive-lhe. Tempo, incorpórea serpente de três cabeças (de homem, de touro e de leão), unido à inevitabilidade, pai do Éter, que evanesce, e do Caos, que continuamente pretendemos recompor... Destino versus vontade: um jogo de resultado incerto. Também somos sujeitos do próprio destino e peões da divina comédia que é o nosso trânsito pela terra e pelas vidas dos outros. De cima, acima de tudo e de todos, paciente, Deus observa a nossa descrença e o nosso desespero.

De fora, percorremos as notícias e formulamos conclusões para simplificar a desordem:
  1. O Reino Unido da Grã-Bretanha (Inglaterra, Gales e Escócia) e da Irlanda do Norte, decidiu, em 23-6-2016, em referendo, sair de membro da União Europeia. Apesar da potencial cisão interna, da petição dos derrotados para se repetir o escrutínio (e o desafio com a Islândia), de eventuais manobras de bastidores, não parece possível reparar a desilusão. O projeto da União Europeia começa a desfazer-se, devido ao delírio da ditadura do politicamente correto, que recusa enfrentar a realidade terrena em nome de uma ideologia totalitária: ideologia do género, fronteiras abertas a uma invasão demogáfica arabo-islâmica, negligência do perigo islâmico radical e desprezo pelo sofrimento desumano das mulheres e dos não crentes no Islão fundamentalista.
  2. Em Espanha, o Podemos afundou-se, nas eleições de 26-6-2016, e a esquerda radical parece ter chegado à encosta descendente dos píncaros onde os média sistémicos os alçaram.
  3. No Brasil, a evidência do furto dos cofres públicos pela trupe lulista do PT, e seus cúmplices do PMDB e outros, e a miséria económica, que o assistencialismo socialista provocou, conduziram ao processo de impeachment em curso. Assista-se ao debate nas câmaras legislativas para compreender o abuso do neo-elitismo do PT sobre o Estado e o povo. 
  4. Nos EUA, Donald Trump vai ser o candidato republicano à eleição presidencial de novembro de 2016 e Bernie Sanders quase ganhava a eleição primária dos Democratas.
  5. Na França, na Áustria, na própria Alemanha, além dos países referidos, a divisão entre radicais da  esquerda e da direita agrava-se.
  6. Em Portugal, o PSD, principal partido da direita, socialistizado tal como o CDS-PP, alinha com a esquerda radical nos costumes (este mais disfarçado, mas ainda na mesma linha ideológica): votou a favor da legalização das barrigas de aluguer e deixou passar adoção de crianças por casais homossexuais, aborto, daqui a pouco eutanásia... A esquerda rejeita o inquérito aos desmandos da CGD, que vai engolir mais cinco mil milhões do Estado, sem que se investiguem os escândalos do financiamento da compra do BCP, a corrupção socratina e as aventuras do crédito em Espanha.
  7. O populismo extremista avança: Trump/Sanders, Nigel Farage e Boris Johnson, Marine Le Pen, Beppe Grillo, Jair Bolsonaro. 
  8. Cresce, de leste a oeste, e do norte ao sul, um marxismo elitista, dominante na universidade e nos média, e a ameaça da extrema direita, em resultado do delírio do socialismo e do egoísmo da direita dos interesses, cúmplice nos costumes para assegurar a sua maquia de dinheiro. O vácuo político do centro, no vórtice da corrupção de Estado e na imposição de costumes que a maioria do povo rejeita, é ocupado pelo populismo. A ideia de que a direita ocidental, deve ceder à esquerda nas questões de costumes e consentir no socialismo económico, faz o seu caminho às costas dos liberais indefinidos.
  9. As consequências são perigosas: depois das fronteiras fechadas à imigração, virá o protecionismo aduaneiro e, no fim do processo, a guerra interna, que espreita através das lunetas dos irredentismos europeus insatisfeitos e da ambição russa.
  10. A não ser que se forme uma frente unida do norte e do ocidente contra o islamismo radical: um combate ideológico e mediático contra o islão semelhante ao que foi feito, com êxito, contra o comunismo; e o combate no terreno contra a agressão dos exércitos islâmicos radicais e o terror associado.
Que fazer? Continuar, apesar da escassez de meios e de tempo, o bom combate. Afirmando os valores cristãos e sem medo da perseguição mediática que tolhe os representantes. A nossa obrigação é polarizar uma alternativa cristã, que tem de ser apoiada pelos meios mediáaticos e universitários disponíveis, desassombrada nos costumes, sem concessão à bancocracia, com prioridade às famílias e à economia,  e responsável na segurança (nomeadamente, com o retorno do serviço ilitar obrigatório) e nas questões migratórias.


* Imagem picada daqui.

domingo, 19 de junho de 2016

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A trampa



Stephen King sobre o candidato Donald Trump à presidência dos EUA, na Rolling Stone, de 13-6-2016:
«I think that he's sort of the last stand of a sort of American male who feels like women have gotten out of their place and they're letting in all these people that have the wrong skin colors. He speaks to those people.»

Trump não é popular apenas por causa do racismo, do peso do white man's burden, e da da subsidio-dependência do welfare e da corrupção do sistema político, mas por causa da revolução ilimitada dos costumes que a maioria dos americanos rejeita, apesar de pressionada pelos média. Trump que conviveu com o sistema corrupto e que até é próximo das posições liberais nos costumes dos Democratas norte-americanos.

Trump é principalmente a consequência nefasta do delírio ideológico da esquerda marxista norte-americana que protege o islamismo (doutrina desumana que trata as mulheres como animais e os outros não-crentes no Islão como alvos), enquanto promove os clubes de consumo de droga, a utilização do estilete sobre o crânio de bebés no late-term abortion e, as barrigas de aluguer e a utilização cruzada de balneários escolares por homens que se digam mulheres e vice-versa. E da corrupção política e promiscuidade dos princípios dos moderados que representam um sistema degenerado e endogâmico.

Trump, que apela ao racismo branco - aliás como Bernie Sanders! -, cresce porque não há alternativa razoável dentro da direita norte-americana, e porque a esquerda perdeu o contacto com a realidade social.

A tolerância de Obama e de Hillary Clinton com o abuso violento do Islão, externo e interno, - veja-se a transformação do ataque terrorista islâmico,de ontem, 12-6-2015, de um filiado no ISIS contra um clube gay em Orlando num ato de homofobia sem ligação ao Islão e ao Estado Islâmico - fomenta a popularidade de Trump e pode colocar os EUA num isolacionismo perigoso.

O que se passa nos EUA, onde os extremos se tocam - direita radical contra esquerda radical -, perante o vórtice do centro político passivo e entretido na corrupção, também se verifica no Brasil, na França, na Áustria, na Espanha e na Grã-Bretanha. Racismo, xenofobia e segregação, de um lado, e fronteiras abertas, multiculturalismo acrítico e revolução dos costumes, do outro.

É preciso criar rapidamente uma alternativa moderada: conservadora nos costumes, favorável ao trabalho e contra a corrupção de Estado. De outro modo, o centro será engolido pelo delírio da atração dos extremos. A guerra.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

A degenerescência de PSD e CDS

Pelos idos de 1982, creio, Miguel Esteves Cardoso fez uma crítica televisiva do filme «Eu te amo», de Arnaldo Jabor, que estreava em Lisboa, no cinema Condes, agora ocupado pelo Hard Rock Café. No seu estilo desassombrado, Miguel contava que havia saído do cinema ao intervalo. Que havia virado a esquina e entrara no Olympia. E justificava: era mais barato e... melhor!...

O problema de PSD e CDS, nesta altura, é que reduziram a diferença face ao PS - ainda por cima nesta direção comunista, do velho MES leninista e revolucionário - à questão do dinheiro (a economia...e... e...!...). Uma espécie de direita dos interesses, desumana, em que o principal fator de distinção ideológica - a moral - é não apenas subalternizado, mas... apagado! Parafraseando o Miguel Morgado, que referia uma citação atribuída a Marx (mas Grouxo!), PSD e CDS dizem aos portugueses: se não gostam dos princípios que são enunciados nos programas dos nossos partidos, então... nós arranjamos outros!...

Nesse sentido degenerescente, por que motivo hão-de os católicos portugueses (81% da população, segundo os Censos de 2011) votar, ou apoiar, o PSD ou o CDS, se o PS é «the real thing»: aborto livre, gratuito e com prémio financeiro, liberalização das drogas, casamento homossexual, adoção de crianças por casais homossexuais (e não casais), mudança de sexo aos 16 anos, balneários mistos, barrigas de aluguer?!...

domingo, 5 de junho de 2016

A unidade ideológica do governo da Frente Popular de António Costa

“Não se pode dizer que, no essencial, o PS divirja do Bloco e do PCP”.


Ainda do delfim de António Costa, para compreender o contexto ideológico marxista, anticatólico, é útil ler:
  • Religião e Moral na Organização Curricular do Ensino Básico: breve comentário. Revista da Faculdade de Direito de Lisboa, vol. XLIII, n.º 2 (2002). Este foi o assunto da sua primeira obra publicada.
  • O princípio republicano. Revista da Faculdade de Direito de Lisboa, vol. XLVIII, n.º 1 e 2 (2007), pp. 165-270.